Pronunciamento de Mão Santa em 10/03/2003
Discurso durante a 13ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Homenagem de pesar pelo falecimento do político piauiense Constantino Pereira de Souza.
- Autor
- Mão Santa (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PI)
- Nome completo: Francisco de Assis de Moraes Souza
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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HOMENAGEM.:
- Homenagem de pesar pelo falecimento do político piauiense Constantino Pereira de Souza.
- Aparteantes
- Amir Lando.
- Publicação
- Publicação no DSF de 11/03/2003 - Página 3015
- Assunto
- Outros > HOMENAGEM.
- Indexação
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- HOMENAGEM POSTUMA, CONSTANTINO PEREIRA DE SOUZA, POLITICO, EX-DEPUTADO, EX PRESIDENTE, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRATICO BRASILEIRO (PMDB), ELOGIO, VIDA PUBLICA, DEFESA, DEMOCRACIA, ESTADO DO PIAUI (PI).
O SR. MÃO SANTA (PMDB - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Senador Heráclito Fortes, Srªs e Srs. Senadores, brasileiros e brasileiras - já que este pronunciamento é transmitido pela TV Senado -, o que me traz aqui, sobretudo, é o livro de Deus, que nos ensinou: “Alegrai-vos e exultai-vos nos momentos de felicidade e chorai nos momentos de tristeza”.
Quis Deus que esta sessão fosse presidida pelo ilustre Senador da República pelo Piauí, Heráclito Fortes. Acredito muito no Piauí, porque aprendi de um filósofo, Sófocles, o seguinte: “Muitas são as maravilhas da natureza, mas a mais maravilhosa é, sem dúvida, o ser humano”. E estamos aqui para homenagear aquilo que o Piauí tem de melhor e que o torna o mais grandioso e rico Estado deste Brasil grande: a gente. Esse Estado teve o maior dos brasileiros, porém desconhecido - a nossa história é pouco conhecida: Simplício Dias da Silva, colega de Simón Bolívar, que teve a coragem de fazer uma batalha sangrenta para expulsar os portugueses do norte do Estado, que queriam fazer um novo País. Carlos Castelo Branco*, o mais brilhante de todos os jornalistas. Evandro Lins e Silva, o nosso jurista, que escreveu as mais belas páginas de justiça neste País, leu com certeza o que disse Cristo: “bem aventurados os que têm fome e sede de justiça”. E o maior dos Ministros de Planejamento deste País, João Paulo dos Reis Velloso, fez o primeiro e o segundo PNDs deste País.
Viemos lamentar a morte de outro homem dessa seleção: Constantino Pereira de Sousa, que morreu no carnaval. Ele é para nós o que Ulysses Guimarães é para o PMDB do Brasil. Constantino Pereira de Sousa é o nosso Ulysses do Piauí. Tão importante para a democracia foi Ulysses no Brasil, como Constantino Pereira foi para a democracia do Piauí. Ex-Prefeito, ex-Deputado Estadual e ex-Presidente do PMDB, perdeu as eleições para o Governo do Estado para Petrônio Portella, o grandioso brasileiro que presidiu por duas vezes este Senado. Esse brasileiro foi um dos artífices da redemocratização deste País.
Constantino Pereira era valoroso homem público. Deus permitiu-me ouvir, há pouco tempo, Sr. Presidente, Senador Heráclito Fortes, na sua cidade São João do Piauí, quando, por falecimento de sua esposa, o ensinamento de amor e o exemplo de família. Como está escrito no livro de Deus: “Árvore boa dá bons frutos”. Todos os filhos são bons frutos.
Quis Deus eu ter de confessar que não votei no Senador Heráclito Fortes, mas S. Exª merece e foi consagrado. Votei no filho do Constantino Pereira, que também foi candidato ao Senado da República e pertencia a um dos nossos Partidos coligados, o PDT. Esse fato veio a valorizar, Sr. Presidente, a nossa vitória. Entre os dez que concorreram conosco estava o hoje Vereador Pedro Laurentino, de quem fui eleitor.
Senador Amir Lando, V. Exª iguala-se à Rui Barbosa, por ser jurista. Mas, se analisarmos a vida de Rui Barbosa, o mais belo pronunciamento de S. Exª foi uma homenagem que fez a Marquês de Pombal, cem anos depois de ter falecido. Esse é o motivo de buscarmos nos mortos o exemplo para construirmos uma vida melhor. Esse é o nosso entendimento de fazer política.
Rui Barbosa, cem anos depois da morte do Marquês do Pombal, prestava-lhe, nesta Casa, uma homenagem, escolhida como o mais belo discurso. Se se consultarem os titãs da oratória, os historiadores escolheram esse discurso. Rui Barbosa viu um exemplo naquele homem, o Primeiro-Ministro de Portugal, o primeiro da Europa que libertou os escravos, o primeiro europeu que valorizou a escola pública gratuita e que teve coragem de desmembrar o poderio da Igreja dos jesuítas do governo. Portugal de sua época tinha dois milhões de habitantes, 10% eram ligados à Igreja, que vivia à custa do Governo. Por isso, houve essa homenagem de Rui Barbosa.
Justifico, assim, a minha homenagem a Constantino Pereira. Já que me referi a Rui Barbosa e Marquês de Pombal, iria mais adiante e retrocederia ao mundo, lembrando a velha Atenas, numa época em que um filósofo andava, durante toda a noite, com uma lanterna acesa - Diógenes. Durante a noite, ele acendia a lanterna e andava nas ruas de Atenas. Quando lhe indagaram o que tanto procurava, Diógenes disse: “Um homem de vergonha”. É esse homem de vergonha que trago, Sr. Presidente, Senador Heráclito Fortes, com palavras em forma de reza e de oração.
O Sr. Amir Lando (PMDB - RO) - Senador Mão Santa, concede-me V. Exª um aparte?
O SR. MÃO SANTA (PMDB - PI) - Ouço o aparte, que enriquece o meu pronunciamento, do nosso grande jurista, Senador Amir Lando.
O Sr. Amir Lando (PMDB - RO) - Nobre Senador Mão Santa, V. Exª assim é conhecido pelos feitos e pela ação não apenas política, mas sobretudo profissional. Na política, procurou ser aquilo que foi na vida privada: transparente, benfeitor. Hoje, V. Exª rende essa homenagem justa a uma figura imensa, grandiosa, que merece ser ressaltada na tribuna do Senado, Constantino Pereira, por todos os seus méritos, por tudo o que representa como exemplo, como figura emblemática para a sociedade do Piauí e para o Brasil. Temos de saber respeitar, saudar, cantar em verso e em prosa as figuras da nossa história. Não podemos nos dobrar, muitas vezes, à inveja e não sabermos louvar nos outros os valores que devem servir de luz para iluminar as gerações futuras. E V. Exª, com humildade, hoje, nesta tribuna, faz essa homenagem à história, aos heróis, àquelas pessoas que, por suas ações, não se sepultam com os ossos, mas sobrevivem na memória; não ficam dentro do ataúde nem do mármore, mas saem do sepulcro e escrevem seus nomes na história. Parabéns a V. Exª, que teve a lucidez de trazer para este Senado um pouco da história do Piauí. Não poderia deixar de lembrar da generosidade de V. Exª ao fazer uma referência a Rui Barbosa e ao jurista, que não sou, o que é uma lisonja. Tenho a responsabilidade de estudar muito ainda com Rui e com tantos outros mestres do Direito, porque vejo que a justiça, como disse Aristóteles, deve ser a base da sociedade, e o processo deve ser a realização da justiça. Por isso, a minha devoção ao Direito, profissão que escolhi na tenra juventude e que professei durante grande parte da minha vida. Não diria, como Jose Eustaquio de La Rivera, em seu personagem: “Eu nasci caucheiro, caucheiro hei de morrer”. Não nasci advogado, mas me formei advogado. Mais do que Senador, do que homem público, advogado hei de morrer.
O SR. MÃO SANTA (PMDB - PI) - Agradeço, Senador, e pediria ao Presidente para incorporar, nestas nossas palavras, as sábias palavras do jurista e Senador Amir Lando.
Esta homenagem é justa, porque nosso homenageado chegou a exercer a função de rábula. Era advogado prático e respeitado, e o seu último embate político foi contra Petrônio Portella, dois gigantes. Não havia Davi contra Golias. Eram dois Davis, cada um com a sua destinação. E quero lhe dizer que ele perdeu para Petrônio, mas não tombou; ele enfrentou a ditadura, levantou a bandeira do PMDB nos momentos mais difíceis da história, e nós somos o resultado, e estamos aqui representando o nosso Partido.
Então nos inspira o sentimento da gratidão, que é a mãe de todas as virtudes. Que nossas palavras cheguem aos céus e a Deus como uma oração do povo do Piauí, para que receba Constantino Pereira de Sousa como um dos filhos mais justos do meu Estado.
Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.