Discurso durante a 201ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Alerta ao Governo Federal sobre o agravamento da crise agrícola por que passa o País, em especial, no Estado do Mato Grosso, e a ausência de recursos disponíveis para socorrer os produtores.

Autor
Gilberto Goellner (DEM - Democratas/MT)
Nome completo: Gilberto Flávio Goellner
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA AGRICOLA.:
  • Alerta ao Governo Federal sobre o agravamento da crise agrícola por que passa o País, em especial, no Estado do Mato Grosso, e a ausência de recursos disponíveis para socorrer os produtores.
Publicação
Publicação no DSF de 30/10/2008 - Página 42120
Assunto
Outros > POLITICA AGRICOLA.
Indexação
  • ADVERTENCIA, GRAVIDADE, SITUAÇÃO, AGRICULTURA, ESTADO DE MATO GROSSO (MT), AGRAVAÇÃO, CRISE, ECONOMIA INTERNACIONAL, MOTIVO, AUMENTO, VALOR, COTAÇÃO, DOLAR, DESVALORIZAÇÃO, PRODUTO IN NATURA, MERCADO INTERNACIONAL, INSUFICIENCIA, LIBERAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, CREDITO AGRICOLA, SUPERIORIDADE, INFLAÇÃO, INSUMO, COMENTARIO, DECISÃO, DIVERSIDADE, PRODUTOR, REDUÇÃO, UTILIZAÇÃO, TECNOLOGIA, FERTILIZANTE, REBAIXAMENTO, SAFRA, QUALIDADE, PRODUTO.
  • COMENTARIO, ESTUDO, REPRESENTAÇÃO CLASSISTA, PRODUTOR RURAL, ESTADO DE MATO GROSSO (MT), DADOS, REDUÇÃO, VALOR, PRODUTO IN NATURA, EXERCICIO FINANCEIRO ANTERIOR, NECESSIDADE, AMPLIAÇÃO, INVESTIMENTO, SETOR, PREVALENCIA, ORIGEM, FINANCIAMENTO, INICIATIVA PRIVADA, ADVERTENCIA, SUPERIORIDADE, DIVIDA, PRODUTOR, EXTENSÃO, LAVOURA, MILHO, ALGODÃO, SOJA, REBAIXAMENTO, RECEITA, AMBITO ESTADUAL, EXPECTATIVA, CRESCIMENTO, DESEMPREGO, SOLICITAÇÃO, GOVERNO, ESCLARECIMENTOS, DIRETRIZ, IMPEDIMENTO, APREENSÃO, POPULAÇÃO.
  • REGISTRO, PARTICIPAÇÃO, ORADOR, REUNIÃO, GOVERNADOR, ESTADO DE MATO GROSSO (MT), REPRESENTANTE, ENTIDADE, AGRICULTURA, AMBITO ESTADUAL, AUTORIDADE, MINISTERIO DA FAZENDA (MF), MINISTERIO DA AGRICULTURA PECUARIA E ABASTECIMENTO (MAPA), MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE (MMA), DEBATE, SITUAÇÃO, CRISE, PRODUÇÃO AGRICOLA, ADVERTENCIA, NECESSIDADE, URGENCIA, PROVIDENCIA, GOVERNO, MOTIVO, IMPORTANCIA, SAFRA, APROVEITAMENTO, PERIODO, CHUVA, CONCLAMAÇÃO, SENADOR, APOIO, AGILIZAÇÃO, SOLUÇÃO, PROBLEMA.

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


           O SR. GILBERTO GOELLNER (DEM - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o assunto que me traz hoje aqui...

           O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB - AM) - Permita-me, Senador?

           O SR. GILBERTO GOELLNER (DEM - MT) - Pois não, Senador.

           O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB - AM) - Permite-me, Senador Mão Santa?

           O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Pela ordem, com aquiescência do orador.

           O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB - AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sim, Sr. Presidente.

           Agradeço ao Senador Gilberto Goellner, que é um companheiro de primeira linha.

           Quero citar, com muita honra para mim, a presença neste plenário do Deputado Congressista e hoje Presidente do Clube de Regatas Flamengo, Dr. Márcio Braga.

           Falo aqui como colega dele, como amigo, como quase conterrâneo e como flamenguista principalmente.

 

           O SR. GILBERTO GOELLNER (DEM - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o assunto que nos traz hoje aqui visa esclarecer que o agravamento da crise agrícola porque passa este País está cada vez maior, em especial no Estado de Mato Grosso.

           A crise do sistema financeiro americano atingiu em cheio o agronegócio brasileiro e, de maneira certeira, o Estado de Mato Grosso, cuja economia se assenta primordialmente nessa atividade, uma vez que aquele Estado é responsável por mais de um terço da produção agrícola nacional.

           A repentina elevação na cotação do dólar em relação ao nosso real, com a conseqüente desvalorização das commodities agrícolas, mais o estancamento do crédito internacional criaram um clima de incerteza e de intranqüilidade entre os produtores rurais. 

           As medidas de apoio ao setor anunciadas pelo Governo Federal, como o aumento da dotação de recursos para financiar a próxima safra, até o momento não se concretização e os recursos não chegaram ainda às mãos dos produtores rurais de Mato Grosso.

           Sr. Presidente, a liberação do crédito rural está completamente paralisada. Os custos de produção para a safra de agora estão muito mais elevados do que os da safra anterior, da ordem de 50%, e, o que é pior, não há recursos disponíveis nem nos bancos nem nas tradings que normalmente financiavam o custeio das lavouras, e os produtores, por causa de dívidas acumuladas de safras anteriores, estão descapitalizados e demasiadamente endividados.

           Esses produtores, desesperados para diminuir o mais que pudessem os custos de suas lavouras, resolveram fazê-lo justamente baixando o nível da excelente tecnologia que sempre aplicaram às suas plantações, reduzindo assim a quantidade de adubos, defensivos e outros insumos necessários à proteção e ao desenvolvimento da cultura agrícola.

           Uma decisão tomada pela falta de opção que inclusive poderá colocar toda a lavoura sob um grande risco, tanto de queda de qualidade na qualidade de produção, quanto, conseqüentemente, no seu resultado financeiro.

           Os produtores, nos dias de hoje, não têm nem noção de quanto poderá ser sua margem de lucro ou se terão prejuízo com os novos plantios.

           Os estudos realizados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola, o IMEA, mostram que, nos últimos doze meses, os custos de produção tiveram uma elevação média de 40% a 50% e o valor das commodities recuou, somente no período de janeiro a setembro deste ano, quase 50%. Então, temos os custos aumentando na ordem de 50% e as commodities também sendo reduzidas em 50%.

           Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, para se ter uma idéia, na atual safra agrícola, só para o plantio de soja, milho e algodão, serão necessários R$12,2 bilhões para o Estado de Mato Grosso, enquanto na safra anterior foram necessários R$8,5 bilhões.

           Em Mato Grosso, a composição de capital para formar as lavouras de milho, soja e algodão é de R$7,4 bilhões, oriundos de empresas privadas, como tradings e vendedoras de insumos; R$900 milhões de crédito oficial; e R$3,9 milhões de recursos próprios dos produtores.

           Assim, representada essa composição em percentuais, vemos que as empresas privadas financiam 61% da safra; os produtores participam com 32% de seus recursos próprios e o crédito oficial, especialmente do Banco do Brasil, com apenas 7% desses recursos.

           Em 2008, os produtores mato-grossenses com estoque de dívidas a pagar da ordem de R$1,2 bilhão tiveram reduzida sua capacidade de participação no custeio da safra. A opção de muitos produtores foi: ou pagar a dívida ou sair da atividade agrícola, ou não pagar e ficar inadimplente e tentar tocar a nova safra.

           Em razão disso, Srs. Senadores, a nova safra em Mato Grosso...

           O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Senador Gilberto Goellner, eu peço sua permissão só para prorrogar por mais uma hora esta sessão, de acordo com o Regimento, para ouvirmos os oradores que ainda estão escritos.

           O SR. GILBERTO GOELLNER (DEM - MT) - Em razão dessa situação, Srs. Senadores, a nova safra em Mato Grosso será de altíssimo risco. Pelos levantamentos feitos sobre as intenções de plantio em Mato Grosso, já concluídos, haveria uma significativa redução da área plantada naquele Estado, antes mesmo desta crise internacional deflagrada pelos Estados Unidos. O milho de segunda safra deverá ter um decréscimo de aproximadamente 60% na área a ser plantada em relação à safra anterior, e o algodão, em 40%. Quanto à soja, as previsões são também de diminuição da área plantada da ordem de 5%, e do menor uso de fertilizantes e defensivos. A diminuição, em função de se haver optado por usar baixa tecnologia na lavoura de soja, será em torno de 2 milhões de toneladas.

           Essa tendência traz preocupação porque Mato Grosso participa com 52% da produção nacional de algodão, 40% da produção de milho de segunda safra e 30% da produção de soja.

           Mas, Sr. Presidente, o que é ainda mais grave e apreensivo, tanto para o produtor quanto para o Governo, é a insegurança da produtividade desta safra e de seus preços no momento da colheita no próximo ano.

           Numa primeira estimativa, o sinal é de que, com essa redução da área plantada nos níveis identificados até então, haverá uma queda de receita direta para o Estado e para os produtores de cerca de R$ 2,2 bilhões somente em Mato Grosso; e, em número de receita que não vai girar, podemos multiplicar por três, perfazendo R$6,6 bilhões de falta de giro na economia do Estado do Mato Grosso.

           O que preocupa é que uma redução de receita num montante tão elevado levará a um agravamento da crise nos demais segmentos da economia e no nível de emprego em Mato Grosso.

           Estudos, análises já mostram, em função da diminuição da área com a cultura do algodão da ordem de 180 mil hectares, que poderá haver um desemprego de mais ou menos seis mil pessoas, só com a cultura do algodão.

           Semana passada, vimos manchetes em jornais do Estado de São Paulo que falavam que uma empresa automobilística reduziria quinhentos empregos e que outra empresa poderia reduzir pouco mais de dois mil empregos. Só no Estado do Mato Grosso a redução de uma cultura poderá desempregar seis mil pessoas.

           Por isso, Sr. Presidente, estou retomando mais uma vez esse assunto, para alertar o Governo Federal e o Presidente Lula sobre a grave situação por que passa o Estado do Mato Grosso na área agrícola, carro-chefe da economia daquele Estado.

           Em Mato Grosso, neste momento, há um clima de grande ansiedade. Os produtores rurais e os trabalhadores aguardam a manifestação do Governo Federal e o anúncio de medidas que possam reduzir essa insegurança e essa intranqüilidade. Os recursos de crédito anunciados pelo Governo Federal precisam urgentemente chegar às mãos dos produtores rurais.

           Na semana passada, tive a oportunidade de acompanhar pessoalmente o Governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi, e dirigentes de entidades representativas do setor agrícola do Estado, que estiveram aqui em Brasília, com autoridades dos Ministérios da Fazenda, da Agricultura e o Meio Ambiente. Nesses encontros foi exposta a situação da crise por que passa a agricultura daquele Estado, alertando o Governo Federal sobre o agravamento das conseqüências que essa crise acarretará para a economia e para a sociedade do Estado do Mato Grosso.

           Dando seqüência a esses entendimentos, técnicos do Governo Federal estiveram em Mato Grosso, onde puderam constatar in loco, em visita a diversas regiões e diversas propriedades rurais, a grave situação que tem gerado essa intranqüilidade por que passam aquele Estado e aqueles produtores. São técnicos do Ministério da Agricultura que foram enviados pelo Ministro Reinhold Stephanes para averiguar a complexidade da crise no Estado.

           Os produtores estão ansiosos porque sabem que o calendário agrícola exige urgência, uma vez que já estamos praticamente no início do mês de novembro, período em que os agricultores precisam dar seqüência às atividades de plantio, aproveitarem as chuvas para não ficarem fora do calendário agrícola nem correrem, assim, maiores riscos de terem frustração de safra. O calendário agrícola é baseado nos ciclos biológicos das culturas e precisa ser rigorosamente cumprido.

           Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, sei que esta situação não é única em Mato Grosso. Outros Estados também enfrentam essas dificuldades.

           Por isso, conclamo meus pares do Senado Federal,que representam Estados que estejam vivendo situação semelhante a nos unirmos para podermos pleitear às autoridades do Governo Federal e ao Presidente Lula urgência na viabilização de medidas que venham a diminuir os efeitos desta crise para os produtores rurais e dêem a eles condições efetivas para plantar e colher as suas lavouras. Afinal, sabemos que uma frustração de safra terá efeito imprevisível não somente para os produtores rurais como também para toda a população e a economia brasileiras. A gravidade da atual situação no campo demanda esse esforço. É a crise internacional que se abate sobre a agricultura brasileira.

           Nosso muito obrigado.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 30/10/2008 - Página 42120