Discurso durante a 143ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Situação da saúde pública no Piauí.

Autor
Mão Santa (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PI)
Nome completo: Francisco de Assis de Moraes Souza
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
SAUDE.:
  • Situação da saúde pública no Piauí.
Publicação
Publicação no DSF de 17/10/2003 - Página 32736
Assunto
Outros > SAUDE.
Indexação
  • CRITICA, DECISÃO, GOVERNO FEDERAL, RETIRADA, RECURSOS, AREA, SAUDE PUBLICA, REGISTRO, GRAVIDADE, FALTA, FUNCIONAMENTO, HOSPITAL ESCOLA, ESTADO DO PIAUI (PI).
  • CRITICA, PROPOSTA, GOVERNO FEDERAL, FECHAMENTO, MATERNIDADE, TRADIÇÃO, ATENDIMENTO, ESTADO DO PIAUI (PI), TROCA, LIBERAÇÃO, RECURSOS, HOSPITAL ESCOLA, SOLICITAÇÃO, APOIO, LIDERANÇA, GOVERNO, REIVINDICAÇÃO, POPULAÇÃO.

O SR. MÃO SANTA (PMDB - PI. Para uma comunicação inadiável. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, brasileiras e brasileiros, vamos continuar no Piauí.

Guaribas tem um povo orgulhoso e é uma dessas cidades que transformamos de povoado em cidade. É uma dessas quase que seis mil cidades que há no Brasil. Os problemas são tão grandes, que na cidade onde nasceu o Presidente Lula está faltando água.

Não somos contrários a esses programas, porque a nossa formação cristã ensina que devemos dar o que comer a quem tem fome e o que beber a quem tem sede. Ao governar o Estado do Piauí, criei cem restaurantes populares Sopa na Mão.

Quero dizer que não entendo o fato de se retirar dinheiro da área da saúde. A minha formação de médico é de Santa Casa da Misericórdia. No Piauí, onde houve a morte da Deputada Federal Francisca Trindade, do PT, que está no céu, há um hospital universitário inaugurado em 1987 e que está se transformando em um “elefante branco”. Ele tinha todas as condições de funcionamento, mas faltava o custeio de R$60 mil. O hospital interessa ao Ministério da Educação, porque é um hospital universitário, que serve para o estágio de médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas. É por meio dessas instituições públicas que o povo pode ser atendido.

Não entendo como o Governo tira dinheiro da saúde. A solução que veio do Ministério da Saúde foi a pior possível.

O Senador Alberto Silva governou aquele Estado duas vezes. Na primeira, de 1970 a 1974, no período revolucionário, quando era Ministro do Planejamento o piauiense João Paulo dos Reis Velloso, S. Exª conseguiu instalar na Capital uma maternidade, Senador Papaléo Paes, importada da Inglaterra, de Londres, uma doação, pré-moldada. E há 30 anos essa maternidade é modelo. Talvez seja a mais importante escola do Nordeste. E essa tradição e conquista trouxeram muitas vitórias à classe médica piauiense. Recebi, como Governador do Estado, o primeiro prêmio Amigo da Criança.

Senador Tasso Jereissati, V. Exª conhece a Maternidade Assis Chateaubriand - do qual fui discípulo, e o Governador do Ceará Lúcio Alcântara -, e quero dizer que a nossa maternidade é do mesmo padrão funcional daquela. Foi construída por Alberto Silva e recebeu o nome da sua santa mãe, Evangelina Rosa.

O Governo, a seleção de peladeiros, resolveu - não sei quem deu a sugestão -, para fazer funcionar aquele hospital, que está se tornando um elefante branco, para o qual pedi 60 mil, que era o que reivindicava o reitor para o custeio, e em relação ao qual houve o sacrifício de uma Deputada Federal do PT, que morreu decepcionada pela não concessão dessa irrisória verba, apresentar agora uma solução. E apresentou uma solução anencéfala: tirar, fechar a maternidade padrão do Nordeste, que se equipara à Assis Chateaubriand, do Ceará.

Eu mesmo criei várias maternidades no interior e mandava o diretor fazer estágio lá. Foi por causa dessa maternidade-escola que o Piauí recebeu o prêmio da Unesco.

Então, a conclusão a que o Governo chegou foi fechá-la para fazer funcionar outro hospital. É isso, em troca, e sem pagar o cachê de Guaribas por servir de marketing para o Governo, para o Governo da generosidade. Isso é contra a Bíblia, que diz: “Se dá com uma mão, esconde para que a outra não saiba”. Aqui não, vamos decantar a infelicidade e as dificuldades de um povo brasileiro que na serra da Confusão consegue sobreviver por meio da agricultura.

Mas quero aqui apelar para a grande Líder Ideli, que S. Exª não permita que essa maternidade tradicional seja fechada. Sei que nessa maternidade milhares e milhares de crianças piauienses nasceram e lá receberam um atendimento altamente qualificado. Um hospital tem que ter história, é através da sua história, das suas rotinas e das suas clínicas que ele se firma.

Essas são as reivindicações verdadeiras do Piauí. O Piauí, por meio deste Senador, quer vir apresentar as suas virtudes de gratidão, mas solicita que o Governo Federal faça funcionar o hospital universitário, mas não o faça fechando uma maternidade de tradição e uma das mais eficientes de todo o Nordeste.

Sr. Presidente, era o que tinha a dizer.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/10/2003 - Página 32736