Discurso durante a 119ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Defesa de adoção de medidas governamentais destinadas ao combate da burocracia e da corrupção. (como Líder)

Autor
Ney Suassuna (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PB)
Nome completo: Ney Robinson Suassuna
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA DE DESENVOLVIMENTO. ADMINISTRAÇÃO PUBLICA. SEGURANÇA PUBLICA.:
  • Defesa de adoção de medidas governamentais destinadas ao combate da burocracia e da corrupção. (como Líder)
Aparteantes
Maguito Vilela, Mão Santa.
Publicação
Publicação no DSF de 27/07/2005 - Página 25666
Assunto
Outros > POLITICA DE DESENVOLVIMENTO. ADMINISTRAÇÃO PUBLICA. SEGURANÇA PUBLICA.
Indexação
  • COMENTARIO, IMPORTANCIA, PROVIDENCIA, GOVERNO FEDERAL, SOLUÇÃO, PROBLEMAS BRASILEIROS, DEFESA, INVESTIMENTO, EDUCAÇÃO, TRANSPORTE, COMBATE, CORRUPÇÃO.
  • SUGESTÃO, CRIAÇÃO, SECRETARIA ESPECIAL, OBJETIVO, REDUÇÃO, BUROCRACIA, SETOR PUBLICO, EFICACIA, ADMINISTRAÇÃO PUBLICA.
  • APREENSÃO, SITUAÇÃO, SEGURANÇA PUBLICA, BRASIL, ESPECIFICAÇÃO, ESTADO DA PARAIBA (PB).

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, todos nós estamos preocupados com os problemas que o Brasil está vivendo.

Há um livrinho que parece pequeno, mas que foi extremamente importante para toda a humanidade. Falo de um livro de René Descartes, chamado Discurso do Método, escrito há tanto tempo, em 1630, que diz que todo grande problema é composto de pequenos problemas. Temos de isolar esse grande problema e procurar ver quais são os pequenas problemas que o formam.

Hoje o Brasil está vivendo um grande problema, que o está paralisando. Com toda certeza, ele deixaria de ser importante e teria solução, à medida que estudássemos e procurássemos trabalhar duro para resolvê-lo parte a parte.

Por exemplo, poderia o Presidente da República pegar esse grande problema, dividi-lo em partes e começar a equacioná-las. Se as estradas estão ruins, há que se resolver o problema rapidamente. Estamos com problemas sérios. A toda hora, vemos o clamor da saúde, por isso há que se fazer frente à essa área. Estamos vendo que a educação, apesar de ter tido muitos progressos, ainda está muito aquém do queremos. Assim, temos de resolver o problema da educação. A corrupção, que está assolando e bloqueando o País neste momento, tem de ser solucionada. Concordo com o Líder José Agripino: doa em quem doer, tem que se levar o processo até o extremo.

À medida em que resolvermos esses problemas, vamos verificar que um dos grandes problemas da República é a burocracia. A burocracia está demasiada. Havia trinta e tantos Ministérios, número que foi diminuído, mas não foi criada uma Secretaria sequer que cuidasse do problema geral da burocracia. Neste País, ainda se continua pedindo reconhecimento de firma, algo que já foi abolido três vezes por decreto. Tudo é burocratizado no Brasil. Essa é uma parte do grande problema brasileiro que tem de ser equacionada, ao lado da saúde, da educação, das estradas. Tinha de ser criada uma Secretaria especial, como foi feito em governos anteriores, para se lutar contra a burocracia. Se foi feita em governos anteriores, por que continua sendo necessária hoje? Porque isto se dá em nós: estamos bem hoje, daqui a pouco engordamos e temos de fazer regime; descuidamo-nos, engordamos de novo e temos de fazer regime. A burocracia tem de ser combatida como a gordura no ser humano: permanentemente.

Este é o conselho que dou, neste momento, ao Governo que, às vezes, parece perplexo: temos de correr atrás, temos de trabalhar. Ao invés do imobilismo, é a hora de arregaçar as mangas e de pedir ao empresariado e ao operariado que façam o mesmo, buscando saber, entre esses pequenos problemas que formam o grande problema brasileiro, quais são os prioritários. Sabemos que são prioritários as estradas, a educação, a saúde, o desemprego - com mobilização para a solução dos outros, surgirão mais empregos -, mas a desburocratização também o é.

Ouço, com muito prazer, o aparte do Senador Maguito Vilela.

O Sr. Maguito Vilela (PMDB - GO) - Senador Ney Suassuna, eu estava ouvindo atentamente V. Exª, que toca em pontos fundamentais para o País. A desburocratização, aliada a uma reforma administrativa, é extremamente necessária. A burocracia é indutora de corrupção. Quanto mais a máquina fica enferrujada, obsoleta, carcomida pelo tempo, mais induz à corrupção, porque as coisas não andam, e vem o pagamento da propina para esse ou aquele processo andar. Em relação ao FCO, muitas vezes, no BNDES, no Banco do Brasil, em instituições importantes, um processo referente a uma atividade que vai gerar empregos, por exemplo, na área da agroindústria, leva um, dois ou três anos para desenrolar. Tenho observado isso. O País está lento demais, não tem velocidade nenhuma. E estamos vivendo uma vida supersônica; ela não é nem dinâmica mais, é supersônica. Então, temos de correr muito, para desburocratizar mesmo o País, por meio de uma reforma administrativa. A questão da saúde hoje é fundamental, continua morrendo gente nas filas, as crianças, os idosos não têm a menor possibilidade de um atendimento adequado. Então, V. Exª está batendo em teclas importantíssimas. E o País precisa de velocidade, de trabalho, de dinamismo. Hoje, até por uma audiência que se pede para um Ministro espera-se dois a três meses. Que País é este?! Para onde vamos? Quer dizer, está tudo muito difícil. Se não houver um norte, se não se bater na mesa, se não se colocar o País para andar, a situação ficará cada vez mais difícil. Parabéns pelo seu pronunciamento, que é a preocupação de todos nós.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - Muito obrigado, nobre Senador Maguito Vilela, V. Exª, que foi um Governador aclamado em Goiás e que deu um show exatamente pela velocidade das acertadas decisões que tomava, sabe muito bem que esse conjunto de problemas hoje aflige todo brasileiro.

Um desses, muito sério - em seguida vou dar a palavra ao Senador Mão Santa -, é o problema da segurança. Não há brasileiro que não esteja clamando por ela. Fui, agora, à comemoração dos 143 anos da cidade de Pombal, uma cidade do meu Estado, linda, encantadora, e, à noite, quando ia sair, disseram-me: “Não, Senador, o senhor não pode sair num carro só; temos de mandar pelo menos mais dois carros com o senhor”. Perguntei por quê, e responderam que era devido aos assaltos nas estradas, no interior da Paraíba, na região de fronteira, onde está o Polígono da Maconha - vemos que se chegou ao ponto de se batizar uma região do País de Polígono da Maconha.

Ouço o Senador Mão Santa.

O SR. PRESIDENTE (Romeu Tuma. PFL - SP) - Senador Ney Suassuna, o tempo de V. Exª esgotou. Como V. Exª não poderia dar apartes, peço que eles sejam rápidos. Dei a V. Exª dez minutos em vez de cinco minutos, como tolerância.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - E ainda tenho quatro minutos? Não posso deixar de ouvir o meu amigo Mão Santa.

O SR. MAGUITO VILELA (PMDB - GO) - Sr. Presidente, pela ordem. Então, é preciso corrigir o painel. Eu, por exemplo, fiz um parte e estava tranqüilo com base no que o painel indicava.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - Não há problema, nobre Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Romeu Tuma. PFL - SP) - Estava errado. Eu errei. Peço desculpas; já dei um prazo a mais, de coração.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - Muito obrigado, Sr. Presidente.

Ouço V. Exª, Senador Mão Santa.

O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Senador Ney Susssuna, manifesto minha admiração principalmente por sua sabedoria. V. Exª acabou de citar Descartes, mas eu buscaria em V. Exª mesmo, que é igual em inteligência a Descartes. Mas queria dizer o seguinte: V. Exª é Líder do PMDB no Senado. Eu votei em V. Exª, mas a política é como as nuvens, e o momento é diferente. O PMDB sempre teve dois grupos: o dos autênticos e o dos moderados. V. Exª está muito moderado para o meu gosto, trazendo uns problemas da saúde, da educação, da ignomínia, da imoralidade que o Presidente Renan Calheiros teve a coragem de mencionar no artigo de jornal. Nunca antes houve tanta indignidade. Então, peço permissão a V. Exª para que seja criado e revivido o PMDB autêntico. Aqui, este PMDB não votou nem em Ulysses, no anticandidato, porque ele tinha assumido o compromisso de, no dia, faltar, em protesto. Mas veio. E ficou com 70 votos dos moderados e 26 votos dos bravos colegas do congresso autêntico, que revivo no nome de Marcos Freire, de Fernando Freire, de Francisco Pinto e de outros. Quero fundar, com o nosso Líder, Senador Pedro Simon, com o Senador Ramez Tebet e com o Senador Sérgio Cabral - e convido os Senadores Valdir Raupp e Maguito Vilela, aqui presentes, a entrar nessa -, o PMDB autêntico. Isso foi reconhecido pela história. Vou oficiar a esta Casa a criação do PMDB autêntico, aquele que redemocratizou este País. V. Exª, em quem votei com toda admiração e respeito, está muito moderado para meu gosto.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - Muito obrigado, nobre Senador. Respeito e acato a opinião de V. Exª, mas acabava de falar da corrupção, que é um dos cânceres que está atacando nosso País. Nós, que somos Líderes, temos de ter sempre prudência. Um Líder nunca pode levar seu rebanho, seus liderados a precipício. Deve ter sempre a ponderação de lutar e buscar solucionar as coisas com muita prudência.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Autenticidade não é falta de prudência. O PMDB autêntico existiu, já foi reconhecido, e o Brasil aprova.

O SR. PRESIDENTE (Romeu Tuma. PFL - SP) - Por favor, o aparte já foi concedido.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - Concordo com V. Exª. Não estou contrariando o interesse de V. Exª, que é legítimo...

O SR. PRESIDENTE (Romeu Tuma. PFL - SP) - Não pode haver debate cruzado.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB) - ... e a democracia permite isso. Vamos respeitar a posição de V. Exª.

Agora, vejam Srs. Senadores, que esta é a hora, mais do que nunca, de o Presidente arregaçar as mangas e trabalhar. Esta é a hora, mais do que nunca, de o Governo se mobilizar, cobrar dos Ministros e procurar fazer essa hierarquização, lembrando-se de combater a burocracia e a corrupção. Ao combater a burocracia e a corrupção, os outros problemas vão se tornar mais fáceis e vamos poder ter sucesso nessa luta.

Muito obrigado, nobre Presidente, pela condescendência, pela gentileza e lhaneza com que V. Exª sempre lida, tanto na Presidência quanto fora dela.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 27/07/2005 - Página 25666