Discurso durante a 95ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Resposta ao pronunciamento do Senador Heráclito Fortes, relativo à aprovação do relatório final da CPI dos Cartões Corporativos, elaborado pelo deputado Luiz Sérgio.

Autor
Wellington Salgado (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/MG)
Nome completo: Wellington Salgado de Oliveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ATUAÇÃO PARLAMENTAR. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), CARTÃO DE CREDITO.:
  • Resposta ao pronunciamento do Senador Heráclito Fortes, relativo à aprovação do relatório final da CPI dos Cartões Corporativos, elaborado pelo deputado Luiz Sérgio.
Aparteantes
Geraldo Mesquita Júnior.
Publicação
Publicação no DSF de 06/06/2008 - Página 18782
Assunto
Outros > ATUAÇÃO PARLAMENTAR. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), CARTÃO DE CREDITO.
Indexação
  • RESPOSTA, QUESTIONAMENTO, SENADOR, REFERENCIA, VALIDADE, RELATORIO, APROVAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO, CARTÃO DE CREDITO, EXECUTIVO, JUSTIFICAÇÃO, ATUAÇÃO, ORADOR, QUALIDADE, MEMBROS, REQUERIMENTO, RETIRADA, ACUSAÇÃO, AUSENCIA, PROVA, POLITICO, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), ESPECIFICAÇÃO, PIMENTA DA VEIGA, EX MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DAS COMUNICAÇÕES (MC).
  • REPUDIO, INJUSTIÇA, SENADOR, OFENSA, HONRA, ORADOR.
  • REGISTRO, ETICA, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, ORADOR, REITERAÇÃO, APOIO, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, MELHORIA, DESENVOLVIMENTO SOCIAL, BRASIL.
  • COMENTARIO, ETICA, PARTICIPAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), COBRANÇA, INVESTIGAÇÃO.

O SR. WELLINGTON SALGADO DE OLIVEIRA (PMDB - MG. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - V. Exª demonstra ser meu grande amigo e me acalma antes que eu fale; isso é importante. Mas não posso deixar de comentar o que aconteceu aqui na tribuna, colocado pelo Senador Heráclito, que já tem direito ao art. 14 também.

Hoje, tivemos lido o relatório final da CPMI dos Cartões Corporativos. Muito bem. Estou no Senado representando Minas Gerais. Antes de ser do nosso PMDB, quem votou no Ministro Hélio Costa, em mim e no segundo suplente era mineiro. São mineiros que votaram em mim. Então, quando venho para aquela cadeira, não quero saber quem esteve ali antes, embora tenha muito respeito. Não estudei quem esteve na cadeira do Senador Heráclito anteriormente. Interessa-me Minas Gerais.

Muito bem. Peguei o relatório, Presidente Mão Santa, que foi apresentado pelo Relator Luiz Sérgio e fui olhar o que haveria do interesse do meu Partido ou do meu Estado. Primeiro, o meu Estado, depois o meu Partido, depois eu, embora aqui no Senado se faça diferente: primeiro eu, depois o meu Partido, depois o Estado. É assim que acontece aqui. Eu sou diferente: primeiro é o Estado, depois o meu Partido. Quer dizer, primeiro vem a União. País, Estado, Partido e a minha pessoa. Aqui acontece ao contrário: é a minha pessoa, o Partido, o Estado e a União. Essa é a ordem que acontece aqui. Ou seja, a vaidade é azul. A vaidade tem cor azul, e é assim que acontece.

Peguei o relatório. Dentro dele, o que há primeiramente do meu Estado? Há algo no relatório contra o político de Minas, que V. Exª conhece bem, que deve ser amigo de V. Exª, um ex-Ministro das Comunicações, um Tucano de marca maior, Pimenta da Veiga.

Não tem nada a ver com o meu Partido, não tem interesse nenhum hoje. Tirando-se a personalidade, de um lado estão DEM, PSDB, e do outro, o PMDB com o grupo de apoio ao Governo. Quanto ao PSDB, não me interessa. Interessa-me o mineiro que estava sendo acusado. Fui olhar as provas, o relatório e as provas. Que o paulista que estivesse na Comissão visse os paulistas que existiam lá; que os pernambucanos que estavam na Comissão vissem se existia razão contra os pernambucanos citados nesse relatório. Eu peguei o minério Pimenta da Veiga.

Olhei as notas fiscais. Vamos ver as notas fiscais que incluíam o ex-Ministro mineiro Pimenta da Veiga: “Serviço de recuperação de uma trituradora de papel: R$160,00; pasta de documento polietileno sintético, da cor preta, costurada, com 100 plásticos” - aquela em que se arquivam as coisas. Valor: R$60,00; lanche para os servidores que prestavam serviço na Reprograf MC, fora do expediente normal, ou seja, o político tucano Pimenta da Veiga, que não é do meu Partido, mas é mineiro, estava sendo citado no relatório, por ter cumprido a função de Ministro.

Olhei e falei: “Isso é um absurdo”. Como Ministro, ele coloca os funcionários para trabalharem até mais tarde, pede um lanche. Está aqui a nota fiscal, a ordem, dizendo para o que foi, tudo certinho. Eu olho e falo: “Isso é um absurdo. Vão manchar a história de um mineiro que já foi Ministro, respeitado dentro do tucanato e que hoje está afastado da política. E não vou ficar fazendo propaganda, mas, se fosse candidato a Prefeito de Belo Horizonte, teria grande chance, mas não quis ser. O meu Partido tem candidato. Cada vez que vou defender aqui o ex-Ministro, faço propaganda do tucano, do PSDB, mas não quero saber.

É essa a minha diferença, Senador Mão Santa. É esse o erro que estou cometendo, ao vir aqui e ter sangue quente. Esse é um erro que o Senado esqueceu, há muito tempo. E o Senador Geraldo Mesquita falou: “Tem de haver o debate, sim. Não se pode chegar aqui e ser acusado, chamado disso ou daquilo, e se sair com a cara mais limpa, com a cara mais limpa, como se nada tivesse acontecido.”

A coisa mais importante para um homem é a dignidade, Senador Mão Santa, é a sua história. E me orgulho muito da minha história, Senador Heráclito: trabalhei, cheguei aonde cheguei, lutei ao lado da minha família. E continuo lutando até hoje pelas coisas em que acredito.

Acredito no Triângulo Mineiro. Onde invisto é no Triângulo Mineiro, onde botei muito mais, e acreditando, tirando de outro lugar em que grandes políticos que passaram aqui colocaram. É por isso que o Triângulo Mineiro chegou a ter onze Deputados Estaduais e agora só tem três Deputados Estaduais.

Muito bem, Senador Mão Santa, não concordei com isto aqui contra o mineiro Pimenta da Veiga. Como se faz numa CPI? Se você não concorda, faz um requerimento e entrega ao Relator. E assim vai acontecer na CPI que V. Exª criou, a CPI das ONGs, da qual sou membro. Vamos estar, talvez, em situações contrárias.

Muito bem, Senador Mão Santa, chego lá, faço o requerimento e digo: “Acho que as provas não são contundentes contra o mineiro Pimenta da Veiga.

Não concordo, Sr. Relator. Está assinado. Peço que tire do relatório a acusação ao Senador Pimenta da Veiga. Eu sou um membro, apresento um relatório. Se o relator vai acatar ou não... E leva para a Comissão votar. Eu me orgulho disso, Senador Heráclito. Não tenho nada com o Pimenta da Veiga, não é do meu Partido, é do Partido do Governador, que pode um dia ser Presidente desta Casa e Presidente do Brasil. E desta Casa também, porque, se não for candidato a Presidente, com certeza, já há uma cadeira reservada para ele, porque Minas quer o Aécio. E não é do meu Partido, mas da minha geração, Senador Heráclito. Não é da sua geração: é da minha geração, que não sai com cara limpa daqui, depois de ser chamado de ladrão.

Isto está acontecendo aqui no Congresso, Senador Geraldo Mesquita: os políticos são atacados, chamados de ladrões, de sonegadores, e isso vira verdade, ninguém fala nada. Ninguém fala nada! Todo mundo acha que isto é política: se sujeitar a ter a sua dignidade arrasada. Tenho a minha, estou tranqüilo; estou esperando o meu momento de falar quanto a tudo que está acontecendo aí. Conte com a minha pessoa, porque não vou ficar calado. 

Muito bem, Senador Mão Santa, apresento o requerimento, o Relator o acata e vota o novo relatório sem esses documentos, que, para mim, não podem manchar a história de um mineiro chamado Pimenta da Veiga, que não é do meu Partido, que é da base aliada de V. Exª. V. Exª subiu à tribuna, usou um amigo seu contra mim; falou da cadeira de Minas, quando estou protegendo Minas contra uma acusação não-verdadeira. V. Exª subiu à tribuna e acusou a minha pessoa. Estou defendendo um mineiro que não é do meu Partido, mas é mineiro. 

Se V. Exª sobe à tribuna e ataca o seu Governador, do Piauí, que foi eleito pela maioria, se ataca um outro senador qualquer, um outro político do seu Estado, isso é a sua política, não é a minha.

Tive lições nesta Casa. Certo dia, eu ia me levantar para fazer uma votação, e um Senador de Minas me disse: "Wellington, já tem o seu voto. Para quê o discurso?" Eu o acompanhei; acompanhei o Senador Eliseu Resende. V. Exª pode ter história, mas não tem mais história do que ele, não.

V. Exª não tem de dizer da tribuna, para a minha pessoa, o que devo ou não falar. V. Exª vai falar no Piauí, que o elege. O Piauí não me elege; o Piauí não votou na chapa em que eu estava, não. E V. Exª é um bom político para o Piauí. O pior é isso! V. Exª me ataca e ainda tenho de elogiá-lo, porque não misturo o pessoal. Orgulho-me de estar ao lado de V. Exª, gosto de vê-lo falar da tribuna, mas não use o dom da palavra para acabar com a minha dignidade; não vai! E não venha me pedir sangue frio. Entrei aqui com a minha dignidade e com ela vou sair, Senador Heráclito. Espero que, para ter minha dignidade, não tenha de estragar a amizade por V. Exª, porque dela me orgulho. Orgulho-me de falar de V. Exª, de dizer que sou seu amigo, de almoçar com V. Exª em seu gabinete, do carinho que tem comigo, do respeito que tem comigo. No entanto, não posso concordar com o fato de V. Exª subir à tribuna e me colocar em uma situação difícil perante o Estado que me elegeu, que elegeu o meu titular, que é o Ministro Hélio Costa, quando estou defendendo um mineiro que não é nem do meu Partido, porque acho que as provas não são contundentes?! Não posso concordar, Senador Heráclito; não posso concordar!

A minha cara não vai levar e eu vou sair daqui de cara baixa. Não vai levar! Já falei isso, já fui chamado à atenção por não usar a frase correta que um político deve usar, a linguagem do Senado.

Para mim, o principal é a minha dignidade, Senador Heráclito. Tirei, fiz o requerimento, faria de novo. Se houvesse mais três mineiros com provas, seja de quem for, seja de que partido for, o menor partido que houver em Minas, se houvesse as provas, que não fossem contundentes, eu faria um requerimento e levaria até ao relator e falaria: “Está errado. Não concordo! Se V. Exª achar que eu estou certo, analisar, bote para votar”. E assim o Relator fez.

Senador Mão Santa, este Governo teve mais CPI do que o Governo de Fernando Henrique Cardoso. E não estou aqui para falar mal de Fernando Henrique Cardoso, não, porque V. Exª sabe quando foram tentar atacar a esposa do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, numa outra CPI, eu fui contra. Nessa CPI mesmo. Fui contra. Eu coloco a minha posição, eu coloco a minha dignidade nas coisas que acredito. Não vou ser induzido por mídia; não vou ser induzido por partido; não vou ser induzido por liderança; não vou ser induzido por coisa nenhuma. Falo porque eu acredito, Senador Mão Santa! Acredito, quando eu me sento e converso com V. Exª, converso com Pedro Simon, converso com o Senador Heráclito, converso com o Senador Geraldo Mesquita, que é um homem de bem - e está sacrificado, está sendo colocado de lado, e é um homem de bem! Quem conversa com ele sabe que é um homem de bem!

Então, Senador Mão Santa, foi aprovado o requerimento e foi retirada parte do relatório que citava o ex-Ministro Pimenta da Veiga. Orgulho-me disso. Se aparecer um outro mineiro sem prova, vou meter outro requerimento. Agora, discordo quando aqui é colocada a culpa no Relator, Deputado Luiz Sérgio, que se comportou muito bem durante toda a CPI, onde havia, na verdade, uma luta política: de um lado, a Oposição, de outro, a Situação, com a base de apoio.

E não adianta achar que este País vai ser governado sem o PMDB, porque não vai, Senador Mão Santa. O PMDB sempre vai ser o pêndulo deste País. É o maior partido deste País. Para onde ele for, vai acontecer a governabilidade. E eu me orgulho muito de estar nesse partido e V. Exª também. V. Exª sofreu muito neste Partido, tem sofrido, mas não larga mão das suas convicções, e está sempre lá, sabe que o PMDB não tem dono. Meu partido não tem dono. Meu partido senta à mesa e ninguém diz o que ele vai fazer. Sento à mesa com Pedro Simon; o voto dele é igual ao meu. Outro dia eu discuti com... O Senador Geraldo Mesquita sabe disso porque é do meu Partido e senta à mesa. É assim que funciona no PMDB. Não é partido de dono, não; que chega lá, derruba a CPMF, porque alguém mandou derrubar a CPMF. São R$40 bilhões a menos no caixa do País! Dinheiro que eu, V. Exª, Senador Mão Santa, e o Senador Jefferson Praia pagávamos, e tiraram isso.

E agora vêm com que, Senador? Eu defendo o mineiro, amigo de V. Exª, do partido coligado ao de V. Exª, e V. Exª usa a tribuna contra mim? Usa por eu tirar um Ministro que nem é do meu partido, mas é um mineiro? V. Exª sobe à tribuna para me acusar de não ter visto outros políticos? Isso não é problema meu. O meu problema é com Minas, Senador Heráclito. O meu problema é com Minas. O Pimenta da Veiga é o mineiro que está citado aqui. Se tivesse provas, Senador, eu votaria para ele constar do relatório. Votaria mesmo, se tivesse provas. Com isso aqui, não acho justo para um político mineiro que tem a história que ele tem.

E, a cada vez que V. Exª me colocou numa situação, eu estou defendendo o tucanato, o PSDB, onde tenho grandes amigos também do outro lado. Mas sei exatamente a que pertenço; não mudo de cor, não sou camaleão - não sou camaleão, não sou camaleão. Pode falar do meu cabelo grande, Senador; vai falar, Jesus Cristo era cabeludo; Tiradentes era cabeludo. Senador Geraldo Mesquita tem uma barba grande. Não vem misturar, não. Careca ou cabeludo, penso do mesmo jeito. O que vale é o que está aqui dentro; o que vale é o que vejo, o que aprendi nesta Casa.

Sei exatamente qual é o jogo; sei exatamente quantos o Presidente Lula colocou na classe C, que não é a que vem de A para B reclamando, escrevendo no jornal, não; é a classe C que vem de E e D, subindo, trabalhando de dia, estudando à noite, consumindo, sem medo de prestação, com comida na barriga. Democracia é comida na barriga/ é comida na barriga, sim, Senador. Lá, no Piauí, tem mais gente com comida na barriga, e V. Exª sabe disso porque é um homem inteligente - mas tem toda a questão ideológica.

No Piauí, tem gente comendo o que não comia antes. Agora, se fosse Fernando Henrique, apoiaria; se fosse o Serra - alguém que está sendo treinado a história inteira para ser Presidente - também apoiaria. Essa é uma convicção minha, própria. Acredito que o Brasil vai ser feito assim - essa classe está subindo. O Presidente Lula: não tenho nada com ele, não tenho cargo no Governo, não tenho ninguém no meu gabinete; agora, gosto dele, está fazendo um trabalho bom para o Brasil, é melhor para os meus filhos, é melhor para os meus filhos, Senador. Os filhos de V. Exª estão criados, bem criados e bem educados porque V. Exª é um bom pai e criou bem seus filhos. Meus filhos estão crescendo, Senador Heráclito. Meus filhos vão crescer e não vão encontrar este Brasil que está aqui hoje, em que V. Exª já está; vão encontrar um outro Brasil, um outro Brasil com essa classe que está subindo.

Senador Heráclito, este terno aqui... Eu vim de baixo; trabalhei com o meu pai e minha mãe vendendo picolé para fazer um colégio - primeiro grau, segundo grau, faculdade, universidade; e aí cheguei ao Senado Federal. Orgulho-me da minha história. Orgulho-me dos meus amigos, orgulho-me do meu pai e da minha mãe, orgulho-me dos meus irmãos, orgulho-me dos meus companheiros representando Minas, orgulho-me do Triângulo Mineiro.

Agora, V. Exª não pode subir à tribuna e achar que a nossa amizade vai ser o termômetro do que V. Exª tentou fazer comigo. Não vai! O respeito que tenho por V. Exª passou do limite. Aí, não. Quando V. Exª cita Minas, cadeira de Minas, sento ali e faço o que procuro fazer representando Minas, mas não faço o que V. Exª quer. Faço o que acho que é melhor para o Brasil, seja lá que governo for. Esse Governo que está aí tem erros? Tem erros.

Na outra CPI - porque meu partido sempre me coloca em CPI -, fui na Caixa Econômica, mentiram para mim. Voltei. Pergunte ao Senador o que fiz naquela CPI. Participei de todas as CPIs até agora. Não me venha colocar como alguém que não sabe o que está acontecendo. Participei de todas desde que entrei aqui. Todas! Todas! Coloquei meu ponto de vista sempre, Senador Heráclito.

Não posso deixar que a nossa amizade seja usada da tribuna. Estou aqui, não acuso V. Exª; acho V. Exª um grande político. Admiro-o. E falei que admiro quando V. Exª sobe à tribuna. É um homem experiente, tem uma história bonita, passou por todos os caminhos da política. É homem de bem. É homem de bem. Porque sei que, quando V. Exª achar o que é correto, vai decidir o caminho correto. Mas V. Exª, na tribuna, se empolga, porque é um grande homem da tribuna; e aí afetou a minha dignidade, Senador; aí não posso deixar passar.

Se atacar a minha dignidade e eu não responder, estou acabado, vou para casa. Não posso representar Minas, sentar naquela cadeira, como V. Exª disse, em que sentou Tancredo. Tancredo não tinha a Internet. Hoje estamos vivendo em um mundo em que o Senador faz um discurso, senta ali e entra na Internet para ver como estão avaliando o discurso dele, Senador Geraldo. Hoje, somos Senadores multimídia; vivemos plugados. A verdade é essa! Vale o que sai no dia seguinte na imprensa. Vamos chegar a um ponto em que vamos estar falando aqui e vai ter um computador medindo: “o discurso está bom; o discurso está ruim; muda”. Perdemos a personalidade! Perdemos o que estudamos e aquilo em que acreditamos. Somos movidos pela mídia, Senador. V. Exª não é movido pela mídia! O Senador Geraldo não é, porque sei, já vi. Sofreu, lutou. Covardia que fizeram com V. Exª. Covardia comigo não tem.

Senador Mão Santa, não posso ter sangue frio. Não sou - e V. Exª é médico - um réptil. Os répteis têm sangue frio. Não sou réptil. Ando em pé. Sou grande. Apareço muito. Não tem a mínima chance de eu me arrastar.

Era só isso que eu queria...

(Interrupção do som.)

O SR. WELLINGTON SALGADO DE OLIVEIRA (PMDB - MG) -Senador Geraldo Mesquita, gostaria de ouvi-lo.

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - V. Exª já usou vinte minutos, com licença um instante. Só queria... Mas sangue é morno. Eu que sei de sangue. Não é quente nem frio. Se é quente, está frio. Frio está morno. É morno.

O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Sr. Presidente, art. 14.

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Vai ter, mas agora, acima da Constituição que Ulysses beijou e do Regimento, está a Bíblia, e o número do nosso Partido, Provérbios, 15: “A palavra branda afasta a ira; a palavra dura suscita o furor”, Rei Salomão.

Vamos continuar a sessão.

V. Exª está dando o aparte a quem?

O SR. WELLINGTON SALGADO DE OLIVEIRA (PMDB - MG) - Para o Senador Geraldo Mesquita Júnior.

O Senador Heráclito Fortes vai falar pelo art. 14.

O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB - AC) - O que queria dizer, Senador Wellington, é que eu iria me arrepender muito se não estivesse participando desta sessão hoje, aqui, para ouvir V. Exª. V. Exª hoje profere um discurso respeitoso, emocionado, como deveria ser, no tom exato. Vou dizer algo, e dane-se quem não gostar do que vou dizer, mas eu tenho amizade e carinho por V. Exª. Aqui, Senador Wellington, qualquer um de nós, sentou nesta cadeira, é como V. Exª diz, tem o mesmo peso, o mesmo valor. Senador Heráclito Fortes, Senador Jefferson Praia, Senador Mão Santa, sentou nesta cadeira tem o mesmo valor, o mesmo peso, a mesma representação. Somos todos Senadores do País. E eu fico mais satisfeito ainda, após ouvir V. Exª, em saber que era aquilo que eu estava pregando aqui. Tem horas em que o debate se faz necessário, e os esclarecimentos se fazem mais necessários ainda, Senador Mão Santa. As pessoas não podem ser tolhidas no seu propósito de reagir àquilo que a sua interpretação julga conveniente. As pessoas não podem ser impedidas de se pronunciar, com sangue quente ou frio. Isso não importa. Esta é uma Casa de debate. O Senado está perdendo inclusive... Nós estamos nos burocratizando nesta Casa, Senador Wellington. A verdade é essa. V. Exª diz que nós somos “midiáticos”. A gente está se burocratizando nesta Casa. Está aí um debate interessante sobre um assunto quente, interessante. Agora, eu saio daqui com uma alegria maior em ver acontecer uma coisa: um grande Senador, como V. Exª mesmo diz, que é o Senador Heráclito, sobe à tribuna, fala, esbraveja, reclama de uma série de coisas, faz referência à sua pessoa... Confesso, com todo o respeito que tenho por V. Exª, que não percebi nada que pudesse ser traduzido como algo ofensivo, desairoso, proferido pelo Senador Heráclito à sua pessoa, até porque a amizade de que sou testemunha que S. Exª tem por V. Exª impediria naturalmente que o Senador Heráclito fizesse isso. Agora, V. Exª interpretou de um jeito e tem todo o direito de interpretar. Eu estava dizendo que a minha alegria maior é sair daqui sabendo que dois Senadores de grande envergadura nesta Casa travaram um grande debate, que, aliás, o Senado estava a merecer há muito tempo. Tenho certeza absoluta de que o Senador Heráclito, que vai falar em seguida, talvez vá pela mesma linha. Ele me disse e eu acredito: “Não quis ofender o Senador Wellington, não foi o meu propósito. Talvez tenha sido equivocadamente entendido”. V. Exª reagiu segundo a sua interpretação. É um direito sagrado seu. E eu iria sair daqui muito borocoxô hoje se não tivesse a oportunidade de ouvir V. Exª. Vou morrer aqui defendendo o direito de qualquer um aqui que, segundo sua interpretação, se ache de alguma forma ofendido, que vá à tribuna e fale, com sangue quente ou frio. Não importa.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O SR. GERALDO MESQUITA JÚNIOR (PMDB - AC) - Senador Wellington Salgado, quero parabenizá-lo, porque, mesmo com sangue quente, como V. Exª diz, V. Exª vai lá, vem cá, vai lá, vem cá e não mistura assunto público com questões pessoais. V. Exª disse isso várias vezes, elogiando inclusive o Senador Heráclito Fortes, que V. Exª, tenho certeza absoluta, considera um grande Parlamentar. Portanto, saio daqui duplamente satisfeito: primeiro, pela posição democrática do Senador Mão Santa de permitir que esse debate rolasse. A gente precisa mesmo. Eu me ressinto aqui, às vezes, de momentos assim em que alguém precisa truncar. Por que truncar? Tem que rolar! Tem que deixar correr. Elogio o Senador Mão Santa...

(Interrupção do som.)

O SR. GERALDO MESQUITA JÚNIOR (PMDB - AC) - Talvez, outro em seu lugar tivesse encerrado a sessão, pensando equivocadamente que estaria impedindo um mal maior. Não. O Senador Mão Santa, com serenidade, permitiu que a sessão rolasse. A gente pede desculpas inclusive aos servidores - às taquigrafas e aos taquígrafos - que estão aqui e já poderiam estar em suas casas. Mas acho que agora foi necessário que a gente estendesse essa sessão para que esse debate rolasse. Saio daqui com essa alegria em relação à postura do Senador Mão Santa que conduziu muito bem a sessão. E saio daqui com a alegria de ter assistido a um grande debate de dois grandes Senadores que colocaram as suas posições com clareza e com sentimento, mas que, em nenhum minuto, permitiram que aquilo que têm um pelo outro, que é uma grande amizade, fosse um milímetro sequer arranhado. Parabéns a V. Exª e parabéns ao Senador Heráclito Fortes.

O SR. WELLINGTON SALGADO DE OLIVEIRA (PMDB - MG) - Muito obrigado, Senador Geraldo Mesquita.

Muito obrigado, Senador Mão Santa, pela oportunidade de me dirigir, pelo art. 14, à tribuna.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 06/06/2008 - Página 18782