Discurso durante a 119ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Explicação pessoal à matéria publicada no jornal O Globo sobre irregularidades nos financiamentos de campanha do PSDB em Minas Gerais. (como Líder)

Autor
Eduardo Azeredo (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/MG)
Nome completo: Eduardo Brandão de Azeredo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
EXPLICAÇÃO PESSOAL.:
  • Explicação pessoal à matéria publicada no jornal O Globo sobre irregularidades nos financiamentos de campanha do PSDB em Minas Gerais. (como Líder)
Aparteantes
Eduardo Suplicy, Mão Santa.
Publicação
Publicação no DSF de 27/07/2005 - Página 25719
Assunto
Outros > EXPLICAÇÃO PESSOAL.
Indexação
  • ESCLARECIMENTOS, PRESTAÇÃO DE CONTAS, CAMPANHA ELEITORAL, REELEIÇÃO, ORADOR, GOVERNO ESTADUAL, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), OBJETIVO, RESPOSTA, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, O GLOBO, ESTADO DO RIO DE JANEIRO (RJ), ACUSAÇÃO, IRREGULARIDADE, FINANÇAS, CAMPANHA, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB).
  • PROTESTO, COMPARAÇÃO, ATUAÇÃO, ORADOR, SITUAÇÃO, ATUALIDADE, GOVERNO FEDERAL, DESMENTIDO, PARTICIPAÇÃO, ACORDO, EMPRESTIMO, EMPRESA DE PUBLICIDADE, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG).

O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, venho à tribuna para dar explicações pessoais sobre o que em nota já foi divulgado.

Reforço que não admito, não posso concordar de maneira alguma que se faça um paralelo entre mim e as questões graves que estão sendo agora discutidas no País, como a CPI do Bingo, a CPMI do Mensalão e a CPMI dos Correios. Não tenho nada com isso, não tenho nada com mensalão!

A campanha de 1998 foi aprovada pelo TRE com toda a documentação, que está colocada à disposição de V. Exªs. A campanha, para os padrões brasileiros, foi até... Prestação de contas: oito milhões, quinhentos e cinqüenta e cinco mil reais.

Senador Aloizio Mercadante, tenho aqui no meu bolso. O Presidente da República prestou conta de pouco mais de R$3 milhões - para Presidente da República: R$3.059.825,00. Essa prestação de contas tem os dados para candidato a Governador de Minas Gerais, que disputei na época, em 98.

Não tenho responsabilidade sobre empréstimo feito por qualquer empresa. Não tem o meu aval. Essa é a diferença básica. Não avalizei nenhum empréstimo, não autorizei nenhum empréstimo, não era do meu conhecimento nenhum empréstimo como o que está hoje nos jornais.

Estou à disposição, em qualquer lugar, em qualquer circunstância, aqui, no Senado, para responder aos que quiserem me questionar a esse respeito.

Todos se lembram de que a campanha de 1998 foi a primeira com direito à reeleição. Eu, como Governador, continuei governando e fiz a campanha por todo o Estado.

Havia uma comissão coordenadora - como sabem todos os Srs. Senadores que já disputaram eleições para governador; para senador é mais simples, eu também disputei eleição para Senador em 2002 -, que faz a campanha. Essa comissão é que coordena, é ela que faz toda a movimentação financeira e ela que paga o que deve pagar.

Essa é a explicação que estou trazendo.

Tanto na minha vida pessoal quanto na minha vida pública, como Prefeito de Belo Horizonte, como Governador de Estado e como Senador, os senhores conhecem o meu comportamento. De maneira que não posso aceitar que se levante essa suspeição em cima de atos que teriam sido praticados por mim. Não foram praticados por mim.

Sou uma pessoa normalmente mais tranqüila, Sr. Presidente, mas, hoje, vindo da sua terra, de Goiás, onde fui receber uma homenagem em Goiás Velho, estou realmente indignado com a maneira pela qual os fatos são abordados. É diferente, é totalmente diferente. Isso ocorreu em 1998, sete anos atrás. De lá para cá, já houve eleições em 2000, em 2002 e em 2004.

Essas empresas, a DNA e a SMP&B, existem há mais de vinte anos. São as maiores empresas de publicidade de Minas Gerais. Essas empresas sempre trabalharam com os governos de Minas, fossem quem fossem os governadores, do PSDB, do PFL, do PMDB, do PT, de qualquer Partido. Sempre trabalharam. Não se pode agora também dizer, porque elas existiam à época, porque tinham contratos com o governo do Estado, que tudo o que fizessem estaria errado. Fizeram elas um empréstimo com o banco? Fizeram. Problema do banco! O banco é que tem de ver quais são garantias, e não o Estado. Não tenho nada com isso.

Quero dizer aqui que não há essa semelhança que está sendo colocada no jornal.

Outra coisa: esse negócio de lista para quem entregar recursos. Não fui eu. Não defini para quem entregar recurso coisa nenhuma! Volto a dizer - todos os que já fizeram campanha para governador sabem disso: são os coordenadores que cuidam dessa parte. Esses é que fizeram realmente o pagamento de despesa numa cidade ou em outra; sejam despesas de carreata, de arregimentação de panfleteiros, seja o que for.

Sr. Presidente, não posso aceitar isso. Vim rapidamente de Goiás para que pudesse participar do fim desse debate.

O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - V. Exª me permite um aparte?

O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Sim, Senador Mão Santa.

Quero só dizer que as prestações de contas que fiz sempre foram com a orientação que dei àqueles que trabalharam na minha campanha. O Dr. Paulo Eduardo Melo foi o meu advogado em 1998. Ele deu, em meu nome, toda a orientação para que tudo fosse feito dentro do que a lei permite, e aqui está a minha prestação de contas, assim como a minha prestação de contas de Senador no Estado de Minas Gerais, que foi de R$2,4 milhões. Dentro dos parâmetros. Isso é o que quero dizer.

Concedo um aparte ao Senador Mão Santa.

O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Todos nós conhecemos a história de Minas. Quero dizer a V. Exª que nenhum político da grandiosa Minas o excedeu em postura e decência. Tanto é verdade que quis Deus que Maguito Vilela e eu fôssemos Governadores na mesma época. E a primeira reunião entre os Governadores foi no Palácio de V. Exª. Estava lá Mário Covas, prestando-lhe uma homenagem. O Piauí sempre respeitou o nome de V. Exª, que foi, no meu Governo, o escolhido para receber a medalha maior, Renascença, mérito do Estado.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Quero dizer que tanto é verdade que Deus o abençoa. Lembro-me de que, no começo do nosso Governo, fomos convidados pela Igreja Católica a ser abençoados pelo Papa João Paulo II, que hoje é santo.

O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Senador Mão Santa, é exatamente com essa fé em Deus que tenho certeza de que não devo nada. Se hoje alguns tentam puxar o PSDB como o afogado dá o seu abraço, abraço de afogado, o meu Partido, que dirijo com muito orgulho, digo que o PSDB não aceita que se queira fazer essa verdadeira montagem para tentar atemorizá-lo. Sou Presidente do Partido com muita honra. Esse Partido tem moderação, sim, tem equilíbrio, mas não posso aceitar esses fatos. E aqui está a minha palavra de indignação, Sr. Presidente, com essas tentativas...

(Interrupção do som.)

O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - (...) de desmoralização. Já concluo, Sr. Presidente. Eu vim aqui correndo apenas para fazer uso da palavra.

Estou à disposição da imprensa; estou à disposição de quem quiser. Eu me orgulho muito da minha vida. Lutei muito para chegar até aqui como Senador, e o nome do meu pai, Renato Azeredo, que foi Deputado por seis vezes, eu honro todos os dias.

O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Permite-me V. Exª um aparte, Senador Eduardo Azeredo?

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB - GO) - O tempo de S. Exª já se esgotou há muito tempo. Como há três oradores inscritos, e eu gostaria de fazer um apelo a V. Exª.

O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Quero apenas, então, dizer que fiz questão de escutar as suas palavras com todo o respeito. Eu até disse ao Senador Arthur Virgílio que avaliava como importante a recomendação que ele fazia a V. Exª e que, agora, acaba de afirmar, que estará à disposição….

O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Eu estou à disposição em qualquer local.

O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - …do Senado para prestar esclarecimentos. Percebo a sua indignação e quero também transmitir ao próprio Líder do PSDB que a forma equilibrada com que todos estamos procedendo contribuirá para que possamos esclarecer todos os episódios e daí corrigir quaisquer erros que porventura tenham sido cometidos. Meus respeitos a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Maguito Vilela. PMDB - GO) - Senador Eduardo Azeredo, V. Exª concluiu?

O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Sim, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 27/07/2005 - Página 25719