Pronunciamento de Pedro Simon em 14/03/2003
Discurso durante a 17ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Critica à condenação recorrente à frase atribuída ao Ministro José Graziano. Defesa do Governo Lula, destacando a Importância do apoio do PMDB, PFL e PSDB às iniciativas do Presidente.
- Autor
- Pedro Simon (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/RS)
- Nome completo: Pedro Jorge Simon
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO.:
- Critica à condenação recorrente à frase atribuída ao Ministro José Graziano. Defesa do Governo Lula, destacando a Importância do apoio do PMDB, PFL e PSDB às iniciativas do Presidente.
- Aparteantes
- Efraim Morais, Luiz Otavio, Paulo Paim.
- Publicação
- Publicação no DSF de 15/03/2003 - Página 3564
- Assunto
- Outros > GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO.
- Indexação
-
- PROTESTO, DISCURSO, OPOSIÇÃO, GOVERNO, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, ALEGAÇÕES, AUSENCIA, CUMPRIMENTO, PROMESSA, PROPAGANDA ELEITORAL, EXCESSO, CRITICA, DECLARAÇÃO, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO, SEGURANÇA, NATUREZA ALIMENTAR, VINCULAÇÃO, AUMENTO, VIOLENCIA, CIDADE, MIGRAÇÃO, POPULAÇÃO, REGIÃO NORDESTE.
- TENTATIVA, JUSTIFICAÇÃO, DECLARAÇÃO, JOSE GRAZIANO, MINISTRO DE ESTADO, AUSENCIA, INTERESSE, DISCRIMINAÇÃO, POPULAÇÃO, REGIÃO NORDESTE.
- DEFESA, GOVERNO, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, INSUFICIENCIA, TEMPO, ATUAÇÃO, EFETIVAÇÃO, PROMESSA, PROPAGANDA ELEITORAL.
- DEFESA, NECESSIDADE, REDUÇÃO, CRITICA, OPOSIÇÃO, AUMENTO, APOIO, POLITICA, GOVERNO FEDERAL, BUSCA, MELHORIA, SITUAÇÃO, BRASIL.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, fiz minha inscrição para falar do terrorismo e dos meus projetos sobre essa matéria e a escuta telefônica, e haveria tempo para isso, mas o nobre e querido Senador que me antecedeu abordou um tema que me provoca vontade de analisar.
Será que alguém imagina que o Ministro Graziano, ao fazer aquela declaração, teve a intenção de atingir os nordestinos, de criar um racha entre o Nordeste e São Paulo? Ele teve a intenção de apresentar a idéia de que aqueles que possuem carros blindados devem defender-se dos nordestinos?
Que a frase foi infeliz não há como deixar de reconhecer. Quem de nós não proferiu, uma infinidade de vezes, frases infelizes? Quem de nós - parlamentar, político, governador, presidente - já não proferiu frases das quais se arrependeu mil vezes? Mas querer insistir nessa idéia ou, como faz um jornal de São Paulo, analisar os Ministros do Presidente Lula, destacando aqueles que são muito ruins e os que são bons - e, casualmente, os que não são bons são os sindicalistas, e os ótimos são o Ministro da Agricultura, o Presidente do Banco Central e o maior exportador do Brasil, que está no Ministério - é algo que não me parece correto. Esse jornal não pode fazer esse tipo de discriminação. Que tenha um pensamento que se alinhe ao do atual Ministro da Agricultura, tudo bem. Que tenha um pensamento que não se alinhe ao do Ministério da Reforma Agrária, tudo bem. Que tenha um pensamento que se alinhe ao do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tudo bem. Que tenha um pensamento que não se alinhe com o do Ministério das Cidades, tudo bem. Mas fazer essa diferenciação de que os homens que Lula foi buscar na área conservadora, progressista, industrial ou produtiva são ótimos e aqueles que foi buscar na área social, dos trabalhadores, entre os que representam sua vida inteira de luta não são bons, não me parece correto, sinceramente.
A imprensa publicou que o Sr. Graziano já caiu e que seu sucessor certo é o Presidente do Grupo Pão de Açúcar; não sei se essa idéia passou pelo Palácio do Planalto. Não há dúvida de que o Grupo Pão de Açúcar é da mais alta competência. Aliás, ninguém sabe melhor distribuir do que os supermercados, desde que se vá lá e se pague.
O Sr. Diniz, aliás, tem uma história dolorosa, sofreu muito. Tenho muita amizade e respeito por ele. Foi o seu seqüestro um dos fatores que influenciaram a surpreendente derrota de Lula para Collor, no segundo turno. Nas vésperas do pleito, apareceram os que o haviam seqüestrado. Um deles, usando uma camiseta do PT, foi filmado pelo delegado, que quis estabelecer uma ligação entre os dois fatos. Não acredito nisso.
Quanto ao problema da fome, não há dúvida de que o projeto do Presidente Lula é um grande projeto. Não há dúvida de que, se sentássemos para debater, para analisar qual é o maior problema que o Brasil tem hoje, veríamos que é a fome. Mas também não há dúvida alguma de que é um problema de uma complexidade fantástica.
Talvez o equívoco do Presidente Lula e do seu Governo tenha sido dar à opinião pública a demonstração de que o projeto era muito fácil; que seria lançado hoje, amanhã seria posto em execução e, depois de amanhã, terminaria a fome. Pelo menos muitas pessoas pensaram isso e muitas pessoas, por má-fé, começaram a espalhar isso. Já aqui, neste Senado, os Senadores do PSDB e do PFL cobram a solução do problema da fome.
Ainda há pouco, o querido amigo Romero Jucá veio a esta tribuna dizer que espera que o Governo acabe com o fogo na floresta do seu Estado, mas que não demore o que está demorando para matar a fome do povo, que seja mais rápido.
Não creio.
O Sr. Efraim Morais (PFL - PB) - Senador Pedro Simon, permite-me V. Exª um aparte?
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Com o maior prazer.
O Sr. Efraim Morais (PFL - PB) - Senador Pedro Simon, parabenizo-o pela defesa que faz do Governo Lula. Sei da participação de V. Exª na eleição de Lula, V. Exª sempre o defendeu, mesmo não sendo do Partido de Sua Excelência. Mas conheço também...
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª não está me colocando no pelourinho por isso.
O Sr. Efraim Morais (PFL - PB) - Não, estou reconhecendo as posições que V. Exª sempre assumiu. V. Exª sempre foi defensor da imprensa livre. Acompanhei a trajetória de V. Exª e sempre o admirei, como Deputado, de longe. Sonhava até com a oportunidade de poder estar frente a frente com V. Exª. Devo dizer que a imprensa faz a análise - e não é só um jornal, são todos eles -, se V. Exª tiver o cuidado de averiguar, verá que a imprensa, hoje, critica a situação do Programa Fome Zero. Estamos torcendo todos, principalmente nós, nordestinos, por esse programa, que esperávamos fosse implementado com a geração de emprego, e não com uma ajuda miserável, para viciar cada vez mais o cidadão, para humilhá-lo. Não me refiro ao cidadão pobre do Nordeste apenas, mas ao de todo o País. Se o Governo Lula, que prometeu dez milhões de empregos, começasse por aí, teria o apoio de todo este País. E não levando R$50 reais a uma família que está morando num casebre, cuja casa não será feita, que não terá energia elétrica, água, assistência médica. E V. Exª sabe, um cidadão pobre do Nordeste, que tem 6, 8, 10 filhos, com R$50 reais, o que fará? Estamos aqui querendo exatamente dizer que o Governo erra, que, ao começar, o Governo tem o direito de errar. Está nos jornais: “Apenas mais uma reunião. O Fome Zero vai reunir toda a área social do Governo neste fim de semana”. As críticas vão a ponto de afirmar que as pesquisas dizem que a lua-de-mel do Governo chegou ao fim. E a mesma pesquisa diz que Lula é melhor do que o Governo. Então, é preciso que sejam feitos alguns acertos. Quanto às críticas, eminente Senador, que foram feitas ao Ministro José Graziano, pense V. Exª: existiam mil outras frases para o Ministro usar, mas S. Exª não teve coragem de enfrentar o narcotráfico, por exemplo. S. Exª não teve coragem de dizer que os responsáveis por isso não são os nordestinos, pois eles são os menores, são os mais pobres? Seria esse o caminho? Então, V. Exª há de entender que nós, nordestinos, não estamos satisfeitos com a postura do Ministro. Repito que o Lula cometeu um erro: deveria ter demitido o Ministro, porque, como nordestino, ele também deveria ter sentido a dor que nós sentimos.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Veja como V. Exª é cruel: diz que o Ministro não teve coragem de se referir ao narcotráfico. Eu diria o seguinte: ele não teve a inteligência e a capacidade de se referir ao narcotráfico. Poderia ter dito realmente isso, poderia ter-se referido ao narcotráfico. Declaração infeliz? Declaração infeliz. Agora, demitir o cidadão por causa de uma declaração infeliz, eu, sinceramente, não concordo com isso. Se fosse Ministro meu, eu não demitiria. Declaração infeliz? Infeliz. Ele está pagando por sua declaração. O problema é cobrar trabalho dele. O problema é cobrar serviço.
E digo mais: o Governo Lula criou tantos órgãos - são vinte e nove! - que, de certa forma, fazê-los funcionar não é fácil. O problema da fome é do Graziano; os problemas sociais são da Ministra Benedita da Silva. Mas a fome é um problema social! Os problemas da cidade são do Ministro Olívio Dutra! A fome está nas cidades! Então, criou-se um enredo em que não se sabe onde termina a responsabilidade de um e onde começa a de outro e realmente está difícil.
Se o Lula está reunindo seus Ministros da área social de novo, faz muito bem! E que fique reunido com eles por dez dias e lhes ensine a fazer. Acho que está correto! Agora, cobrar do Ministro e do Governo e dizer que o Programa Fome Zero fracassou nesta altura!? Perdoem-me, mas não estou defendendo o Governo do Lula, não estou preocupado com o Governo do Lula. Estou preocupado com o meu País. Passei oito anos criticando, cobrando, e elogiando o Governo do Senhor Fernando Henrique Cardoso. Nas horas boas, eu vinha para esta tribuna e elogiava; nas horas ruins, eu vinha e criticava. Com o Lula vai ser a mesma coisa.
Mas não concordo que não se dê a um Presidente que assumiu o País nas condições em que ele assumiu a chance de se colocar. O Governo do Lula foi uma revolução social pacífica que se fez neste País - e o mundo reconhece isso. Contudo, adaptar isso aos cânones do Governo e caminhar adiante é o que ele está tentando fazer.
Não acho que o PFL, o PSDB nem o PMDB, que participaram do Governo anterior, têm autoridade para vir aqui e abrir as baterias da crítica. Vejo o Líder do PSDB falando e parece que o Governo Lula está no seu último dia. Ele faz cobranças como se o Lula estivesse no fim do seu Governo, e como se ele tivesse sido o Líder de um Governo que tivesse tido uma atuação espetacularmente excepcional.
Se disserem que o PT exagerou na propaganda, que o Duda Mendonça foi além do que devia, que semeou uma esperança que não dá para concretizar em curto prazo, eu concordo. Agora, o PSDB e o PFL cobrarem porque as coisas estão mal!? Estão mal porque foram deixadas mal. Estão mal porque a dívida do Brasil, só no ano passado, duplicou. De janeiro do ano passado a janeiro deste ano, passou a ser o dobro! Essa é a realidade que estamos vivendo. E vivemos numa época de um mundo em crise. Pode ser que amanhã acordemos em guerra. E há interrogações por todos os cantos.
Tínhamos a obrigação de nos sentar à mesa - o Presidente Lula devia ter a humildade de chamar todos os componentes de todos os Partidos - para debater. Está certo que o Ministro Tarso Genro fez bem em reunir uma equipe, mas ele não foi feliz, pois a sua foi uma escolha feita de cima para baixo. Ele poderia ter pedido que a Fiesp indicasse os nomes, que a CUT indicasse os nomes, que os partidos indicassem os nomes, que fosse algo que tivesse a representatividade de quem estivesse sentado ali, e não um convite do Governo. Mas, mesmo assim, estão se reunindo, debatendo e analisando.
Penso que este Congresso tem a obrigação de ajudar. Temos a obrigação de torcer para que dê certo. Não pense, querido amigo, e não pensarei eu que se o Presidente Lula for mal nós é que vamos voltar para o Governo. Se o Presidente Lula fracassar, se houver caos, se for uma desmoralização o Governo que aí está, enganam-se o PMDB, o PSDB e o PFL em pensar que ele sai e nós entramos. Ele sai e não sei o que acontece. Honestamente, não tenho a mínima condição de imaginar o que vai ocorrer se esse povo que sonhou, que confiou, que lutou, que votou, que esperou e que confia que algo irá acontecer for frustrado. O povo votou num político não-convencional, votou num homem que não tinha carreira política, que não era dos nossos, alguém do povo, alguém que tinha cheiro de povo, representava o povo. Se esse homem fracassar, em quem essa gente vai confiar? Quem vai substituí-lo? Fernando Henrique vai voltar candidato? O PSDB vai indicar candidato? O PMDB ou o PFL vai indicar candidato? Não sei, mas acho que a situação seria catastrófica.
Defendo a tese - repito e insisto - de que os partidos políticos no Congresso Nacional devem fazer um esforço no sentido de debater e analisar as questões que surgirem e ajudar para que as coisas dêem certo, e o nosso amigo Lula deve ter a humildade de buscar, também além do seu círculo de assessores, orientação, conhecimento, sugestões. O debate deve apontar caminhos. Isso é importante.
Também é importante entendermos que há momento para tudo. Esta não é a hora de quebrar lanças, esta não é a hora de fazer os discursos mais eloqüentes, esta não é a hora de tentar desmoralizar o Governo, esta não é a hora de espalhar para opinião púbica que não há esperança, que não há chances, que essa gente não resolve nada. Não vejo patriotismo nisso. Criticar, sim! Cobrar, sim! Mostrar o que está errado, sim! Essa é uma obrigação até dos homens do PT.
Aliás, repito aqui: a situação não está boa. O Governo não conseguiu caminhar, não conseguiu andar. Lula fala, mas não vemos ecoarem as suas palavras, não há a correspondência entre discurso e ação. Não me refiro à ausência de planos - o Fome Zero é uma iniciativa importante -, não é essa a questão. O que não se vê é o encaminhamento desses planos. Ainda estamos angustiados diante da necessidade que teve o Governo de aumentar os juros de 25% para 26% e de 26% para 26,5%, mas nos preocupa mais o futuro. O que vai acontecer? São esclarecimentos nessa direção que estamos esperando, é essa a expectativa com relação ao Governo do PT.
O Presidente José Sarney, que foi eleito unanimemente pela Casa - e digo aqui mais do que na Câmara, porque o Senado é mais apropriado -, poderia reunir os líderes de todos os partidos com o Líder do Governo e tentar buscar o diálogo: o que podemos fazer, no que podemos ajudar, como podemos colaborar para evitar frustrações?
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT - RS) - Permite-me V. Exª um aparte?
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É com alegria que recebo o aparte do grande Senador do Rio Grande do Sul e do Brasil, nosso querido companheiro Paulo Paim.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT - RS) - Senador Pedro Simon, que muito orgulha o nosso Estado, o Rio Grande do Sul, ex-Governador e, mais uma vez, Senador, quero cumprimentá-lo pela coerência do seu discurso. A exemplo do Senador Efraim Morais - éramos Deputados, agora somos Senadores -, sempre tive em V. Exª uma referência e, por isso, acompanhei o seu mandato nesses oito anos do Governo anterior. V. Exª está tendo na tribuna a mesma firmeza e a mesma clareza. Seu discurso é reflexo dessa postura: críticas e elogios. Eu me lembro de um discurso de V. Exª, feito há quinze dias, em que dizia: não queiram que o Governo Lula faça, em dois ou três meses, o que não foi feito em oito anos. V. Exª, neste momento, aponta na mesma linha. Há problemas? É claro que há, pois pegamos o País em condições muito difíceis. Gostaria de fazer referência à política de combate à fome. O Senador Efraim Morais lembrou que os nordestinos, o País, enfim, não espera somente, como auxílio na sua luta contra a fome, uma marmita ou R$50,00. Temos também que nos lembrar - defendi isso no passado - do tíquete-leite, da bolsa-escola, do vale-transporte, do vale-alimentação e até da distribuição de cestas básicas para o Nordeste na época da seca. Perguntaram-me se eu não entendia que essas medidas eram casuísticas e paternalistas. Respondi que, para muitos, poderia parecer que sim, mas, para aquele que está com fome, para aquele que está no chão da fábrica, no fim da linha, é importante receber até a cesta de alimentos. Combater e erradicar a fome no País é uma tarefa gigantesca. Sou do PT, mas não sou daqueles que dizem que o Governo Lula está acertando em 100% de suas ações. Também estou aguardando, esperando. Estou ainda no campo da esperança, do otimismo, da expectativa de que o Governo Lula faça mudanças, acerte e corresponda, principalmente quanto a investimentos e ao aumento da produção. Sem sombra de dúvida, também concordo: o ideal seria gerar mais empregos. No momento, porém, enquanto a economia e as conjunturas nacional e internacional não permitem que isso aconteça, é preciso haver políticas imediatas de combate à fome. Espero que essa expectativa gerada se concretize o mais rápido possível. Fiz o aparte mais para cumprimentar V. Exª pela postura que vem adotando, mas quero também cumprimentá-lo, Senador Pedro Simon, pelo seu posicionamento relativamente ao Ministro José Graziano. Concordo que S. Exª foi infeliz, mas V. Exª teve a grandeza de, em sua defesa, perdoá-lo. Ao usar da tribuna, fiz questão de dizer às duas autoras que me procuraram e à editora, que reconheceram o erro e pediram desculpas, que, de minha parte, o importante era que o livro fosse apreendido - como foi - e que dessem nova redação ao livro e a submetessem a um conselho de alto nível, para que fosse adequado aos moldes dos livros didáticos deste País. V. Exª teve a grandeza de perdoá-lo. Sei que o Senador que o antecedeu também a terá. Foi um equívoco. Foi um erro. Entretanto, não devemos fazer do erro um cavalo de batalha. Pelo contrário: esse erro deve servir de exemplo para que outros erros não aconteçam e para que possamos contribuir para o avanço deste País. Meus cumprimentos a V. Exª.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - De coração, muito obrigado, Senador Paulo Paim.
O SR. PRESIDENTE (Almeida Lima) - Senador Pedro Simon, o tempo de V. Exª está esgotado. Como há outros oradores inscritos, peço a V. Exª a compreensão para que, dentro do prazo mínimo necessário, conclua o seu pronunciamento.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Sou eu quem fala demais, ou é o relógio que corre muito ligeiramente? Nem entrei no tema, Sr. Presidente! Estava apenas no intróito.
O Sr. Efraim Morais (PFL - PB) - V. Exª me permite um aparte?
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Sr. Presidente, peço apenas a V. Exª que me permita ouvir os apartes.
O SR. PRESIDENTE (Almeida Lima) - Pois não.
O Sr. Efraim Morais (PLF - PB) - Nobre Senador, agradeço-lhe por me conceder mais este aparte. Quero dizer que não há nenhum ódio nas minhas palavras; inclusive, registrei isso no meu pronunciamento. Mas haverá sempre - coloco-me ao lado do nosso Senador Paulo Paim - a reação do Nordeste a frases dessa natureza.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - O que é absolutamente correto.
O Sr. Efraim Morais (PMDB - RS) - Lembro-me, quando vejo na tribuna um representante do Rio Grande do Sul ser aparteado por outro representante do Rio Grande do Sul e, aqui, um paraibano, da Revolução de 30, quando o Rio Grande do Sul e a Paraíba deram-se as mãos. Espero que possamos estar unidos em defesa do Fome Zero. No entanto, nós, do PFL, do PSDB, do PMDB, do PT, qualquer que seja o partido, vamos ter que ser vigilantes. Se algo vai mal no Governo Lula - e sentimos isso na sociedade, pois somos nós que a ouvimos mais -, temos a obrigação de vir aqui até para ajudar Lula, porque todos queremos que Lula acerte. Não vamos fazer oposição ao País, vamos fazer oposição ao Governo. Na hora em que o Governo errar, a nossa obrigação será vir aqui reclamar para que o próprio Governo corrija o seu rumo. Essa é a intenção. Penso ser intenção desta Casa estarmos unidos, nós brasileiros, em defesa do nosso País.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado.
O Sr. Luiz Otávio (PMDB - PA) - Permite-me V. Exª um aparte?
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Pois não.
O Sr. Luiz Otávio (PMDB - PA) - Senador Pedro Simon, em primeiro lugar, com todo respeito e com toda consideração que tenho por V. Exª, quero lhe dizer que fico satisfeito por V. Exª ter vindo à tribuna, nesta manhã, defender o Ministro José Graziano. Primeiro porque ele merece, tem um histórico de defesa de todos os projetos sociais que o Presidente Lula tem concebido, assim como também daqueles que já estão em fase de execução. Inclusive, nós, membros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, reunidos esta semana, discutimos a possibilidade de S. Exª vir ao Senado e aqui apresentar as suas desculpas ao Senado Federal, ao Congresso Nacional e ao povo brasileiro. Digo isso porque V. Exª sempre assume a tribuna para trazer importantes assuntos, e era praxe, no Governo Fernando Henrique, V. Exª vir aqui pedir a cabeça de Ministro. Houve Ministro que caiu porque V. Exª, com a sua capacidade, o seu conhecimento e o seu discernimento, na hora H, na hora certa, no momento de maior dificuldade de determinado Ministro, veio à tribuna e pediu a sua saída. Hoje, inicialmente, pensei: se o Senador Pedro Simon for à tribuna e pedir a cabeça do Ministro José Graziano, realmente ele vai cair. Fiquei, portanto, satisfeito quando vi que V. Exª veio defendê-lo. Espero que o Ministro permaneça e continue contando com o reconhecimento do Senado e do Congresso Nacional, o que com certeza vai acontecer e será demonstrado quando do seu comparecimento aqui na próxima semana. Muito obrigado.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Agradeço o aparte de V. Exª e, cumprindo a determinação da Presidência, encerro, dizendo apenas o seguinte: acredito que todos temos as nossas idéias, os nosso partidos, os nossos objetivos. Quem está na vida pública sabe que é assim. O PMDB, como Partido, foi derrotado, perdeu a eleição para a Presidência da República, assim como o PSDB e o PFL. O PT ganhou. Que se esteja preparando o caminho para o que faremos daqui a quatro anos é absolutamente correto. Que se costurem os caminhos que vamos trilhar para a próxima eleição é absolutamente correto. Estar na expectativa do que vai acontecer é absolutamente correto. O que quero dizer é que não me parece correto que, neste início de um Governo que foi uma revolução na sociedade brasileira, estejamos torcendo para que ele vá mal. Considero isso pecado. Creio que temos que criticar, debater, protestar, mostrar, mas, quando vejo que já se está torcendo para que a coisa vá mal, considero, sinceramente, que não é correto.
Talvez eu tenha que voltar a esta tribuna e pedir a cabeça de Ministro. Se tiver que fazê-lo, farei com a maior tranqüilidade. Provavelmente virei a esta tribuna criticar, dura e asperamente, as coisas que acontecerem no Governo do PT. Farei isso com a maior tranqüilidade. No entanto, neste início, sinto-me completamente desconfortável em ver cobranças a um governo que está começando. Não bem, reconheço; não era aquilo com que se sonhava. Pensávamos que seria uma maravilha, com projeto 1, projeto 2, projeto 3. Imaginávamos que os cem dias do novo Governo seriam marcantes. Não serão. Reconheço que não teremos isso, o que é uma pena. Não estou gostando do Governo, mas também não estou torcendo para que os próximos cem dias sejam piores. Espero que ele se recupere. E, no que depender de mim - era o que tinha a falar agora -, farei tudo o que puder para ajudar. Inclusive, tive um encontro com o Ministro da Justiça para apresentar propostas e idéias sobre a questão da segurança, sem imprensa e sem ninguém, pois a nossa obrigação, hoje, é colaborar.
Repito: o Eclesiastes é sábio quando diz que há momento para tudo na vida. Há momento para atirar pedra, para colher, para rezar, para chorar, para dormir e para trabalhar. Parece-me, portanto, que esta não é a hora da cobrança, mas a hora de unirmos os nossos esforços no sentido de torcer para que dê certo.
Obrigado, Sr. Presidente.