Discurso durante a 156ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Homenagem de pesar pelo falecimento da escritora Rachel de Queiroz.

Autor
Valmir Amaral (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/DF)
Nome completo: Valmir Antônio Amaral
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Homenagem de pesar pelo falecimento da escritora Rachel de Queiroz.
Publicação
Publicação no DSF de 06/11/2003 - Página 35579
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM POSTUMA, RACHEL DE QUEIROZ, ESCRITOR, ESTADO DO CEARA (CE), PIONEIRO, REPRESENTAÇÃO, MULHER, ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (ABL), ELOGIO, ATUAÇÃO.

O SR. VALMIR AMARAL (PMDB - DF. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, como pode uma imortal morrer?

O escritor vence sempre a morte, pois a cultura humana é imortal.

Assim, aquele que pega a pena e mistura tinta com papel faz arte e deixa o seu legado, sua vida e sua face para toda a eternidade ao homem.

É certo que o Poeta encontrou a fórmula da longevidade: não podendo prosseguir o corpo, faz com que a alma se preserve entre nós, através de seus pensamentos vivos. Daí imortalidade.

A história corre por nossos olhos. Sei a importância deste momento. Ser contemporâneo de Rachel de Queiroz e ter lido suas obras me passa uma emoção muito forte, de tal modo que minhas palavras passam a ser uma forma que encontrei de amenizar essa perda, uma maneira que encontrei de justificar o injustificável. A ausência.

Mulher de fibra, não poderia ter nascido em outro lugar - Fortaleza, foi na vida a cidade que nasceu - uma fortaleza. Tinha no sangue, pelo lado materno, a inclinação pelas letras, pois a família da mãe era Alencar, de José de Alencar que escreveu O Guarani.

A vida de Rachel de Queiroz foi a sua maior obra, o mais elaborado romance foi sua luta em defesa das igualdades, o combate à discriminação. Trabalhadora incansável, foi em vida professora, jornalista, romancista, cronista e teatróloga.

Dentre suas obras, as publicadas e mais conhecidas foram O Quinze, romance (1930); João Miguel, romance (1932); Caminho de pedras, romance (1937); As três Marias, romance (1939); A donzela e a moura torta, crônicas (1948); O galo de ouro, romance (folhetins na revista O Cruzeiro, 1950); Lampião, teatro (1953); A beata Maria do Egito, teatro (1958); 100 Crônicas escolhidas (1958); O brasileiro perplexo, crônicas (1964); O caçador de tatu, crônicas (1967); O menino mágico, infanto-juvenil (1969); As menininhas e outras crônicas (1976); O jogador de sinuca e mais historinhas (1980); Cafute e Pena-de-Prata, infanto-juvenil (1986); Memorial de Maria Moura, romance (1992) este ficou muito conhecido em virtude de uma série feita para a televisão; Nosso Ceará (1997); Tantos Anos (1998), os dois últimos em parceria com sua irmã Maria Luiza de Queiroz Salek, e tantas outras obras importantes. Quis aqui apenas registrar as mais destacadas.

Novembro marcou sua vida, pois muitas coisas aconteceram nesse mês: nasceu no dia 17; foi empossada na Academia Brasileira de Letras como a primeira mulher a ocupar uma cadeira, no dia 4, o ano era 1977; e faleceu no dia 4 de novembro de 2003.

Ocupou a cadeira por exatos 26 anos e agora ocupa pela eternidade o reconhecimento de sua vida próspera e dinâmica.

Há um fato interessante: Jânio Quadros, quando era Presidente da República, a convidou para ser Ministra da Educação, convite que foi recusado com a seguinte alegação “Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista”.

Mas o que eu quero é deixar um registro de admiração à vida, à pessoa, à obra de Rachel de Queiroz. Finalizo com suas próprias palavras, simples e singelas em vida, reflexivas e diretas em sua imortalidade "[...] tento, com a maior insistência, embora com tão precário resultado (como se tornou evidente), incorporar a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à língua com que ganho a vida nas folhas impressas. Não que o faça por novidade, apenas por necessidade. Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia brigando por isso e fez escola.". A estória virou história.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 06/11/2003 - Página 35579