Discurso durante a 56ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Registro da participação de S.Exa. no lançamento da TV Digital, em Brasília. Homenagem pelo transcurso dos 49 anos de Brasília. Cumprimentos à Senadora Roseana Sarney pela assunção ao Governo do Estado do Maranhão. Anúncio do lançamento da Pedra Fundamental do Projeto PE Verde, da empresa Braskem, no Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul.

Autor
Serys Slhessarenko (PT - Partido dos Trabalhadores/MT)
Nome completo: Serys Marly Slhessarenko
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM. POLITICA INDUSTRIAL.:
  • Registro da participação de S.Exa. no lançamento da TV Digital, em Brasília. Homenagem pelo transcurso dos 49 anos de Brasília. Cumprimentos à Senadora Roseana Sarney pela assunção ao Governo do Estado do Maranhão. Anúncio do lançamento da Pedra Fundamental do Projeto PE Verde, da empresa Braskem, no Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul.
Aparteantes
Paulo Paim.
Publicação
Publicação no DSF de 23/04/2009 - Página 12200
Assunto
Outros > HOMENAGEM. POLITICA INDUSTRIAL.
Indexação
  • HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, BRASILIA (DF), DISTRITO FEDERAL (DF), REGISTRO, LANÇAMENTO, TELEVISÃO, TECNOLOGIA DIGITAL.
  • SAUDAÇÃO, POSSE, ROSEANA SARNEY, GOVERNADOR, ESTADO DO MARANHÃO (MA), RENUNCIA, MANDATO, SENADOR.
  • REGISTRO, LANÇAMENTO, INDUSTRIA, POLO PETROQUIMICO, MUNICIPIO, TRIUNFO (RS), ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (RS), PROJETO, EMPRESA DE MATERIAL PLASTICO, AUSENCIA, UTILIZAÇÃO, PETROLEO, MATERIA-PRIMA, CANA DE AÇUCAR, EXPECTATIVA, READMISSÃO, TRABALHADOR, IMPORTANCIA, OBRAS, PIONEIRO, BRASIL, MUNDO, PRESERVAÇÃO, MEIO AMBIENTE, SIMULTANEIDADE, DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL, DETALHAMENTO, VANTAGENS.
  • REITERAÇÃO, JUSTIFICAÇÃO, PROJETO DE LEI, AUTORIA, ORADOR, PRAZO, PROIBIÇÃO, MATERIAL, DERIVADOS DE PETROLEO, SACO, UTILIZAÇÃO, COMERCIO, REGISTRO, ADESÃO, EMPRESARIO, REDUÇÃO, POLUIÇÃO, MEIO AMBIENTE.

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


A SRª SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, já que o senhor falou em um milhão e trezentos, ontem, de população de Brasília, que estiveram no Plano Piloto, hoje pela manhã, participei do lançamento da TV Digital em Brasília, junto com o nosso Ministro Hélio Costa e o Governador de Brasília Governador Arruda. Temos de deixar também aqui nossa saudação aos 49 anos de Brasília, tão jovem e tão promissora.

Eu queria também registrar aqui, antes de iniciar meu discurso, neste momento, que, hoje, pela manhã, falei com a Governadora Roseana Sarney. Temos agora uma Senadora a menos. Éramos somente 12% de mulheres no Senado, e houve uma redução. Mas, para honra nossa, a Senadora Roseana Sarney, hoje, é Governadora. A ela desejamos os melhores votos no cumprimento do seu trabalho e o desejamos também aqui, nesta tribuna.

Roseana Sarney, Senadora e Governadora, saúde e paz para a senhora, porque o resto, com certeza, competência e compromisso político com a causa do povo do Maranhão, a senhora tem e terá cada vez mais. Que a senhora, que já governou o Maranhão, consiga aprofundar sua marca como mulher que governa um Estado do nosso País.

Nossos votos, Senadora, para que seu governo seja realmente aquele que consiga cumprir com as metas principais, as maiores e as melhores, para melhoria da qualidade de vida do povo do Maranhão.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, hoje, venho a esta tribuna para dizer que esta quarta-feira, hoje, 22 de abril, é uma data importantíssima para o meio ambiente.

O Senador Paulo Paim, há pouco, falou sobre algumas questões que vou abordar agora também.

Hoje, estamos tendo, Senador Paulo Paim - o senhor sabe disso melhor do que eu, como Senador do Rio Grande do Sul; eu sou Senadora do Mato Grosso, mas é óbvio que somos Senadores da República do Brasil -, o lançamento da Pedra Fundamental do Projeto PE Verde, da empresa Braskem, no Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Esse projeto consiste na construção de uma fábrica que irá produzir polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável; ou seja, sacolas plásticas, que, em vez de serem produzidas com petróleo, serão produzidas com etanol da cana-de-açúcar. E essa cerimônia será presenciada pela nossa querida Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

É uma obra extremamente importante para o País em todos os sentidos. E o Senador Paulo Paim acabou de falar destra tribuna, há poucos instantes, que a Braskem demitiu 350 trabalhadores. Espero que a empresa readmita esses trabalhadores, já que o novo projeto irá criar 1.500 empregos e deverá estar concluído no final de 2010. A operação comercial está prevista para começar em 2011. A economia vai girar. Outra vantagem é com relação à inovação de trazer para nosso País algo que será produzido em material 100% renovável. A produção chegará a 200 mil toneladas por ano, iniciando um novo ciclo de preservação no Brasil e, quem sabe, no mundo.

Será a primeira operação, em escala comercial, no mundo, para produção de polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável. E será aqui, no Brasil, senhoras e senhores!

         Essa é uma grande iniciativa. O Brasil, na visão renovadora do nosso Presidente Lula, está caminhando para a preservação do meio ambiente, cada vez mais, de forma bastante determinada, preservando esse meio ambiente para as futuras gerações. E a presença da Ministra Dilma nesse evento mostra isso.

         Fico feliz; fico feliz mesmo em dar essa notícia a todos e a todas que nos estão vendo e ouvindo pela TV Senado e àqueles e àquelas que nos prestigiam com sua presença neste Plenário.

Um assunto positivo, que afetará a todos e a todas no Brasil e no mundo: a produção dessa fábrica vem corroborar com projeto de minha autoria, o PL 424/2008, que prevê a substituição, nos supermercados e nas lojas, de sacolas de plástico por sacolas reutilizáveis, que não agridam o meio ambiente. O Projeto 424/2008 é de nossa autoria e vem, realmente, ao encontro dessa busca, que está sendo feita, hoje, com o lançamento dessa pedra fundamental, com a presença da Ministra Dilma, no Rio Grande do Sul.

Essas sacolas, que utilizamos hoje, têm resistência a até 400 anos! Quatro séculos, senhores e senhoras, para se decomporem, novamente, no meio ambiente. Quatrocentos anos! Essa sacolinha, com a qual vamos, ingenuamente, ao supermercado fazer compra, leva 400 anos para ser reabsorvida, sem contar com a poluição e o prejuízo à população, pois essas sacolas contaminam solos e mananciais de água, poluem cidades e campos, prejudicam animais, entopem a drenagem urbana e os rios, contribuindo para as inundações, entre tantos outros danos.

Esta fábrica terá o primeiro polietileno verde certificado e produzido no Brasil, provando que há solução para o plástico. As empresas que fabricam polietileno precisam buscar alternativas, pois o lucro também é possível com produção de sacolas e objetos plásticos provenientes de matéria-prima renovável.

Eu conversava, há poucos dias, em São Paulo, em uma passagem nossa por lá, inclusive no aeroporto, com o Dr. Assis. Cito isso porque daí advém o interesse do Dr. Assis, da Plastivida, pelo assunto. Ele me levou o projeto Ecobag, do Instituto Socioambiental dos Plásticos, e nos brindou com modelos de sacolas totalmente renováveis.

As vantagens são inúmeras. Vou citar algumas delas, como a captura e o sequestro de carbono. Uma solução e uma alternativa aos países que têm como meta a redução do efeito estufa. O polietileno é material reciclável e reciclado, o que não prejudicará os catadores, que continuarão trabalhando.

E tudo pode ser feito com este novo material. Mato Grosso, meu Estado, será diretamente beneficiado, pois a cana-de-açúcar é a matéria-prima desse novo plástico. E outros Estados que cultivam a cana também serão beneficiados. Certamente esse plástico 100% renovável será exportado. Um material seguro para brinquedos infantis, embalagens de alimentos e de produtos de limpeza e outros itens de setor automotivo. O petróleo será substituído aos poucos e dará tempo para fábricas se adaptarem a essa nova tecnologia.

Nosso projeto, por exemplo, Srªs e Srs., que nos veem e nos ouvem, prevê quatro anos após sua aprovação - e espero que ela seja breve e real -, para que, realmente, as sacolas não renováveis, não biodegradáveis saiam do mercado.

A partir de agora, detemos a tecnologia. Portanto, temos que incentivar a produção da cana-de-açúcar. Isso é uma forma de incentivar o etanol, os biocombustíveis e o plástico 100% renovável. Acredito nisso. E não tem aquela conversa de que a cana-de-açúcar, para ser cultivada, tem que destruir a Amazônia. Não! A terra da Amazônia não serve para produzir cana. Portanto, ninguém se preocupe que alguém vai destruir uma árvore da Amazônia para plantar um pé de cana. Não! Isso não vai acontecer. E muito menos prejudicar a alimentação. Ao contrário, a gente pode falar duas horas aqui sobre as vantagens do biocombustível, da cana-de-açúcar em nosso País.

Acredito, senhores e senhoras, que outras tecnologias irão surgir, com matérias-primas provenientes das culturas da canola, girassol, mamona, soja, mandioca e muitos outros produtos. Precisamos dar respostas tecnológicas à demanda, reforçando o papel da agroenergia na diversificação da matriz produtiva em todos os Estados de nosso País. 

Sr. Presidente, preciso só de mais um minuto.

O cenário econômico e social mundial é cada vez mais favorável para o uso de matérias-primas de fonte renovável e alternativas ao petróleo. E o Brasil já saiu na frente. Não podemos resistir a esta nova demanda, que bate à nossa porta. Vamos, ao contrário, incentivá-la.

O plástico verde permite maior...

(Interrupção do som.)

A SRª SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT - MT) - ...redução dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera em comparação a outros polímeros. Essa nova tecnologia vai aliar benefícios ambientais às vantagens técnicas e de processabilidade dos polietilenos, beneficiando toda a cadeia do plástico.

De acordo com informações da empresa que irá produzir o plástico verde, a produtividade energética da cana-de-açúcar e a profissionalização do setor de produção de álcool conferem ao ciclo de vida deste produto vantagens ambientais excepcionais: cada quilo produzido captura e fixa dois quilos e meio de dióxido de carbono que estão na atmosfera. Prestem atenção, senhores e senhoras, cada quilo produzido captura e fixa dois quilos e meio de dióxido de carbono que estão na atmosfera. Assim, colabora com a redução do efeito estufa e do aquecimento global.

Outra grande vantagem do polietileno verde é a sua versatilidade, pois todos os seus produtos podem ser usados nos maquinários das indústrias de transformação sem qualquer necessidade de investimentos em modificações ou adaptações, além de possuir custo de produção bastante competitivo no mercado mundial.

Vejam, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, trago para esta tribuna informações que vão afetar a todos e a todas, uma forma de contribuir para nosso País, para nosso meio ambiente. Porém, o trabalho precisa ser conjunto, precisa ser de todos e de todas. Se nós estamos aqui, por exemplo, com um projeto de lei que venha a assegurar, daqui a quatro anos, a partir da sua aprovação, que não se tenha mais o uso da sacola plástica em nenhum lugar. E temos, inclusive, a contribuição já do empresariado do mundo do plástico, e acabamos de citar essa empresa em que a Ministra Dilma está lançando, hoje, a pedra fundamental, como temos também a Plastivida, que é uma entidade organizada do pessoal do mundo do plástico, da fábrica do plástico, da fabricação do plástico, que também procura dar a sua contribuição. Tivemos também já duas visitas de um dos diretores do Wall Mart, trazendo a postura - eu não diria do mundo supermercadista como um todo, mas já de parte do mundo supermercadista - de quem quer entrar realmente nessa discussão e ajudar a encontrar a solução para que a gente tire realmente esse plástico não biodegradável, não renovável, do nosso circuito, para que a gente possa ter um poluidor a menos, e um fortíssimo poluidor, nos nossos rios, nos nossos mares, que é aquele plástico que entope os nossos escoadouros, que faz com que muitas vezes a água fique parada, que apareça a dengue, que apareçam doenças, que poluem, que matam animais. Eu tenho dados, não os tenho aqui agora, da enormidade de espécies que estão sendo extintas por conta do plástico.

O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT - RS) - Senadora Serys, V. Exª me permite um aparte, com a tolerância do nosso Presidente, só para fazer um esclarecimento?

A SRª SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT - MT) - Com a tolerância do Presidente, pois não.

O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT - RS) - Primeiro, quero cumprimentar V. Exª, que está na defesa sempre firme e clara do meio ambiente, em políticas de emprego, o chamado emprego verde, cuidando da questão ecológica. Mas, como os trabalhadores estavam assistindo tanto ao seu pronunciamento quanto ao meu lá no polo de Triunfo, solicitaram-me que dentro do seu pronunciamento eu fizesse os seguintes esclarecimentos: que os 1.500 empregos serão na obra e que, na verdade, no último momento em que houve um aumento também de investimento lá no polo de Triunfo, a obra empregou até em torno de dois mil trabalhadores, mas, na produção mesmo, na empresa, geraram 40 empregos. Então, eles estão muito preocupados com o fato de que na obra, na construção, poderão ser gerados 1.500 empregos e que esses 350 não voltem. Por isso, quero me somar a V. Exª. V. Exª foi muito feliz em seu pronunciamento e iniciou dizendo: a primeira coisa é fazer com que os 350 voltem a trabalhar e que possam ser aproveitados no futuro, depois da obra concluída. Acho que, com esse esclarecimento, ficou clara a sua posição e a minha, que é a mesma. Concordamos com que é importante o investimento. Achamos fundamental 1.500 empregos, embora na obra, mas queremos que os 350 trabalhadores que estão ameaçados de serem demitidos voltem à empresa original e que possam ser adequados depois da obra pronta. Parabéns a V. Exª.

A SRª SERYS SLHESSARENKO (Bloco/PT - MT) - Com certeza, Senador Paim, todos trabalhadores e trabalhadoras que estão nos ouvindo, como fui informada agora pelo Senador Paim, que a nossa vontade é que esses 1.500 empregos na obra aconteçam, já estão acontecendo, venham a acontecer e que a obra se realize com o sucesso necessário e que os 350 trabalhadores retornem. Isso é que é o importante. Mas, com certeza, a empresa está trabalhando essa questão e espero que esteja trabalhando com a participação dos trabalhadores, para que eles realmente possam dar a sua contribuição. Não às demissões. Sim à geração de emprego.

Muito obrigada.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 23/04/2009 - Página 12200