Discurso durante a 99ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Críticas à maneira de o Presidente Lula conduzir a candidatura da ex-ministra Dilma Roussef à presidência da República. Considerações acerca das supostas articulações políticas da base do Governo, relativamente à disputa pelas vagas ao Senado, nas eleições deste ano, pelo Estado do Piauí.

Autor
Heráclito Fortes (DEM - Democratas/PI)
Nome completo: Heráclito de Sousa Fortes
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ELEIÇÕES. POLITICA ENERGETICA.:
  • Críticas à maneira de o Presidente Lula conduzir a candidatura da ex-ministra Dilma Roussef à presidência da República. Considerações acerca das supostas articulações políticas da base do Governo, relativamente à disputa pelas vagas ao Senado, nas eleições deste ano, pelo Estado do Piauí.
Aparteantes
José Agripino.
Publicação
Publicação no DSF de 16/06/2010 - Página 29234
Assunto
Outros > ELEIÇÕES. POLITICA ENERGETICA.
Indexação
  • REGISTRO, DEFINIÇÃO, PARTIDO POLITICO, CANDIDATURA, PRESIDENCIA DA REPUBLICA.
  • CRITICA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, CONDUTA, CAMPANHA ELEITORAL, EXCESSO, DEPENDENCIA, DILMA ROUSSEFF, CANDIDATO, SEMELHANÇA, TENTATIVA, TERCEIRIZAÇÃO, MANDATO.
  • DEFESA, PREPARO, COMPETENCIA, CONHECIMENTO, PAIS, JOSE SERRA, CANDIDATO, PRESIDENCIA DA REPUBLICA.
  • SOLIDARIEDADE, PEDRO SIMON, SENADOR, AUTOR, EMENDA, CONCILIAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, ROYALTIES, PETROLEO, TOTAL, ESTADOS, VITIMA, CRITICA, GOVERNO.
  • CRITICA, GOVERNO FEDERAL, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), INTERFERENCIA, CANDIDATURA, AMBITO ESTADUAL, TENTATIVA, PREJUIZO, ADVERSARIO, DETALHAMENTO, SITUAÇÃO, ESTADO DO PIAUI (PI), PERDA, REPUTAÇÃO, CLASSE POLITICA, ACORDO, APRESENTAÇÃO, CANDIDATO, SENADO, OPOSIÇÃO, MÃO SANTA, SENADOR, CONFIANÇA, ORADOR, DECISÃO, ELEITOR.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI. Pela Liderança. Sem revisão do orador.) - Sr Presidente, Srªs e Srs. Senadores, nós estamos iniciando uma semana, Senador José Agripino, com as candidaturas à Presidência da República já postas. Nós não temos mais pré-candidatos, mas candidatos. E começamos a ver como é que essa campanha vai se desenvolver não só nacionalmente, mas também nos Estados.

            Eu hoje, Senador José Agripino, acho que o Presidente Lula teria sido muito mais prático se ele próprio tivesse comandado a campanha pelo seu terceiro mandato - que passaria, obrigatoriamente, por estas duas Casas do Congresso -, em vez dessa tentativa desesperada de terceirizar um terceiro mandato. Essa é uma situação que não pega bem, porque você está naquela briga que é uma verdadeira disputa de vaidades. Nem a candidata vai sozinha, porque tem que fixar nos seus pronunciamentos a fidelidade e a continuidade que quer dar ao Projeto Lula, nem o Lula permite isso.

            Se você examinar como essa campanha vem se travando, Senador Mozarildo, acho que o Presidente Lula teria sido muito mais sensato se tivesse bancado o desejo de alguns aloprados e postulado o terceiro mandato, porque o que nós estamos vendo no País não é bom: uma candidata que não tem voo próprio, que foge aos debates e que se atrela, única e exclusivamente, ao prestígio adquirido pelo Presidente da República. O Brasil não vai escolher alguém para ser manietado por quem deixou a vida pública ao final de oito anos de mandato. Isso não faz parte da nossa história. O Brasil precisa de uma pessoa com independência, com competência e, acima de tudo, que conheça o nosso País. E está demonstrado sobejamente que o melhor nome para isso, não tenho nenhuma dúvida, é o de José Serra.

            Senador Agripino, com o maior prazer.

            O Sr. José Agripino (DEM - RN) - Senador Heráclito Fortes, V. Exª está abordando uma questão... Eu estive, no sábado, na convenção do PSDB que homologou a candidatura do ex-Governador José Serra à Presidência. É o nosso candidato. Muita gente tem perguntado sobre a minha opinião, a opinião do meu Partido, a convicção que nós temos ou não temos com relação à vitória do candidato José Serra, pelas pesquisas, que são preliminares, pelo empate que está posto no primeiro turno e pelo empate que está colocado no segundo turno. Eu tenho dito, com muita franqueza, até depois do discurso que ouvi de Serra na convenção, dos comentários, das conversas que tenho pessoalmente com ele, que estou muito tranquilo com relação a essa campanha eleitoral, porque essa vai ser uma disputa entre talentos. No momento, o que você tem é a candidatura de Serra, a candidatura de Marina, a candidatura de outros candidatos de Partidos menores e a candidata de Lula. A Ministra Dilma, de quem não quero negar a competência profissional, é a candidata de Lula, tem se apresentado como tal e, amparada na popularidade do Presidente Lula, tem galgado uma posição crescente nas pesquisas. Mas vai ocorrer o momento da campanha, como sempre, em que, pelo rádio e pela televisão, o eleitor do Brasil - de Roraima, de Rondônia, do seu Piauí, do meu Rio Grande do Norte - vai ficar olhando quem é cada candidato. É o tempo dos segundos fora, aquela história da luta de boxe. Segundos fora, os apoiadores saem, os torcedores saem e ficam somente os protagonistas na disputa. Nesse momento, o eleitor vai ver quem é Serra, qual é a história de Serra, o que ele já foi, qual é a capacidade de liderar que ele tem, quais são os pontos fracos, os pontos fortes de um e de outro, quem é a Ministra Dilma, quem é a Marina, quem é “a”, quem é “b”, individualmente, porque a pessoa vai votar no seu futuro, vai votar no seu candidato a Presidente. O candidato a Presidente não será mais Lula. Lula, que tem uma enorme capacidade de liderança sobre o seu Partido, o PT, e sobre os Partidos da base aliada, vai sair de cena. A Ministra Dilma comanda o PT? Comanda o PMDB? Não! Ela vai andar a reboque desses Partidos, que vão exercer uma fortíssima influência sobre ela, se ela for Presidente, diferentemente de Serra, que comanda os partidos, que tem liderança, tem história de vida política, de embates eleitorais e sabe como conduzir um país, com as suas forças políticas. Isso vai ficar nítido. É diferente uma pessoa ser competente para gerir um Ministério, para tocar um programa, e a pessoa ser líder de um país. A liderança é a liderança administrativa e política. Você faz um governo com ideias e com suporte político-partidário.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Já está aí o Presidente do PMDB, candidato a Vice, Michel Temer, declarando, alto e bom som, que o Partido terá uma participação fundamental, primordial, no Governo. Já estão...

            O Sr. José Agripino (DEM - RN) - Já começando a falar pelo próprio Governo.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Pois é. O loteamento antecipado da...

            O Sr. José Agripino (DEM - RN) - Ninguém ouve falar disso com relação ao Presidente Lula. Ninguém. Agora, como não é mais Lula, aí os Partidos da base vão começar a exercer uma influência que eu não sei se vai ser positiva ou negativa aos interesses do Brasil. Um Presidente da República tem de harmonizar os interesses em função do que interessa ao Brasil, os interesses político-partidários. E aí se vai fazer presente a necessidade do líder. O Brasil vai descobrir, o eleitor vai descobrir a importância do líder, da experiência política, da capacidade de conduzir não um Ministério, mas um país. A experiência vivida em embates eleitorais de candidatura a Deputado Federal, de candidatura ao Senado, a Governo de Estado, exercício exitoso ou não em Ministério, a disputa pela Presidência da República, tudo isso faz parte do estágio de preparo do candidato à Presidência. Eu acho que, no momento da campanha, na televisão, vai ficar claríssimo quem é quem, e aí o eleitor vai poder fazer, de forma consciente, a sua escolha, que vai ser no candidato e não em quem apoia o candidato. Com todo o respeito a quem apoia o candidato, o eleitor vai votar no candidato, e não em quem apoia o candidato. E o candidato vai ter que ter experiência política e capacidade de liderança para exercer não um Ministério, mas a Presidência do Brasil. Cumprimentos a V. Exª por trazer esse tema neste dia de jogo do Brasil, quando todos nós esperamos que a gente venha a bater a Coreia do Norte daqui a pouco.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Se Deus quiser.

            Senador José Agripino, é preciso que a gente olhe um pouquinho para os fatos que estão a ocorrer nos Estados. O Presidente Lula passou a ter horror ao Senado. Acha que não fez tudo o que quis no Brasil porque o Senado atrapalhou. Graças a Deus, o Senado é assim. Pois é, graças a Deus. O Senado agiu como devia agir na questão da CPMF e agora no episódio do pré-sal. Hoje, o Governo, com o poder que tem de manipulação de informações, tenta inverter e, inclusive, crucificar o Senador Simon. Mas a emenda do Senador Simon foi conciliadora. Quem cometeu os erros na condução desse processo do pré-sal foi o próprio Governo.

            Mas veja bem: com esse ódio às candidaturas de Senadores, ele botou uma tropa de choque para exterminar, para extinguir alguns candidatos. V. Exª deve ser o primeiro da lista, porque é o mais importante de todos, vem o Senador Arthur Virgílio, eu, o Mão Santa e mais uns dois ou três.

            E, nesses casos, o Governo está agindo de maneira muito forte e eficaz. Esse Alexandre Padilha me parece até que transferiu o título de eleitor para o Piauí, porque agora frequenta constantemente o Piauí - e deve ter sido recomendado pelo Senador Suplicy, pois está se hospedando na gostosa pousada da Aury Lessa lá nos fins de semana -, chamando as pessoas para indicar como candidato, inventando chapa no Piauí.

            O Sr. Padilha - é o que consta no jornal, mas não acredito ainda - chamou o Deputado Cirinho e deu-lhe tantas garantias e tanta segurança que ele, agora, reverteu, é candidato ao Senado. Não quero acreditar ainda.

            Há cerca de 20 dias - e a vivência política nos dá uma certa experiência -, o Cirinho foi ao meu gabinete, às 9h da manhã. Já estranhei ele acordar tão cedo. Mas, às 9h da manhã, estou no meu gabinete, ele chega: “Fique tranquilo, estou sendo convidado, mas não aceito, em hipótese nenhuma, ser candidato ao Senado. Venho lhe dizer isso em atenção a nossa grande amizade etc.”, aquela conversa de cerca Lourenço. Quando ele saiu, comentei com pessoas da minha intimidade: esse menino está com capilossada. Está com capilossada. E não deu outra, Senador.

            Agora, a coisa está sendo anunciada, mas de maneira errada, parecendo que é uma grande transação e não um acordo político. Estou falando isso porque soube, agora há pouco, que ele fez algumas considerações à minha atuação e à do Mão Santa. Pelo Mão Santa, não posso responder, mas por mim, sim. Seria bom se ele realmente vier a ser candidato ao Senado, que nos sentássemos num debate para mostrar quem trabalhou mais pelo Piauí, quem fez mais pelo Piauí em todos esses anos. E outra coisa: para comentar quem são as minhas companhias, quem são as companhias do candidato ao longo desses anos. É preciso que essas coisas fiquem bem claras.

            Aliás, tenho uma admiração muito grande pelo Ciro. O Ciro é uma pessoa que brilhou na Câmara; foi o lançador do Severino Cavalcanti como candidato a Presidente da Casa e o responsável pela sua eleição. E era o principal interlocutor do Severino naquela Casa. Eu não tive essa oportunidade. Eu fui o grande interlocutor - e ele sabe disso - de Ulysses Guimarães, de Tancredo Neves.

            Então, essa questão precisa ser tratada com muita serenidade, com muita tranquilidade. E vamos ver. Para frente é que as malas batem. Acho apenas que está muito cedo para se puxar a corda do jeito que o pretenso candidato ao Senador quer.

            Eu faço política por vocação.

            Senador Mozarildo, eu não tenho negócios, eu não tenho uma rádio, eu não tenho uma revenda, eu não tenho nada na minha vida oriundo da minha atividade parlamentar, e esse é um propósito. É um propósito! Só acho que o Cirinho tem que ter um pouco de cuidado nas agressões que faz às pessoas. Por que agredir o Mão Santa agora, se há quatro anos o Cirinho apoiou o Mão Santa como candidato a Governador e colocou como Vice na sua chapa o seu próprio pai? Será que o povo do Piauí não está prestando atenção, não está vendo esse tipo de coisa?

            Eu estou apenas citando isso - eu não gostaria -, mas acho que é melhor que essa campanha seja tratada em outro nível. Deve-se, primeiro, escolher os suplentes. Eu estou em dificuldade; estou procurando suplente. Ele deve estar também em dificuldade; ele deve estar procurando suplentes que politicamente lhe ajudem. Mas isso faz parte do jogo. Não é porque hoje nós vamos nos confrontar nas urnas que vamos esquecer um passado de convivência, de tudo.

            Eleição... Acho que essa questão ou é desespero antecipado ou não sei o que está acontecendo. Cirinho é um menino que posa de bonzinho e tem uma imagem de conciliador. Ele não vai agora, nem bem começou a campanha, agredir gratuitamente as pessoas, os colegas. É isto que faz com que a classe política se torne desacreditada: a falta de coerência. Há menos de um mês, Cirinho andava prometendo apoio a Sílvio Mendes e, inclusive, postulava uma vaga de Vice-Governador na chapa. Depois, aconteceram fatos, eleição para o Tribunal de Contas etc., e ele tinha um candidato do seu grupo e teve apoio do Governo. E aparece então esse Padilha, que - dizem - está dando sustentação administrativa e financeira a ele. Não sei como. Mas as coisas aparecem, Senador Mozarildo. Agora, que o Padilha está muito interessado no Piauí, está. Há alguma coisa no ar que não é só avião de carreira. Mas o tempo vai mostrar o que está acontecendo e por que ele se tomou de amores pelo Piauí - ou se, na verdade, é ódio contra mim e Mão Santa. Não sei se ele está cumprindo determinação do Presidente da República.

            Mas ficará muito ruim para o Piauí decidir quem serão seus representantes no Senado para atender a capricho do Sr. Padilha e do Sr. José Eduardo Dutra, que esteve numa convenção e disse, com todas as letras, que a determinação, Botelho, era a derrota dos dois candidatos. O Sr. Eduardo Dutra perdeu para o Senado há quatro anos em Sergipe e não pode agora dar aulas no Estado do Piauí sobre quem o Piauí deve eleger.

            Essa é uma questão que deve pertencer aos piauienses. Os piauienses não vão aceitar isso, não vão aceitar. Não é da índole do Piauí. O Piauí é um Estado que se rebela contra essas coisas e já deu diversas demonstrações.

            Sr. Presidente, era o registro que eu queria fazer.

            Assim como disse o Senador José Agripino, vamos torcer para que o Brasil vença hoje a Coréia do Norte, pelo menos por uns três golzinhos, e a gente tenha um final de tarde feliz.

            Muito obrigado.


Modelo1 6/21/244:56



Este texto não substitui o publicado no DSF de 16/06/2010 - Página 29234