Discurso durante a 241ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Reflexões acerca da reunião da COP-15, em Copenhague, alertando para os problemas ambientais verificados no Piauí, como a diminuição da vazante dos rios Parnaíba e Gurguéia, e a ameaça à Serra Vermelha por carvoeiros. Críticas ao Governador Wellington Dias por S.Exa. não se empenhar para proteger o meio ambiente do Estado do Piauí.

Autor
Heráclito Fortes (DEM - Democratas/PI)
Nome completo: Heráclito de Sousa Fortes
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA DO MEIO AMBIENTE. ATUAÇÃO PARLAMENTAR. ESTADO DO PIAUI (PI), GOVERNO ESTADUAL.:
  • Reflexões acerca da reunião da COP-15, em Copenhague, alertando para os problemas ambientais verificados no Piauí, como a diminuição da vazante dos rios Parnaíba e Gurguéia, e a ameaça à Serra Vermelha por carvoeiros. Críticas ao Governador Wellington Dias por S.Exa. não se empenhar para proteger o meio ambiente do Estado do Piauí.
Publicação
Publicação no DSF de 09/12/2009 - Página 65698
Assunto
Outros > POLITICA DO MEIO AMBIENTE. ATUAÇÃO PARLAMENTAR. ESTADO DO PIAUI (PI), GOVERNO ESTADUAL.
Indexação
  • SOLIDARIEDADE, DISCURSO, WELLINGTON SALGADO DE OLIVEIRA, SENADOR, COMENTARIO, IMPORTANCIA, CONFERENCIA INTERNACIONAL, ALTERAÇÃO, CLIMA, REALIZAÇÃO, PAIS ESTRANGEIRO, DINAMARCA.
  • REGISTRO, OCORRENCIA, ESTADO DO PIAUI (PI), DESTRUIÇÃO, RIO, DETERIORAÇÃO, TERRAS, PRODUÇÃO, CARVÃO, CRITICA, FALTA, EMPENHO, GOVERNADOR, PRESERVAÇÃO, MEIO AMBIENTE, REGIÃO, EXCESSO, REALIZAÇÃO, VIAGEM, CONTINENTE, EUROPA, AUSENCIA, PARTICIPAÇÃO, ENCONTRO, APRESENTAÇÃO, ESPECIALISTA, PROJETO, CRIAÇÃO, HOSPITAL.
  • QUESTIONAMENTO, AUSENCIA, GOVERNADOR, ESTADO DO PIAUI (PI), CONFERENCIA INTERNACIONAL, OBJETIVO, REIVINDICAÇÃO, CREDITOS, GAS CARBONICO, PARTICIPAÇÃO, DEBATE, POLITICA, MELHORIA, SITUAÇÃO, MEIO AMBIENTE.
  • REGISTRO, PARTICIPAÇÃO, ORADOR, SOLENIDADE, MUNICIPIO, LUZILANDIA (PI), ESTADO DO PIAUI (PI), ENTREGA, EMPRESARIO, TITULO, CIDADÃO, REGIÃO, COMENTARIO, PRESENÇA, SACERDOTE.
  • COMENTARIO, PARTICIPAÇÃO, MISSÃO, COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES (CRE), PAIS ESTRANGEIRO, SURINAME, GUIANA FRANCESA.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, em primeiro lugar, quero registrar - e que fique consignado nos Anais desta Casa - essa revelação poética agora anunciada pelo Senador Wellington Salgado, que em bom momento traz à Casa versos do insubstituível Cazuza. Acho que V. Exª foi muito feliz em trazê-los. É um tema de momento e interpretou de maneira pedagógica, o que deve orgulhar a senhora sua mãe, que lhe está assistindo, frases do texto do Cazuza, que, para a nossa geração, é um ícone, uma referência e é, acima de tudo, um rebelde que, através da melodia e da letra, conseguiu, no seu pouco tempo de vida, trazer mensagens profundas para a nossa geração.

            Mas, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, eu quero falar hoje aqui sobre talvez o mais marcante acontecimento deste ano no mundo, que é o encontro de Copenhague. Aliás, quero, por dever de justiça, dizer, Senador Botelho, que Copenhague hoje sedia esse encontro mundial porque aqui, neste País, no nosso Brasil, no ano de 1992, quando era Presidente o nosso hoje colega Fernando Collor, realizou-se no Rio de Janeiro a Rio-92, que plantou a primeira semente e permitiu que o Planeta voltasse os seus olhos para o perigo do desrespeito do homem para com a natureza. Evidentemente que, de lá para cá, nós vimos tendo encontros menores. E o encontro de Copenhague marcará exatamente para as nações desenvolvidas, as nações em desenvolvimento e, acima de tudo, as nações emissoras excessivamente de gases poluentes e que estão contribuindo para o aquecimento do Planeta, que começa a ter números alarmantes.

            Senador Mão Santa, o que me traz a falar deste tema é uma preocupação que tenho com nosso Estado, o Estado do Piauí. Nós temos as nascentes do nosso rio Parnaíba, que estão morrendo.

            Nós temos o nosso rio Gurgueia, fértil, que enfrenta problemas derivados do descaso do homem. Mas nós temos, também, e devemos nos preocupar, de maneira muito especial, com a situação provocada pela desertificação na região de Giboés.

            Temos, Sr. Presidente, outro fato da maior gravidade. É o uso predatório de áreas no Estado do Piauí. Há, por exemplo, uma questão polêmica. Sou sincero ao dizer que tenho minhas dúvidas sobre que partido tomar sobre a questão da Serra Vermelha. É um caso que precisa ser estudado, discutido, analisado e debatido, porque travou-se ali uma queda de braços entre os empresários, detentores de áreas de terra e, do outro, os ecologistas.

            O que estranho, Senador Wellington Salgado, é que, com essa série de temas que envolvem o nosso Estado do Piauí, o nosso Governador, que gosta de viajar, de passear pelo mundo, não tenha dado a mínima pelota para o encontro de Copenhague. Não se aceita, Senador Mão Santa, a omissão do Governador do Piauí em relação aos assuntos de Copenhague. Ele agora fez uma viagem - a quarta ou quinta que faz como Governador, sempre com comitivas grandiosas. E eu já procurei saber de objetivo, vou falar só da última viagem, o que ele fez na Espanha, o que ele fez na Inglaterra e o que ele fez na Grécia.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) - A Alemanha também.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Espanha, não; Alemanha. Perdão. A Espanha foi da outra vez.

            O que de objetivo para o Piauí foi feito? Senador Mão Santa, essas viagens são caras e as comitivas são grandes. O Governador achar que nós, piauienses, vamos acreditar que ele está fazendo um grande intercâmbio turístico envolvendo o nosso Estado e a Grécia? A balela desse acordo com os hospitais alemães! Está faltando apenas algum assessor dele, aloprado, anunciar que ele teve um encontro com a rainha da Inglaterra e Sua Alteza Real prometeu uma visita em breve para fazer investimentos no Piauí. Só falta isso!

            Agora, um assunto sério, um assunto importante para o nosso Estado, o Governador não colocou como prioridade. Hoje eu vi até uma matéria no jornal, em que o Sr. Dalton Macambira disse que vai a Copenhague. Não subestimo a presença do Sr. Dalton. Acho até que, como ouvinte, é uma coisa positiva, mas não é disso de que estamos precisando. Nós estamos precisando é do Governador do Estado para ir para lá fazer as reivindicações dos créditos de carbono, fazer as reivindicações de que nós, piauienses, estamos precisando porque nós somos um Estado dependente dos resultados de Copenhague.

            Ou será que ele está envergonhado ou inibido com a posição de alguns dos seus colaboradores de governo, nesse episódio da Serra Vermelha, no qual alguns dizem que ela foi transformada numa grande carvoaria, mas os seus correligionários passeiam para cima e para baixo usando a infraestrutura daquele empreendimento?

            O Governador Wellington Dias, que hoje está vivendo aquele drama do ser ou não ser candidato, tem de se lembrar que alguma coisa concreta ele deve deixar para o Estado, fora as toneladas de promessas feitas ao longo desses oito anos. A presença dele em Copenhague, Senador Mão Santa, ao lado do Presidente da República, dos Ministros de Estado, seria de suma importância. Vários Governadores estão com sua presença assegurada. O Governador do Amazonas vai participar de painel, o Governador de Roraima, o Governador - salvo engano - do Amapá... Senador Augusto Botelho, o Governador de Roraima assegurou presença em Copenhague ou está mandando uma comitiva? Agradeceria V. Exª esse esclarecimento.

            O Sr. Augusto Botelho (Bloco/PT - RR) - Senador, havia comentários de que iriam pessoas lá de Roraima para Copenhague, mas não posso afirmar isso, não.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Eu li que o Governador iria. Mas não podemos, Senador Botelho, fazer comparações, porque, no Estado do Piauí, nós temos cinco situações que dependem profundamente do que está sendo discutido e que será discutido nesses dias todos em Copenhague.

            Portanto, quero fazer aqui, Senador Mão Santa, o registro do meu desapontamento com a omissão do Governador do Piauí nesse encontro, que seria um encontro objetivo, diferentemente dessas viagens... E hoje no Piauí se discute, Senador Mão Santa, sobre o que ele foi fazer nessa última viagem. Quanto gastou, como gastou, por que gastou? Porque os resultados não vieram.

            Naquela em que ele foi para a Espanha, ele prometeu a construção, no Piauí, de quatro campos de golfe que seriam os maiores do mundo, os mais modernos, na sua região litorânea de Parnaíba e Luís Correia. Nós não vimos ainda nem um campo para bola de gude, para jogar peteca.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) - Senador Heráclito Fortes, eu ouvi uma entrevista dele, direto da Alemanha, no hospital, vestido de branco, com um secretário que não é médico, esse tipo de coisa. Então ele dizia que ia fazer esse convênio e que iria levar médico alemão para Teresina. Os médicos alemães iam consultar o povo.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Pois não.

            Quanto ganha um médico do Piauí?

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) - Ganha R$1.010,00, e eles iam fazer greve. Já ouvi um pronunciamento sobre isso.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM PI) - Quanto ganha um médico na Alemanha? Três mil e quinhentos euros, no mínimo.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) - E o pior é como é que o alemão iria consultar lá no Getúlio Vargas. Ia passar dez anos para aprender português. Ou ia ter um brasileiro...

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Na mímica.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) - Então, isso daí eu vi. Eu ouvi ele, na televisão, dizer que ia levar médico para lá, e os médicos estavam fazendo greve porque o Estado pagava R$1.010,00 de salário.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Enquanto isso, Senador Mão Santa, no ano passado, esteve no Piauí o Dr. Silvano Raia, que é um especialista de reconhecimento internacional com um projeto de criação de um hospital na sua especialidade, que é fígado. Ele esteve lá, fez palestra para mostrar como era esse projeto, um projeto de integração nacional. O Governador não compareceu, não mandou um representante à altura, não deu a menor bola para o projeto. Por que o Governador não se preocupa, por exemplo, em levar uma unidade do Sarah Kubitschek para Teresina?

            São essas coisas que a gente não consegue entender. E aí vem a mentira: “Nós vamos fechar um convênio de 20 milhões...” Ora, a emenda da construção do hospital de Picos é do Deputado José Maia Filho, o Mainha. Para que enganar os piauienses dando a entender que foi o esforço dessa viagem e que tem algo a ver com a Alemanha? Não tem a ver com a Alemanha. Esse é um recurso oriundo de uma emenda do Deputado Mainha e que tem como coordenador setorial da área de saúde o Senador João Vicente Claudino, que o ajudou. São coisas que não podemos aceitar.

            Aliás, falando em Mainha e João Vicente, quero registrar aqui, com muita felicidade, que, no final de semana, no sábado, eu estive em Luzilândia, onde presenciei o recebimento de título de cidadania daquele Município, Município a que quero muito bem, pelo empresário João Claudino, pelo João Vicente, nosso colega Senador, e pelo Deputado Mainha.

            Depois, Mão Santa, nós tivemos um show, em praça pública, com a figura extraordinária do nosso Padre Zezinho, um homem que me impressionou pela maneira como conduz as multidões, como conta a sua história de vida, comovente. Ele é um verdadeiro mestre na arte de conduzir multidões cantando suas canções e estimulando o cidadão a crer cada vez mais em Deus.

            Quero fazer este registro, mas quero aproveitar também para dar um abraço nos brasileiros do Suriname e da Guiana. Em uma missão da Comissão de Relações Exteriores, estivemos em Caiena e em Paramaribo, há 15 dias. Encontramos lá inclusive piauienses, Senador Mão Santa. Encontramos uma senhora de Novo Oriente vivendo lá há algum tempo. Encontrei vários brasileiros, nordestinos, trabalhando lá, alguns no garimpo, outros em outras situações, encontramos conterrâneos do Senador Botelho, a quem passo a palavra, já que me pede um aparte. Enfim, quero dizer que foi altamente positiva essa viagem.

            Pois não, Senador.

            O Sr. Augusto Botelho (Bloco/PT - RR) - Eu liguei para o assessor de imprensa do Governador de Roraima e ele me informou que S. Exª sairá no dia 12 para Copenhague. Ele e todos os Governadores da Amazônia irão.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - É isso que eu digo: todos vão, mas o Governador do Piauí não vai. O rio Parnaíba morrendo em suas nascentes, o rio Gurguéia, o lençol freático de Cristino Castro padecendo, a desertificação da região de Jurués, o caso de Serra Vermelha, e o Governador não vai em uma missão importante para o Piauí, importante o Brasil, importante para a humanidade.

            Agradeço, Senador Botelho, por essa informação que V. Exª nos traz, que é muito importante porque é o testemunho de um Senador respeitado, de um Senador querido do Estado de Roraima, que mostra que os governantes interessados em um problema dessa natureza, dessa gravidade, que têm a oportunidade de discuti-lo em Copenhague irão todos, inclusive sacrificando-se, pois é um período em que a região está muito fria. E o nosso Governador fica contando lorotas sobre a sua viagem à Grécia, de onde tem fotografia chupando picolé, mas nenhuma tratando dos interesses do Piauí. É lamentável, Senador Mão Santa. Se fosse o Deoclécio Dantas que estivesse aqui na tribuna, ele diria “é uma lástima!”

            Muito obrigado!


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/12/2009 - Página 65698