Discurso durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Comentários ao artigo "A aula de Cosme, o Lula de ontem", do jornalista Clóvis Rossi, publicado no jornal Folha de S.Paulo.

Autor
Arthur Virgílio (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AM)
Nome completo: Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
PRESIDENTE DA REPUBLICA, ATUAÇÃO.:
  • Comentários ao artigo "A aula de Cosme, o Lula de ontem", do jornalista Clóvis Rossi, publicado no jornal Folha de S.Paulo.
Publicação
Publicação no DSF de 17/12/2004 - Página 43951
Assunto
Outros > PRESIDENTE DA REPUBLICA, ATUAÇÃO.
Indexação
  • COMENTARIO, TRANSCRIÇÃO, ANAIS DO SENADO, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, FOLHA DE S.PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), CRITICA, NEGLIGENCIA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, POLITICA SOCIAL.

O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB - AM. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores: o menino Cosme, de 11 anos, caiu do céu, direto no Palácio do Planalto. Quem sabe para dar uma sacudidela no Presidente Lula e, por seu intermédio, aos petistas, que continuam em pleno mundo da Lua, supondo, por informações equivocadas, que tudo vai bem entre o povo. Nada vai bem. Para o povo.

Cosme - cujo nome completo é Cosme de Oliveira Júnior - é o melhor balanço desses dois anos de Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no dizer do articulista Clóvis Rossi, da Folha de S.Paulo.

Para o jornalista, Lula é o ex-Cosme. O Presidente, que se gabou a vida inteira de ter feito um curso intensivo de Brasil, percorrendo-o de cabo a rabo mais de uma vez, segundo dizia, agora é aconselhado por um garoto a voltar às ruas para ver a realidade de hoje. Realidade precária.

Aí está. O que é divulgado, o que aparece, como bons resultados da economia, não chega ao povo, que continua marginalizado, sofrendo as agruras de um Governo que erra no social e finge que não erra.

De repente, aparece o menino Cosme e, na singeleza de quem tem apenas 11 anos, diz a Lula:

            Eu queria que o Senhor voltasse às ruas para ver a realidade de hoje. A situação é precária.

E mais:

            O Senhor se lembra de quando era pequeno? E como o Senhor se sentia quando era uma criança pobre e trabalhadora? Eu tenho certeza de que não gostava. Deve saber como é passar fome.

Clóvis Rossi, experiente jornalista, conhece mais de povo e de Brasil do que o Presidente Lula. Sua notável bagagem permitiu que ele recordasse, no artigo publicado ontem pela Folha de S.Paulo, a frase de um então Governador - e biônico - de São Paulo, dirigindo-se a um velho sábio que, diz Rossi, habita aquele jornal:

            Ah, meu amigo, se você soubesse como é bom passar quatro anos sem precisar nem sequer pôr a mão na maçaneta da porta porque sempre tem alguém para abrir para você...”

E Rossi interpreta o governador biônico:

Pois é. No Brasil, governar é isso. É dispensar-se até de abrir portas. Podia-se acreditar que, com Luiz Inácio Lula da Silva, seria diferente. Não é, a julgar pela lição do menino Cosme.

            Não há como não concordar com Clóvis Rossi. O que Cosme falou, puxando a orelha do Presidente, vale mais do que mil colunas de jornal e ainda tem a vantagem de que não pode ser desqualificado como obra do tucanato, como os petistas tolos o fazem para não encarar a realidade.

Clóvis Rossi conclui dizendo não acreditar que Lula volte às ruas, seguindo o conselho de Cosme. Afinal, o Presidente tem alguém sempre pronto para a operação maçaneta. Não vai voltar às ruas, até, ao menos, enquanto não aparecer, além de Cosme, também o Damião.

 

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DOCUMENTO A QUE SE REFERE O SR. SENADOR ARTHUR VIRGÍLIO EM SEU PRONUNCIAMENTO.

(Inserido nos termos do art. 210, Inciso 1º e § 2º, do Regimento Interno.)

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Matéria referida:

“A aula de Cosme, o Lula de ontem.”


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/12/2004 - Página 43951