Discurso durante a 164ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

As divergências internas do Partido dos Trabalhadores, acentuadas nas eleições do último domingo e consolidadas pelas ações de seu Diretório Nacional. Leitura de nota da Comissão Executiva Nacional do PFL sobre a crise do Governo Lula. (como Líder)

Autor
Jorge Bornhausen (PFL - Partido da Frente Liberal/SC)
Nome completo: Jorge Konder Bornhausen
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA PARTIDARIA.:
  • As divergências internas do Partido dos Trabalhadores, acentuadas nas eleições do último domingo e consolidadas pelas ações de seu Diretório Nacional. Leitura de nota da Comissão Executiva Nacional do PFL sobre a crise do Governo Lula. (como Líder)
Publicação
Publicação no DSF de 23/09/2005 - Página 31736
Assunto
Outros > POLITICA PARTIDARIA.
Indexação
  • ANALISE, DIVERGENCIA, MEMBROS, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), ELEIÇÃO, COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL, CRITICA, NOTA OFICIAL, DIRETORIO PARTIDARIO, ALEGAÇÕES, CONLUIO, BANCADA, OPOSIÇÃO, AUSENCIA, ESCLARECIMENTOS, RESPONSABILIDADE, CORRUPÇÃO.
  • LEITURA, NOTA OFICIAL, COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DA FRENTE LIBERAL (PFL), REITERAÇÃO, COMPROMISSO, FISCALIZAÇÃO, GOVERNO, APOIO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), ANALISE, AVALIAÇÃO, CRISE, POLITICA NACIONAL, OPOSIÇÃO, ACUSAÇÃO, CONLUIO, DENUNCIA, CORRUPÇÃO, DEFESA, DEMOCRACIA.

O SR. JORGE BORNHAUSEN (PFL - SC. Pela Liderança do PFL. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, não foi nem está sendo uma semana feliz para o Partido dos Trabalhadores. Já no domingo, suas divergências, suas diferenças ficaram claras no curso da eleição e após a apuração. Há uma certa desorientação entre os integrantes daquela agremiação partidária. Julgo que isso veio a se consolidar nas ações e atitudes tomadas pelo diretório do Partido e por seus integrantes.

O diretório, na segunda-feira, expediu nota criticando a existência de um festival denuncista e transferindo suas agruras, seus problemas, a incompetência e a corrupção para a fantasia, para acusar de forma imprópria e inadequada a imprensa, meu Partido e o PSDB. A atitude de Parlamentares, no curso desta semana, nos plenários, nas comissões de inquérito, é certamente fruto dessa desorientação que se transformou, em muitos casos, em agressão, em falta de continência parlamentar, em quebra, mesmo, de decoro.

É evidente que, responsável pela Presidência Nacional do PFL, na reunião que hoje realizamos - e normalmente o fazemos na quinta-feira - esses fatos, essas ações, essas desatenções às normas regimentais, essas acusações levianas não poderiam deixar de merecer a nossa atenção, a nossa preocupação, mas, sobretudo, a nossa resposta.

Passo, portanto, a ler a nota da Comissão Executiva Nacional do Partido da Frente Liberal:

A CRISE É LULA

Diante das 99 denúncias que nos últimos 100 dias - a partir de maio de 2005 - comprometem o Governo Lula, o PFL decide: a) reafirmar a linha de Oposição responsável e fiscalizadora que definiu em outubro de 2002; b) tornar pública a sua avaliação sobre a situação do País.

O PFL reafirma que as crises política e ética nasceram e têm seu principal foco propulsor no Governo Lula, que foi obrigado a demitir ministros, dirigentes de estatais, detentores de cargos de confiança, responsáveis diretos ou indiretos por atos delituosos.

2 - O PFL observa que é evidente que as instituições estão fortes e que a economia, graças aos trabalhadores, aos empresários brasileiros e ao crescimento mundial, continua com números razoáveis, apesar de o Governo atrapalhar o setor produtivo com o aumento de tributos e juros escorchantes. Só o Governo Lula, sem programas e planos, mergulhado na improvisação, maquilando programas sociais herdados (caso do bolsa-família) e sob absoluta falta de coordenação, desqualifica-se e arrasta-se pateticamente;

3 - O PFL considera que foi por culpa do Governo, impedindo a instalação da CPI dos Bingos em fevereiro de 2004 (quando rebentou o caso Waldomiro Diniz), que a corrupção se sentiu estimulada, tornou-se arrogante, apostou na impunidade e mostrou-se incontrolável, impedindo correções de rumo e a punição de culpados antes que a acumulação de cumplicidades tornasse melancólico o tempo que resta do mandato do Presidente Lula;

4 - O PFL apóia e estimula a ação das três CPIs em funcionamento, nos limites das suas atribuições e repele versões que confundem o que são apenas investigações e desmascaramento de corruptos com atos de conspiração ou perseguição ao Governo;

5 - O PFL recusa qualquer responsabilidade pela crise do Governo, gerada e desenvolvida pela geléia ideológica do PT e pela irresponsabilidade e falta de ética dos seus dirigentes, alguns réus confessos de transgressões à Lei Eleitoral, ao Sistema Financeiro Nacional e ao mais elementar respeito aos militantes e eleitores;

6 - O PFL recusa declarações que atribuem a decadência política do Governo ora a uma “conspiração das elites”, ora a um inexistente conflito “esquerda-direita”, ora a uma “onda reacionária”, conduzidos pela Oposição. Não, a má imagem do Governo Lula é resultado do conhecimento pelo povo da corrupção através da qual o PT estabeleceu suas alianças políticas, realizou e financiou suas campanhas eleitorais e, finalmente, pavimentou o acesso ao poder de pessoas desqualificadas.

7 - O PFL alerta para análises e notícias que atribuem preconceitos e objetivos menores à ação das CPIs, à Oposição, à Imprensa em geral que cumprem seus papéis próprios e servem à democracia.

8 - O PFL confia que o respeito à Constituição e a consciência cívica do povo brasileiro prevalecerão sobre os nefastos episódios políticos atuais e garantirão a continuidade das instituições democráticas brasileiras.

Brasília, 22 de setembro de 2005

Comissão Executiva Nacional do PFL.

Com essa leitura, Sr. Presidente, fazemos clara a posição do Partido na defesa da democracia, na luta contra a corrupção e, repetimos, a crise tem nome, a crise chama-se Lula.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 23/09/2005 - Página 31736