Discurso durante a 111ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Homenagens ao Estado do Mato Grosso do Sul pelo transcurso de seus 25 anos de existência, destacando o alento desenvolvimentista que experimenta e a necessidade de maiores investimentos em infra-estrutura. Gratidão ao povo sul-mato-grossense pela expressiva votação que o reconduziu ao Senado.

Autor
Ramez Tebet (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/MS)
Nome completo: Ramez Tebet
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Homenagens ao Estado do Mato Grosso do Sul pelo transcurso de seus 25 anos de existência, destacando o alento desenvolvimentista que experimenta e a necessidade de maiores investimentos em infra-estrutura. Gratidão ao povo sul-mato-grossense pela expressiva votação que o reconduziu ao Senado.
Aparteantes
Lindberg Cury.
Publicação
Publicação no DSF de 10/10/2002 - Página 18334
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL (MS), OPORTUNIDADE, ANALISE, IMPORTANCIA, POLITICA, DESENVOLVIMENTO REGIONAL, NECESSIDADE, INVESTIMENTO, INFRAESTRUTURA, INCENTIVO, AGROINDUSTRIA, REDUÇÃO, DESIGUALDADE REGIONAL, DESIGUALDADE SOCIAL.
  • AGRADECIMENTO, POPULAÇÃO, RECONDUÇÃO, ORADOR, SENADO.

O SR. RAMEZ TEBET (PMDB - MS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, expresso, engrandecido, da tribuna desta Casa, cuja Presidência tenho a honra de exercer em momento tão marcante da vida nacional, o testemunho contundente da vocação democrática e da firme determinação do povo sul-mato-grossense, que, em apenas um quarto de século, foi capaz de construir um dos Estados mais promissores do Brasil.

Mais que isso, teve esse povo altivo a disposição cívica para se projetar como sociedade empenhada na confirmação do pluralismo étnico e cultural, transnacional até, que é patrimônio de um espaço geopolítico único, onde o Brasil, o Paraguai e a Bolívia comungam, cotidianamente, do verdadeiro pan-americanismo.

Trago-lhes, pois, Srªs e Srs. Senadores, o alento e a esperança renovada no futuro deste País, alento e esperança de que me reabasteci no contato intenso e fecundo com a gente generosa e altiva do meu Mato Grosso do Sul, Estado a que homenageio, pelos vinte e cinco anos de sua criação, a serem comemorados no próximo dia 11 do corrente.

Há tão-somente um quarto de século, portanto, a onze de outubro de 77, o então Presidente Ernesto Geisel assinava a Lei Complementar nº 31, criando o Estado de Mato Grosso do Sul em território desmembrado do Estado de Mato Grosso.

O que significa um quarto de século para a História da Humanidade? Um brevíssimo lapso, diriam os historiadores. Tempo suficiente para se construir e consolidar uma sociedade moderna e pulsante, sedimentada, sobretudo, na ruptura com o atraso e no inconformismo com o subdesenvolvimento, diriam os meus conterrâneos sul-mato-grossenses.

Vinte e cinco anos foram tempo suficiente para que brasileiros de todos os quadrantes, acolhidos com a generosidade inerente a um povo de múltiplas raízes étnicas, amalgamassem com este um autêntico processo civilizatório.

Fecundadas com o suor e a têmpera de novos bandeirantes voltados para a exploração racional das potencialidades naturais, as vastidões monótonas dos cerrados improdutivos transformaram-se em campos fertilíssimos, com índices de produtividade dos maiores do País. A pecuária, antes extensiva e pouco rentável, tem hoje alto padrão de tecnologia aplicada. Setores de serviços, como comércio, ensino superior, centros médicos de complexidade crescente e turismo, experimentam expansão vertiginosa.

O contraponto a essa extraordinária expansão, em quantidade e qualidade, tanto nos setores terciários quanto na agricultura e na pecuária de Mato Grosso do Sul, reside na ainda incipiente estrutura industrial, incapaz de processar no próprio Estado grande parte de sua exuberante produção primária.

Entretanto, a mais importante e inalienável conquista de Mato Grosso do Sul está no seu magnífico patrimônio humano, cujos fundamentos sócio-culturais e políticos expressam-se na recusa radical à subordinação econômica e ao subdesenvolvimento intelectual. A par da modernização das estruturas econômicas, verifica-se a essencial ampliação dos horizontes intelectuais e dos paradigmas culturais, seja pela extraordinária expansão do ensino universitário, seja pela confirmação das principais cidades do Estado como pólos de oferta de serviços crescentemente sofisticados.

É desse jovem e vibrante Mato Grosso do Sul que lhes trago, Srªs e Srs. Senadores, a certeza de que, apesar dos pessimistas de sempre e dos derrotistas de ocasião, o Brasil tem jeito e tem futuro, um futuro que já estamos construindo, mas que precisa ser antecipado em presente plausível e palpável, generoso e plural.

Basta, para tanto, que as elites políticas deste País, na qual por certo nos incluímos, mobilizem-se no concerto de um pacto objetivo pela real interiorização do desenvolvimento, o que significa, concretamente, estabelecer mecanismos de apoio à agroindústria, única forma de reduzir as gritantes disparidades regionais, agregando valor à produção primária, gerando emprego e renda.

Certamente, não haverá momento mais oportuno para a definição desse pacto pelo desenvolvimento regional que este, quando se trava o debate democrático decisivo em torno de programas e propostas que buscam o referendo da Nação no turno final da eleição presidencial. A propósito, aliás, é de se lamentar que políticas específicas de interiorização do desenvolvimento tenham merecido não mais que discretas menções nos programas de governo expostos à avaliação da sociedade nacional.

Sem uma política duradoura, clara e conseqüente, de desenvolvimento regional, fundada na garantia de infra-estrutura de transporte e de energia, riquezas potenciais continuarão “adormecidas”, enquanto seguiríamos repetindo com Paulo Francis: “Tudo nos pertence, só que não existe”.

Para se tornar eficaz e producente, a garantia de infra-estrutura deve ser complementada com a oferta de incentivos e suportes para a agroindústria.

Sem infra-estrutura adequada e incentivos subordinados à localização estratégica das plantas industriais, definida com vistas à redução de disparidades, o Brasil estará fadado à perpetuação do perverso dilema que contrapõe, na mesma Pátria que seria de todos, os muito ricos e os absolutamente deserdados de futuro e, no mesmo território comunitário que seria o espaço sagrado da Nação, territórios altamente desenvolvidos e cantões esquecidos.

E nem seria necessário dizer aqui que, enquanto persistirem as profundas e injustas apartações sociais, enquanto perdurarem as paradoxais diferenças regionais, o País ainda não terá se erigido à plena condição de Nação. E seu povo não terá se alçado em sociedade livre, generosa e soberana.

Srªs e Srs. Senadores, a homenagem aos vinte e cinco anos de meu querido Mato Grosso do Sul, a que os convido a se associar, em preito de reconhecimento a um povo que é a síntese de concreta brasilidade, permite-me uma evocação do mais puro sentimento de gratidão.

Trago das minhas peregrinações por todos os rincões do Mato Grosso do Sul, além das contundentes manifestações de esperança e fé em um Brasil mais justo e generoso, a tão magnífica e magnânima quanto desafiadora ratificação da confiança de meus conterrâneos: reeleito com uma das maiores votações do País, em termos proporcionais, para seguir representando meu Estado nesta Casa, divido com meus ilustres Pares a alegria extraordinária com que acolho o referendo democrático.

Meu Mato Grosso do Sul chega ao primeiro quarto de século de sua história confrontado com momento decisivo para o seu próprio futuro. Caberá ao povo decidir, democraticamente, nas urnas do segundo turno para o governo do Estado, entre a mera prorrogação de uma administração ineficiente e as propostas de políticas públicas capazes de retomar o caminho do desenvolvimento, de que lamentavelmente nos desviamos.

Para concluir, reafirmo minha inabalável disposição de corresponder sempre à lúcida solidariedade e à altiva contribuição que tenho merecido das senhoras e dos senhores na tarefa de servir ao meu Estado e ao País.

Expresso ainda a minha convicção de que o Senado da República haverá de confirmar-se, no fim do processo eleitoral que mobiliza a Nação, como instituição fiadora da democracia e instância generosa de sua plena realização.

Assim foi, assim é e assim será. Que Deus nos ilumine e inspire a todos. Parabéns ao povo de Mato Grosso do Sul.

Muito obrigado.

O Sr. Lindberg Cury (PFL - DF) - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. RAMEZ TEBET (PMDB - MS) - Ouço V. Exª com prazer.

O Sr. Lindberg Cury (PFL - DF) - Não quis interromper o brilhantismo do seu pronunciamento, mas sou levado por um sentimento a fazer alguns registros. Tive a oportunidade de conhecê-lo quando Superintendente da Sudeco em Brasília há aproximadamente 20 anos, começando, ainda jovem, uma carreira. Posteriormente, assumiu proporções políticas em seu Estado, Mato Grosso do Sul - acredito que o Estado nem era dividido na época. Fez uma campanha brilhante, partindo do nada. Foi Vice-Governador, Governador, Senador e ocupou no Senado cargos anteriormente importantes, inclusive como Presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, que deu uma dinâmica muito grande ao trabalho e à firmeza de V. Exª por todo este Brasil. Num momento em que era preciso muita segurança e prudência, V. Exª exerceu sua função com muita capacidade. Logo depois, Presidente do Senado Federal, mas anteriormente Ministro. Foi realmente uma carreira muito brilhante. O Estado do Mato Grosso do Sul apresenta qualidades excepcionais em sua agricultura, em seu meio ambiente, na cultura do seu meio ambiente, que tive a oportunidade de conhecer; o seu Estado tem um futuro muito grande pela frente e, sem dúvida nenhuma, será o grande alimentador do mundo em matéria de grãos. Essa contribuição foi muito marcante com a presença de V. Exª quer na Sudeco, quer no Senado, quer no Ministério da Integração Nacional. E o Estado lhe deve muito; tanto deve que a resposta veio nesta eleição. Sem muito esforço ou desdobramento da parte de V. Exª na procura de votos, o Estado deu uma resposta elegendo-o como um dos mais votados proporcionalmente no Brasil. Os nossos cumprimentos, Sr. Presidente. V. Exª exerce com muita seriedade, probidade, inteligência e capacidade o seu mandato onde quer que esteja. O Senado se sente honrado com isso. Eu, que me considero um amigo de V. Exª, também quero registrar o meu contentamento pelo seu retorno e parabenizar o Estado do Mato Grosso do Sul por mais oito anos de Senado. Parabéns!

O SR. RAMEZ TEBET (PMDB - MS) - Senador Lindberg Cury, não relativamente a minha pessoa, mas a meu Estado, o penhor da nossa gratidão por V. Exª se referir ao Mato Grosso do Sul como o Estado que pode ser - e certamente será - o celeiro do progresso e do desenvolvimento do nosso País. Sou grato a V. Exª. Quanto às referências pessoais, eu as credito à amizade que nos une.

Sr. Presidente, não quero descer da tribuna sem agradecer ao Senador Luiz Otávio pela gentileza da cessão do seu tempo para que eu pudesse ocupar a tribuna e não deixar passar em branco os vinte e cinco anos da criação do Estado de Mato Grosso do Sul. V. Exª com esse gesto me permitiu ocupar a tribuna para homenagear o Estado a que tudo devo. Muito obrigado.

 


Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/10/2002 - Página 18334