Discurso durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

DISCURSO DE DESPEDIDA DA CASA.

Autor
José Serra (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/SP)
Nome completo: José Serra
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ATUAÇÃO PARLAMENTAR.:
  • DISCURSO DE DESPEDIDA DA CASA.
Aparteantes
Antero Paes de Barros, Artur da Tavola, Carlos Patrocínio, Chico Sartori, Eduardo Suplicy, Fernando Bezerra, Geraldo Melo, José Agripino, José Eduardo Dutra, Leomar Quintanilha, Lindberg Cury, Lúdio Coelho, Maguito Vilela, Marina Silva, Marluce Pinto, Mauro Miranda, Nivaldo Krüger, Olivir Gabardo, Osmar Dias, Pedro Simon, Renan Calheiros, Roberto Saturnino, Romero Jucá, Romeu Tuma, Tião Viana.
Publicação
Publicação no DSF de 19/12/2002 - Página 26661
Assunto
Outros > ATUAÇÃO PARLAMENTAR.
Indexação
  • BALANÇO, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, ORADOR, CONCLUSÃO, MANDATO, SENADOR, AGRADECIMENTO, SENADO.
  • ESCLARECIMENTOS, ATUAÇÃO, VIDA PUBLICA, ORADOR, LUTA, DEFESA, DEMOCRACIA, CONTEXTO, DITADURA.
  • REGISTRO, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, CONTRIBUIÇÃO, CRIAÇÃO, FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR (FAT), REFERENCIA, PARTICIPAÇÃO, GOVERNO, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, QUALIDADE, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DO ORÇAMENTO E GESTÃO (MOG), MINISTERIO DA SAUDE (MS).
  • ANALISE, ATUAÇÃO, ORADOR, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DA SAUDE (MS), REALIZAÇÃO, MELHORIA, SAUDE, AMBITO NACIONAL, ESPECIFICAÇÃO, CAMPANHA NACIONAL, COMBATE, SINDROME DE IMUNODEFICIENCIA ADQUIRIDA (AIDS), FACILITAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, MEDICAMENTOS, REGISTRO, REDUÇÃO, MORTALIDADE INFANTIL.

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. JOSÉ SERRA (PSDB - SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, faltam poucos dias para o final do mandato que eu recebi das urnas em 1994, para representar, nesta Casa, o Estado e o povo de São Paulo. Antes, a população de São Paulo me elegera duas vezes consecutivas Deputado Federal.

            Portanto, depois de 16 anos no Congresso, encerro mais uma etapa na minha vida pública. Vida pública esta que foi iniciada há cerca de quatro décadas como Presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo e como Presidente da União Nacional dos Estudantes, a UNE, ainda nos tempos agitados do Governo João Goulart.

            Representar meu Estado como Senador foi, com certeza, um dos grandes desafios desses quarenta anos. Aliás, não tenho como não ser grato pelos obstáculos e pelos desafios, pelas oportunidades, muitas vezes na forma de dificuldade, que a vida pública me tem proporcionado.

            Há quarenta anos, eu estudava na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e a vontade de mudar o Brasil me arrastou para a luta democrática e nacional, integrado às correntes políticas que pregavam, na época, a necessidade das reformas, voltadas para o desenvolvimento e a construção de um País mais justo.

            Foram duras para mim, Srªs e Srs. Senadores, meus Colegas, as conseqüências do Golpe Militar de 1964. Significaram a interrupção dos meus estudos, uma condenação pela Justiça Militar, baseada num processo farsesco, e quatorze anos de exílio.

            Mas, como muitos obstáculos que enfrentamos na vida, aquele período representou para mim uma oportunidade e um grande aprendizado. Foi ali, por exemplo, que reforcei e consolidei, definitiva e radicalmente, minhas convicções democráticas. E me sinto, hoje, feliz ao notar, tanto tempo depois, que essas idéias democráticas, as mesmas idéias democráticas que defendíamos, fazem parte da medula das nossas instituições, do cerne da nossa cultura política. 

            Parece largamente consensual hoje em nosso País a convicção de que não há como atropelar as instituições democráticas sem ferir de morte as liberdades públicas.

            Parece consensual que as mudanças econômicas e sociais não podem ser produto da vontade momentânea das ruas ou do simples desejo do chefe do governo.

            Parece consensual hoje o entendimento de que as grandes mudanças começam na mobilização da cidadania, mas só se completam quando conseguem a necessária maioria neste Congresso, onde, afinal de contas, está representado o povo, em seu conjunto.

            Parece consensual hoje a convicção de que a convivência tolerante e democrática com a contradição, com a divergência e a oposição é fonte de legitimidade e força para o poder, e não de fraqueza.

            Aliás, Sr. Presidente, meu caro Ramez Tebet, se é verdade que o Brasil assiste hoje a uma transição política tranqüila e civilizada, também é verdade que as convicções democráticas dos fiadores dessa transição não são o produto de algum tipo de geração espontânea. Ao contrário, são convicções democráticas historicamente construídas, sobre lutas e derrotas.

            Sabemos todos como a construção dessa cultura política democrática, hoje encarnada na figura do Presidente Fernando Henrique Cardoso, cobrou um preço altíssimo em vidas humanas, em sofrimento, em carreiras interrompidas, em famílias dispersas, em brasileiros desenraizados.

            Falo do Brasil, mas não poderia deixar de fazer referência aos países que me acolheram durante o exílio. O Chile representou, para mim, a oportunidade de continuar os meus estudos - agora em Economia -, tornar-me professor, continuar a militância política e construir uma família. Lá eu meu casei e nasceram meus dois filhos. Lá, continuei contribuindo para a redemocratização do país. Nunca fui partidário da luta armada, mas utilizei as armas da escrita e da denúncia, organizando o trabalho, na América do Sul, de denúncias das torturas e arbitrariedades cometidas pela ditadura militar nos seus “anos de chumbo”.

            O Chile representou, ainda, para mim, a oportunidade de comprovar, na prática, a validade e a perenidade das lições aprendidas com a derrota de 1964, como os riscos do populismo exacerbado, da quebra do equilíbrio macroeconômico, da quebra de contratos e da estratégia maximalista de tomada do poder.

            Aprendi bem como é estreito o caminho dos que batalham pela mudança, pela justiça social, quando chegam ao Governo. É um fio de navalha: o recuo ou a rendição. Nem perecer, nem trair. Este é o dilema recorrente dos comprometidos com os ideais de igualdade.

            Deus quis que eu saísse com vida do Estado Nacional de Santiago, onde milhares morreram pelas mãos da repressão, após o golpe que derrubou o Presidente Salvador Allende.

            A democracia para mim, Srªs. e Srs. Senadores, meus Colegas, não é uma palavra. É matéria-prima de vida. É matéria-prima de lutas. E é o primeiro e mais sólido pilar das minhas convicções. A bússola que me tem guiado ao longo desses anos, mesmo nas piores escuridões.

            Sou grato também aos Estados Unidos, que me acolheram no segundo exílio. Acabei sendo exilado ao quadrado: do Brasil e depois do Chile. Nos Estados Unidos aprofundei meus estudos e minha carreira profissional e aprendi muito sobre as regras, formais ou não, que regem o funcionamento de uma democracia organizada, e sobre como uma sociedade e uma economia abertas ao mundo podem conviver com os ideais de nação e de pátria.

            Naquele país, nos grandes debates sobre políticas públicas, argumenta-se em função de interesses nacionais, invocam-se tradições históricas, exemplos de líderes. E isso não é considerado nenhuma heresia, como, em certas circunstâncias, passaram a ser considerados, em nosso País, interesse nacional, pátria e grandes lideranças históricas.

            Durante a Assembléia Nacional Constituinte, surpreendi muitos setores da esquerda com minhas teses sobre as questões fiscais, o papel do Estado e dos investimentos externos. Como pode o Serra, que vem da esquerda - perguntavam -, preocupar-se com a austeridade fiscal, dar tanta prioridade ao combate ao déficit público? Ou, então, opor-se a restrições constitucionais ao capital estrangeiro? Por que ele não apóia uma presença maior do Estado na economia, que queremos cravar na Constituição?

            Na verdade, eram subjacentes a essas manifestações duas escolhas de sinais contrários, em relação às quais eu não me enquadrava: aquela do nacionalismo no estilo da Terceira Internacional do ex-camarada de alguns aqui, Joseph Stalin, ou, do lado contrário, aquela do neoliberalismo à outrance.

            O mesmo neoliberalismo que imagina que a globalização fundiu a economia mundial e a economia nacional numa única realidade, e considera corporativista, cartorial ou até espúria a defesa de interesses nacionais.

            É esse mesmo neoliberalismo, aliás, que confia no automatismo do mercado para garantir o crescimento da economia e do emprego, bem como a redução das desigualdades, dispensando qualquer intervenção dinamizadora e corretiva do Estado. Nunca me enquadrei, nem nesta visão neoliberal nem na visão do nacionalismo da Terceira Internacional.

            O que defendo e defendi na Constituinte é que não cabe perder tempo nem esforços com a questão de se o País deve ou não dar as costas à globalização ou dela participar. A questão é outra: como situarmos o Brasil nesse processo? Com a nossa verdade e não com a verdade dos outros. Temos o caso da Argentina, que adotou a verdade alheia, por exemplo, de que o o peso valia um dólar. Era a verdade dos outros. Quando ela revelou a sua fragilidade, passou a ser a verdade da Argentina, e os outros passaram a não ter nada a ver com isso.

            Globalização e políticas nacionais de desenvolvimento, política industrial, política agrícola, planejamento dos investimentos públicos, expansão, com qualidade, dos serviços sociais, não são necessariamente incompatíveis. A compatibilização é possível e depende de nós mesmos.

            Aliás, por delegação do Presidente Fernando Henrique Cardoso, à frente do Ministério da Saúde, enfrentei uma batalha típica da arena da globalização: as patentes de medicamentos. Aqui e lá fora, na Organização Mundial do Comércio, diziam que seríamos derrotados porque o Governo Bush era demasiadamente comprometido com as indústrias de medicamentos.

            Pois não é que vencemos? Por quê? Porque, além de obstinados, mobilizamos a opinião pública, inclusive a internacional. Fizemos inclusive anúncios nos principais jornais do mundo, defendendo a posição brasileira. No entanto, fomos flexíveis na negociação. E -isso não é o menos importante- tínhamos a razão do nosso lado. Com ela, vieram junto 150 países e a posição brasileira prevaleceu, mudando a história mundial do mercado de medicamentos. Aliás, não é por menos que, nos dias atuais, o governo norte-americano se empenha tanto para revogar aquela decisão, diga-se de passagem, da qual ele mesmo participou, embora pressionado, no final do ano passado, em Doha, no Qatar.

            Creio, portanto, que a inserção favorável do Brasil no processo de globalização depende de nós, da sociedade e do Estado. Não me refiro ao Estado produtor do passado, que fabricava de parafusos e vagões a polietileno. Defendi e defendo, nas funções legislativas e governamentais que ocupei nos últimos 20 anos, o Estado ativo, não o Estado produtor. Defendi, defendo e sempre pratiquei o ativismo governamental.

            O Estado deve ser cada vez mais regulador e menos interventor. Deve abandonar formas excessivas e ineficientes de interferência na economia, mas sem perder de vista a existência de setores que, se não forem por ele regulados, não funcionarão em benefício nem da eficiência nem da coletividade.

            Essas concepções estiveram por trás da minha prática legislativa e executiva nas últimas duas décadas, assim como à frente dessa prática estiveram crenças e convicções que, para o bem ou para o mal, definiram o meu estilo de atuação.

            Começo pela convicção -ao falar desse estilo- de que a política não é a arte do possível. Ver as coisas dessa maneira seria, para mim, excessivamente conservador. A política, de fato, é a arte de ampliar os limites percebidos como possíveis. Essa é a visão que sempre tive. Não conhecemos exatamente quais são os limites do possível.

            Dizer que política é a arte do possível é conformar-se a uma posição conservadora. Sempre lutei para ampliar esses limites e continuo com a convicção de que, contrariamente ao que se diz, não é o poder que corrompe os homens, mas são alguns homens que corrompem o poder.

            Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, da minha parte, participei de dois governos, conduzidos por homens que nunca corromperam o poder: André Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso. Eles, ao contrário, sempre souberam como enfrentar e sempre se dispuseram a enfrentar os que corrompiam o poder. E nem Montoro nem Fernando Henrique fizeram disso pretexto para prejulgamentos ou instrumento de retórica e de demagogia.

            Quero dizer que pode ser que o poder até corrompa alguns, mas uma coisa é certa: o poder ensina a todos. Vamos poder assistir, em nosso País, nos próximos anos, a um grande processo de aprendizado, porque isso o poder sempre faz. Ele não corrompe sempre, mas sempre ensina os que o exercem.

            Continuo convencido também de que governar e mesmo legislar envolve contrariar interesses. Não é comum se dizer isso, mas é a realidade. Há um economista das primeiras décadas do século, e hoje seria chamado também de cientista político, chamado Vilfredo Pareto, que definiu uma espécie de regra de ouro para a economia. Ele dizia que toda mudança seria considerada ótima sempre que alguém ganhe com ela sem que ninguém perca.

            Nunca fui paretiano, embora acredite que, diante de políticas públicas corretas, setores inicialmente contrariados podem até ser beneficiados, a longo prazo, com a melhora do conjunto da economia e da sociedade.

            Nunca fui paretiano, nem no Congresso, nem no Executivo. Se o tivesse sido, no Ministério da Saúde, eu me teria limitado apenas a pressionar o Tesouro por mais dinheiro, porque isso aparentemente não é contrariar o interesse de ninguém. Essa era a tradição dos Ministros da Saúde no Brasil. Fiz também pressão sobre o Tesouro e consegui aprovar, numa memorável jornada e com a colaboração estreita do Congresso Nacional -e apesar de muitas pressões contrárias- uma emenda constitucional que aumenta os recursos e defende da inflação o setor da saúde. Nós veremos isso no ano que vem, quando a inflação será mais alta. A saúde está protegida disso. Mas, além de lutar por mais recursos, enfrentamos, ao mesmo tempo, interesses privados: a indústria do cigarro, planos de saúde, laboratórios, hospitais e clínicas que desviavam dinheiro do SUS, etc.

            Quem pretender governar sem contrariar interesses, estejam certos, terá como opções exclusivas a pasmaceira ou o populismo, que exaure o Tesouro e empina a inflação.

            Um princípio básico que compartilhei com Franco Montoro, com Fernando Henrique Cardoso e, aqui no Congresso Nacional, com Mário Covas, quando S. Exª foi líder na Constituinte, foi o de, no Poder Legislativo, mesmo na Oposição, nunca apostar no “quanto pior, melhor”. Isso prejudica o País e o povo. Os colegas que estavam em nossa companhia durante o Governo Collor, na Câmara dos Deputados, sabem disso. Nós fazíamos oposição, mas nunca na base do “quanto pior, melhor”.

            No Poder Executivo, há outro princípio que, embora já soubesse, foi muito reforçado na convivência com Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas: o de nunca fazer discriminação partidária, por exemplo, no atendimento a Parlamentares, Prefeitos e Governadores. As forças que hoje são de oposição e que, a partir de primeiro de janeiro, serão governo, sabem disso. Nunca fizemos discriminação partidária. Políticos de corte oligárquico também o sabem, pois sempre ficaram incomodados com minha recusa em suspender ou deixar de alocar recursos para uma Prefeitura ou Estado, só porque eram comandados por seus adversários. Isso me trouxe muita dor de cabeça, mas valeu a pena, porque se trata de manter o estilo e a conduta coerente que se acredita ser melhor da perspectiva do povo brasileiro.

            O povo não pode ser punido, quando elege políticos de partidos diferentes para as várias esferas da administração pública. Os políticos devem sempre estar dispostos a buscar a convergência necessária para a defesa dos interesses do povo, ainda que nossas idéias para o Brasil e para o mundo possam ser muito diferentes.

            Essa coerência e essa convergência na adversidade não se constróem sem transparência. A verdade é a pedra fundamental do edifício político democrático. Falar a verdade e agir com transparência, aliás, têm sido outros dos critérios fundamentais da minha trajetória.

            É inimaginável, para mim, dizer uma coisa hoje e outra radicalmente diferente amanhã, sem ao menos explicar por que mudei. É inimaginável, para mim, dizer uma coisa na oposição e, uma vez no governo, fazer o contrário, sem que haja razão aparente para a mudança. É inimaginável, para mim, dizer uma coisa na campanha eleitoral e fazer outra depois de eleito, sem esclarecer por quê.

            Na política, tenho procurado fugir da esperteza, assim como o diabo foge da cruz. É claro que, para isso, há um preço, mas, sinceramente, pago-o com muita satisfação.

            Outro critério que sempre procurei obedecer é o do cumprimento de compromissos: com metas assumidas, com a verdade orçamentária, com a pontualidade nos pagamentos. Vejam o que aconteceu com o SUS a partir de 1998: pagamentos modestos, mas nunca mais esta Casa ouviu falar de um atraso de pagamento na área da saúde. Cumprimenro dos compromissos assumidos com os Partidos do Governo e da Oposição no Congresso, e com os setores da sociedade.

            O respeito aos compromissos eleva a qualidade, a credibilidade e a eficiência das ações públicas e facilita, ao infinito, a materialização das convergências entre divergentes.

            Lembro-me de que, durante a minha gestão no Ministério da Saúde, o Congresso aprovou seis projetos de lei, Sr. Presidente, e uma emenda constitucional, todos cruciais para o desenvolvimento da saúde no Brasil e sempre com o apoio da Oposição, exatamente porque nós cumprimos os compromissos.

            Finalmente, não posso deixar de enfatizar minha convicção a respeito de um dilema que é hoje bastante difundido - tão difundido quanto falso -,o da estabilidade de preços ou desenvolvimento, ou, como se diz mais vulgarmente, monetarismo versus desenvolvimentismo.

            Não há, necessariamente, oposição entre estabilidade de preços e crescimento econômico.

            Aliás, durante toda a minha vida pública e até acadêmica, trabalhei, muitas vezes sem sucesso talvez, para mostrar a falácia dessa antítese. Ao contrário, o crescimento pode ser a garantia sólida de uma estabilidade duradoura. E a estabilidade é uma condição para um crescimento sustentado.

            Agora, falar em monetarismo versus desenvolvimentismo como pólos opostos de um mesmo fenômeno é apenas sinal de ignorância econômica. Seria, mais ou menos, como dizer que a banana é o oposto da laranja e vice-versa.

            Meus Colegas Senadores, hoje presto contas sobre como fiz e o que fiz nestes últimos 20 anos, desde quando servi como Secretário de Economia e Planejamento do Governo de Franco Montoro, que mostrou ao Brasil, naquela época, que a Oposição sabia governar com seriedade, espírito democrático, disposição para ajudar os mais necessitados, austeridade no controle das finanças públicas e eficiência na utilização do gasto governamental, tudo em meio a muitas pressões sociais, reprimidas durante a Ditadura, e à grande dificuldade em face da herança adversa que havíamos recebido do governo anterior, (*) além da maior recessão que a economia brasileira vivia desde os anos 30.

            No entanto, isso tudo, para nós, não funcionou como desculpa, mas como desafio, como incentivo para governar bem. Essa foi a lição que Franco Montoro trouxe à vida pública brasileira, às forças de Oposição quando chegam ao governo.

            No meu primeiro mandato de Deputado, integrei a Constituinte de Ulysses Guimarães, aliáso homem que me introduziu à Brasília dos políticos. Indicado por Mário Covas e Euclides Scalco, fui Relator dos difíceis temas de orçamento, tributação e finanças, além de ter sido autor de 120 emendas aprovadas. No mandato seguinte, fui Líder do PSDB e pude completar a legislação daquela que foi, talvez, minha maior realização como Parlamentar: a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador -que não foi iniciativa do Executivo, mas do Legislativo, mediante uma proposta de minha autoria- e a viabilização de um seguro-desemprego decente.

            Em 1995, vim para o Senado, mas fui para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, do Presidente Fernando Henrique Cardoso, onde coordenei a elaboração do Plano Plurianual de Investimentos, depois sintetizado no Avança Brasil, que inovou na história do planejamento em nosso País, ao programar ações e destinações de recursos que envolvem não apenas a esfera federal, mas Estados, Municípios e iniciativa privada. Um plano para valer, que o Governo Fernando Henrique tocou para adiante, ao contrário da história da maioria dos planos de desenvolvimento do Brasil -apenas dois caminharam no passado, independentemente de terem caminhado bem ou mal: o Plano de Metas, de Juscelino Kubitscheck, e o Plano Nacional de Desenvolvimento, do General Giesel.

            Em seguida, permaneci um período maior no Senado, onde tive a honra de presidir a Comissão de Assuntos Econômicos e desfrutar melhor da companhia e da sabedoria de tantos Colegas.

            Aceitei, depois, o desafio do Ministério da Saúde, seguindo conselhos espontâneos e desinteressados de Colegas Senadores, tão diferentes quanto Jefferson Péres e Esperidião Amin, junto com o saudoso Vilson Kleinübing, cuja memória quero evocar neste momento, e Humberto Lucena, outro grande brasileiro, um batalhador pela redemocratização.

            Eu dizia que era vizinho de Esperidião Amin, que, sem que eu perguntasse nada, ficava insistindo nessa tese. Outro Senador me procurou, foi à minha sala e disse: “Olha, estou ouvindo falar que você está sendo cogitado para a Saúde. Queria sugerir enfaticamente que aceitasse. Vai ser muito bom para você e para o Brasil”. Era o Senador Jefferson Péres.

            O essencial da minha gestão na Saúde, que contou sempre com a cobertura do Presidente Fernando Henrique, foi a recuperação da auto-estima do setor. Isso foi o essencial na área da Saúde. Tivemos mais recursos, fizemos mais descentralização, o trabalho foi mais frenético em todos os níveis. Prioridades mais claras, mais motivação para as pessoas da área da Saúde, esses recursos humanos mal remunerados que se empenharam tanto para a melhora do sistema de saúde quando perceberam que havia um norte, um rumo, a perspectiva de que aconteceriam coisas. Fizemos tudo com mais rapidez, com controle social, cobrança de tarefas, redução de preços reais de medicamentos comprados pela rede pública - só no caso da Aids, economizamos US$1 bilhão por ano na compra de medicamentos. Pontualidade nos pagamentos aos hospitais e clínicas; pontualidade nas compras e nos pagamentos ao setor privado, princípio fundamental da minha atuação no Executivo em relação a questões econômicas. Como já disse, o pagamento pontual impõe respeito, permite reduzir custos e afasta a corrupção, que nasce das dificuldades, muitas vezes criadas.

            É sabido que nossa campanha contra a Aids é hoje considerada um modelo no contexto internacional. Registro que essa campanha se apóia numa lei aprovada aqui no Senado, de iniciativa do então Senador José Sarney, que nós transformamos em realidade dentro do Executivo, numa dura luta para manter a coerência da política, para reduzir preços e para mobilizar 600 organizações não governamentais.

            É sabido que as endemias e epidemias foram dramaticamente diminuídas nos últimos anos. Que elevamos tanto o número de cirurgias de transplante de órgãos que o Brasil hoje é o segundo País do mundo nessa cirurgia, considerada a mais delicada, a mais complexa.

            É sabido que destinamos R$5 bilhões para investimentos na infra-estrutura do SUS - hospitais, clínicas, ambulatórios -, algo que nunca tinha acontecido no passado.

            Que destinamos mais de R$2 bilhões a obras de saneamento nos Municípios mais carentes e pobres do Brasil, baseados em critérios técnicos.

            Que os genéricos chegaram para valer. Isso todo mundo sabe.

            E que, em parceria com o Congresso, criamos a Agência Nacional de Saúde, para regular os planos de saúde, com a colaboração particularmente do Senado, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que está modernizando o setor, além de tê-lo moralizado. A vigilância sanitária era o lugar geométrico da corrupção no nosso País, onde criavam dificuldades a cada passo para poderem vender facilidades. Isso acabou.

            É sabido que, praticamente, eliminamos todas as filas para cirurgia de catarata e muitas outras coisas.

            Mas, talvez, o resultado mais expressivo, Presidente Ramez Tebet, da nossa gestão na Saúde tenha sido a redução das mortalidades materna e infantil, redução atribuída por técnicos do IBGE às ações do Ministério, à nossa política de saúde: educação sanitária, parceria com a Pastoral da Criança, investimentos em maternidades, ampliação dos exames pré-natais, redução das cesarianas desnecessárias e o espetacular aumento da cobertura do Programa de Saúde da Família e do Programa e Agentes Comunitários de Saúde.

            A mortalidade materna caiu 23% entre 1998, ano em que assumi o Ministério, e o ano passado, 2001.

            No caso da mortalidade infantil, a estimativa do IBGE sobre as tendências da década apontava para uma taxa de 33,5 por mil nascidos vivos para o ano 2000. Essa era a estimativa. O censo, no entanto, mostrou que o número era menor: 29,6 por mil nascidos vivos. Hoje, deve estar abaixo de 26, pelas indicações que temos. Ou seja, ultrapassamos as expectativas.

            Agora, o IBGE vai refazer os dados da década. Assim, todos os índices de mortalidade para trás serão diminuídos para se fazer um ajuste do que se verificou no ano 2000. E os próprios técnicos do IBGE dizem que essa redução a mais aconteceu na segunda metade da década de 90, especialmente no final. . Aliás, vamos completar o ano de 2002 com 17 mil equipes de saúde da família.

            A queda mais espetacular da mortalidade infantil ocorreu no Nordeste. A estimativa para 2000, Senador Geraldo Melo, era de 52,3 mortes por 1000 nascidos vivos. O censo apontou 44 por 1000.

            Isso é o que significa ampliar os limites do possível. Ninguém acreditava fosse possível promover uma alteração desse porte na tendência da mortalidade infantil, mas nós forçamos a expansão desses limites.

            Lembro aqui que o desempenho da Saúde no Nordeste refletiu, em grande medida, a prioridade que demos a esta Região, assim como fizemos em relação à Região Norte do Brasil. As transferências do SUS para o Nordeste cresceram em mais de 110%, cerca de 50 pontos acima da média nacional. Esse dado está por trás do desempenho de indicadores sociais tão fundamentais quanto os da Saúde no Nordeste.

            Olhem, ainda há muito índice para declinar, muito por fazer, mais do que foi feito, mas a principal lição que eu obtive na Saúde não foi - acreditem os meus amigos - ter aprendido Medicina. Não aprendi nada de Medicina e, apesar da minha fama de hipocondríaco, tenho um conhecimento muito restrito. Aqui há hipocondríacos de grande estatura, que estes, sim, poderiam até oferecer consultas. Não é o meu caso. Não aprendi isso no Ministério da Saúde. Aprendi a ampliar o meu otimismo a respeito do Brasil.

            Afinal de contas, foi possível inverter o rumo numa área tão essencial para as pessoas e tão difícil, a mais difícil do Governo Federal - Segurança, a mais difícil do País, é encargo dos Estados. Conseguimos isso sem muito dinheiro a mais. Aumentou o dinheiro, mas não muito. Gastamos com economia, controlando a aplicação dos recursos, enfrentando interesses, quando necessário e, acima de tudo, contando com os extraordinários recursos humanos disponíveis no setor, que nós, como eu já disse, conseguimos motivar. Contamos também com o apoio, em todos os momentos, do Congresso e deste Senado. Basta ver toda a legislação que aprovamos, que promoveu verdadeira revolução institucional na área da Saúde. Houve o apoio, também, de Governadores e Prefeitos de todos os partidos, que foram os nossos parceiros.

            Ao falar da redução da mortalidade infantil, citei o Nordeste. E eu me permito, a propósito, invocar outro aspecto que considero relevante, da minha presença na vida pública. Representei, na Câmara e no Senado, o meu Estado, São Paulo. Nasci na cidade de São Paulo. No entanto, fiz e faço essa representação sempre a partir de uma perspectiva nacional. Tenho sido - aqueles que convivem comigo e me acompanham sabem disso - sempre um político nacional, que encara o Brasil como um todo.

            Sou filho de imigrantes, convivi na infância e na adolescência, nos bairros operários em que fui criado, com famílias de imigrantes do Nordeste, as primeiras levas que lá chegaram para, com seu trabalho, erguer a riqueza de São Paulo.

            Depois, quando presidi a UNE, convivi com brasileiros de todas as regiões e literalmente percorri todas as regiões do nosso País.

            E, finalmente, fiquei 14 anos fora do Brasil, no exílio, olhando e pensando no nosso País como um todo, do Pantanal à Plataforma Marítima, do norte de Roraima ao sul do Rio Grande. Sempre olhei o Brasil como um todo. Esse sempre foi o sentido da minha atuação política e na vida pública, neste Congresso, no Senado, na Câmara ou no Executivo Federal.

            Sr. Presidente Ramez Tebet, Srªs. e Srs. Senadores, ao término do mandato que a mim foi concedido pelo povo de São Paulo para representá-lo nesta Casa, é obrigatório que agradeça ao meu partido, o PSDB, pela confiança em mim depositada ao me indicar seu candidato à Presidência da República.

            Agradeço também ao PMDB, que me honrou com seu apoio e com a indicação da candidata a Vice-Presidente, a Deputada Rita Camata, uma mulher de luta e compromissos com o povo.

            Agradeço aos mais de 21 milhões de eleitores que votaram em nós no primeiro turno. Muito obrigado aos mais de 33 milhões de eleitores que em nós depositaram sua confiança no segundo turno.

            Quero agradecer também ao presidente e amigo Fernando Henrique Cardoso, que, ao longo do seu mandato, honrou-me com sua companhia e com a sua confiança ao me convocar duas vezes para integrar o seu ministério.

            Quero também agradecer e reverenciar, por intermédio do meu amigo, o ilustre Presidente Ramez Tebet, a esta Casa, a todos os seus integrantes, senadores e senadoras da República.

            Um dos meus defeitos na vida pública é aparentar uma distância pessoal, um retraimento talvez excessivo em relação a colegas ou mesmo a companheiros de partido. Digo aparentar, porque isso não corresponde à essência da minha personalidade. Aliás, exatamente devido a essa não-correspondência é que, sem mudar - os colegas sabem -, tenho mudado. E vou mudar mais no futuro, ao refletir sobre essa experiência, sobre essa convivência que tanta falta me fará nos próximos meses e nos próximos anos.

            Quando comecei a me debruçar, a refletir sobre este pronunciamento que marca o fim do meu mandato no Senado, imaginei-o como uma despedida, como um balanço. Aos poucos, porém, percebi - já durante a noite, quando escrevia estas linhas - que seria o contrário: que meu passado e minhas convicções não são ponto de chegada, mas ponto de partida; que as diferenças mais relevantes entre este senador em fim de mandato que lhes fala e aquele rapaz que discursou como presidente da UNE no comício da Central do Brasil são a idade e a experiência. São as únicas diferenças. A vontade e a disposição de lutar e mudar o Brasil são as mesmas.

            Por isso, ao refletir sobre a segunda epístola de Paulo a Timóteo, pareceu-me pertinente reproduzi-la, mas com um acréscimo. Diz Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”. Acrescentaria: para mim, não é uma carreira que termina, mas uma etapa que se conclui; guardei e guardo a fé para as novas etapas que virão. Que etapas, eu não sei, não depende de minha exclusiva vontade.

            Ao longo destes anos, e especialmente neste último, na campanha presidencial, lembrei-me de um alerta de Shakespeare, como que falando a nós, que estamos na vida pública. É uma tradução livre, apressada, não consegui recuperar o ritmo, a beleza do verso, mas a essência é: “Nossos desejos e os fatos por vezes vão em direções tão contrárias que nossos estratagemas caem por terra. Nossos pensamentos nos pertencem, nossas ambições, nem um pouco”. E eu acrescento: nossas ambições pertencem aos outros e os outros é que vão julgá-las.

            É o que gostaria de dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado, um grande abraço ao senhor e a todos os meus colegas. (Palmas.)

            O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT-SP) - V. Exª me permite um aparte, Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB-SP) - Com prazer, Senador Suplicy.

            O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT-SP) - Quero cumprimentá-lo sobretudo pelo papel extraordinário que teve durante este ano como o opositor principal - conseguiu chegar ao segundo turno - do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. V. Exª valorizou sobremodo a disputa presidencial havida. V. Exª se conduziu de uma maneira extremamente respeitosa, demonstrando capacidade e conhecimento dos problemas nacionais, valorizando extraordinariamente a vitória de Lula. Teria sido difícil para qualquer outra pessoa, neste ano, enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva, na medida em que ele, depois de ter disputado as eleições de 1989, 1994 e 1998, conseguiu galvanizar extraordinário apoio e sentimento popular em direção a uma trajetória de busca de justiça neste país.

            Tenho convivido com V. Exª ao longo de toda a sua vida política, desde quando eu próprio fui um de seus eleitores, pois era presidente do Centro Acadêmico Administração de Empresas em 1963, quando, no Ginásio de Santo André, votei em V. Exª para presidente da UNE. Em alguns momentos tivemos diferenças de opinião, mas certamente isso não impede que eu registre aqui o respeito que tenho por V. Exª e o meu cumprimento pelo trabalho muito importante que desenvolveu para que se fortalecesse a democracia em nosso Brasil.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB-SP) - Muito obrigado, Senador Eduardo Suplicy.

            O SR. ARTUR DA TÁVOLA (PSDB-RJ) - Permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (PSDB-RJ) - Pois não, Senador Artur da Távola.

            O SR. PRESIDENTE (Ramez Tebet) - Sras. e Srs. Senadores, dado o grande número de parlamentares que desejam apartear o eminente Senador José Serra, a Presidência lembra que o prazo regimental de aparte é de dois minutos. Lembro também aos senhores que a nossa pauta é extensa.

            Concedo a palavra ao Senador Pedro Simon.

            O SR. ARTUR DA TÁVOLA (Bloco/PSDB-RJ) - Sr. Presidente, sou eu...

            O SR. PRESIDENTE (Ramez Tebet) - Aliás, quem determina isso é o Senador José Serra. Peço desculpas a V. Exª, pois quem dá o aparte é V. Exª e não a Mesa.

            O SR. ARTUR DA TÁVOLA (Bloco/PSDB-RJ) - Cedo a minha vez ao Senador Pedro Simon com muito prazer.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) - Ao contrário, eu fico para depois.

            O SR. ARTUR DA TÁVOLA (Bloco/PSDB-RJ) - É impossível não ceder o aparte ao Senador Pedro Simon.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB-SP) - O Senador Pedro Simon prefere ceder a V. Exª.

            O SR. ARTUR DA TÁVOLA (Bloco/PSDB-RJ) - O Senador Pedro Simon é a principal estrela desta Casa!

            Senador José Serra, o aparte tem que ser rápido. A nossa amizade é longa e o nosso afeto comum me autoriza a lhe dar uma palavra de respeito profundo.

            Confesso a V. Exª que tenho dentro de mim uma pequena pena: é que o Brasil está começando a conhecer V. Exª agora. V. Exª foi um magnífico ministro e um homem público exemplar. A campanha eleitoral no presidencialismo é uma grande falácia - em qualquer presidencialismo, em qualquer país do mundo -, sobretudo hoje em dia, porque é montada em torno de imagens criadas e o verdadeiro ser fica oculto. Felizmente, neste país abençoado, os dois candidatos que chegaram à preferência popular são pessoas de boa qualidade - felizmente, pois poderia não ter acontecido.

            V. Exª nunca foi compreendido em profundidade, não me refiro a essa eleição, mas até ao trato com os seus companheiros. O afeto de V. Exª, como o afeto dos introvertidos, às vezes não se expressa diretamente - e V. Exª o admitiu na tribuna - numa soltura na conversa, num abraço ou sorriso. O afeto de V. Exª está inteiro no serviço público. Eu, que o conheço desde os anos do exílio, desde os tempos da UNE, sei que isso é verdade: o quanto ele se derrama na obra. Aos poucos, a campanha eleitoral - e não chamaria de derrota a não-vitória -, a forma pela qual V. Exª se desincumbiu naqueles momentos agros, difíceis, penosos de uma campanha eleitoral, sobretudo no final, a grandeza do comportamento de V. Exª, a humanidade que começou a transparecer, a modéstia do discurso de V. Exª, hoje, gradativamente, vão fazendo o Brasil e as pessoas conhecerem melhor V. Exª.

            Felizmente, diz V. Exª aqui que não abandona a atividade político-eleitoral. É esse o voto que quero deixar: que V. Exª não abandone. Que o nosso Partido tenha a lucidez de contar com V. Exª sempre, nesse período, em funções que ofereçam ao Brasil a contribuição de toda a experiência que V. Exª possui. V. Exª pode prestar um inestimável serviço ao PSDB, agora mais do que nunca, desobrigado de funções parlamentares e ministeriais. Portanto, peço-lhe que pense no PSDB. E sei que V. Exª pensa. Dedique-se ao nosso Partido, pois ele merece pessoas como V. Exª; ele ainda é um grande partido de quadros; ele tem o defeito de ser um partido congressual, pois nasceu no Congresso; ele precisa ser um partido de organização da sociedade. Parabéns, Senador José Serra. O tempo não nos permite alongar. Tudo de bom em sua vida pessoal e privada. É uma honra ser o seu amigo. V.Exª honra o Brasil.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Obrigado, Senador Artur da Távola.

            O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - Senador José Serra, permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Tem a palavra V. Exª, Senador Pedro Simon.

            O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - É com muita emoção que trago um abraço a V. Exª, por quem tenho uma velha amizade, dos tempos do velho MDB e dos tempos do PMDB, quando o amigo e todos nós fazíamos do MDB um partido extraordinário. Sentimos muita falta de V. Exª, de Franco Montoro, de Mário Covas. E sentimos tanto que, até agora, de certa forma, ainda não nos encontramos. Mas faço questão de dizer que V. Exª é, na minha opinião, o maior Ministro da Saúde que tivemos. A sua atuação como Ministro da Saúde foi, realmente, excepcional. V. Exª foi, de longe, o grande Ministro, que teve atos de coragem que marcaram a vida brasileira, como a sua vitória na ONU com relação ao pacote anti-Aids e a sua posição corajosa com relação aos genéricos, todas foram dignas de admiração. Importante também foi a sua atuação durante a campanha. Uma campanha limpa, aberta, com debate franco. V. Exª seguiu o caminho que tinha que seguir. Esta era a vez do Lula, que já tinha perdido por três vezes as eleições presidenciais. De certa forma, a sociedade considerou que oito anos de Fernando Henrique Cardoso já era um bom tempo e que deveria haver mudança. Mas V. Exª foi um homem de grande valor. V. Exª é um homem de grande valor. Lembro-me do respeito que Franco Montoro tinha por V. Exª, quando dizia que a força máxima do governo dele era a sua secretaria. Ele dizia que não sabia dizer não, e estando V. Exª na secretaria, ele ficava tranqüilo, pois quando lhe vinham falar já sabia que tudo o que tinham de ouvir de coisa brava, Serra já havia dito. V. Exª cumpriu uma missão histórica. V. Exª é jovem, tem um futuro pela frente, sai com a cabeça erguida e com a dignidade de fazer parte de uma campanha como esta, em que seu nome, sua trajetória, seu trabalho e sua biografia foram expostos e V. Exª não tem nada do que se envergonhar. Felizes os homens que têm uma caminhada como a de V. Exª. E com toda a sinceridade, ninguém ganharia essa eleição do Lula, nem V. Exª, nem qualquer outro candidato. Era a vez de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas V.Exª sai com a dignidade, com a capacidade e com o respeito de todo o Brasil. Um abraço muito fraterno ao prezado amigo, nosso querido candidato.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Pedro Simon. Quero dizer a V. Exª que um dos aspectos mais gratificantes da minha campanha foi ter contado com o seu apoio e ter obtido a votação que tive no seu Estado, o Rio Grande do Sul. Esse é um dos aspectos que mais me gratifica em toda a minha vida pública.

            O Sr. Chico Sartori (Bloco/PSDB - RO) - Permite-me V. Exª um aparte, nobre Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço com prazer o aparte de V. Exª.

            O Sr. Chico Sartori (Bloco/PSDB - RO) - Meu caro amigo Serra, quero dizer agora o que não pude dizer em 1968, quando V. Exª foi exilado do País, e não só V. Exª, mas Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso. Naquela época, eu, Euclides Scalco e José Richa, subimos ao palanque, no Paraná, defendendo a democracia. Elegi-me Prefeito pelo MDB. Vejo hoje, nesta casa, Nivaldo Krüger, que era nosso companheiro e foi Prefeito de Guarapuava, no Paraná, de 1969 a 1973, na mesma época em que eu; vejo também Olivir Gabardo, enfim, todos éramos do MDB, na época, defendíamos a democracia e lamentávamos muito ter perdido companheiros ilustres que não podiam estar juntos conosco defendendo a democracia. Hoje se pode falar, pode-se dizer a verdade. Naquela época, tudo era muito difícil. Se V. Exª não venceu as eleições, venceu a sua luta com a sua boa-vontade, o seu trabalho e a sua dedicação. Mas quem sabe poderemos assistir a sua vitória nas próximas eleições. Muito obrigado pelo seu trabalho e pela sua compreensão. E digo com orgulho: pedi votos e fiz campanha para V. Exª. Fui o único, no meu Estado, que pedi votos para José Serra durante os comícios. Em 33 anos, mudei duas vezes de partido, mas continuarei com a minha fidelidade: companheiros e amigos jamais devem ser deixados para trás. Sempre estaremos juntos. Muito obrigado pela oportunidade que me deu.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Chico Sartori.

            O Sr. Romero Jucá (Bloco/PSDB - RR) - Permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço V. Exª com prazer.

            O Sr. Romero Jucá (Bloco/PSDB - RR) - Meu caro amigo, Senador José Serra, a sua vida pública tem sido sinônimo de competência, coragem e enfrentamento de desafios. V. Exª registrou aqui, rapidamente, a biografia e ação da sua vida pública. Quer na área política, quer na área econômica, quer na área social, V. Exª enfrentou com coragem e com coerência tudo o que deveria ser feito. V. Exª participou do Governo em vários setores e, mesmo dentro do Governo, teve a coragem de pregar aquilo que sua consciência lhe indicava, às vezes até discordando, mas efetivamente pensando no bem do Brasil. Foi assim na questão das tarifas de comércio exterior do Mercosul - e é importante que fique registrado seu posicionamento, porque essa é uma questão que teremos que tratar no futuro - e também no enfrentamento dos desafios da Saúde. E aqui faço um registro e um agradecimento em nome da Região Norte, em nome do meu Estado de Roraima. Talvez em nenhuma região do Brasil a mudança na questão da Saúde tenha sido tão forte quanto na Região Norte. V. Exª imprimiu à região uma condição de enfrentar endemias, V. Exª combateu a malária e implantou um atendimento à saúde indígena, o que fez com que os índios ianomâmis, os índios de Roraima, os índios do Acre deixassem de morrer, como morriam, por falta de atendimento. Quero, portanto, fazer este agradecimento de público e deixar registrado o seu posicionamento em relação à questão das tarifas, porque a postura que V. Exª defendeu durante a campanha, nós também defendemos. Tivemos a honra de fazer campanha e de disputar essa eleição ao seu lado. Não ganhamos a disputa eleitoral, mas plantamos a coerência e uma indicação do caminho do que o PSDB deve defender e deve trilhar daqui para frente. Sou extremamente grato à convivência que tivemos e ao apoio que sempre recebi de V. Exª. Tenho certeza de que estaremos juntos enfrentando novos desafios, percorrendo novos caminhos porque o trabalho de V. Exª em prol do Brasil não vai parar aqui nem agora. Empreenderemos novas ações, quer no Partido, quer na sua vida pública, e espero estar junto de V. Exª para ajudar nessa caminhada. Meus parabéns! Seja feliz! Vamos continuar a lutar pelo Brasil que acreditamos!

            O SR. JOSÉ SERRA (PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Romero Jucá. Em relação à questão que V. Exª aborda, evidentemente não dispomos de tempo para uma explanação mais detida. Mas, durante a campanha, a questão fundamental do Mercosul foi levantada por mim.

            Sempre fui a favor do Mercosul, mas contrário ao seu ritmo atropelado. Num processo de integração econômica, há pelo menos duas etapas: a da zona de livre comércio e a da união alfandegária. Zona de livre comércio é o comércio livre entre os países, que vai se programando, como o Nafta, formado pelos Estados Unidos, México e Canadá, que deverá ser completado em 2011. No caso do Mercosul, foi-se além do livre comércio, que nem existe plenamente até agora. Estabeleceu-se uma união alfandegária, ou seja, tarifas externas comuns. E isso amarrou as mãos do Brasil para acordos bilaterais de comércio.

            Ora, 50% do comércio mundial hoje estão baseados em acordos de zonas de livre comércio, e não fizemos nenhum, fora o do Mercosul, porque para fazermos acordos com outros países precisamos levar o Mercosul junto. Isso é operacionalmente complicado. E os outros países do Mercado Comum têm estruturas econômicas diferentes do Brasil. Resultado: ficamos paralisados. Os Estados Unidos estão com dez acordos bilaterais em andamento. Em breve, todo mundo terá acordos, e vamos ficar isolados.

            O que eu disse durante a campanha é que, eleito Presidente, postergaria, flexibilizaria o mecanismo da união alfandegária. Isso não foi entendido porque disseram: “O Serra vai acabar com o Mercosul”. Não é isso. Até o meu oponente, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, veio em defesa do Mercosul, certamente sem ter compreendido o alcance daquilo que eu dizia. Creio que o novo Governo tem esta tarefa: flexibilizar o Mercosul, deixar a união alfandegária de lado e entrar na arena da disputa no comércio internacional, via acordos bilaterais. Se isso não ocorrer, o Brasil vai se dar muito mal no futuro, uma vez que as circunstâncias econômicas mundiais não são favoráveis.

            Todos os países defendem o livre comércio para as suas exportações e tratam de se defender com relação as suas importações. Precisamos exercer o nosso poder de grande pólo comercial que somos no mundo de hoje, fazendo acordos bilaterais com a União Européia, os Estados Unidos, os países da Ásia e da própria América Latina.

            O Sr. José Eduardo Dutra (Bloco/PT - SE.) - Concede-me um aparte, Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (PMDB - SP.) - Faça o favor, Senador José Eduardo Dutra.

            O Sr. José Eduardo Dutra (Bloco/PT - SE.) - Senador José Serra, V. Exª fez uma retrospectiva da sua vida pública, e todos reconhecemos que V. Exª já tem garantido um lugar na história do Brasil pela sua atuação no movimento estudantil, na luta pela redemocratização, como Deputado, como Senador e como Ministro. Posso garantir que este não é um aparte protocolar, até porque em uma entrevista que concedi ao jornal O Globo, em 2000, ao jornalista Jorge Moreno, quando ele me perguntou com quem eu simpatizava, com quem eu me dava bem no Governo, eu me referi a V. Exª, dizendo que reconhecia a sua competência e que era uma pessoa com quem tinha um bom convívio no Senado. Não há dúvida de que V. Exª desenvolveu um trabalho muito importante no Ministério da Saúde e efetivamente fez uma parceria com o Congresso. Há duas matérias de iniciativa legislativa, ambas de autoria do Deputado Eduardo Jorge, a Lei dos Genéricos e a PEC da Saúde. Todos reconhecemos que se não fosse o empenho de V. Exª - tenho certeza de que o próprio Deputado Eduardo Jorge também reconhece isso e a prova é que veio assistir ao seu discurso - essas duas matérias não teriam sido aprovadas no Congresso, pelo grau de polêmica que elas carregavam e pelos interesses poderosos que, tanto nesta Casa quanto na Câmara dos Deputados, impediriam a sua aprovação. Quero também dar meu testemunho, quando disse que à frente do Ministério não discriminava prefeitos pelo fato de não serem do seu partido. Não conheço outros casos, é claro, mas sou testemunha de que, em relação à prefeitura de Aracaju, administrada pelo PT, V. Exª sempre teve um comportamento republicano, pois nunca estabeleceu discriminações. Portanto, quero desejar-lhe boa sorte. Apenas fiquei curioso em uma passagem do seu discurso, quando, ao se referir a Stalin, disse que era ex-companheiro de diversos Senadores aqui presentes. Olhei em volta e só consegui identificar uma pessoa. Fiquei curioso sobre quem seriam os outros ex-companheiros de Stalin. Desejo-lhe muito boa sorte. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Eles sabem, Senador José Eduardo Dutra.

            O Sr. Olivir Gabardo (PSDB - PR) - V. Exª me permite um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço o Senador Olivir Gabardo.

            O Sr. Olivir Gabardo (Sem Partido - PR) - Eminente Senador José Serra, não poderia deixar passar esta oportunidade de me manifestar. Não tive o privilégio de conviver com V. Exª nos idos de 1960, porque fiz política estudantil na década de 50, quando fui companheiro do José Richa e de tantos outros que foram seus companheiros posteriormente. Mas tivemos um professor comum, que foi Franco Montoro. Meu primeiro mandato foi pelo PDC, e a grande figura de Franco Montoro sempre balizou a minha atuação, como certamente a de V. Exª. Mas quero dizer rapidamente, porque já fomos alertados da exigüidade do tempo pelo Sr. Presidente, da minha admiração por V. Exª, pelo seu trabalho, pelos ideais que acalentou durante toda a sua vida. Seus ideais de justiça, de transformação social deste País culminaram com a sua atuação no Ministério da Saúde, que deixou uma marca. V. Exª foi, no nosso entender, o maior Ministro da Saúde que este País teve. A sua ação vai repercutir durante muitos e muitos anos. Oxalá possamos ter mais Ministros da Saúde como foi V. Exª, a fim de que o Brasil possa resgatar um pouco da dívida social que tem especialmente no setor da saúde com a população brasileira. Muito sucesso! Folgo em saber que V. Exª vai continuar atuando. Estamos aqui como seus liderados para a luta futura. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Olivir Gabardo. Também lamento que não possamos conviver, nesta Casa, no próximo semestre, quando V. Exª estará dando sua grande contribuição ao trabalho do Senado e do Congresso.

            Muito obrigado.

            O Sr. Geraldo Melo (Bloco/PSDB - RN) - Senador José Serra, permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço, com prazer, o Senador Geraldo Melo.

            O Sr. Geraldo Melo (Bloco/PSDB - RN) - Não podia deixar de participar, embora modestamente, do discurso de V. Exª, em primeiro lugar, para lhe dizer o quanto foi honroso para mim, nesses últimos dois anos, sendo Senador do PSDB e tendo sido distinguido com a confiança dos meus companheiros de partido para liderar a Bancada, saber que participava dessa Bancada um homem como V. Exª. Com todo o respeito, carinho e gratidão que tenho pelos demais companheiros, V. Exª soube demonstrar que é maior do que todos nós. Eu lhe agradeço o apoio que deu, para que eu, de uma posição modesta, pudesse desempenhar a minha tarefa, que agora termina junto com a de V. Exª. Segundo, quero lhe dizer, como nordestino e como brasileiro, que foi para mim também uma imensa honra poder levar o nome de V. Exª ao meu povo. Sempre procurei, ao longo do tempo, nunca enganar o povo de minha terra e, quando defendia o nome de V. Exª, tinha certeza de que estava defendendo uma grande solução para o meu País e para minha região. Finalmente, eu queria lhe dizer, no momento em que V. Exª encerra a sua missão no Senado, que vamos estar separados pela rosa-dos-ventos, porque sairemos daqui para direções diferentes, mas continuaremos unidos à sombra da bandeira do nosso Partido e pela força da dedicação, da fé e do amor que nós dois, sei que temos, pelo nosso País e pelo nosso povo. Foi uma grande honra conviver com V. Exª, Senador José Serra.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Senador Geraldo Melo, a nossa amizade e o nosso companheirismo irão além do mandato. Quero dizer a V. Exª, que, como eu, deixará esta Casa, que, para mim, foi uma experiência muito boa a convivência com V. Exª. Não estou aqui diminuindo ninguém. Convivi com muitos Parlamentares, Deputados, Senadores da Região Nordeste, porém, V. Exª, em determinado momento, deu a maior contribuição ao nosso Programa para o Nordeste e à minha visão a respeito daquela Região. Esta é uma dimensão de V. Exª, técnica, de preparo, de conhecimento que pude apreciar durante a nossa convivência no Ministério e na campanha.

            A rosa-dos-ventos pode nos separar, mas a amizade e o companheirismo nos terão mais perto.

            Muito obrigado mesmo.

            O Sr. Fernando Bezerra (PTB - RN) - V. Exª me concede um aparte, Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Concedo um aparte ao Senador Fernando Bezerra.

            O Sr. Fernando Bezerra (PTB - RN) - Senador José Serra, talvez a grande maioria desta Casa tenha uma imagem diferente daquilo que eu fui. Dividi com muitos da minha geração o sonho utópico da igualdade ou, pelo menos, da redução da desigualdade. Quero dizer e aqui lembrar que também estava em Santo André, em 1963, e tive a honra e o prazer de votar em V. Exª para presidente da UNE. Não me lembrava nem que o Senador Suplicy ali estava e tantos outros, que o tempo retirou da minha memória. Infelizmente, as circunstâncias políticas e partidárias não me fizeram repetir o mesmo voto de 1963. Votei em Ciro Gomes, no primeiro turno, e em Lula, no segundo. Mas, se não fossem as circunstâncias partidárias, teria grande prazer em ter votado em V. Exª, na convicção que tenho de que, da mesma forma que aqueles outros que disputaram a presidência da república, V. Exª honraria nosso País e, com certeza, ajudaria na realização dos velhos sonhos que juntos tivemos, há quase 40 anos. Quero declarar aqui o grande respeito que tenho por V. Exª e dizer o quanto foi honroso, para mim, dividir, no governo de Fernando Henrique Cardoso, essa participação por um Brasil menos desigual, V. Exª na condição de Ministro da Saúde e eu na condição de Ministro da Integração Nacional. Reconheço, como todo o Brasil, a competência, a coerência, a dignidade, a honradez com que V. Exª se houve nesses cargos. Tenho certeza de que os mesmos sonhos vão continuar em sua vida. Fico muito feliz em ter ouvido V. Exª dizer que a vontade de mudar é a mesma. O Brasil não abre mão da sua participação agora e no futuro. Senador Serra, foi uma grande honra ter dividido, nesta Casa, o mandato de Senador da República com V. Exª. Seja feliz! Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Fernando Bezerra pelas suas palavras. Saiba V. Exª também do respeito e da admiração que sempre tive pelo seu trabalho, pela sua presença.

            O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - Permite-me V. Exª um aparte, Senador?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço V. Exª, Senador Romeu Tuma, meu colega de São Paulo.

            O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - Não poderia deixar de ocupar o microfone por ser paulista, como V. Exª, e de lembrar aqui um pouco o passado recente, no qual tive a oportunidade de caminhar com V. Exª, com Mário Covas e Sérgio Motta quando da campanha para a prefeitura de São Paulo. Eu ainda era neófito em matéria de política, recém-eleito, com V. Exª, para o Senado. Caminhamos juntos e fomos apoiados por várias comunidades, com o voto coerente dentro da disputa eleitoral para o Senado. Aprendi muito nessa caminhada em que V. Exª, como candidato, se conduziu como um político: com dignidade, com respeito e com amor ao próximo. Essa foi uma caminhada que muito me ensinou, pelas pessoas que conosco conviveram e que, infelizmente, estão na saudade do nosso coração e na memória da grande maioria que aqui se encontra. V. Exª fez um retrospecto de sua vida política, que é exemplar; uma história de vida que serve de ensinamento para aqueles que pretendem ingressar na vida política. Entretanto, foi no Ministério da Saúde, onde se costuma ver o sofrimento da população, que V. Exª conseguiu levar um pouco de esperança: na distribuição de medicamentos para aqueles que não tinham dinheiro para chegar ao hospital; no enfrentamento aos grandes laboratórios com coragem e destemor, conseguindo vencê-los com sua firmeza de caráter. Não há dúvidas de que tive mais sorte que o Senador Geraldo Melo: a rosa-dos-ventos nos leva ao mesmo lugar. Mas disse a S. Exª que tivesse esperança, que a rosa-dos-ventos é fixa, mas o homem circula e nos encontraremos por este País imenso e maravilhoso. Tenho certeza de que, vivendo o mesmo destino da nossa cidade, estaremos sempre nos cruzando. Desejo a V. Exª toda sorte e toda alegria que a vida possa lhe dar em recompensa aos serviços prestados ao País.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Romeu Tuma, meu colega de São Paulo, que vai exercer o seu novo mandato e vai continuar, como tem feito, a defender o nosso Estado e, ao mesmo tempo, a cooperar para o avanço do trabalho do Congresso, da sua presença no futuro do nosso País, que será tão fundamental nos próximos anos. Muito obrigado.

            O Sr. Lindberg Cury (PFL - DF) - V. Exª me permite um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço V. Exª com muito prazer.

            O Sr. Lindberg Cury (PFL - DF) - Senador José Serra, gostaria de aproveitar a oportunidade, neste pequeno espaço de tempo, não para fazer um registro sobre a sua brilhante carreira política, como líder estudantil, consagrado nas eleições como duas vezes Deputado Federal, um dos Senadores mais votados no Estado, a sua performance na Constituinte de 1988 e o trabalho no Senado, mas para fazer uma referência muito especial ao Ministro da Saúde José Serra. O trabalho de V. Exª foi muito importante. Para enfrentar lobby de laboratórios, de planos de saúde e companhias de cigarro é preciso ser um homem determinado, competente e honesto. Essa foi a maior prova da trajetória política de V. Exª. Não podemos esquecer também a conquista dos genéricos e a campanha contra o uso do cigarro, que teve uma repercussão enorme no País. A partir da sua atuação no Ministério da Saúde, o povo brasileiro passou a entender os males provenientes do cigarro. Gostaria de dar o testemunho de que recebi uma deferência muito especial do Presidente do Senado, Ramez Tebet, que me indicou para representar o Senado em Doha, Qatar. E, lá, eu estive junto com V. Exª, com os Embaixadores Celso Lafer, Sérgio Amaral e o Ministro Pratini de Moraes. Acompanhei V. Exªs de perto. Estivemos lá até de madrugada. Observei o trabalho de V. Exª, determinado e insistente, no sentido de convencer 152 países presentes e marcando a presença do Brasil na agricultura, por intermédio do Ministro Pratini de Moraes, e, principalmente, a sua obstinação no que diz respeito à quebra das patentes. Registro-o porque fui testemunha deste fato, do trabalho de V. Exª até altas horas da madrugada, do seu poder de convicção. Finalmente, foi uma grande conquista. O Brasil se saiu bem em Qatar e, principalmente, na capital, Doha. Dou este testemunho pessoal porque também acompanhei, até altas horas da madrugada, esse trabalho. Eu diria, hoje, que o Ministério da Saúde teve duas fases: antes e depois de José Serra. Finalmente, o dever cumprido merece um novo mandato. Vamos em frente, porque o Brasil precisa muito do trabalho de V. Exª. Parabéns por toda a sua carreira política. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Lindberg Cury, pelo seu aparte e pela ajuda de V. Exª, porque - a modéstia não lhe permite dizer -, na assembléia da OMC, em Doha, V. Exª nos ajudou naquela vitória.

            O Sr. Osmar Dias (PDT - PR) - Senador José Serra, V. Exª me permite um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço o aparte de V. Exª.

            O Sr. Osmar Dias (PDT - PR) - Senador José Serra, é para mim uma grande honra poder participar do pronunciamento de V. Exª, não de despedida, mas como comemoração de mais uma etapa, concluída com sucesso, na vida política de V. Exª, tão coroada de êxito em todos os cargos públicos que V. Exª assumiu e que soube desempenhar com dignidade, correção e honra. Não sou da década de 50 nem da de 60 - aqui, há colegas de V. Exª da década de 50. Eu não sabia que V. Exª já fazia política na década de 50.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB -SP) - Só no primário ou na escola secundária!

            O Sr. Osmar Dias (PDT - PR) - Conheci V. Exª de perto na década de 90. Portanto, somos contemporâneos do Senado, mas eu já tinha conhecimento da extensa vida pública de V. Exª e da grande contribuição que já havia dado ao País quando veio para esta Casa. Quando V. Exª assumiu a Presidência da Comissão de Assuntos Econômicos, eu era um dos integrantes daquela Comissão e aprendi muito com V. Exª. Porém, o que mais marcou a sua passagem por Brasília, nesses últimos anos, foi a sua participação à frente do Ministério da Saúde, quando pôde comemorar o que poucos sabiam - soubemos disto muito tempo depois: V. Exª foi escolhido o melhor Ministro da Saúde do mundo. Isso deve servir de orgulho não apenas para os que se consideram amigos de V. Exª, mas para todos os brasileiros. É muito importante sabermos que uma área tão fundamental para um País esteja sendo cuidada por mãos corretas, como as de V. Exª, e, sobretudo, pela sua competência. Para mim, foi um orgulho e uma honra ter participado do seu mandato de Senador. Tenho a certeza de que a enorme contribuição dada por V. Exª ao Brasil e aos brasileiros continuará ainda por muito tempo, porque V. Exª terá a oportunidade de dar uma contribuição ainda maior, dentro de muito pouco tempo, se Deus quiser. Sucesso a V. Exª. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Obrigado, Senador Osmar Dias. Eu só acrescentaria algo: vamos fazer isso juntos.

            O Sr. Roberto Saturnino (Bloco/PT - RJ) - Permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (PMDB - SP) - Ouço o aparte do Senador Roberto Saturnino.

            O Sr. Roberto Saturnino (Bloco/PT - RJ) - Senador José Serra, não sei se vem dos anos 50 ou dos anos 60 a minha admiração por V. Exª. Só sei que ela é muito antiga! Acompanho a evolução da sua vida política muito de perto. Os ideais de V. Exª coincidem com os que sempre defendi. Sempre me orgulhei muito dessa amizade e sempre me regozijei com os êxitos inegáveis, reconhecidos com unanimidade, que V. Exª foi colhendo ao longo da sua vida, muito especialmente no Ministério da Saúde. É verdade, o reconhecimento é absolutamente unânime! Mas, antes disso, na função exercida como Relator, na Constituinte, V. Exª fez um trabalho magnífico, e até mesmo nesta campanha derradeira, em que V. Exª não foi vencedor, mas teve um desempenho à altura da sua estatura política, que aprendi a admirar - como disse anteriormente - desde os anos 50 ou 40. Meus cumprimentos, meus parabéns, meu abraço fraterno. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (PMDB - SP) - Muito obrigado, meu amigo Roberto Saturnino.

            O Sr. Tião Viana (Bloco/PT - AC) - Permite-me V. Exª um aparte, Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (PMDB - SP) - Ouço o Senador Tião Viana.

             O Sr. Tião Viana (Bloco/PT - AC) - Senador José Serra, neste momento, desejo apenas expressar a gratidão do povo da Amazônia pela sua gestão à frente do Ministério da Saúde. Por muitos momentos, manifestei-me sobre a saúde pública do Brasil no plenário do Senado Federal e tenho clara recordação de que, na maioria das vezes, expressei considerações muito positivas em relação à gestão de V. Exª à frente do Ministério da Saúde. Entendo que o que foi feito em relação à política indígena é, de fato, o estabelecimento de um paradigma. Se observarmos bem, veremos que saímos do caos - como se encontrava a assistência médica aos povos indígenas - e, depois de V. Exª à frente da Pasta da saúde, houve uma concepção de saúde clara, estabelecida com controle social, com a participação do terceiro setor da sociedade e com o conceito de promoção da saúde. Isso me deixou profundamente entusiasmado com o trabalho desenvolvido por V. Exª. Entendo que foi feito o possível. Dificilmente, alguém, no seu lugar, com as dificuldades que a conjuntura nacional impunha, teria feito mais do que o que V. Exª fez. Sei que ainda há dívidas claras em relação à saúde, como a eliminação da hanseníase, que poderia ter sido uma conquista na gestão do atual Governo. Não o foi, mas entendo que houve muitas realizações. Foram tantos os avanços que o sentimento que deve pairar no parlamento brasileiro é o de gratidão. Acredito que nós, do Acre, temos muito a agradecer pelo que V. Exª fez durante toda a campanha. Apesar da defesa intransigente que fizemos, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, nunca deixamos de reconhecer o valor e a grandeza de V. Exª como gestor público à frente do Ministério da Saúde. V. Exª implantou política de saúde em regiões até então esquecidas. Portanto, da minha parte, há um grande respeito e uma elevada admiração pela condução do Ministério da Saúde, pela figura política que V. Exª representa. Sei que V. Exª continuará ajudando o Brasil no grande debate nacional. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Tião Viana.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Concedo um aparte ao Senador Renan Calheiros.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador José Serra, em nome do PMDB, neste rápido aparte, quero parabenizar V. Exª por tudo o que tem feito pelo nosso País, como Deputado constituinte, como Senador da República, como Ministro do Planejamento e, principalmente, como Ministro da Saúde. Eu mesmo, quando Ministro da Justiça, tive a honra de, juntamente com V. Exª, combater, firmemente, a falsificação de remédios. Enviei para o Congresso Nacional um projeto que, rapidamente, agravou penas, tornou esse crime hediondo e acabou com essa prática terrível que, lamentavelmente, havia entre nós. V. Exª deixa aqui - sei que circunstancialmente - um grande vazio, um imenso vazio. Não quero, nestas poucas palavras, dar absolutamente nenhum testemunho, porque, mesmo os seus adversários, os maiores adversários que porventura V. Exª tenha, reconhecem em V. Exª consistência intelectual, competência, probidade e coragem. Em nome de todos os companheiros do PMDB, eu gostaria de parabenizar V. Exª por tudo. Mais do que nunca, o Brasil reconhece o seu valor. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Renan Calheiros.

            Quero, por intermédio de V. Exª, desta tribuna, agradecer muito ao povo de Alagoas pelo apoio que nos deu no 1º e 2º turnos, certamente com a condução de V. Exª e do nosso amigo comum, Senador Teotônio Vilela. Por intermédio de V. Exª, faço este agradecimento ao povo de Alagoas, dizendo que continuem contando comigo, muito claramente, onde eu estiver.

            O Sr. Antero Paes de Barros (Bloco/PSDB - MT) - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Concedo o aparte ao nobre Senador Antero Paes de Barros.

            O Sr. Antero Paes de Barros (Bloco/PSDB - MT) - Senador José Serra, gostaria de cumprimentá-lo e dizer da alegria de conviver com V. Exª. O tempo de V. Exª aqui no Senado foi curto, mas, em decorrência de sua atuação como Ministro da Saúde no Brasil, o meu Estado, Mato Grosso, é muito agradecido pelos avanços que tivemos na saúde pública. E não foram poucos. Sem dúvida, somos um dos Estados que mais avançaram no País, graças aos projetos idealizados em seu Ministério. É inquestionável que a iniciativa da vinculação dos recursos é do Deputado Federal Eduardo Jorge, mas é inquestionável também que a liderança de V. Exª ajudou a tornar possível essa aprovação. E é essa vinculação de recursos que revoluciona o setor da saúde pública. V. Exª tem muitas virtudes. A maior virtude, talvez, seja o uso de um advérbio moderníssimo na política, que poucos têm coragem de usar: o advérbio de negação. V. Exª diz “não” a companheiros e, às vezes, surgem incompreensões por causa desses “nãos”. Mas são “nãos” que devem ser ditos. V. Exª é correto No Ministério, trabalhou com critérios para todos os partidos. E quero cumprimentá-lo com a convicção de que chegaram os dois melhores candidatos ao segundo turno, com a convicção de quem trabalhou muito pela candidatura de V. Exª. Sou admirador do Lula também. O Lula é uma das maiores referência públicas deste País. Sem dúvida, desde quando perdeu as eleições, é uma liderança popular inquestionável neste País. Mas eu não tinha a menor dúvida de que a mudança estava simbolizada na candidatura de V. Exª. Eu tenho medo, não do Lula ou do PT. Não! Com sua biografia, o Lula merece governar o País. Mas receio que os avanços que o Brasil poderia ter possam ser diminuídos, desacelerados pelo fato do resultado. Contudo, deve ser feita a vontade do povo. O Lula merece, o Brasil tem um grande homem na Presidência da República, e nós ficamos na expectativa de que Sua Excelência faça um bom mandato e promova as mudanças anunciadas - como tenho certeza de que V. Exª promoveria as mudanças que anunciou.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) -Quero dizer que uma das boas coisas que aconteceram no meu regresso ao Senado, na segunda legislatura, foi ter convivido com V. Exª e ter encontrado em V. Exª um amigo, como V. Exª encontra em mim também um amigo e companheiro.

            Muito obrigado, Senador Antero Paes de Barros.

            O Sr. Mauro Miranda (PMDB - GO) - Concede-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Senador Mauro Miranda, V. Exª tem a palavra.

            O Sr. Mauro Miranda (PMDB - GO) - Senador José Serra, endosso as palavras de quase todos os Senadores sobre o seu perfil, a sua seriedade, a sua inteligência, sobre o seu amor ao Brasil e o seu desejo de contribuir com este País. V. Exª disse muito bem que esta é uma etapa e que a fé está em seu coração, para continuar uma luta maior ainda, a mesma luta de quando nos encontramos no Congresso da UNE, em Santo André. Penso que isto é o principal que temos de ter: juventude, coragem, determinação e fé. Manifesto também um agradecimento muito grande do Centro-Oeste relativo ao período em que V. Exª esteve no Ministério do Planejamento. Foi feito o planejamento do Plano Avança Brasil e se desenharam os grandes eixos de transporte deste País, que estão se concretizando agora. Agradecemos muito, porque V. Exª entendeu que o Centro-Oeste é uma das regiões mais promissoras para este País. Sei das dificuldades que tivemos para ficar juntos nessa campanha política, dificuldades que aconteceram muito pelo amor à nossa província; mas reconheço em V. Exª um grande homem público, um homem sério e de primeira grandeza. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Mauro Miranda.

            Foi Presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, durante muito tempo - lá é permitida a reeleição para a Mesa -, um político chamado Tip O’Neil. Era um político sábio e conhecido. Ele escreveu um livro que sempre me impressionou muito. Eu ainda morava lá e não me havia integrado à militância partidária atual. O título do livro é All Politics Is Local: and other Rules of the Game, ou seja, toda política é local. O Brasil não é um país diferente. Muitas vezes, a política local termina separando quem deveria estar junto na política nacional.

            A Srª Marina Silva (Bloco/PT - AC) - Permite-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Concedo o aparte à Senadora Marina Silva, nossa futura Ministra do Meio Ambiente.

            A Srª Marina Silva (Bloco/PT - AC) - Senador José Serra, quero cumprimentar V. Exª nesse discurso que faz e que, com certeza, não é de despedida da vida pública, mas um discurso do afastamento temporário em relação ao Congresso. Como homem público, tenho certeza de que dará continuidade ao seu trabalho naquilo que acredita ser o melhor para o Brasil. Muito rapidamente, queria registrar que, da nossa convivência - em que pese V. Exª ter saído para contribuir com o País naquilo que compreendia o Presidente Fernando Henrique era área de sua competência, no Planejamento e no Ministério da Saúde -, lembro-me do episódio da aprovação do subsídio da borracha. Naquela época, encontrei dificuldade para aprovar aquela matéria. Nem sei se V. Exª recorda-se do fato. Confesso que, naquele momento, parecia blasfêmia falar em uma atividade que pudesse receber dinheiro do Governo para poder existir, ainda mais quando havia toda uma visão preconceituosa de que era uma atividade econômica em decadência e que, por isso mesmo, deveria ser suplantada. Neste meu espírito de primeiro ver as coisas e de “crer para ver”, não me intimidei e fui conversar com V. Exª, preocupada por vários motivos: pelo fato de V. Exª ser oriundo da área econômica, porque sua visão talvez fosse compartilhada por muitos e também pelos rumores que ouvia sobre o Ministério da Fazenda. Assim, pensei que talvez a minha proposta não encontrasse abrigo; mas, quando conversamos, V. Exª imediatamente assumiu o compromisso. E não foi só um compromisso verbal, como acontece muitas vezes, por ser muito fácil de fazer. V. Exª operou aqui no Plenário para a aprovação de uma proposta que considero altamente relevante para a preservação do meio ambiente na Amazônia e para a melhoria das condições de vida das populações tradicionais. Confesso a V. Exª que, mesmo na campanha, quando V. Exª disputava com Lula - e eu estava do lado oposto -, nunca me furtei de dizer que a aprovação desse benefício que ajudou milhares e milhares de famílias extrativistas na Amazônia contou com o apoio e o voto de V. Exª. Alguns até achavam meio esquisito que eu fizesse esse registro, mas a minha consciência cristã me levava sempre a fazê-lo, porque era a verdade. Acredito que, quando temos bons propósitos, as diferenças ideológicas separam-nos em algumas questões, mas, quando nos deparamos com o que é correto e com o qual concordamos, acabamos nos encontrando em prol desses bons propósitos. Quero registrar que, em toda a Amazônia e em todo o Acre, os seringueiros devem à V. Exª a ajuda significativa para a aprovação de um subsídio para a borracha que beneficia não apenas os extrativistas da Amazônia, mas todos os produtores de borracha do País. Boa sorte e que Deus o acompanhe em seu novo desafio.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senadora Marina Silva.

            Queria dizer que a minha posição a respeito da borracha foi V. Exª quem despertou. Havia também outro elemento, que era o do comércio internacional. Não é possível, em nome de uma suposta teoria das vantagens comparativas, o Brasil viver da importação de borracha da Malásia. Realmente, essa situação continua não fazendo sentido. Por essa razão, acrescentei aos argumentos de V. Exª, no que se refere ao meio ambiente e ao trabalho no Acre e na Amazônia, outro elemento de natureza econômica.

            Senadora Marina Silva, estivemos juntos naquele seminário em Berkeley, quando falei de economia, apesar de estar atuando no Ministério da Saúde, e V. Exª, de meio ambiente. Percebi, naquela ocasião, sua capacidade de mobilização e a influência que V. Exª pode exercer, inclusive no campo internacional e no tratamento das questões ambientais no Brasil.

            Desejo-lhe muita sorte e quero que V. Exª saiba que sou um ambientalista bastante fanático. Nunca me manifestei sobre o assunto por falta de oportunidade na minha área. Estarei acompanhando com muita atenção o seu trabalho e coloco-me à disposição não apenas pela defesa, mas pelo aprimoramento da nossa batalha de preservação ambiental e social. Muito obrigado.

            O Sr. Lúdio Coelho (Bloco/PSDB - MS) - Concede-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Ouço V. Exª com prazer.

            O Sr. Lúdio Coelho (Bloco/PSDB - MS) - Senador José Serra, V. Exª desempenhou bem todas as responsabilidades que lhe foram conferidas durante sua vida. O relatório apresentado por V. Exª diz bem à Nação brasileira a sua competência. Competência impõe responsabilidade para com o País. Penso que esses últimos acontecimentos fazem parte do aprimoramento do cidadão. V. Exª deve sair engrandecido dessas últimas eleições. Espero e peço que continue trabalhando pela Nação, pois V. Exª é importante para o Brasil. Felicidades.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Lúdio Coelho, meu bom amigo, nossa amizade se manterá firme apesar da rosa-dos-ventos.

 

            O Sr. Maguito Vilela (PMDB - GO) - Concede-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Senador Maguito Vilela, ouço, V. Exª.

            O Sr. Maguito Vilela (PMDB-GO) - Quero também manifestar-lhe meus cumprimentos. V. Exª pode se considerar um homem público feliz, porque honrou e dignificou todos os cargos públicos, todas as funções públicas que desempenhou. Honra e dignifica esta Casa, honrou e dignificou o Brasil no Ministério da Saúde e a democracia brasileira na disputa pela Presidência da República. Quero desejar-lhe muito êxito no futuro, V. Exª é realmente um dos homens públicos honrados deste País, sério, trabalhador, competente, eficiente. Portanto, o Brasil, naturalmente, ainda precisará muito de seus préstimos. Quero desejar-lhe muitas felicidades e um breve retorno a esta Casa ou a outra posição em que possa continuar honrando e dignificando a classe política brasileira. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Maguito Vilela. Se V. Exª me permite, como palavras valem as que eu disse ao Senador e nosso amigo Mauro Miranda.

            Muito obrigado.

 

            O Sr. Leomar Quintanilha (PFL - TO) - Concede-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - V. Exª tem a palavra.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PFL - TO) - Senador José Serra, nota-se a unanimidade no reconhecimento não só de sua competência, mas no extraordinário desempenho das missões públicas que lhe foram conferidas, notadamente nos anos mais recentes, à frente do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e, sobretudo, à frente do Ministério da Saúde. O Brasil, efetivamente, experimentou uma mudança, uma sacudida vigorosa nas ações publicas de Saúde, protegendo, principalmente, o mais necessitado e o mais pobre. Em particular, gostaria de dizer o privilégio que tive de conviver com V. Exª nesta Casa, ainda que por breves momentos, já que V. Exª conviveu menos no Senado, cumprindo mais uma missão em favor do Brasil nos Ministérios que dirigiu. Portanto, estamos seguros de que V. Exª dignificou este País, honrou os brasileiros e deixou felizes seus amigos por ver essa trajetória vitoriosa, que acompanhamos confiantes, inclusive agora na sua concorrência à Presidência da República. Estamos seguros de que o futuro de V. Exª tem muito a ver com o futuro do Brasil, e o Brasil precisa muito de sua competência.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Leomar Quintanilha. Quero agradecer-lhe e dizer que para mim foi um privilégio sempre ter contado com V. Exª nesta Casa para todas as questões que a Saúde precisava encaminhar, quando precisava de apoio, de cobertura.

            Muito obrigado.

 

            A Srª Marluce Pinto (PMDB - RR) - Concede-me V. Exª um aparte?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Pois não, Excelência.

            A SR.ª Marluce Pinto (PMDB - RR) - Nobre Senador José Serra, não poderia deixar de levar a minha solidariedade a V. Ex.ª e dizer do prazer de estar hoje aqui prestando um depoimento como os demais. É honroso para um político ser reconhecido pela sua lealdade, competência, honradez e até pelos seus adversários, e é o que estamos acompanhando nesta tarde. E eu não poderia deixar de fazer um agradecimento, porque todas as vezes que o procurei em seu Ministério, fui sempre muito bem atendida nas reivindicações do meu Estado de Roraima. Levando em consideração a proporcionalidade, meu Estado foi um dos que mais recebeu de V. Ex.ª não só recursos para hospitais, unidades móveis de saúde, como medicamentos e saneamento básico. Lá quase não existia esgotos e serviços de drenagem. Se hoje temos, devemos ao reconhecimento e à sensibilidade de V. Ex.ª. É um prazer acompanhar um homem público de sua envergadura. Em nenhum momento, mesmo no segundo turno, quando os indicadores já mostravam que seria eleito o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em meus comícios, trabalhando para o Governador Otomar Pinto, jamais deixei de pedir voto para V. Ex.ª. Questionada por alguns poucos por que continuava pedindo votos, quando a tendência era a vitória de Lula, respondia: sou o tipo de pessoa que não sabe receber sem retribuir. Tinha dois compromissos com V. Ex.ª: o pessoal, pelo atendimento ao nosso Estado, e o partidário. Creio que hoje sua despedida é temporária, porque, como ouvimos até dos Senadores do PT, V. Ex.ª não ficará fora. Poderá, no primeiro ano, ter um outro destino, mas, pelo compromisso que teve para com o nosso País, pelo desempenho que teve à frente de dois Ministérios, principalmente no da Saúde, como Deputado Federal e como Senador, tenho certeza de que será convidado a compartilhar e prosseguir seu belo trabalho. Muita sorte, muitas felicidades! Que Deus lhe acompanhe sempre!

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, sinceramente, Senadora Marluce Pinto.

            Roraima, Amapá, Acre receberam um apoio mais do que proporcional ao resto do Brasil do Ministério da Saúde, mas não como favor, como obrigação, foi para a recuperação da defasagem existente. V. Ex.ª foi uma das pessoas que colaborou para que essa tendência se transformasse em ação prática do Ministério. Muito obrigado.

            O Sr. Carlos Patrocínio (PTB - TO) - V. Ex.ª me concede um aparte, Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Tem a palavra V. Ex.ª.

            O Sr. Carlos Patrocínio (PTB - TO) - Nobre Senador, também quero fazer coro com todos aqueles Colegas que já enalteceram as qualidades do Senador José Serra. V. Ex.ª prestou um grande serviço à Nação brasileira. Aqui quero testemunhar como Senador, como cidadão e, principalmente, como médico, os avanços conseguidos no Ministério da Saúde foram altamente benéficos para toda a população brasileira. E gostaria, para não ser prolixo, apenas de destacar dois itens: a implantação definitiva da política de genéricos no País, iniciada ainda no Governo de Itamar Franco, quando era Ministro o querido Jamil Haddad, mas V. Exª foi quem implantou essa política que tem beneficiado sobretudo a população mais pobre do País; e seu enfrentamento na questão polêmica que diz respeito à patente dos remédios da Aids. Nesse ponto V. Exª ganhou o cenário político internacional. E foi louvado, quero crer, sobretudo nos países que mais necessitam desses medicamentos para atender sua população. Portanto, eminente Senador José Serra, desejo dizer que V. Exª foi um excelente auxiliar do Presidente Fernando Henrique Cardoso, tanto no Ministério do Planejamento quanto, e sobretudo, no Ministério da Saúde. V. Exª é uma referência nacional. Tenho dito isso a todos os meus amigos. Seria, sem sombra de dúvida, um grande Presidente da República. E quem sabe ainda o será.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Carlos Patrocínio. Muito obrigado pela generosidade de suas palavras. Desejo registrar a todos que o apoio de V. Exª no Senado Federal à política do Ministério da Saúde foi fundamental no sentido de que nossos projetos e nossa política pudessem ser aprovados nesta Casa, tornando-se realidade. Muito obrigado. Teremos sempre essa dívida para com V. Exª.

            O Sr. José Agripino (PFL - RN) - V. Exª me permite um aparte, nobre Senador José Serra?

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Pois não, nobre Senador José Agripino.

            O Sr. José Agripino (PFL - RN) - Senador José Serra, em política há coisas que são definitivas e outras que não são. As vitórias e as derrotas não são definitivas, definitivo é o conceito. Esse, sim, é o que fica. Eleição se ganha e se perde; perde-se agora e ganha-se na frente. E o conceito, quando se perde, perde-se definitivamente. E V. Exª se despede circunstancialmente desta Casa, mas se despede, e está visto pelos apartes que aqui foram proferidos, com seu conceito inteiro. V. Exª acabou de disputar a eleição para Presidente da República, e disputou duramente com o PT. Votei em V. Exª, perdi como V. Exª. Mas até os que fazem o PT o elogiaram, atestando o seu conceito de homem público, de quadro, de que o Brasil não pode prescindir. Não pode prescindir por quê? Pelo exemplo de vida. Senador José Serra, deixa-me ser franco e sincero, até porque somos amigos de muito tempo, ajudamo-nos mutuamente e acho que tenho o direito de lhe dizer que há aqueles que o acham simpático e os que não o acham simpático; há os que o acham atencioso e os que não o acham atencioso. Mas não conheço quem não o considere corajoso, competente e honesto. Não conheço. Essa é a marca do seu conceito, de um homem que brilhou ao longo de toda a vida pública, como Ministro do Planejamento, como Constituinte, como Senador, como Ministro da Saúde - escolhido o melhor Ministro da Saúde do mundo. Fico imaginando, Ministro José Serra, as dificuldades que V. Exª deve ter enfrentado para dobrar interesses e implantar a política de fabricação de genéricos no Brasil. Só um Ministro com força e credibilidade perante a sociedade, perante o Presidente da República faria o que V. Exª fez. E pode estar certo V. Exa de que é responsável por uma das melhores marcas no campo social do Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Precisava lhe dizer isso na hora em V. Exª se despede, repito, circunstancialmente desta Casa, porque tenho certeza de que o povo do Brasil não vai querer vê-lo fora da política. Outros embates virão, e, pelo meu desejo, V. Exª voltará à cena política, de preferência nesta Casa do Congresso Nacional.

            Que Deus o proteja!

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Senador Agripino. Somos amigos há muito tempo, temos um em relação ao outro respeito, amizade, mas quero lhe dizer que suas palavras, hoje à tarde, para mim, são especialmente gratificantes.

            Muito obrigado. Obrigado, mesmo.

            O SR. PRESIDENTE (Ramez Tebet) - Srªs e Srs. Senadores, Senador José Serra, o Plenário falou pela Mesa. Tive a grata satisfação, a grande alegria mesmo de conhecê-lo mais recentemente, mas conheci sua história, conheci sua trajetória. E conhecia de V. Exª só a trajetória política, não a sua trajetória administrativa. Sabia de sua luta em favor das liberdades públicas do País, contra a ditadura, em favor da redemocratização nacional, em favor das diretas. Sabia que V. Exª, por essa luta, pagou o preço do exílio, sabia do seu comportamento no exílio.

            Mas, quando o conheci pessoalmente, V. Exª já estava no Ministério do Planejamento e, aí, conheci uma outra faceta de V. Exª. Conheci o José Serra bom administrador, competente, capaz. Íntegro eu já sabia que era.

            No Ministério do Planejamento, inclusive, uma vez chamado até por V. Exª que, muito ético, pedia-nos, como Ministro do Planejamento, a nós, políticos, que o ajudássemos naquela Pasta, numa obra que V. Exª sabia ser do interesse de São Paulo, do Mato Grosso do Sul e do Brasil e que está lá, hoje. Refiro-me à Ferro Norte. Foi um dos primeiros encontros que tive com V. Exª. Dali para cá, a admiração sempre aumentou.

            Sempre ouvi também falar, Senador José Serra, que não há ninguém insubstituível, mas, quero dizer-lhe que fará muita falta, aqui, ao Senado da República, muita falta mesmo. Mas, com certeza, ela será compensada, porque seu espírito público não permitirá a V. Exª uma acomodação. Mesmo sem mandato, V. Exª continuará a trajetória que defendeu os interesses do nosso País e de lutar para uma melhor qualidade de vida para a nossa gente, tal qual V. Exª lutou quando Ministro da Saúde, pontificando já aí, não só no cenário nacional, mas também no internacional. Quero que V. Exª receba os cumprimentos da Mesa e os meus, de forma muito efusiva. Muito obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Muito obrigado, Presidente Ramez Tebet. Nós já nos dávamos bem, mas quero dizer que a minha admiração por V. Exª cresceu muito quando acompanhei o trabalho que fez nesta Casa, por sua capacidade de liderança, com cordialidade, compreensão e firmeza.

            Saio daqui sabendo que voltou do Mato Grosso do Sul um grande Senador.

            O SR. PRESIDENTE (Ramez Tebet) - O que é isso? Obrigado.

            O SR. JOSÉ SERRA (Bloco/PSDB - SP) - Com muita satisfação. E, por meio de V. Exª, quero aqui expressar a todos que sentirei muita falta desta Casa e das pessoas, muita falta mesmo.

            Como eu disse no meu discurso, pretendia aqui fazer um balanço, mas percebi que, mais que um ponto de chegada, o meu discurso de hoje e as manifestações que recebi aqui representam um ponto de partida. Para onde, o futuro e os outros é que dirão.

            Muito obrigado, obrigado mesmo.


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