Discurso durante a 208ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Explicação, de forma simplificada, do desligamento da energia elétrica ocorrido ontem. Distinção entre os conceitos de "apagão / desligamento" e de "racionamento". Confiança no sistema elétrico brasileiro. Dúvidas sobre por que o esquema de rejeição e alívio de carga (ERAC) não funcionou e por que as usinas termoelétricas não entraram em atividade imediatamente, como era o esperado. Críticas ao fato de diversos integrantes do sistema haverem prestado declarações à imprensa, quando apenas o Operador Nacional do Sistema teria condições de fazê-lo.

Autor
Delcídio do Amaral (PT - Partido dos Trabalhadores/MS)
Nome completo: Delcídio do Amaral Gomez
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
SENADO. POLITICA ENERGETICA.:
  • Explicação, de forma simplificada, do desligamento da energia elétrica ocorrido ontem. Distinção entre os conceitos de "apagão / desligamento" e de "racionamento". Confiança no sistema elétrico brasileiro. Dúvidas sobre por que o esquema de rejeição e alívio de carga (ERAC) não funcionou e por que as usinas termoelétricas não entraram em atividade imediatamente, como era o esperado. Críticas ao fato de diversos integrantes do sistema haverem prestado declarações à imprensa, quando apenas o Operador Nacional do Sistema teria condições de fazê-lo.
Aparteantes
Valter Pereira, Wellington Salgado.
Publicação
Publicação no DSF de 12/11/2009 - Página 58343
Assunto
Outros > SENADO. POLITICA ENERGETICA.
Indexação
  • SAUDAÇÃO, PRESENÇA, SENADO, PREFEITO, SECRETARIO, DEPUTADOS, ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL (MS).
  • ESCLARECIMENTOS, CORTE, ABASTECIMENTO, ENERGIA ELETRICA, REGIÃO SUL, REGIÃO SUDESTE, QUALIDADE, ORADOR, ENGENHEIRO, EXPERIENCIA, OPERAÇÃO, SISTEMA ELETRICO INTERLIGADO, DIVERSIDADE, GOVERNO, IMPORTANCIA, DIFERENÇA, SITUAÇÃO, RACIONAMENTO.
  • ELOGIO, SISTEMA ELETRICO, BRASIL, MODELO, COMPARAÇÃO, MUNDO, SUPERIORIDADE, MATRIZ ENERGETICA, ENERGIA RENOVAVEL, QUALIDADE, ESPECIALISTA, HISTORIA, CONSTRUÇÃO, USINA HIDROELETRICA, REPUDIO, ORADOR, DISPUTA, POLITICA PARTIDARIA, PROBLEMA, CORTE, NECESSIDADE, PROVIDENCIA, PREVENÇÃO, REPETIÇÃO, ERRO, CONTESTAÇÃO, ACUSAÇÃO, PRECARIEDADE.
  • CRITICA, CONTRADIÇÃO, DIVERSIDADE, AUTORIDADE, ITAIPU BINACIONAL (ITAIPU), FURNAS CENTRAIS ELETRICAS S/A (FURNAS), AGENCIA NACIONAL DE ENERGIA ELETRICA (ANEEL), DECLARAÇÃO, IMPRENSA, ERRO, DESCONHECIMENTO, NATUREZA TECNICA, ASSUNTO, ESCLARECIMENTOS, DESLIGAMENTO, LINHA DE TRANSMISSÃO, INVESTIGAÇÃO, PROBLEMA, SISTEMA DE SEGURANÇA, FALTA, FUNCIONAMENTO, USINA TERMOELETRICA, MOTIVO, DEMORA, OPERAÇÃO, RESERVA, COBRANÇA, ESTUDO, PREVENÇÃO, REPETIÇÃO, GRAVIDADE, PREJUIZO, POPULAÇÃO, ECONOMIA, CONFIANÇA, CONTINUAÇÃO, INVESTIMENTO, GOVERNO.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Muito obrigado, Sr. Presidente, Senador Mão Santa. Quero agradecer também pela tolerância de V. Exª. Aproveito para cumprimentar todos os Senadores aqui presentes e o Deputado Paulo Duarte, ali presente também.

            O Deputado Paulo Duarte, Senador Mão Santa, é da mesma cidade em que nasci, a cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul, onde tivemos a honra de nascer e representar mais do que nunca, em nossas carreiras políticas.

            Quero também aqui registrar a presença do Prefeito Ruiter e do Secretário Carlinhos Porto. O Prefeito Ruiter, também da minha cidade de Corumbá, honra o nosso Município e está avaliado, entre ótimo e bom, com 83%, para V. Exª ter uma ideia do que representa o Prefeito Ruiter com seu secretariado para o nosso Estado e para a nossa querida cidade de Corumbá, Deputado Paulo Duarte.

            Mas, Sr. Presidente, eu sou twitteiro e quero, mais do que nunca, agradecer também, assim como a tolerância de V. Exª, a paciência dos twitteiros que me aguardaram até agora para que eu falasse aqui, desta tribuna, sobre o apagão de ontem.

            Eu vou procurar explicar esse desligamento da forma mais simples possível, da maneira mais simplificada possível, exatamente para que a gente tenha uma oportunidade de trazer aqui, à tribuna, uma avaliação, no meu ponto de vista, técnica, sem enfrentamento político, mas fazendo juízo de tudo aquilo que aconteceu.

            Eu posso falar aqui com muita tranqüilidade. Eu comecei a minha carreira, meu caro Presidente, no setor de energia elétrica. E eu não aprendi energia elétrica... O Senador Valter Pereira está aqui, foi Presidente da Enersul, também homem do setor elétrico. Eu tive a honra de ser companheiro dele no Conselho de Administração da Enersul quando o Senador Valter Pereira foi Presidente - diga-se de passagem, um excelente Presidente, um sério Presidente da Enersul. Mas a minha origem é o setor de energia. Vim do setor de energia e comecei a minha carreira no setor elétrico.

            Sr. Presidente, não aprendi energia elétrica só em livro. Aprendi intensamente, vivendo e sofrendo o que é ser barrageiro, o que é montar uma subestação, o que é construir uma subestação, o que é operar uma subestação, o que é fazer uma linha de transmissão, o que é testar uma linha de transmissão.

            Vivi essa experiência na Amazônia, com todas as dificuldades da Amazônia, e muitos daqui conhecem... Todos sabem o que era, na minha época, como engenheiro novinho ainda, Senador Wellington Salgado, fazer linhas de transmissão de 500 kW em uma usina do tamanho de Tucuruí.

            Portanto, vivi essas dificuldades todas. Enfrentei racionamentos, como o racionamento de 1988, racionamento no Nordeste, um tremendo racionamento. Enfrentei apagões, como esses que vivenciamos, como esse que vivenciamos ontem, e quero até separar o conceito de apagão do conceito de racionamento.

            Apagão é um desligamento. É quando falta energia porque alguma usina saiu, alguma subestação foi desligada. Mas uma coisa é deixar de consumir energia em determinado período; outra coisa é racionamento.

            Racionamento é não ter energia, por isso se chama racionamento. O apagão é, como diz o americano, um blecaute. É um desligamento como o que ocorreu em Nova York recentemente, há alguns meses. Ocorre o desligamento, mas há energia. Quando volta a energia, tudo retorna ao normal.

            Racionamento, como o que enfrentamos em 2001, é a falta de energia. Não é retomar e atender ao mercado consumidor. Não há energia suficiente, falta combustível, falta água.

            Então, não podermos comparar coisas que são incomparáveis. Tivemos um desligamento ontem de grandes proporções, que atingiu vários Estados brasileiros. Mas em 2001, houve racionamento, falta de energia.

            Como apagão, Sr. Presidente, é um expressão muito fácil, e a população entende muito bem, misturaram apagão com racionamento. Nós não temos racionamento. O País está sendo bem suprido de energia elétrica. Nós tivemos, sim, um blecaute, um apagão. Em 2001, não! Em 2001, tivemos racionamento, e houve até apagões.

            Eu não estou aqui, Sr. Presidente, para discutir quem fez o apagão maior e o apagão menor. O apagão é condenável de qualquer forma, sob qualquer aspecto, como o racionamento é ainda pior. O racionamento desestimula a produção, desestimula o desenvolvimento, desestimula os investimentos.

            Portanto, Sr. Presidente, feito esse esclarecimento entre desligamento, apagão e racionamento - que é confundido com apagão, e são duas coisas separadas -, eu agora gostaria de fazer a abordagem do que aconteceu ontem.

            O sistema elétrico brasileiro é um dos melhores do mundo. O sistema elétrico brasileiro é calcado em energia renovável. As hidrelétricas têm um papel absolutamente fundamental na geração de energia brasileira. Nós temos grandes projetos no Nordeste de V. Exª.

            Quem é aqui que não conhece, que não sabe o que é Paulo Afonso, da Chesf? Paulo Afonso I, II, III, IV. Xingó, Itaparica, as usinas da Cemig - Itumbiara, Emborcação; as usinas da Chesf - Água Vermelha, Ilha Solteira e Jupiá; as usinas da Tractebel - Itá, Machadinho; Itaipu, essa joia da coroa. Um dos projetos mais bem elaborados pelo nosso País e no mundo. Três Gargantas, Senador Botelho, copiou Itaipu. Nós recebemos vários técnicos chineses que viram tudo que foi feito em Itaipu e rebateram isso em Três Gargantas, que vai ser a maior usina do mundo, quando todas as suas unidades estiverem em operação no rio Yang-Tsé, no Rio Amarelo.

            Portanto, nós temos essa vocação conquistada com gente de absoluta qualidade, competência. Nós criamos uma elite no setor elétrico. Não é aquela elite rançosa, mascarada, elite intelectual que conhece aquilo que faz. Começou com Juscelino, lá atrás, quando veio a usina de Furnas. E aí veio uma geração de técnicos excepcionais do setor elétrico. Vários deles ainda vivos; outros, já se foram. O nosso glorioso Mário Bhering, que faleceu há pouco meses, uma lenda, um ícone do setor de energia elétrica brasileiro.

            Portanto, o setor elétrico brasileiro não foi construído pelo Governo A, B e C. O setor elétrico brasileiro foi construído por vários governos.

            O Sr. Valter Pereira (PMDB - MS) - Pelo Estado brasileiro.

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Pelo Estado brasileiro. O Senador Valter Pereira falou muito bem. Não é marca registrada de nenhum governo. É marca registrada de um país, que hoje é referência no setor de energia elétrica.

            Quando eu vejo as disputas políticas em cima de um assunto como esse, eu lamento profundamente, porque não é esse o embate. O que nós precisamos saber é diagnosticar o que ocorreu e tomar as providências devidas para que isso não mais aconteça.

            Cada um teve o seu papel. Eu vivi, Sr. Presidente, não só os racionamentos da época do Governo Sarney, como também depois no Governo do Presidente Fernando Henrique, as medidas que foram tomadas: a inclusão na matriz energética das usinas termoelétricas à gás natural, a óleo diesel. Medidas corretas também. Porque como nós temos um sistema absolutamente hídrico, nós precisávamos otimizar esse sistema para compensar aquele período, onde as chuvas são poucas e a hidrologia não atende às perspectivas de geração de energia.

            Nós avançamos. Hoje, no sistema de transmissão brasileiro, há interligação do Norte com o Centro-Oeste e com o Sudeste, saindo da região central do nosso País para o Nordeste, várias interligações, nós estamos chegando agora com linhas em Rondônia, vamos chegar com linha de transmissão em Manaus; Roraima já tem energia de Guri, que é uma hidrelétrica extremamente competitiva na Venezuela. Esses sistemas vão ser interligados, como são interligados no Brasil, porque as sazonalidades são diferentes. Portanto, a otimização é importante.

            Eu não aceito que falem que o sistema elétrico brasileiro é vulnerável, um sistema aquém daquilo que efetivamente o setor de energia elétrica espera e projeta. V. Exª pode conversar com qualquer investidor, com qualquer grande player, com qualquer grande empresa do setor de energia. Todos têm consciência do que é o setor elétrico brasileiro.

            E eu convivi, Sr. Presidente, com várias reformas do setor elétrico brasileiro: no Governo do Presidente Fernando Henrique, no Governo do Presidente Sarney, no Governo do Presidente Itamar, que tive o orgulho de representar como Secretário Executivo e, depois, como Ministro de Minas e Energia. Eu acompanhei essas mudanças. Eu fui o relator do novo modelo do setor elétrico do Governo do Presidente Lula aqui no Senado.

            Sem dúvida nenhuma, houve uma evolução, em que há a participação da iniciativa privada e a participação do Estado. Em muitas situações, o Estado e a iniciativa privada participam de projetos em linhas de transmissão, em usinas hidrelétricas e assim por diante. O País evoluiu, e nós não podemos apequenar essa discussão em função de embate político.

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MT) - Sr. Presidente, ontem, eu fiquei impressionado quando eu vi a opinião dos ditos especialistas. Eu ouvi cada barbaridade, que é simplesmente inacreditável! Confusão de sistema com linha de transmissão, misturavam tensão de linha com potência de máquina. Começaram a passar para a opinião pública que um sistema interligado, meu caro Prefeito Ruiter, é ruim, quando, muito pelo contrário, um sistema interligado é a confiabilidade e a garantia! Aí, muitas pessoas, querendo talvez inventar ou criar um novo ovo de Colombo, disseram: “Ah, mas não há sistemas que separem, que preservem os demais sistemas, os demais Estados, as demais linhas”. Inclusive questionavam que o que foi projetado para o setor elétrico nacional é deficiente. Não existe isso. Temos competência para dar e vender em hidroeletricidade, em termoeletricidade, em subestações, em linhas de transmissão. Temos um parque industrial belíssimo, que constrói turbina, gerador, disjuntor, seccionadora, transformador de corrente, relé de proteção, regulador de velocidade, regulador de tensão.

            Portanto, devagar com o andor, Sr. Presidente, que o santo é de barro. Não é por aí a discussão.

            E aí, Sr. Presidente, eu fiz essa introdução toda até para dizer da minha confiança e da minha tranquilidade com relação ao sistema elétrico brasileiro: bem projetado, bem estruturado. O Brasil não vai passar por nenhum racionamento.

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Pode ter desligamento? Pode. Mas racionamento, não. E o ruim é o racionamento. Esse é o pior mal para o setor de energia.

            Eu vi o racionamento de 2001. O Brasil estava crescendo; teve o seu crescimento obstaculizado quando racionou a energia. Trinta por cento, Senador Valter Pereira, de racionamento de energia. E eu vi racionar no Nordeste 20%, 25%. Eu sei o que representa isso. Não é fácil não, além de quebrar todas as empresas. As empresas de energia fecharam seus balanços todos eles no negativo quando veio o racionamento. Mas nós vivíamos uma circunstância, uma baixa hidrologia, sofremos com isso, aprendemos com isso, como vamos aprender com esse desligamento que aconteceu ontem. Mas quero mais do que nunca reiterar o que representa o nosso sistema elétrico: robusto, competente.

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Eu pediria só um pouco da tolerância de V. Exª até para que eu fale da ocorrência de ontem. Esclarecer que nenhum sistema de energia no mundo ele é absolutamente blindado. Eles são projetados dentro de uma ótica econômica e de confiabilidade.

            Agora, dizer que um sistema de energia é totalmente invulnerável a qualquer tipo de ocorrência é uma falácia. E, se os nossos engenheiros viessem a projetar um sistema desse, quanto ele custaria?

            Então, para se apagar Itaipu com quatorze mil megawatts tem que ter outra Itaipu do lado para servir de backup? Tudo tem limite, porque tudo é projetado conforme uma sinalização econômica, de resultados, garantindo-se, acima de tudo, a confiabilidade em razão das circunstâncias de operação de cada uma dessas plantas. É assim que se faz.

            Por isso, o modelo do setor elétrico brasileiro é uma referência no mundo. Falo isso com absoluta tranquilidade. Tenho absoluta segurança no que estou falando, porque vivi e vi isso. Senti na pele, Sr. Presidente. Não li, não! Senti na pele o que é desligar máquina, racionamento, sair usina inteira. Sei como funciona isso.

            Agora, Sr. Presidente, eu queria esclarecer alguns pontos que, na minha visão, são importantes.

            Ontem, pelo tamanho do desligamento, estava na cara que uma usina de grande potência tinha saído do sistema. Na cara, pelo impacto, porque não é normal acontecer um desligamento daquele tamanho, pegando São Paulo, Rio de Janeiro, o meu Estado, o Mato Grosso do Sul, o Mato Grosso,...

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - ... Goiás. E começaram a chegar as informações de que Itaipu estava com as vinte máquinas fora. Vinte máquinas, Sr. Presidente! Uma usina não perde vinte máquinas à toa. Uma usina perde uma máquina, duas, dependendo da configuração da usina, mas perder as vinte?

            É igual Tucuruí perder as 12 ou as 22 máquinas que tem hoje. Não é normal.

            É claro que a origem já está em outro lugar. E onde estava a origem? Nas linhas. Itaipu fornece energia para a Região Sudeste por meio de três linhas de 750kV e uma linha de 600kV. E o que aconteceu, Sr. Presidente? As linhas de 750kV foram desligadas com uma diferença, Senador Valter, de 150 milissegundos. Essas linhas estavam despachando para a Região Sudeste 6.500 megawatts. O que aconteceu, Sr. Presidente? Logo em seguida, o nível de tensão do sistema baixou, e, então, a linha de corrente contínua saiu do sistema também.

            Foi desligada a linha de 600kV. Com isso, Itaipu saiu por completo, porque, quanto a essas linhas todas, Itaipu está em cima delas. A partir do momento em que todas essas linhas que despacham a energia de Itaipu foram desligadas - as três primeiras muito possivelmente em razão de uma descarga atmosférica, por intempéries que estariam acontecendo naquele momento na região do...

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) -...Paraná - e a linha de corrente contínua que saiu após as três linhas de corrente alternada de uma forma surpreendente. Essa linha não poderia sair.

            E aí eu explico o porquê: grandes usinas e grandes sistemas têm equipamentos de controle e proteção para quando acontecem ocorrências como essas, de um desligamento por descarga atmosférica, que é um desligamento comum, que existe em várias linhas; o incomum é Itaipu sair inteira; isso não.

            E aí, Sr. Presidente, eu levanto o primeiro questionamento. Nós temos um sistema de proteção chamado Erac. O próprio nome diz: esse Erac é um Esquema de Rejeição e Alívio de Carga. Por isso ele se chama Erac: Esquema de Rejeição e Alívio de Carga. Quando sai um bloco de potência muito grande numa usina, essa proteção dos sistemas tira parte das cargas para manter as usinas funcionando, para não dar, Senador Wellington Salgado, subtensão, como aconteceu ontem, quando saiu o sistema de corrente contínua, para que não dê subfrequência. Então, esses sistemas isolam o defeito e mantêm a usina em operação. Porque aí o retorno é muito rápido, porque as máquinas ficam operando. A usina não sai. Ontem, Itaipu desligou completamente. Por isso é que demorou.

            Então, a minha primeira preocupação é: qual é a razão de esse sistema de proteção não ter operado? O Esquema de Rejeição e Alívio de Carga...

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - ... o famoso Erac, por que não funcionou? (Fora do microfone.) Porque, se ele funcionasse, nós iríamos ter desligamento, mas rapidamente a energia voltaria, e Itaipu não desligaria as 20 máquinas. Essa é uma questão importante.

            A outra questão, Sr. Presidente: por que as térmicas não entraram rapidamente? Precisamos analisar. O Rio de Janeiro tem duas termoelétricas a gás de mais de mil megawatts cada uma. E aí, hoje, me explicaram: “Térmica demora muito para entrar em operação”. Térmica a vapor, turbina a vapor; turbina a gás, não! Turbina a gás é igual a turbina de avião: apertou o botão, liga o motor do avião e sincroniza rápido. Então, acho que esse é um debate importante.

            Explicaram-me o seguinte: “Demora demais. Então, tentamos restabelecer da maneira convencional, contando com as usinas que já estavam operando”. É uma estratégia adotada. Mas acho que isso precisa ser respondido também, porque há um parque termoelétrico que atende ao Brasil, e o consumidor paga por isso nas suas contas de luz. Então, esse é um aspecto também importante e digno de registro nessa avaliação.

            Não podemos, Sr. Presidente, simplificar a análise, dizer assim: “Houve uma descarga atmosférica, a linha saiu, mas tudo bem, não vai acontecer mais”. Eu acho que uma ocorrência nesse nível não deve acontecer mais. É muito raro acontecer uma coisa dessas. Esse é um ponto fora da curva, mas temos que fazer o diagnóstico claro do que aconteceu.

            Esse Erac, o Esquema de Rejeição e Alívio de Carga, não funcionou? Por que não funcionou? Porque, se ele tivesse operado...

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - ... a usina ficaria em cima, Sr. Presidente. (Fora do microfone.) Por que não despachamos as térmicas em algumas grandes capitais que já poderiam ser abastecidas naquele momento? Importante.

            E o terceiro ponto: como é que estava sendo despachado o sistema? Itaipu estava predominando sobre o sistema? O sistema tem uma lógica de despacho de valor econômico. Quanto mais baixo o valor econômico da água, priorizam-se as usinas que têm um valor da água menor. É assim que é feito. Será que, para aquele momento, era o melhor, principalmente um momento em que a demanda era acentuada? Eram 22h10min.

            Então, esses pontos, Sr. Presidente, precisamos esclarecer para a opinião pública de uma forma didática, clara. Não se pode minimizar. Acho que, com tudo que tem sido feito, com os investimentos que vão, mais do que nunca, ser concluídos ao longo dos próximos anos, não precisamos mitigar, esconder nada, porque o que aconteceu é um fato absolutamente excepcional, mas temos que saber o porquê de os mecanismos que o sistema dispõe não terem operado, porque nenhum desligamento é bom. E às vezes dizem assim: “Levou só quatro horas para voltar”. Não é assim. Quatro horas em uma cidade como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Campo Grande, a minha cidade, não é mole, não. É hora de escola, é hora que o pessoal do comércio está indo embora, é hora que o trabalhador está chegando em casa, e temos questões associadas à segurança pública.

            Nós precisamos fazer um diagnóstico claro do que efetivamente aconteceu, e não minimizar, porque, minimizando, nós estamos simplesmente deixando de esclarecer a população. E o Governo não tem nada a temer, porque foram feitas muitas coisas, muitos investimentos, e serão feitos novos investimentos, que vão dar uma confiabilidade cada vez maior para o nosso sistema, inclusive - como ouvi aqui em alguns discursos - incluindo outras modalidades de energia renovável, para que o Brasil consolide talvez a matriz energética mais limpa do mundo.

            Então, acho que nós precisamos enfrentar essa questão de frente e explicar para a população, até para tranquilizá-los de que esse fato foi absolutamente fora de qualquer expectativa e de qualquer projeto, por melhor que seja esse projeto. Infelizmente, existem situações onde os sistemas são falíveis. Foi o que aconteceu ontem.

            Agora, Sr. Presidente, para terminar - e fui homem de operação, portanto posso falar com absoluta tranquilidade e conhecimento de causa -, o que me chamou a atenção ontem foi a forma como as coisas foram comunicadas. No meu ponto de vista, absolutamente errada.

            Ontem, nas televisões, estava o assessor de comunicação de Itaipu, falando sobre sistema; depois, entrou dirigente da Aneel para falar sobre o blecaute; depois, entrou alguém de Furnas para falar também sobre o assunto. Um assunto dessa gravidade, somente uma pessoa tem que falar, uma instituição tem que falar: Operador Nacional do Sistema. Ninguém fala mais. Sem falar em alguns que foram dar pitaco como especialistas, e eu pensei que o pitaco era técnico, e o pitaco virou político.

(Interrupção do som.)

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Não entendi nada (Fora do microfone). Uma verdadeira Torre de Babel. Acho que isso também é mais uma lição: em uma ocorrência como essa, fala o Operador Nacional do Sistema, que é o responsável pelo despacho das usinas e dos sistemas de transmissão, incluindo Itaipu. Isso só trouxe o quê? Insegurança, informações equivocadas. E o pior, chegou um momento, a impressão que eu tinha é que havia uma disputa entre Furnas e Itaipu para dizer quem era o responsável. “Porque Itaipu não é o responsável, porque a culpa é de Furnas”. “Não, a culpa não é de Furnas; é Itaipu que é responsável”. Não é esse o problema. Nós estamos falando do sistema elétrico brasileiro e nós temos compromisso com a população.

            Então, no meu ponto de vista, esse foi um equívoco e acho que vai ser uma lição também. Como vai ser uma lição - eu não tenho dúvida nenhuma - o diagnóstico e as providências que o Governo vai tomar, ou que as empresas de energia vão tomar, ou que Furnas vai tomar, ou mesmo que Itaipu vai tomar para impedir que desligamentos como esses venham a ocorrer.

            Acho que esse é o quadro, temos que encarar isso com naturalidade. Nós sofremos muito, mas temos que deixar claro que o sistema elétrico brasileiro é muito bom. E esse fato acontecido ontem foi um fato episódico, excepcional, especial, dentro de uma circunstância absolutamente fora da probabilidade normal de ocorrência dentro dos parâmetros e características definidas para o projeto.

            Sr. Presidente, o Senador Valter Pereira e o Senador Wellington Salgado gostariam de fazer um aparte, se V. Exª permitir.

            O Sr. Valter Pereira (PMDB - MS) - Senador Delcídio Amaral, V. Exª falou com autoridade de quem foi de barrageiro a ministro. Eu sou testemunha do conhecimento que V. Exª tem porque convivi diretamente com V.Exª. Sei que em todos os setores da área de eletricidade V. Exª tem conhecimento. Por isso falou com autoridade e mostrou aqui, no final da sua fala, que não está aí para acobertar nada e, muito menos, para ganhar a mídia com esse pronunciamento. V. Exª fez um depoimento sincero. Concordo com V. Exª em gênero, número e grau. Acho que o sistema é confiável. O sistema foi construído ao longo da história do país e temos que reconhecer aqui que o regime militar que tanto abominamos, na área de infraestrutura, e especialmente da infraestrutura de energia elétrica, avançou, e muito, na concepção de um sistema extremamente confiável. Entendo que a comunicação foi malfeita, a atitude que tinha que se tomar não foi tomada por quem tinha competência para fazê-lo. Veja o que acontece, Senador Delcídio Amaral, quando ocorre um acidente com uma aeronave de grande porte como o Airbus, por exemplo. Quem é que fala naquele momento? É quem vai...

            (Interrupção do som.)

            O Sr. Valter Pereira(PMDB - MS) - É quem vai fazer a investigação, quem tem autoridade para fazer a investigação. Ele é que fala, ou seja, é o comandante da Força Aérea ou aquele que comanda o espaço aéreo brasileiro. Geralmente é uma pessoa que fala. E não existe açodamento para explicar o fenômeno, o fato, o acidente. Por quê? Porque se sabe de antemão que muitas razões podem estar escondidas e aparecer no decorrer da investigação. Então, confesso a V. Exª que achei desnecessária, imprópria e arriscada essa atitude de quem se propôs a explicar um fato cuja origem era desconhecida naquele momento e não se tinha a convicção de que a curto prazo poderia ser esclarecida. Acho que V. Exª tem razão. Quem poderia falar sobre o assunto seria o operador nacional. Esse poderia falar. E tinha de ser cauteloso e dizer o seguinte: é preciso primeiro investigar. Antes da investigação qualquer tipo de comentário, de análise, de suposição, seria prejudicial. Tem de se fazer investigação. Confesso a V. Exª que duvido até hoje - nesse ponto estava aqui discutindo com o Senador Wellington. V. Exª estava, como ouvimos lá no sertão, “rodeando o toco”, sem entrar na questão. Quando V. Exª entrou na questão foi sábio; entrou para dizer que a causa ainda não está devidamente avaliada, que é preciso investigar para se ter uma conclusão segura e usar aquilo como uma lição. Certo. Conforme o blog do Noblat, há uma suposição de que ataques de hackers já provocaram, aliás, suposição não, uma informação de que ataques de hackers já provocaram dois apagões no Brasil. Aí ele discorre sobre essa informação. Pode até ser. Por isso é que se faz necessária a investigação. É temerário qualquer tipo de precipitação, como aconteceu nesse episódio. As autoridades ligadas a essa área deviam necessariamente ter cautela para falar pouco e investigar muito. Só depois da investigação é que pode ser estabelecido um diagnóstico. Mas de qualquer forma concordo com V. Exª, foi um incidente do sistema. Ele tem medidas de contrapesos, medidas de segurança que preveem sejam desarmadas determinadas máquinas, determinadas linhas e isso tudo tem que ser sopesado. Então, o sistema até hoje, veja quantos anos tem o sistema e quantos apagões ocorreram no País...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Valter Pereira (PMDB - MS) - E do tamanho do que ocorreu ontem eu não conheço nenhum. Então, acho que não é condenando o sistema, não é criticando o sistema, não é propondo soluções exóticas que nós vamos enfrentar essa questão; é apurando, investigando e colhendo as lições, como fazem os técnicos, os peritos, as autoridades da área da aeronáutica. Quantas mudanças não foram introduzidas nas aeronaves a partir das investigações que descobriram defeitos que estavam embutidos dentro de uma máquina? Por que não o sistema elétrico adotar a mesma cautela, o mesmo procedimento e caminhar na mesma linha? Neste momento aqui...

(Interrupção do som.)

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

            O Sr. Valter Pereira (PMDB - MS) - ...numa circunstância como essa, não tem que se utilizar de forma política um assunto que tem tamanha gravidade. Parabéns a V. Exª pelo pronunciamento que faz!

            O SR. DELCIDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Muito obrigado, Senador Valter Pereira.

            Meu caro Senador Wellington Salgado.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Senador Delcídio, acho que está fazendo, neste momento, 24 horas que ocorreu o apagão. São 22 horas e 07 minutos.

            O SR. DELCIDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - É isso mesmo.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - E quando vi que V. Exª iria fazer um pronunciamento sobre o apagão, eu disse: eu vou ouvir o Senador Delcídio. Aqui, no Senado, há especialistas em várias áreas: o Senador Demóstenes, na legislação; a Senadora Marina, na questão ambiental; e V. Exª, na área de energia. Isso é o que eu escuto sempre aqui. Não é porque estou falando para todo o Brasil ou porque V. Exª está aqui. V. Exª fez todo o caminho, de engenheiro a Ministro, e tem conhecimento, tem trânsito nessa área.

(Interrupção do som.)

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Primeira coisa, acho que temos que mudar esse Erac, porque Erac é quase Heráclito, que é oposição. Quando disse que o sistema tinha sido o Erac, pensei: o Heráclito tem a ver com isso? Não, é Erac, o sistema.

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Essa expressão é normalmente utilizada, Senador Wellington, no setor elétrico brasileiro em todas as regiões. É o Erac - Esquema de Rejeição e Alívio de Carga.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Mas quando V. Exª disse Erac, achei que era Heráclito. Eu disse: foi coisa da Oposição, mas não foi; foi o Erac. Mas, veja bem, Senador Delcídio. V. Exª, senti a dificuldade... Aí é que é interessante. Fiquei aqui para ouvir a explicação de um técnico, mas V. Exª também é um político. Então, V. Exª tinha que, primeiro, ver a questão política para, depois, explicar o técnico. No final, explicou corretamente o que aconteceu. Aconteceu algo que não está previsto. Temos um sistema de segurança muito bom.

(Interrupção do som.)

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - O nosso sistema de segurança é um dos melhores do mundo e não podia deixar acontecer isso, mas aconteceu. Por que aconteceu? Agora vamos ter que averiguar para que não volte a acontecer.

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - É claro. 

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Agora, eu queria fazer... E V. Exª disse bem: quem tinha que falar era o operador do sistema.

            O SR. DELCÍDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Operador nacional.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - As outras pessoas que foram chamadas tinham que dizer: “Isso não é comigo. É com o operador. Um momento, vou me informar para saber o que falar.” Mas quando vê a televisão todo mundo quer falar. E fez essa confusão. Acompanhei ontem. Eu estava em Uberlândia. Tenho filhos no Rio. Eu estava acompanhando porque estava preocupado. Um apagão geral, o que pode acontecer? Assaltar. Tem filho na rua, não tem filho na rua. Como é isso? Como é que volta para casa? E eu, preocupado, ao telefone ligando. Então veja bem... E isso ouvindo as entrevistas das pessoas. E ninguém falava nada, ninguém sabia explicar. Era só falar: “Não, isso é com o operador. Vamos ouvir o que ele tem a dizer”. Então, há que se entender isso. No momento técnico, quem tem de falar é o técnico. Político é político, técnico é técnico. Não detemos o conhecimento de tudo. Por isso eu fiquei até agora para ouvir V. Exª. V. Exª consegue ser técnico e político nesta área. E agora eu entendi o que aconteceu. Foi algo difícil de acontecer, e temos proteção para isso. Porém, é como dizemos em estatística: saiu da curva.

            O SR. DELCIDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Está fora do desvio padrão.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Desvio padrão até grande demais. Não seria possível nessa curva de maneira alguma em uma distribuição normal, digamos assim, para você que é engenheiro. Então, está explicado. Espero que o Brasil tenha entendido, porque eu entendi. V. Exª, primeiro, fez todo um discurso político, mas depois foi direto ao assunto e explicou o que aconteceu. Essa era a explicação que tínhamos de ter tido ontem, assim como V. Exª falou hoje. Aí, estaria resolvido o problema, pois isso dá tranqüilidade. Aconteceu, é possível acontecer, eventualmente pode acontecer. Agora, o povo tem...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) -...que ter segurança de que o nosso sistema é bom. V. Exª que entende disse: “O nosso sistema é bom, é difícil isso acontecer. Talvez não volte a acontecer, mas vamos ver por que aconteceu”. Foi ótima a explicação de V. Exª. Eu vou hoje voltar para o mesmo lugar, ligar para explicar para os meus parentes que me cobram também, para meus filhos, que estavam na hora. E também ao pessoal da TV Senado, que está nos assistindo. O Senador Mão Santa está presidindo e V. Exª explicando. É uma pena que seja agora, no final. Mas a TV Senado repete, e muita gente vai ver a explicação. Se fosse mais cedo... Acho que a audiência agora é até maior na TV. Muito obrigado pela explicação, técnica, de V. Exª sobre o assunto.

            O SR. DELCIDIO AMARAL (Bloco/PT - MS) - Muito obrigado, Senador Wellington pela palavras. Senador Valter Pereira... Só para concluir, Sr. Presidente, na linha do que o Senador Valter Pereira e o Senador Wellington disseram: agora é trabalho de engenheiro, de técnico; é ver os registros dos oscilogramas, mostrando como é que a tensão variou, como é que a corrente se comportou, quais as proteções que operaram; pegar o seqüencial de eventos que está no computador, que vai mostrar claramente o que desligou em primeiro, em segundo, em terceiro, em quarto lugar, o que aconteceu; e, aí sim, com todas essas informações e com a competência dos dirigentes do setor elétrico, explicar para a Nação: olha, aconteceu isso e as medidas tomadas são estas, estas, estas, e vocês fiquem tranqüilos, porque o nosso sistema é um excelente sistema de geração, transmissão, e distribuição. Acho que esse é o próximo desafio. Serenidade, equilíbrio, e, sem medo de olhar efetivamente o que aconteceu, tomar as medidas devidas e reconhecer.

            Muitas coisas foram feitas e continuarão sendo feitas para que o nosso setor elétrico continue sendo uma referência, não só para o nosso País, orgulho dos brasileiros, como a Petrobras é orgulho dos brasileiros, mas também um sistema que é referência no mundo.

            Muito obrigado, Sr. Presidente, pela tolerância, paciência e pelo Senadores que me ouviram até agora e os meus companheiros, conterrâneos corumbaenses aqui presentes.

            Muito obrigado.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 12/11/2009 - Página 58343