Pronunciamento de Arthur Virgílio em 19/11/2008
Discurso durante a 217ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Comenta que a decisão sobre a legalidade da iniciativa do Presidente do Senado de devolver a Medida Provisória 446, será a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
- Autor
- Arthur Virgílio (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AM)
- Nome completo: Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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SENADO.
REGIMENTO INTERNO.:
- Comenta que a decisão sobre a legalidade da iniciativa do Presidente do Senado de devolver a Medida Provisória 446, será a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
- Publicação
- Publicação no DSF de 20/11/2008 - Página 46715
- Assunto
- Outros > SENADO. REGIMENTO INTERNO.
- Indexação
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- COMENTARIO, COMPETENCIA, COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO JUSTIÇA E CIDADANIA, DECISÃO, LEGALIDADE, ATO, PRESIDENTE, SENADO, DEVOLUÇÃO, MEDIDA PROVISORIA (MPV), ANISTIA, NATUREZA FISCAL, INSTITUIÇÃO BENEFICENTE, AUSENCIA, NECESSIDADE, DEBATE, PLENARIO.
- REGISTRO, HISTORIA, CRIAÇÃO, LEGISLAÇÃO, AMPLIAÇÃO, CONTROLE, MEDIDA PROVISORIA (MPV), PARTICIPAÇÃO, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), ORADOR, LIDER, GOVERNO FEDERAL.
- DEFESA, INICIO, DEBATE, ORDEM DO DIA, MEDIDA PROVISORIA (MPV), REESTRUTURAÇÃO, CARREIRA, REMUNERAÇÃO, SERVIDOR.
O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB - AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Deixarei para um momento de intervenção sobre outra matéria.
Apenas quero deixar claro duas coisas bem rapidamente: primeiro, V. Exª não está acima da lei, e aí acerta o Senador Mercadante, tanto que sua decisão irá para o crivo da Comissão de Justiça. Aí, se equivoca o Senador Mercadante quando assevera que a medida de V. Exª é ilegal, já que temos a Comissão de Justiça para decidir sobre a legalidade ou sobre a ilegalidade da medida que V. Exª adotou. S. Exª é um grande Senador, é um magnífico homem público, mas não é ele próprio uma instituição. Ele não é o Supremo Tribunal Federal, nem é a Comissão de Justiça.
Agora, quero só relatar uma coisa bem simples, Sr. Presidente: eu era Líder do Governo nessa época, e o Senador Mercadante, um ativo líder de oposição. Em algum momento, eles conseguiram, com tanta luta, com essa tenacidade de que era capaz o PT - e tomara que seja ainda; que, com o passar do tempo, continue com a mesma tenacidade, com a mesma capacidade de bater pernas que tinha nas ruas brasileiras! -, convencer o Presidente da Câmara dos Deputados, o Deputado Aécio Neves, convencer o Presidente do Congresso, Senador Antonio Carlos Magalhães, e eles próprios faziam uma guerrilha que chegou um momento em que o Presidente Fernando Henrique e eu próprio jogamos a toalha; não dava mais. Dissemos: “Não dá mais. Vamos, simplesmente, fazer o que vocês querem”. E fiz um pronunciamento, do qual o Senador Mercadante deve se recordar, em que eu dizia que aquilo em que estávamos votando naquele momento, que parecia ser um anseio da Casa por liberdade, poderia representar a ingovernabilidade. Aí, estamos vendo esse rito, que minimiza e desmoraliza o Congresso Nacional.
No mais, Sr. Presidente, fui citado de maneira muito elegante pelo Senador Mercadante, e quero devolver na mesma moeda, pois é um amigo muito querido, um colega muito respeitável e respeitado.
Quero apenas dizer a V. Exª que não nos esqueçamos da participação do PT na formulação desse rito. Insistiu de maneira santa, foi uma cruzada para chegarmos a esse rito, que aí está; e este orador, que fala a V. Exª neste momento, dizia que tínhamos que fazer uma moderação em relação ao vai-da-valsa que era o sistema anterior, mas que era muito rígido para o Congresso e que era uma camisa-de-força para a governabilidade o novo sistema, que foi aceito pelos dois Presidentes das Casas, mas proposto pelo PT com muito denodo.
No mais, tenho impressão de que agora é despiciendo - para usar uma linguagem da advocacia e do Direito - discutirmos aqui se V. Exª tinha ou não tinha razão jurídica, porque quem vai dizer se V. Exª tem razão jurídica ou não é a Comissão de Justiça da Casa e, depois, o plenário desta Casa.
No mais, é agora cuidarmos, a meu ver, de discutir e votar a matéria que interessa à Casa e ao País, que é a Medida Provisória nº 440.
Obrigado, Sr. Presidente.