Discurso durante a 82ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Transcrição de artigo do jornalista Hélio Fernandes, intitulado "90 anos de Mário Lago", subtítulo "História, dignidade, participação, credibilidade e respeito pela vida".

Autor
Bernardo Cabral (PFL - Partido da Frente Liberal/AM)
Nome completo: José Bernardo Cabral
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Transcrição de artigo do jornalista Hélio Fernandes, intitulado "90 anos de Mário Lago", subtítulo "História, dignidade, participação, credibilidade e respeito pela vida".
Publicação
Publicação no DSF de 12/06/2002 - Página 11363
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • SOLICITAÇÃO, TRANSCRIÇÃO, ANAIS DO SENADO, ARTIGO DE IMPRENSA, AUTORIA, HELIO FERNANDES, JORNALISTA, HOMENAGEM POSTUMA, MARIO LAGO, ESCRITOR, ELOGIO, VIDA PUBLICA.

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


O SR. BERNARDO CABRAL (PFL - AM. Para uma comunicação inadiável. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, esta Casa sabe, porque não tenho feito nenhum mistério disso, da admiração que tributo ao jornalista Hélio Fernandes.

Alguns podem dele discordar, mas, ao longo do tempo, ele tem sido corajoso nas suas afirmativas e análises, não tem fugido, não desertou em nenhum instante, nem nos momentos mais difíceis que atravessamos.

Há mais de 30 anos, somos amigos, e lembro-me de que, quando ele foi confinado na ilha de Fernando de Noronha - eu era um jovem Deputado Federal de 30 anos -, fiz um discurso contundente em solidariedade a ele, e, depois, ambos fomos cassados e perseguidos. A diáspora acabou-se transformando num reecontro no Rio de Janeiro, quando fui Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

De vez em quando, o Hélio produz peças notáveis. Durante todas essas semanas, fiquei aguardando que alguém escrevesse algo parecido sobre Mário Lago. Não vi. Por mais bonita que fosse a frase, não tinha a substância que tem este artigo que tenho em mão, do qual, Sr. Presidente, na forma regimental, requeiro a V. Exª, certo de que V. Exª deferirá, a transcrição nos Anais do Senado.

Sr. Presidente, a publicação se deu no sábado e no domingo, dias 1º e 2 de junho. O título da matéria é “90 anos de Mário Lago”, e o subtítulo, “História, dignidade, participação, credibilidade, respeito pela vida”.

Observe V. Exª e a Casa a facilidade com que o Hélio escreve. Parece que a palavra lhe faz mesuras, rende-lhe as homenagens mais especiais. O primeiro tópico, longo, está assim redigido:

Foi uma vida longa a de Mario Lago. Noventa anos, ele mesmo afirmou que não lutava contra o tempo, esperava o tempo. Mais do que isso, honrou o tempo. Em todas as fases, desde que nasceu cronologicamente, em 1912, até o seu aparecimento como personagem, em 1935. Aí era o militante, o participante, não apenas coadjuvante, mas estrela de primeira grandeza. Como todos têm mesmo que morrer, não se chora a morte de um homem como Mario Lago. Nem se pode também falar em desaparecimento, pois ele ficará para sempre, gravou sua passagem, imortalizou-a, se fez eterno e nas mais diversas e difíceis aparições. E abriu seu caminho sempre pelo lado mais árduo, mais áspero, mais agreste da vida.

Não gostava das coisas fáceis, não procurava dificuldades, seu caminho foi sendo traçado com total convergência entre ele e o destino. É lógico que se destaca hoje a sua consagração no mundo intelectual, a realização múltipla e variada, a comunicação intensa e emocionada, através da música, do teatro, do cinema, da televisão, de tudo o que exigisse participação. E, na verdade, o que marcou mesmo Mario Lago foi essa palavra participação. Pois foi indiscutivelmente, e sem qualquer omissão, um participante nato e apaixonado.

E, num segundo período, Sr. Presidente, Hélio Fernandes lembra - por isso, o artigo é tão bonito:

Em 1935, foi preso pela primeira vez, aos 23 anos. Já era comunista, sempre foi comunista, jamais negou que era comunista. Mas sua prisão naquele ano não tinha razão de ser, se é que alguma vez a prisão por idéias, por lutar pela coletividade, por defender suas convicções, pode ter qualquer justificativa. Acontece que, naquele ano e naquela época, o combate ao comunismo era uma das lutas obrigatórias do mundo ocidental.

Sr. Presidente, a matéria segue por aí afora. O tempo é curto, mas ainda tenho o disponível para ler o final deste artigo:

Mario Lago manteve sempre, em toda a vida, a satisfação, a capacidade de comunicação, o sentido de que, haja o que houver, é preciso manter a paixão. E isso se vê, se sente e se admira, não só na vida de Mario Lago, em todos os momentos, mas principalmente nas composições. Em tudo o que fez está presente o sentido coletivo. Até mesmo em “Amélia”, uma de suas músicas mais famosas, mas também uma das mais polêmicas. Pois, apesar da tranqüilidade, da liderança, da realização, da participação, Mario Lago foi um polêmico nato e convicto.

O artigo finaliza da seguinte forma:

A última prisão de Mario Lago foi em 1968 no AI-5. E, na impossibilidade de reverenciar mais demoradamente um homem e uma vida, contemos, também ligeiramente, momentos dessa prisão. Ele estava trabalhando no Teatro Princesa Isabel, foi preso no intervalo, chegou ao Caetano de Farias vestido como estava. Encontrou então Carlos Lacerda, contemporâneo, antigo comunista, já ex há muito tempo. Mas se deram magnificamente nos 8 dias em que ficaram juntos.

Lacerda saiu no dia 22, não passou lá o Natal e Ano Novo, como Mario Lago e os outros 3 companheiros. Mas, desde que chegou, Mario marcou sua passagem. Mandou chamar o comandante do Regimento (Coronel Helio Quaresma, não sei se está vivo, já se passaram 34 anos, tratava a todos com respeito) e foi dizendo: “Coronel, pelo Tratado de Genebra, temos direito a 2 horas de exercício diário, a mandar vir comida de casa, a receber os jornais, somos presos políticos e não criminosos”.

O Coronel chamou o ajudante-de-ordens, foi tomando nota, cumpriu integralmente as exigências de Mario Lago. Foram 21 dias inesquecíveis, graças a Mario Lago.

PS - Valeu, Mario, que companheiro você foi.

Sr. Presidente, este artigo não pode deixar de figurar nos Anais da Casa, seja pela autoria de Hélio Fernandes, seja pela grande figura que foi Mario Lago, com quem V. Exª e eu convivemos.

Por isso, requeiro a V. Exª que determine a transcrição desta matéria nos Anais da Casa e dê conhecimento ao Jornalista Helio Fernandes desta manifestação.

 

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DOCUMENTO A QUE SE REFERE O SR. SENADOR BERNARDO CABRAL EM SEU PRONUNCIAMENTO.

(Inserido nos termos do art. 210 do Regimento Interno.)

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Este texto não substitui o publicado no DSF de 12/06/2002 - Página 11363