Discurso durante a 95ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Considerações sobre o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2010, com destaque para o papel desempenhado pelo agronegócio paranaense. (como Líder)

Autor
Osmar Dias (PDT - Partido Democrático Trabalhista/PR)
Nome completo: Osmar Fernandes Dias
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ECONOMIA NACIONAL. POLITICA AGRICOLA.:
  • Considerações sobre o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2010, com destaque para o papel desempenhado pelo agronegócio paranaense. (como Líder)
Publicação
Publicação no DSF de 10/06/2010 - Página 27673
Assunto
Outros > ECONOMIA NACIONAL. POLITICA AGRICOLA.
Indexação
  • REGISTRO, ACELERAÇÃO, CRESCIMENTO ECONOMICO, BRASIL, IMPORTANCIA, CRIAÇÃO, DIVERSIDADE, EMPREGO, NECESSIDADE, RECONHECIMENTO, CONTRIBUIÇÃO, AGRICULTURA, ESPECIFICAÇÃO, ESTADO DO PARANA (PR), CRESCIMENTO, SUPERIORIDADE, MEDIA, ESTADOS.
  • IMPORTANCIA, AGRICULTURA, ECONOMIA FAMILIAR, ESTADO DO PARANA (PR), GARANTIA, SUPERIORIDADE, QUANTIDADE, EMPREGO, REGISTRO, CONTRIBUIÇÃO, INDUSTRIA AUTOMOBILISTICA, CRESCIMENTO ECONOMICO, DEFESA, ORADOR, DESCENTRALIZAÇÃO, INVESTIMENTO, VALORIZAÇÃO, SETOR, TURISMO, COMBATE, DESIGUALDADE SOCIAL.

                          SENADO FEDERAL SF -

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            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. OSMAR DIAS (PDT - PR. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, eu conversava há pouco com o Senador Aloizio Mercadante sobre o crescimento obtido pelo Brasil no primeiro trimestre de 2010 em relação ao primeiro trimestre de 2009.

            Há aqueles que dizem: “Ah, mas o crescimento de 2009 não pode ser considerado porque o mundo estava vivendo uma crise e o Brasil vivia junto esta crise. Então essa recuperação da economia já era esperada”. A recuperação da economia sim, mas, no nível alcançado, não! Creio que os mais otimistas colocavam um crescimento em torno de 5%, 6%, 5,5%, era uma média para o trimestre.

            E há fatores também que podem ter impulsionado a economia no primeiro trimestre e que devem ser considerados. Mas, mesmo assim, a gente tem que festejar este crescimento da economia, porque há um cálculo segundo o qual, tecnicamente, para se alcançar a geração de empregos para os jovens, criar oportunidades para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho, só para esse objetivo, o País tem que crescer 3% ao ano. É mais ou menos assim: para cada ponto percentual crescido 400 mil, 450 mil empregos.

            Então, Senador César Borges, se o Brasil cresce num trimestre 9%, é evidente que não vai manter essa média até o final do ano, porque aí seria praticamente um crescimento igual ao da China. E talvez isso até pudesse trazer problemas para o País, um crescimento tão acelerado em tão curto espaço de tempo. Porque nós poderíamos ter mais adiante uma queda, e aí aquilo que se chama de vôo de galinha, que poderia ocorrer com a economia brasileira, e ocasionar problemas de desemprego mais adiante. O bom é o crescimento sustentado, é o que se busca.

            Pois bem, se, no ano passado, o Brasil teve problemas e ficamos muito próximos de zero de crescimento, inauguramos este ano com esse crescimento de 9%. E, no meu Estado, eu posso afirmar, com toda certeza: a agricultura, a agroindústria, a agricultura familiar, o agronegócio, esse segmento que junta tudo isso, foi o grande responsável pelo crescimento da economia paranaense que deve superar o crescimento da economia nacional. No Paraná, nós poderemos ter, na média anual, um crescimento superior à média anual alcançada pelo Brasil, exatamente pelo agronegócio.

            E aí eu volto aqui a chamar a atenção daqueles que costumeiramente, Senador Augusto Botelho, falam assim: mas tem esta questão ideológica do Osmar porque ele defende o agronegócio. Eu antes dizia que era ignorância as pessoas dizerem isso a meu respeito, mas agora eu digo que é um elogio para mim, deixou de ser ignorância porque, num Estado onde a economia vai crescer mais que a nacional, que vai crescer, segundo todos os técnicos e especialistas, acima de 6% no ano, e no Paraná vai ficar acima disso porque o agronegócio vai impulsionar a economia, eu tenho que dizer que é um orgulho muito grande eu ser representante do agronegócio paranaense brasileiro, ser um produtor rural, filho de produtor rural, de uma família de produtores rurais. Isso me torna, no Estado do Paraná, alguém muito sintonizado com a vocação daquele Estado.

            O meu Estado tem uma vocação determinante para a agricultura, para a agricultura familiar especialmente, porque nós temos cerca de 350 mil produtores familiares gerando um milhão e cem mil empregos. Isso é um tesouro que a gente tem de preservar e, para isso, a gente tem de ter projeto, para isso a gente tem de ter programa, para isso a gente tem de ter amor à causa. Não adianta fazer como aqueles que, à época de eleição, vão dizer que a agricultura é importante para o Estado. Tem de fazer disso uma vocação, tem de fazer disso uma doutrina, tem de, todos os dias, levantar de manhã e agradecer os produtores rurais que estão lá no campo, plantando, produzindo, colhendo e, sobretudo, prestar homenagens a quem defende os produtores rurais e não desferir agressões, como muitas vezes querem fazer com quem quer defender o produtor rural.

            Senador César Borges, V. Exª foi Governador da Bahia, um Estado que teve um crescimento, nos últimos anos, extraordinário na agricultura, abrindo novas fronteiras. Muitos paranaenses estão, hoje, na Bahia, produzindo, porque os paranaenses estão espalhados pelo Brasil inteiro, ajudando a transformar a produção nacional, levando tecnologia, ajudando, junto com os baianos, junto com todos aqueles que vivem em seus Estados, a fazer do agronegócio brasileiro essa grande indústria de produção de alimentos, alimentos que são transformados, que são exportados, que geram divisas, que geram empregos.

            Mas, no meu Estado, vamos deixar de lado essa ignorância, essa verdadeira má-fé daqueles que falam: “Nós temos de separar aqueles que defendem o agronegócio, porque eles são contra o Estado.” Contra o Estado são aqueles que são contra o agronegócio, porque é dele que a gente tira o desenvolvimento do Paraná, é dele que a gente tira o desenvolvimento do Brasil.

            Temos de agradecer outros segmentos também, que, na economia, estão permitindo esse crescimento. Lá no Paraná, 12% do que é exportado vem da indústria automobilística, que é importante e que está ajudando o Estado do Paraná. São serviços que têm crescido muito. Agora, o Paraná precisa, verdadeiramente, de um projeto que possa tirar proveito dessas vocações que o Estado tem e, sobretudo, desse grande potencial que nós temos na agricultura, no turismo - que é muito pouco explorado ainda -, na área de serviços, para que a gente possa ter um Estado realmente de vanguarda no País: moderno, produtivo, mas com distribuição de renda e distribuição das riquezas para todas...

(Interrupção do som.)

            O SR. OSMAR DIAS (PDT - PR) - Vou encerrar, Presidente, vou encerrar. Para todas as regiões de forma igual, porque o Paraná ainda carece de política que descentralize os investimentos. O Paraná, se a gente pegar, concentra, em uma faixa muito estreita, 75% dos investimentos. Com isso, há concentração de renda, há desigualdades sociais e há, sobretudo, uma péssima distribuição da riqueza entre os Municípios. Aí se explica porque o Paraná, que é um Estado considerado rico, desenvolvido, tem 280 Municípios, ou seja, praticamente 70% de nossos Municípios, no Paraná, com IDH abaixo da média nacional. Parece mentira, mas não é. Isso está lá na estatística do próprio Ipardes, que é o instituto de pesquisas do Estado.

            Encerro, Sr. Presidente, dizendo: muito bom que o Brasil tenha crescido nesse ritmo. Muito bom será se o Brasil continuar crescendo e fechar o ano em torno de 7%. Teremos, aí, melhorado em muito a nossa economia e proporcionado oportunidade para muitos trabalhadores, principalmente para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho neste momento.

            Obrigado, Presidente Sarney.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/06/2010 - Página 27673