Discurso durante a 16ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Comemoração, em 16 de fevereiro passado, do Dia do Repórter.

Autor
Valmir Amaral (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/DF)
Nome completo: Valmir Antônio Amaral
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Comemoração, em 16 de fevereiro passado, do Dia do Repórter.
Publicação
Publicação no DSF de 10/03/2005 - Página 4698
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, DIA, REPORTER, SIMBOLO, LIBERDADE DE EXPRESSÃO, IMPORTANCIA, CATEGORIA PROFISSIONAL, INVESTIGAÇÃO, ELABORAÇÃO, TRANSMISSÃO, NOTICIARIO, CONTRIBUIÇÃO, SOCIEDADE, POLITICA, HISTORIA.

O SR. VALMIR AMARAL (PMDB - DF. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, venho a esta tribuna parabenizar os repórteres de todo o Brasil pelo Dia do Repórter, comemorado em 16 de fevereiro passado. Ainda que tardiamente, não posso deixar passar em branco essa atividade profissional, das mais nobres. São eles que fazem a notícia que nos chega todos os dias. É oportuno destacar a contribuição desses arautos da democracia, que devotam a vida para disseminar o conhecimento.

Ninguém encarna melhor a liberdade de expressão do que eles, os repórteres. Em alusão à fase famosa, certa vez, o destacado jornalista Clóvis Rossi brincou: “Que me desculpem Vinícius de Moraes, os editores e redatores, mas repórter é fundamental”.

De fato, o repórter é o ator principal do jornalismo. É possível fazer jornal sem editores e redatores, ainda que o resultado seja insatisfatório. Redatores, aliás, são espécie em extinção nas redações de imprensa. Repórteres não: são imprescindíveis. Sem eles, não há relato, não há história, não há notícia. Não há jornal.

            Obstinados perseguidores da verdade, pugnam, com todas as forças, por uma imprensa plural e independente. Por vezes, investem-se de advogados dos sem-voz. Em certas ocasiões, reclamar ao repórter é a única saída do cidadão para brigar por seus direitos.

Na era da convergência tecnológica, da multimídia, o papel do repórter se torna mais importante. A diversidade de meios de comunicação lança sobre espectadores, ouvintes e leitores um tsunami de informações. É o repórter o encarregado da delicada tarefa de filtrar e interpretar essa massa desordenada de conteúdo.

O repórter é o ourives da notícia. Lapida a informação em estado bruto e traduz em conhecimento. Desenvolve um olhar cuidadoso, arguto observador do cotidiano. Descobre o interessante no ordinário, a novidade no trivial. Às vezes, faz arte, como fizeram Euclides da Cunha, Machado de Assis e tantos outros que escreveram literatura nas páginas da imprensa.

O desafio do repórter é explicar o quê, quando, como, onde, e, sobretudo, o porquê dos acontecimentos. A verdade absoluta ninguém, nunca, a terá. Mas a bússola da objetividade deve nortear seu ofício. A imparcialidade, a variedade de ângulos é o objetivo a ser alcançado. O repórter deve buscar sempre “a melhor versão da verdade possível”, como disse Bob Woodward, famoso jornalista que publicou o escândalo Watergate, nos Estados Unidos.

Os repórteres têm a humildade daqueles que falam para serem entendidos. Revelam a correlação de fatos aparentemente desconexos. Rejeitam o hermetismo dos jargões, que segregam platéias e escondem segredos. Preferem falar para o grande público. Porque todos têm o direito à informação e ao saber, como está consagrado na Constituição.

Para fazer jornalismo, o repórter garimpa a informação na frente de batalha. Literalmente. Quantos correspondentes de guerra não entregam a vida em busca da notícia? No ano passado, 129 foram assassinados, alerta a Federação Internacional dos Jornalistas. Infelizmente, é o maior número dos últimos doze anos. No Brasil, 6 jornalistas foram mortos em 2004, fato que continua a ocorrer mesmo depois da tragédia com Tim Lopes, morto pelo tráfico de drogas.

Os que não perdem a vida enfrentam a luta por emprego no mercado de trabalho. São os que mais sofrem com a crise dos meios de comunicação. Faltam oportunidades, faltam bons salários, faltam direitos trabalhistas. Falta um conselho profissional, como têm outras categorias, para defendê-los.

Essa abnegação é motivada pela paixão de serem testemunhas oculares da história. In loco, ao vivo, o repórter capta as primeiras impressões dos acontecimentos. A contribuição de seus relatos para a posteridade é reconhecida por todos. O trabalho de historiadores, sociólogos e estudiosos deve muito aos jornalistas que registraram os grandes episódios da humanidade.

Alguns não se limitam a acompanhar os fatos. De narradores, passam a ser protagonistas. A reportagem-investigativa, esse gênero recente de jornalismo, é o melhor exemplo. Os repórteres-investigativos são verdadeiros detetives da opinião pública. Com o poder de suas matérias, muitos protagonizaram casos importantes, como o citado Watergate e o impeachment do Presidente Collor de Melo no Brasil.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, quero aqui fazer menção aos repórteres que trabalham nas redes públicas de comunicação. Eles se entregam bravamente na disputa por corações e mentes das pessoas. Enfrentam a competição com as redes comerciais, muitas vezes desigual, o que torna mais elevado o desafio desses profissionais. Em nome dos que fazem jornalismo de interesse público, homenageio aqui os repórteres do jornal, da agência, da TV e da Rádio Senado.

Por fim, estendo as saudações a todos os repórteres do País. E cito as sábias palavras do mestre Rui Barbosa, advogado, parlamentar, diplomata e jornalista: “As grandes nações poderiam caracterizar-se pelo caráter do seu jornalismo”. Com a devida vênia, peço um aparte ao nobre Senador Rui Barbosa, mestre de todos nós, que certamente não se iria opor ao que vou dizer. O caráter do jornalismo é forjado pelo caráter de seus repórteres. E nesse aspecto, a imprensa brasileira está bem servida.

Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.

Muito Obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/03/2005 - Página 4698