Discurso durante a 110ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Questão do desemprego entre os jovens.

Autor
Lúcia Vânia (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/GO)
Nome completo: Lúcia Vânia Abrão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA DE EMPREGO. EDUCAÇÃO.:
  • Questão do desemprego entre os jovens.
Publicação
Publicação no DSF de 14/07/2006 - Página 24356
Assunto
Outros > POLITICA DE EMPREGO. EDUCAÇÃO.
Indexação
  • REGISTRO, DADOS, AUMENTO, DESEMPREGO, FALTA, FREQUENCIA ESCOLAR, JUVENTUDE, ESCOLA PUBLICA, CRITICA, GOVERNO FEDERAL, INEFICACIA, PROGRAMA, INCENTIVO, EMPRESA, OFERECIMENTO, TRABALHO, INFERIORIDADE, CRESCIMENTO ECONOMICO.
  • COMENTARIO, NECESSIDADE, GOVERNO FEDERAL, INVESTIMENTO, PROGRAMA, ERRADICAÇÃO, TRABALHO, CRIANÇA, MODERNIZAÇÃO, ENSINO PROFISSIONALIZANTE, INCENTIVO, PARCERIA, SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA (SESI), SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL (SENAI), SERVIÇO SOCIAL DO COMERCIO (SESC), SERVIÇO NACIONAL DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL (SENAR), OBJETIVO, REDUÇÃO, DESEMPREGO, JUVENTUDE.

        A SRª LÚCIA VÂNIA (PSDB - GO. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, não é de hoje que vimos alertando desta tribuna para a questão do desemprego entre os jovens.

Quando o Governo lançou o Programa Primeiro Emprego, em 2003, questionamos a criação de somente 250 mil vagas quando a desocupação alcançava 3 milhões e 600 mil desempregados na faixa etária dos 16 aos 24 anos, conforme dados do IBGE.

Há exatos três anos, os números divulgados mostravam que, dos jovens desempregados, 1 milhão e 700 mil freqüentavam a escola, enquanto 1 milhão e 900 mil não estudavam.

De acordo com estudos do economista e demógrafo Eduardo Rios Neto, da Universidade Federal de Minas Gerais, cerca de 6 milhões e 600 mil jovens e adolescentes não freqüentavam a escola, não trabalhavam, nem estavam procurando trabalho.

Quando esteve no Senado, em 2003, em audiência pública na Subcomissão da Criança, do Adolescente e da Juventude, o então ministro do Trabalho e Emprego, Jaques Wagner, admitiu que “o governo não queria criar ilusão, e que somente o crescimento econômico seria capaz de gerar empregos”. 

Três anos se passaram, a ilusão acabou, mas a realidade continua a mesma.

O crescimento econômico sustentado não deslanchou, e o desemprego entre os jovens alcança hoje proporções ainda mais graves do que em 2003: pesquisa do Instituto Polis e do Ibase mostra que o desemprego atinge 60,7% dos jovens, incluindo aqueles que tem escolaridade e qualificação mais elevadas.

Durante esses três anos, o governo lançou nada menos de 8 programas para jovens. Mas a falta de foco tem sido tanta que é impossível aos técnicos do Ministério saber o destino dos jovens encaminhados por algum dos programas.

Não existem estatísticas oficiais a respeito, admite o próprio secretário de políticas públicas do Ministério, Remígio Todeschini.

A falta de foco não é o único e mais grave problema do governo que diz respeito aos programas para o desemprego juvenil.

Levantamento do Unicef, divulgado em 2003, mostra que 38 % dos jovens brasileiros vivem em áreas de risco, onde violência, desemprego, desestruturação familiar, gravidez precoce, uso de drogas e alcoolismo fazem parte da rotina.

O Governo não quis aceitar que já existia uma lei, a do Jovem Aprendiz - que determina cotas nas empresas para a contratação, sem incentivos fiscais, nem repasses do Governo.

A Lei n. 10.097, de 19 de dezembro de 2000, que trata da aprendizagem dos maiores de 14 anos e menores de 18, estimulou iniciativas estaduais e municipais e de ONGS, de regulamentação do ingresso no mercado de trabalho.

Somente em dezembro de 2005 é que o presidente Lula finalmente regulamentou esta Lei, que desde o ano 2000 poderia estar facilitando a entrada de jovens no mercado de trabalho.

O Governo também precisa voltar os olhos para o Peti, que volta a crescer nas regiões mais pobres do Nordeste nas grandes cidades.

É também preocupante o trabalho infantil doméstico que emprega quase 500 mil meninas. Metade delas, com menos de 16 anos. Sem direitos trabalhistas, previdenciários ou seguro social, uma vez que a lei proíbe o trabalho nessa idade.

O ensino profissionalizante é também um desafio que precisa ser enfrentado. É preciso desmistificar essa ilusão de que todo o jovem que conclui o ensino médio deve ingressar numa faculdade.

O ensino técnico é tão nobre e importante para um país em desenvolvimento como o Brasil quanto o ensino universitário.

Esse enorme contingente de jovens desempregados à mercê da violência, poderia estar em salas de aula, investindo num futuro sólido e num mercado promissor como pode ser o mercado de trabalho para jovens técnicos .

Para isso é preciso, no entanto, que o Governo tenha um programa direcionado ao investimento em mais escolas técnicas, em oficinas e laboratórios, com computadores e escolas modernas.

Com certeza, parcerias com Sesi, Senai,Sesc,Senac e Senar, que oferecem modalidades educativas em suas escolas, seriam bem vindas e produtivas, capazes de agregar valores e conhecimentos a um trabalho realizado com tanta eficiência há tantas décadas

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o desemprego entre os jovens tem sido tema recorrente de reportagens nos grandes jornais, e de pronunciamentos indignados nesta Casa.

Mas é preciso que surjam soluções, a partir de medidas estruturantes e duradouras, articuladas por governos comprometidos com políticas sérias capazes de gerar desenvolvimento com comprometimento social.

A população não pode nem deve mais aceitar promessas imediatistas, que acabam naufragando antes mesmo de terem algum resultado, como o Programa Primeiro Emprego, que serviu apenas para iludir milhares de jovens que, infelizmente, continuam à mercê da violência e da falta de esperança.

Obrigada.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/07/2006 - Página 24356