Discurso durante a 184ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Comemoração do Dia do Aviador e do Dia da Força Aérea Brasileira.

Autor
Ney Suassuna (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PB)
Nome completo: Ney Robinson Suassuna
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM. FORÇAS ARMADAS.:
  • Comemoração do Dia do Aviador e do Dia da Força Aérea Brasileira.
Publicação
Publicação no DSF de 21/10/2005 - Página 35658
Assunto
Outros > HOMENAGEM. FORÇAS ARMADAS.
Indexação
  • COMEMORAÇÃO, DIA NACIONAL, AVIADOR, IMPORTANCIA, TRABALHO, CLASSE PROFISSIONAL, HOMENAGEM, SANTOS DUMONT (MG), CRIADOR, AERONAVE, PIONEIRO, VOO, PAIS ESTRANGEIRO, FRANÇA.
  • ELOGIO, ATUAÇÃO, COMPETENCIA, FORÇA AEREA BRASILEIRA (FAB), EMPRESA BRASILEIRA DE AERONAUTICA (EMBRAER), AVIAÇÃO CIVIL, PAIS, RELEVANCIA, PROGRAMA NACIONAL, PESQUISA ESPACIAL, BRASIL, NECESSIDADE, REFORÇO, FORÇAS ARMADAS, AERONAUTICA.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB - PB. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Senador Renan Calheiros, Brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, em nome de quem eu saúdo todos os militares aqui presentes, neste momento em que o Senado Federal lembra o Dia do Aviador, comemorado anualmente no dia 23 de outubro, quero dizer que essa é, seguramente, uma data das mais importantes não apenas para os que trabalham com a aviação, mas para todo o povo brasileiro. Afinal, foi no dia 23 de outubro, do ano de 1906, que o gênio de um brasileiro franzino e determinado, Alberto Santos Dumont, tornou possível, com o 14 Bis, o primeiro vôo do “mais pesado que o ar”.

Foi uma pequena elevação do solo, de apenas sessenta metros de distância e dois metros de altura, mas que representou uma gigantesca mudança para a humanidade, e inseriu o nome de mais um brasileiro na galeria das grandes personalidades mundiais!

Voar sempre foi um ato envolto em profunda magia e mistério. Desde tempos imemoriais o homem sonha em imitar os pássaros e igualar-se aos deuses. Já nos textos bíblicos, vemos o profeta Elias ser alçado aos céus em um carro de fogo; no clássico As Mil e Uma Noites, os magos cruzam os céus em tapetes voadores e, na mitologia grega, presenciamos Dédalus construir, em cera, asas para seu filho Ícaro, que acabaram por se derreter ao calor do sol.

Hoje, Sr. Presidente e Srs. Militares, decorridos menos de cem anos do vôo do 14 Bis, tamanha é a comodidade de que desfrutamos que nem nos damos conta do significado de voar, e todos os profissionais que atuam em harmonia para fazer isso merecem esta homenagem.

Refiro-me, em especial, aos aviadores pelo seu dia, mas também ao pessoal de terra, aos controladores de vôo, aos comissários de bordo, enfim, a todos que, unidos, fazem do sonho de outrora uma realidade concreta. A todos vocês, homens e mulheres de profundo valor, meu sincero reconhecimento.

Sobre as belezas e os desafios de voar, o Coronel Aviador Dion de Assis Távora proferiu com muita propriedade, em 16 de dezembro de 1961, a Oração do Aviador, afirmando que essa profissão envolve uma imensa gama de estudos e de responsabilidades; requer muito desprendimento e capacidade para lidar com imprevistos; exige uma saúde perfeita e uma dedicação ímpar, pois muitas vezes é necessário trabalhar continuamente, por muitas horas, em feriados e fins de semana, sacrificando o convívio familiar.

Mas, certamente, tudo isso há de ser recompensado pelo prazer de contemplar o nascer e o pôr-do-sol, o azul anil dos dias claros, o cinza das tempestades, a escuridão das nuvens e o clarão dos raios.

Neste momento, Sr. Presidente, gostaria de render aqui minhas homenagens à emblemática figura do Brigadeiro Eduardo Gomes e à Força Aérea Brasileira (FAB), que, com dedicação, competência e patriotismo, vem prestando inestimáveis serviços ao Brasil. Quero dizer, com muito orgulho, que o Brigadeiro Eduardo Gomes, foi patrono da minha turma, de 1982, na Escola Superior de Guerra. E essa turma, entre as demais turmas da Escola Superior de Guerra, tem dado um bom exemplo.

A FAB, nascida com a Escola Brasileira de Aviação, em 1914, consolidou-se a partir de 1941, quando foi criado o Ministério da Aeronáutica, e, por meio do 1º Grupo de Caça, sob o comando do Tenente-Coronel Aviador Nero Moura, recebeu seu batismo de fogo, atuando com destaque na Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutou bravamente nos campos da Itália, contra o jugo do nazi-fascismo.

Também o Correio Aéreo Nacional (CAN), antigo Correio Aéreo Militar, nascido na década de 1930, merece aqui ser lembrado por seu significado histórico, ao promover a inclusão social, levar conhecimento, auxílio, progresso e esperança aos mais longínquos rincões de nosso gigantesco País.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, Srs. Militares, se a FAB cobriu-se de glórias no passado, ela se reveste hoje de importância estratégica para a vida nacional, guarnecendo nossas fronteiras contra atitudes hostis, em particular contra o narcotráfico, o terrorismo e o contrabando.

Destaco, igualmente, o papel central do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), para o mapeamento e a proteção de nossas riquezas naturais localizadas na Região Norte.

Além das atribuições de manutenção da soberania de nosso espaço aéreo, a FAB utiliza seus recursos materiais e humanos para promover ações sociais em benefício da população brasileira.

Nesse particular, menciono as Missões de Ação Cívico-Social, as Missões de Misericórdia e as Missões de Busca e Salvamento, todas voltadas ao auxílio, em diferentes circunstâncias, a comunidades e a pessoas situadas em áreas remotas ou de difícil acesso.

Considero importante, Sr. Presidente, ressaltar também o destacado papel de nossa Aviação Civil para a integração e para o progresso nacional.

O transporte de cargas e de passageiros, em um mundo cada vez mais veloz e global, reveste-se de crescente significado para um País de dimensões continentais que almeja inserir-se no rol das grandes potências. Um Poder nacional forte não admite, de maneira alguma, a ausência de uma Aeronáutica forte.

Segundo dados da Infraero, a cada ano, 83 milhões de passageiros circulam pelos 66 aeroportos brasileiros, sendo armazenados e paletizados cerca de 1,3 milhão de toneladas de cargas aéreas. Além disso, apenas no ano de 2004, foram realizados dois milhões de pousos e decolagens.

Se hoje alcançamos esse estágio de progresso, muito devemos à determinação, à audácia e a visão de futuro de grandes homens, como o Comandante Rolim Amaro, fundador da TAM; o oficial aviador Otto Ernest Meyer, criador da Varig; o empresário Constantino de Oliveira Júnior, Presidente da Gol; e diversos outros proprietários de pequenas companhias aéreas que, juntos, acreditam no potencial e no desenvolvimento do Brasil.

Para não cometer aqui uma injustiça, Sr. Presidente, Srs. Militares, não poderia olvidar o significado de outras duas grandes empresas que, com muita tristeza, vi encerrarem suas atividades em passado recente: a Vasp e a Transbrasil. Certamente, elas muito contribuíram para consolidar a Aviação Civil brasileira e merecem um lugar de destaque em sua história.

Aproveito esta oportunidade para chamar a atenção do Governo Federal para o setor aéreo de nosso País, que passa por um momento de turbulências, a fim de que não vejamos, num futuro próximo, outras tantas empresas cerrarem suas portas, trazendo mais desemprego aos lares brasileiros.

No Dia do Aviador não poderia deixar de lembrar uma empresa que muito me orgulha e, tenho certeza, orgulha também a todos os brasileiros: a Embraer, uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo.

Com cerca de 35 anos de experiência no mercado, ela já produziu cerca de 3.600 aviões, que operam em 58 países, nos cinco Continentes. A Embraer possui cerca de 16.500 empregados, contribui com a geração de mais de 3.000 empregos indiretos, foi a maior empresa exportadora brasileira no período de 1999 a 2001 e a segunda maior exportadora entre os anos de 2002 e 2004!

Exemplos como esse, sem sombra de dúvida, elevam o nome do Brasil lá fora e fazem com que nos sintamos realmente no século XXI.

Nessa mesma linha de modernidade e de arrojo, gostaria de mencionar o Programa Espacial Brasileiro. Ele colabora com outros 15 países para o projeto da Estação Espacial Internacional, fato este que nos permitirá, entre os anos de 2006 e 2008, a realização do primeiro vôo orbital para um astronauta brasileiro. O seu nome já está definido: será o Tenente-Coronel Aviador Marcos Pontes, que se vem submetendo a um rigoroso treinamento na agência espacial norte-americana, a NASA, a quem igualmente saúdo pela passagem do “Dia do Aviador” e que ainda ontem vimos ao lado do Presidente Lula em Moscou.

Ao finalizar este meu pronunciamento, Sr. Presidente, volto-me para a insigne figura de Alberto Santos Dumont, cujos ideais propeliram a realização do sonho de voar: homem de inquebrantáveis ética e desprendimento, que hoje, mais do que nunca, deve servir de inspiração a todos aqueles que militam em prol do bem comum.

Como último pensamento, Sr. Presidente, quero dizer que sempre busquei ser amigo da Aeronáutica, porque, como disse, não se pode admitir, num País continental, uma Aeronáutica fraca. Assim, não me sinto confortável quando vejo um Tenente da Aeronáutica ter de descer do seu avião e se dedicar a um outro trabalho. Já vi alguns que saem do avião e entram em um táxi aéreo para complementar seu salário. Isso é aviltar o aviador; portanto, não podemos admitir.

Parabéns, aviadores! (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 21/10/2005 - Página 35658