Discurso durante a 140ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Homenagem de pesar pelo falecimento do economista e professor Dionísio Dias Carneiro. Apelo ao governo federal para que realize investimentos em infraestrutura.

Autor
Eduardo Azeredo (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/MG)
Nome completo: Eduardo Brandão de Azeredo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM. POLITICA DE TRANSPORTES. :
  • Homenagem de pesar pelo falecimento do economista e professor Dionísio Dias Carneiro. Apelo ao governo federal para que realize investimentos em infraestrutura.
Aparteantes
Eduardo Suplicy, João Faustino, Marisa Serrano, Roberto Cavalcanti.
Publicação
Publicação no DSF de 12/08/2010 - Página 42104
Assunto
Outros > HOMENAGEM. POLITICA DE TRANSPORTES.
Indexação
  • HOMENAGEM POSTUMA, PROFESSOR UNIVERSITARIO, ECONOMISTA, ELOGIO, COMPETENCIA, CONDUTA, RESPEITO, POLITICA NACIONAL, CONGRESSO NACIONAL, LEITURA, TRECHO, CARTA, HOMENAGEM.
  • CRITICA, GOVERNO FEDERAL, PRECARIEDADE, SITUAÇÃO, RODOVIA, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), LIGAÇÃO, ESTADO DA BAHIA (BA), ESTADO DE SÃO PAULO (SP), ESTADO DO RIO DE JANEIRO (RJ), FALTA, REESTRUTURAÇÃO, AMPLIAÇÃO, MANUTENÇÃO, MODERNIZAÇÃO, AUMENTO, NUMERO, ACIDENTES, DEPOIMENTO, ACIDENTE DE TRANSITO, DEMORA, PROVIDENCIA, POLICIA RODOVIARIA FEDERAL, SOLUÇÃO, PROBLEMA, TRAFEGO, COBRANÇA, RETOMADA, INVESTIMENTO, TRANSPORTE FERROVIARIO, IMPORTANCIA, UTILIZAÇÃO, ESCOAMENTO, PRODUÇÃO.
  • REGISTRO, ESFORÇO, ANTERIORIDADE, GESTÃO, ORADOR, GOVERNO ESTADUAL, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), MELHORIA, INFRAESTRUTURA, TRANSPORTE RODOVIARIO, EXPANSÃO, TRECHO, LIGAÇÃO, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), DESTINAÇÃO, RECURSOS, PRIVATIZAÇÃO, COMPANHIA VALE DO RIO DOCE (CVRD), INVESTIMENTO, AMPLIAÇÃO, RODOVIA, OCORRENCIA, DESVIO, UTILIDADE, VERBA, POSTERIORIDADE, GOVERNADOR, DISTRIBUIÇÃO, MUNICIPIOS.
  • EXPECTATIVA, ELEIÇÕES, CANDIDATURA, ORADOR, DEPUTADO FEDERAL, PARTICIPAÇÃO, CAMPANHA ELEITORAL, CANDIDATO, PRESIDENCIA DA REPUBLICA, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB), MUNICIPIO, POÇOS DE CALDAS (MG), ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), ELOGIO, COMPROMISSO, ATENÇÃO, INTERESSE, PESSOA PORTADORA DE DEFICIENCIA.
  • EMPENHO, ORADOR, DEFESA, INFRAESTRUTURA, MUNICIPIOS, RECONHECIMENTO, EVOLUÇÃO, SETOR, COMUNICAÇÕES, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), COMENTARIO, REALIZAÇÃO, PARCERIA, SETOR PUBLICO, SETOR PRIVADO, IMPLANTAÇÃO, INTERIOR, SISTEMA, TELEFONE CELULAR, CRITICA, PROBLEMA, ACESSO, TELEFONIA, RODOVIA.
  • REGISTRO, VISITA, SENADO, EMBAIXADOR, PAIS ESTRANGEIRO, HUNGRIA, OPORTUNIDADE, DESPEDIDA, ATUAÇÃO, BRASIL.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, inicialmente, quero encaminhar um voto de pesar pelo falecimento do economista e professor Dionísio Dias Carneiro na última quinta-feira, 29 de julho, no Rio de Janeiro.

            Dionísio Carneiro, como era mais conhecido, foi professor da Universidade de Brasília, da Escola de Pós-Graduação e Economia da Fundação Getúlio Vargas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC/Rio; Vice-Presidente da Financiadora de Estudos e Projetos - Finep, e membro do Comitê para Políticas e Desenvolvimento do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. Dionísio foi sócio-fundador do Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças e era sócio Fundador da Galanto Consultoria, que reunia seleto grupo de economistas e pensadores da teoria econômica do Brasil e que participa ativamente de estudos e projetos voltados para a realidade brasileira.

            Quero aqui, Sr. Presidente, transcrever parte das palavras de seus colegas da Galanto e ex-alunos da PUC e de tantas outras escolas, publicadas na Internet, que por si só justificam esta homenagem que trago aqui hoje.

            São as palavras de seus colegas:

...concluímos, com alegria, que a sua influencia foi tão forte que todos os que tiveram contato com você foram, de um modo ou de outro, seus alunos. Com você, [Dionísio,] muitos de nós aprenderam Economia. No entanto, todos aprendemos a ser mais íntegros, mais elegantes no trato pessoal, mais tolerantes com aqueles que, de perto, revelaram suas “anomalias” (para usar a expressão de Caetano Veloso que você tanto gostava de citar), mais leves e bem-humorados. Confrontados com o seu espírito jovial e sua capacidade para divertir-se com qualquer situação, mesmo convivendo com a saúde muito debilitada por tantos anos, aprendemos que tudo se torna bem mais simples e suportável se encarado com mais humor. Nossa saudade é infinita. Nossa gratidão também.

            Eu conheci Dionísio Carneiro há cerca de doze, treze, quinze anos e pude conviver com ele e ver realmente a lucidez de seu pensamento econômico, a forma equilibrada com que ele sempre encarou a possibilidade de crises, crises internacionais, crises no País, durante todo esse período em que o Brasil foi superando as dificuldades internacionais, foi superando as dificuldades que vinham, muitas delas, da época ainda da inflação alta. Dionísio sempre mostrou muito equilíbrio. Ele nunca foi um otimista inveterado, mas nunca foi um pessimista. Ele sempre buscava mostrar que a economia tem, sim, um lado muito exato, um lado de ciência exata, mas a economia está sujeita a fatores humanos, a fatores políticos. Sempre respeitou muito a política brasileira como uma forma de transformar a sociedade. Dionísio respeitava particularmente o Congresso brasileiro, sabendo que as forças que aqui estão são forças modificadoras e que fazem com que o País possa ter entrado definitivamente numa era de prosperidade, através da democracia plena e através da estabilidade econômica.

            Portanto, eu senti muito. Fiquei sabendo tardiamente da morte de Dionísio. Eu estava no sul de Minas em campanha, quando li no jornal já o convite para missa de sétimo dia. Senti realmente, vou sentir a falta dele, das conversas que sempre tínhamos sobre a economia brasileira.

            Quero, portanto, aqui, e peço apoio dos nobres Pares para essa homenagem a uma pessoa que só fez engrandecer a nossa sociedade, o nosso Brasil. Enfim, um homem de bem.

            E ouço o Senador Eduardo Suplicy.

            O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Permita-me, Senador Eduardo Azeredo, que possa eu também subscrever o requerimento de pesar e de homenagem ao economista Dionísio Dias Carneiro, professor na Fundação Getúlio Vargas, da qual também sou professor, ele, lá na Escola de Pós-Graduação de Economia da FGV do Rio; eu, de São Paulo. Tive oportunidade de conhecer pessoalmente Dionísio Dias Carneiro e de muitas vezes ter lido seus artigos. Eu o considero um dos melhores economistas, juntamente com a geração de Antônio Maria da Silveira, que foi seu colega, Edmar Lisboa Bacha, Marcelo Néri, Pedro Malan e tantos outros professores. Ele certamente se distinguiu como um dos grandes economistas brasileiros que, ao lado também de pessoas como Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Octávio Gouvêa de Bulhões, Mario Henrique Simonsen, muito contribuíram para o desenvolvimento da ciência econômica e da análise econômica dos problemas brasileiros. Então, se me permite, gostaria também de assinar o seu requerimento de homenagem a Dionísio Dias Carneiro.

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Senador Suplicy, sua assinatura vem exatamente engrandecer, e é justo realmente que possamos prestar essa homenagem a quem acreditou muito no Brasil, o grande economista que foi Dionísio Carneiro.

            O SR. PRESIDENTE (Acir Gurgacz. PDT - RO) - Senador Azeredo, se o senhor me permite interrompê-lo um segundo, quero dar boas-vindas aos oficiais e alunos do curso de Direito da Escola de Administração do Exército de Salvador, na Bahia. Sejam muito bem-vindos ao Senado Federal.

            Muito obrigado.

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Sr. Presidente, quero ainda tratar de outro assunto neste pronunciamento. Nós estamos no meio de uma campanha eleitoral - hoje pude vir aqui a Brasília -, que nos dá a oportunidade excepcional de aprofundarmos o conhecimento da realidade das pequenas e das grandes cidades brasileiras.

            Em Minas Gerais, nesta campanha, tenho tido a oportunidade de rever - eu que conheço realmente pessoalmente, estive em 625 das 853 cidades mineiras - muitas delas agora. Ainda neste fim de semana, eu pude ir a Rubelita, Salinas, Montes Claros, no norte de Minas, e é nessas caminhadas que tenho anotado realmente a certeza da minha luta por melhor infraestrutura. Nós temos lutado aqui, na tribuna, por várias vezes eu tenho vindo, reclamando, defendendo que não é aceitável que o Brasil continue convivendo com o tipo de estrada que nós temos. É um País que cresce e que não tem as suas estradas adequadas. Na verdade, o grande impulso de rodovias no Brasil foi dado por Juscelino Kubitschek na década de 50, e essas estradas não têm mais capacidade para suportar o aumento do tráfego.

            Lá, no norte de Minas, nessa BR-251, que liga Montes Claros, passando por Salinas, até chegar na Rio-Bahia, eu puder ver a quantidade de caminhões, caminhões bitrem, caminhões enormes, que fazem com que essa estrada seja também uma das mais perigosas. Uma estrada que, na verdade, foi concluída há poucos anos, há doze anos. Essa estrada foi concluída, eu era ainda Governador, o Presidente Fernando Henrique foi conosco a Salinas, para inaugurar essa estrada. Foi um processo que fizemos na época. O Governo Federal delegou ao Governo de Minas a execução de obras numa série de estradas federais e, com isso, muito pode ser feito, como essa conclusão da BR-251.

            Passados esses doze, treze anos, o que se vê é que a capacidade da rodovia já está superada. É urgente que se faça uma manutenção, uma expansão com as chamadas terceiras pistas, para que a segurança nessa região e de todos que passam lá. Não é da região, na verdade, porque os caminhões que demandam do Sul e do Sudeste brasileiro ao Nordeste estão optando por passar por essa estrada, em vez de passar pela Rio-Bahia, porque a Rio-Bahia é pior ainda. Então, eles preferem passar pela rodovia duplicada de São Paulo a Belo Horizonte, a Fernão Dias. Pega ainda um pedaço duplicado até o chamado Trevão de Curvelo, que foi duplicado por esforço nosso. Particularmente, modéstia à parte, lutei muito por essa duplicação. Depois, vai até Montes Claros e volta a pegar a Rio-Bahia já na divisa entre Minas e o Estado da Bahia. Portanto, esse é um ponto.

            Mas, se formos falar de rodovia aqui, quero falar de outra. Eu fiquei uma hora e meia parado na rodovia 262-381, que liga Belo Horizonte a Vitória, que é o acesso principal ao Vale do Aço. É uma calamidade. É uma rodovia onde todos os dias temos, lamentavelmente, acidentes; acidentes como vi na 251, acidente como vi novamente nesta 262-381. Por uma hora e meia, o trânsito ficou parado. Mais uma vez, uma hora da manhã e nenhuma providência se via. Tentei falar com o 191, que é o telefone da Polícia Rodoviária Federal, mas não atendeu. Para quê? Para que tivesse, pelo menos, um encaminhamento, uma orientação àqueles que estavam parados ali, para que se providenciasse desvio. Isso como solução emergencial.

            Agora, é inaceitável que, em sete anos e meio, o Governo Lula não tenha tomado uma providência em relação a essa estrada. Tenho repetido que o Governo não faz nem deixa fazer. Essa estrada passou, em determinados momentos, pela definição de que seria feita pela iniciativa privada, no sistema de concessão, cobrança de pedágio. Com essa história, passaram-se dois, três anos.

            Aí o Governo volta a dizer que, agora, vai fazer por conta própria, com recursos próprios. Aí é que vai começar a fazer o projeto, e vêm aí realmente alguns ligados ao Governo prometerem que vão finalmente duplicar a “rodovia da morte”, se podemos chamar assim, lamentavelmente, essa rodovia que vai para Caeté, para o Vale do Aço, para o leste mineiro. É inaceitável que tenha chegado a esse ponto.

            Eu aqui já estive e estou sendo repetitivo, várias vezes eu falei sobre essa rodovia. Aí vão poder dizer assim: “Mas por que não fizeram antes?” Porque antes nós fizemos a duplicação da Fernão Dias; porque antes nós fizemos essa conclusão da 251; porque antes nós duplicamos de Belo Horizonte a Sete Lagoas, porque, nessa rodovia especificamente, eu deixei 200 milhões oriundos da privatização da Vale. Conseguimos na privatização da Vale esse recurso para a região em que a Vale atua. Esses 200 milhões foram para o desenvolvimento de Minas, mas, lamentavelmente, no Governo que me sucedeu esse dinheiro não foi utilizado nessa duplicação. Foi pulverizado para vários Municípios. E lá não se fez uma solução, o Governo do Estado devolveu as estradas para o Governo Federal na época do Governador Itamar, e, então, o Governo Federal nada mais fez nessa rodovia.

            Estou falando em duplicação fundamental numa estrada que é a grande carreadora. É muito perigoso! Quando me falam assim que tenho que fazer uma viagem para o Vale do Aço, eu já penso duas vezes, porque tem que ter cautela redobrada, triplicada. Eu fui a Guanhãs, fui a Itabira e, para essas cidades todas, para Ipatinga, para Timóteo, Coronel Fabriciano, o acesso é extremamente perigoso assim como é de Belo Horizonte para o Rio. Imaginem, são as duas maiores cidades do Brasil depois de São Paulo, que é a maior cidade, depois o Rio e Belo Horizonte. De Belo Horizonte ao Rio não é duplicado até hoje.

            Quer dizer, é um triângulo. Você tem Rio e São Paulo duplicado, você tem São Paulo e Belo Horizonte duplicado, e Belo Horizonte e Rio não é duplicado até hoje. Passa até na terra do nosso colega Senador Hélio Costa, Barbacena, e, mesmo ele sendo Ministro durante mais de cinco anos, essa estrada não andou. O Governo Federal não se movimentou para fazer essa duplicação, concluir a duplicação tão necessária.

            Ouço a Senadora Marisa Serrano.

            A Srª Marisa Serrano (PSDB - MS) - Senador Azeredo, V. Exª está falando que em Minas há uma rodovia que tem o nome de rodovia da morte.?

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Sim, sim.

            A Srª Marisa Serrano (PSDB - MS) - Eu quero dizer que Mato Grosso do Sul também tem a sua, a 163 que nos leva de Mato Grosso a Rondônia, é chamada também de rodovia da morte. Ela precisa ser urgentemente duplicada, porque toda a produção do norte desce por ali para o Porto de Santos e Paranaguá. E V. Exª imagine a quantidade de caminhões que passam por essa rodovia. Eu queria fazer minhas as suas palavras. Parece que estou vendo Mato Grosso do Sul quando estou ouvindo V. Exª. A infraestrutura brasileira está muito aquém das necessidades do nosso desenvolvimento. E quando eu vi, V. Exª também está acompanhando, o Presidente Lula vetando, na LDO, mais de 603 ações dos parlamentares e priorizando as obras do PAC, eu só espero que nessas obras do PAC que ele prioriza estejam a duplicação da sua rodovia, da minha rodovia e de tantas outras que precisam neste País de apoio. Não só no tocante a rodovias, mas que melhore os nossos portos, que melhore os nossos aeroportos, para que realmente nós tenhamos uma infraestrutura aeroportuária e rodoviária melhores para o nosso País. E quero dizer ainda que uma das justificativas dos vetos do Presidente é que ele tem de ter não só liberdade para tratar o PAC, as obras do PAC, mas também as obras de infraestrutura para a Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016. Eu espero que isso não postergue a arrumação das nossas estradas, a melhoria das nossas estradas. Que isso seja feito concomitantemente. Não deixem apenas porque têm de arrumar os estádios para a Copa e esqueçam que nós precisamos garantir a vida e a segurança do cidadão que trafega por nosso País. Eram essas as minhas palavras.

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Senadora Marisa, agradeço a sua participação neste pronunciamento, porque, quando estou citando as estradas de Minas, estou exatamente citando as de Minas como exemplo. Mas eu sei que a realidade é a mesma no Brasil todo.

            Num País como o nosso, que realmente fez a opção rodoviária há muitos anos, porque era mais fácil, porque você tem de ter opção rodoviária também, o que tem de fazer é buscar uma retomada da opção ferroviária para, em conjunto com essa das rodovias, termos a interligação do País.

            Mas veja que nós temos um País que ainda tem a maior parte da sua população no litoral. As estradas que ligam o litoral, que vão acompanhando o litoral brasileiro, também estão na mesma situação. A BR-101, que vai margeando a costa brasileira até o Nordeste, também tem pistas simples com os caminhões todos levando a riqueza brasileira. E se nós falamos do centro do Brasil, se falamos das Estados centrais, são novas fronteiras agrícolas que precisam exatamente dessas rodovias.

            Veja que a situação da infraestrutura não pode ser aceita. É uma reflexão que todos nós temos de fazer, e o Presidente, espero - dinheiro não falta - que ele realmente aplique recursos nessa questão da modernização do nosso sistema de infraestrutura.

            São que precisam ser duplicadas; são estradas que precisam ter manutenção adequada. As ferrovias precisam ser retomadas com urgência, sim, como opção do transporte de carga em especial. E nós temos que ter a diminuição desse volume de transporte de longo percurso, para que essa questão seja viável, a questão do transporte, inclusive em termos de custos para o País.

            Portanto, investir em infraestrutura, investir na duplicação de estradas, investir na manutenção de estradas no Brasil significa desenvolvimento. Essa é a questão básica que precisa ser enfrentada.

            Nós não podemos continuar com esses exemplos. Exemplos de Minas, de Mato Grosso, do Nordeste, de todo o País, em que nós temos um processo de obras muito lento e que não acompanha o crescimento do País.

            Ouço o Senador Roberto Cavalcanti.

            O Sr. Roberto Cavalcanti (Bloco/PRB - PB) - Parabenizo V. Exª, meu querido Presidente da Comissão de Relações Exteriores, do qual tive a oportunidade de me aproximar mais. Conhecia V. Exª exatamente como ex-Governador, político de projeção nacional mais voltado a Minas. Mas, agora, com essa aproximação, um paraibano está tendo oportunidade de conhecê-lo melhor.

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Obrigado.

            O Sr. Roberto Cavalcanti (Bloco/PRB - PB) - Mas, na verdade, as realidades são semelhantes. E o parabenizo fundamentalmente pelo aspecto das obras estruturantes, de infraestrutura no País, que precisa se desenvolver na velocidade que o Brasil precisa. Eu digo isso porque é um mérito. Se nós tivéssemos em recessão, não precisaríamos. As estradas estariam desertas, os aeroportos estariam desertos e tal. Mas, na verdade, nós somos um País que está em franco crescimento. Basta dar um exemplo de que na aviação, no último semestre, nós crescemos mais de quase 17%, de um ano para o outro, em termos de números de passageiros transportados. É um número talvez que tenha tido, mundialmente, um dos maiores crescimentos. Mas eu diria, já que V. Exª está tendo oportunidade de conclamar pelos assuntos de Minas, que estrada não é o nosso grande problema. Nós temos a BR-101, duplicada, no sentido de Natal e Recife, quase concluída - 95% dos trabalhos estão concluídos. Temos duplicado o trecho João Pessoa-Campina Grande, e estamos no início da duplicação da BR-104, que ligará Caruaru (PE) a Campina Grande (PB), duas grandes cidades do interior nordestino. Na verdade, a grande carência da Paraíba está na infraestrutura aeroportuária. Testemunho que, ao chegar ao aeroporto de João Pessoa na terça, pela manhã, com meu cartão de embarque, fiquei com pena das pessoas que não têm essa agilidade de ter o cartão antes, porque, mais uma vez, a fila saía dos balcões dos guichês das companhias em direção à área externa do aeroporto, ao estacionamento. O avião não pôde decolar no horário porque não havia condição de ser atendido. Quanto à infraestrutura da Infraero dentro do aeroporto, há apenas um balcão de revista dos passageiros, vários vôos saindo pela manhã, a fila atrasando os vôos de forma despropositada. Então, parabenizo V. Exª. O Brasil precisa de uma injeção de velocidade maior na sua infraestrutura. E a Paraíba clama por um novo aeroporto, por um porto de águas profundas. A Paraíba tem apenas o Porto de Cabedelo, que é um porto de calado restrito, de assoreamento permanente. É preciso que o Governo Federal dote a Paraíba de um porto de águas profundas. Parabenizo V. Exª pelo clamor nacional da infraestrutura. Parabéns!

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Obrigado, Senador Roberto Cavalcanti. V. Exª lembra exatamente que, quando falo em infraestrutura, é exatamente isso: estou falando de rodovias, estou falando de ferrovias, estou falando de aeroportos, de portos, porque esse conjunto é que faz com que o desenvolvimento possa realmente prosperar e continuar. E países semelhantes ao Brasil, como é o caso da Índia, estão fazendo grandes projetos dessa maneira. A Índia fez um grande sistema, um quadrilátero de ouro como eles chamam, que está ligando as principais cidades em rodovias modernas, duplicadas. O sistema de trem da Índia já é muito mais antigo do que o nosso, muito maior em percurso. Nós temos o compromisso - e V. Exª é da Base de Apoio ao Governo -, mas o Governo também nessa área de aeroportos pouco fez.

            Na verdade, os aeroportos modernos, todos eles, foram feitos ainda na época em que o PSDB estava à frente do Governo Federal, como os aeroportos de Recife, de Belém, enfim, na maioria das grandes cidades brasileiras.

            Ouço o Senador João Faustino.

            O Sr. João Faustino (PSDB - RN) - Senador Eduardo Azeredo, é com muita honra que me integro ao seu discurso. Considero V. Exª um dos homens públicos mais honrados deste País...

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Obrigado, Senador.

            O Sr. João Faustino (PSDB - RN) - ...um dos Senadores e um dos políticos mais sérios desta época brasileira. Diria mais: comecei a admirá-lo como político a partir do seu pai, que foi meu colega na Câmara dos Deputados, homem de bem, homem sério, interessado nos assuntos do Brasil, mas muito mais dedicado aos assuntos de Minas Gerais. Conheci V. Exª como Prefeito de Belo Horizonte, um grande Prefeito, um Prefeito que marcou a vida daquela cidade com grandes realizações, com grandes obras e, sobretudo, pautando a sua atitude e o seu comportamento com muita ética e muita lisura. Depois o conheci como Governador do Estado, vencendo e ganhando uma campanha inesquecível, e pude testemunhar o quanto foi eficaz o seu trabalho em favor das Minas Gerais quando governou aquele Estado. Dedicou-se como poucos, fez o que o Estado precisava fazer naquela época, deixou o Estado saneado, limpo e o entregou também a mãos dignas, que certamente deram prosseguimento ao trabalho que V. Exª iniciara. Hoje o vejo nesta tribuna reivindicando melhorias para o nosso País, principalmente no que diz respeito à infraestrutura. Indiscutivelmente, a infraestrutura brasileira, as ações desenvolvidas pelo Governo nessa área não acompanham o desenvolvimento econômico do País, e, quando não há infraestrutura, o desenvolvimento estanca, para, chega um momento em que topa, não tem como prosperar. Não tem como prosseguir quando não há portos, quando não há aeroportos, quando não há estradas, de forma que V. Exª, em boa hora, traz esse assunto à Casa com grande repercussão - tenho certeza. Quero, por fim, parabenizá-lo por esse pronunciamento e por poder aparteá-lo nesse discurso. Muito obrigado.

            O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB - MG) - Muito obrigado, Senador João Faustino. Quero, primeiro, agradecer as suas palavras, mas quero saudá-lo aqui como colega no Senado brasileiro. Eu, que o conheci realmente há muito tempo, sei já da época em que V. Exª era colega do meu pai e me dá inclusive a oportunidade de dizer exatamente sobre o meu pai, Renato Azeredo, que foi um grande parlamentar.

            Eu sempre vejo aqui o Senador Mão Santa dizendo que foi a Minas, que gostou de ver que as pessoas gostam de mim, mas que gostam mais do meu pai. Eu fico satisfeito e brinco com ele: “É ótimo, Mão Santa, melhor ainda.” É a homenagem a todos nós. Mas o meu pai foi Deputado Federal por seis mandatos, e, nesta eleição, estou exatamente disputando o mandato de Deputado Federal para ocupar o cargo que ele ocupou. De forma que é para mim um motivo a mais na minha vida pública. Eu não fui antes Deputado; fui direto de Vice-Prefeito, Prefeito, Governador e Senador. Nestas eleições, espero poder entregar minha cadeira às mãos de Aécio Neves, o nosso Governador, que é um homem público também de grande relevância. Aécio disputa o Senado agora, então, e estou, portanto, disputando a Câmara dos Deputados para ocupar o lugar que foi do meu pai. Uma eleição que é muito importante para o Brasil. Na semana passada, acompanhei o Governador José Serra no sul de Minas, Poços de Caldas, num evento muito importante, em que ele manifestou, mais uma vez, o seu compromisso com a defesa da causa das pessoas com deficiência, a qual também abracei desde o primeiro cargo público que tive a oportunidade de ocupar, ainda na direção da empresa de informática de Minas, a Prodemge. Dessa forma, acompanhar José Serra, acompanhar Aécio, acompanhar o Governador Anastasia a esses 853 Municípios de Minas Gerais tem sido realmente muito bom. É evidente que não vou conseguir - não é, Presidente Acir? - ir a todos esses Municípios. Ninguém consegue, num período curto. Nós temos agora pouco mais de 45 dias, 50 dias até a eleição, e nós não conseguiremos estar presentes em todos eles.

            Mas sempre fui municipalista. É muito importante as pessoas verem a realidade das cidades pequenas, a realidade da área rural. Tem gente que, às vezes, fica sentado realmente e não imagina o que é ser Prefeito de uma cidade pequena. Como é difícil ser Prefeito de uma cidade pequena, sim! Representar esse conjunto de cidades que vai desde a maior cidade de Minas, a capital, Belo Horizonte, onde eu tive a honra de ser Prefeito, até uma pequena cidade do interior. É realmente de muita riqueza do ponto de vista político. Eu tenho que me orgulhar muito - e me orgulho - de poder representar o meu Estado com esse conjunto de Municípios. E reiterar sempre essa defesa dos Municípios. Esse entendimento de que eles precisam de ter essa infraestrutura.

            E aí vou encerrar o meu pronunciamento, falando de mais uma demanda que, ao correr o Estado, temos outra vez a reflexão forte.

            Nós avançamos muito nas comunicações. No Estado de Minas Gerais, nesses 853 Municípios, apenas 400 tinham viabilidade econômica para ter telefonia celular, e foi instalada a telefonia celular. Os outros quatrocentos e poucos não tinham viabilidade econômica.

            O Governador Aécio Neves, de maneira construtiva, criativa, fez um projeto de Parceria Público-Privada, na qual o Governo do Estado entrou com parte do investimento, e as operadoras entraram com a outra parte. Pronto! Foi o primeiro Estado a ter a totalidade dos seus Municípios com telefonia celular, o que hoje, evidentemente, é fundamental para termos atividade econômica. Aí vem em seguida o projeto de banda larga, para poder também chegar a todas essas cidades.

            E o que acontece? Acontece que as estradas deveriam ter também um sinal de celular, e isso não está acontecendo. Está dizendo que até mesmo na Fernão Dias, que eu costumo dizer que é a nossa miss entre as rodovias mineiras - é a rodovia melhor que nós temos - até na Fernão Dias, o sinal de celular não está perfeito, não está acompanhando a necessidade.

            Portanto, esta é mais uma constatação que a campanha nos dá: a confirmação de que precisamos investir em infraestrutura, seja ela infraestrutura física, seja ela infraestrutura virtual, a estrutura por exemplo de telefonia celular. Não é aceitável, Sr. Presidente, que nas rodovias, especialmente nas mais importantes, as nossas operadoras não tenham o sinal de qualidade que o momento brasileiro exige. Esse é outro ponto que precisa ser enfrentado para que o crescimento do País seja realmente mais adequado. Agradeço e me desculpe por estender-me um pouco aqui nesta tarde de quarta-feira, mas era muito importante trazer essas reflexões neste momento em que acompanho a campanha de Minas Gerais, cada vez mais entusiasmado com esse meu Estado tão querido, do qual eu gosto tanto.

            Obrigado, Sr. Presidente.


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