Discurso durante a 67ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Esclarece que sempre procurou agir com correção, com ética na sua vida pública e em especial, no exercício de seu mandato de senador, a despeito da crítica do jornalista Boris Casoy.

Autor
Eduardo Suplicy (PT - Partido dos Trabalhadores/SP)
Nome completo: Eduardo Matarazzo Suplicy
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ATUAÇÃO PARLAMENTAR.:
  • Esclarece que sempre procurou agir com correção, com ética na sua vida pública e em especial, no exercício de seu mandato de senador, a despeito da crítica do jornalista Boris Casoy.
Publicação
Publicação no DSF de 08/05/2009 - Página 16259
Assunto
Outros > ATUAÇÃO PARLAMENTAR.
Indexação
  • ESCLARECIMENTOS, CORREÇÃO, ETICA, CONDUTA, ORADOR, VIDA PUBLICA, EXERCICIO, MANDATO, SENADOR.

            O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT - SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, V. Exª ontem ouviu o meu pronunciamento, que foi objeto de reportagens na imprensa em geral, inclusive nos meios de comunicação televisivos. Alguns apresentaram objetivamente e deram as informações que eu aqui prestei.

            Mas, por exemplo, à noite, após o jornal da Bandeirantes, que apresentou objetivamente a matéria que Fábio Pannunzio fez, entrevistando-me e também apresentando, eis que entrou no ar Boris Casoy, como âncora, meu colega de trabalho, meu colega de futebol na Praça Alexandre Gusmão, na Alameda Casa Branca com a Alameda Santos. Ele até brincava comigo quando éramos colegas na Folha: “Às vezes, o Eduardo Suplicy vinha, levava a bola e parava o jogo”. Mas ele era o goleiro do time e sempre jogávamos. Então, desde meninos, nós nos conhecemos. Fomos colegas na Folha de S.Paulo, durante cerca de cinco anos em que ali trabalhei, entre 1976 e 1980.

            O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - V. Exª não deve ter sido um bom jogador de futebol. Era mais ou menos?

            O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT - SP) - Eu jogava razoavelmente. Eu era da seleção do Colégio São Luís, Senador Pedro Simon. Ainda sei jogar, gosto de torcer pelo Santos e de jogar futebol também.

         Mas Boris Casoy, que me conhece tão bem, e também as meninas do Programa do Jô disseram palavras como: “Até tu, Eduardo Suplicy, também estás fazendo essas coisas?” Quero dizer ao meu caro amigo de tantos anos Boris Casoy e às meninas do Jô Soares, a cada uma delas que comentou que, não houvesse eu falado das coisas, se eu não tivesse tomado providências e externado isso...

            Todos os Senadores que comigo comentaram, inclusive V. Exª, disseram-me: “Eduardo, não houve qualquer ilegalidade ou algo de errado que você tenha feito.” Mas respeitaram a decisão que tomei.

            Sr. Presidente, quero dizer ao Boris Casoy: meu caro Boris Casoy, será que nunca terá cometido qualquer falha na vida? Nunca terá cometido uma infração? Nunca ultrapassou a velocidade permitida? Nunca deixou de colocar o pica-pisca na hora certa? Será que nunca cometeu um deslize com respeito a algum jornalista seu colega, uma vez que era diretor da Folha e hoje é âncora do Jornal da Bandeirantes, antes da Record? Você que está sempre dizendo, diante de qualquer notícia que avalia como relevante, “Isto é uma vergonha!”, por que ficou conhecido, citado aqui inúmeras vezes pelo Senador Mão Santa, que, inclusive, prestou-lhe a devida homenagem, com a qual eu me solidarizei, quando saiu da Record - mas, felizmente, voltou.

            É preciso ponderar o que foi realizado. Sei que, do ponto de vista moral, do ponto de vista ético, sim, eu avaliei que deveria ressarcir aqueles recursos por algo que poderia deixar como estava. Mas resolvi fazê-lo por uma questão de consciência pessoal. Agora, colocar-me na mesma vala de pessoas que, eventualmente, tenham cometido, de fato, apropriação indébita de recursos do povo, que tenham realizado roubos, que tenham cometido assaltos?

         Sr. Presidente, José Sarney, venho ao Senado diariamente, e virei em todas as ocasiões, de cabeça erguida e podendo dizer que, se falha cometi, que cometi tal falha, mas que procurarei corrigir. Então, quando o Senado Federal, na sua Presidência, resolveu bem disciplinar eventuais excessos que todos admitimos que estavam sendo cometidos, resolvemos aprovar a nova norma sobre o que fazer com as cotas de passagens - isso precisa ser bem colocado.

           Sr. Presidente, quero transmitir, com muito respeito e amizade, ao Boris Casoy, às meninas Jô, às centenas de cartas, aos jornais e a todos - tudo bem, estou lendo as cartas, ouvindo as meninas do Jô, ouvindo o Boris Casoy - que sejam suas palavras um alerta para quem aqui procura agir com correção, com ética. Inclusive, com muito respeito, a própria Mônica Dallari foi uma pessoa que sempre me alertou para que eu bem me conduzisse como pessoa, como pai, como Senador, como ser humano que procura respeitar cada ser humano. Inclusive quando erra.

           Quando o Presidente da Câmara Municipal, o Diretor e outros Subdiretores foram detidos na delegacia, Sr. Presidente, eu, que tinha aberto a sindicância pela qual eles acabaram sendo presos, fiz questão de ir à delegacia visitá-los para saber se estavam sendo tratados com o devido respeito.

            Portanto, é importante colocar as coisas no seu devido lugar. Admito as críticas, respeito-as, e procurarei agir melhor, mas procurarei fazê-lo de cabeça erguida, cônscio, Sr. Presidente, do que V. Exª me disse ontem. Eu, aqui desde 1978, tenho contas a prestar, e as tenho prestado a todos aqueles que me elegeram para todos os cargos que até hoje tive. E vou procurar fazê-lo cada vez melhor. Essas críticas certamente contribuirão para que eu esteja mais atento a tudo aquilo que é feito com o dinheiro do povo, a começar com o dinheiro do povo que é administrado aqui no Senado Federal.

            Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/05/2009 - Página 16259