Discurso durante a 216ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Prestação de contas dos oito anos como Senador pelo Estado do Piauí.

Autor
Heráclito Fortes (DEM - Democratas/PI)
Nome completo: Heráclito de Sousa Fortes
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ATUAÇÃO PARLAMENTAR.:
  • Prestação de contas dos oito anos como Senador pelo Estado do Piauí.
Aparteantes
Alfredo Cotait Neto, Antonio Carlos Júnior, Cristovam Buarque, Cyro Miranda, Cícero Lucena, Demóstenes Torres, Eduardo Azeredo, Efraim Morais, José Agripino, José Nery, Magno Malta, Marco Maciel, Mozarildo Cavalcanti, Mão Santa, Roberto Cavalcanti, Valdir Raupp, Valter Pereira.
Publicação
Publicação no DSF de 22/12/2010 - Página 60467
Assunto
Outros > ATUAÇÃO PARLAMENTAR.
Indexação
  • REGISTRO, VONTADE, ELEITOR, INSUCESSO, REELEIÇÃO, ORADOR, APRESENTAÇÃO, DESPEDIDA, MANDATO PARLAMENTAR, EXERCICIO, OPOSIÇÃO, GOVERNO FEDERAL, GOVERNO ESTADUAL, FISCALIZAÇÃO, IRREGULARIDADE, DESVIO, COBRANÇA, PROJETO, BENEFICIO, ESTADO DO PIAUI (PI).
  • BALANÇO, ATUAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), PRESIDENCIA, COMISSÃO DE SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA, COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL, PRIMEIRO SECRETARIO, SENADO, BUSCA, TRANSPARENCIA ADMINISTRATIVA, SUPLANTAÇÃO, CRISE, RESULTADO, REFORÇO, LEGISLATIVO, REFORMA ADMINISTRATIVA, IMPLANTAÇÃO, PLANO DE CARREIRA.
  • AGRADECIMENTO, FAMILIA, SERVIDOR, SENADO, SENADOR, REITERAÇÃO, DEFESA, ETICA, VIDA PUBLICA.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI. Pela Liderança. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, não serei hipócrita a ponto de dizer que este é um momento feliz. É claro que eu preferia não estar aqui apresentando as minhas despedidas, mas perder também faz parte da vida, e a vontade do eleitor deve ser respeitada, mesmo que ela tenha sido claramente direcionada.

            Enfrentei, ao mesmo tempo, o Presidente Lula, que do alto de sua popularidade me marcou e alguns outros companheiros desta Casa para serem derrotados, um derrame de dinheiro poucas vezes visto na história do Piauí e as máquinas federal, estadual e privada.

            Mas não é disso que se trata agora. Esse episódio fortaleceu ainda mais em mim a convicção de que precisamos de uma profunda reforma política. Mas essa será uma tarefa dos colegas que ficam.

            Hoje vou fazer apenas uma rápida prestação de contas dos oito anos em que, tenho certeza, não desmereci o voto que recebi de milhares de piauienses e honrei, com certeza, o meu Piauí.

            Acima de tudo sei que me pautei pela coerência. Fui eleito para ser oposição e foi o que fiz aqui. Posso ter sido duro muitas vezes, mas dentro dos parâmetros da civilidade. Cobrei, sim, tanto do Governo Estadual quanto do Governo Federal os desvios de conduta, as irregularidades, a falta de projetos, mas lutei com todas as forças para que o Piauí fosse beneficiado com recursos como em diversos casos como o da escada Magirus e de liberação de verbas parlamentares e não prejudicado como tem sido o Piauí ao longo desses anos.

            Tenho profundo respeito pelo Parlamento e não podia ser diferente depois de quase trinta anos aqui dentro. Sempre lutei pelo seu fortalecimento, em especial do Senado, cuja importância para o equilíbrio da Federação e para a democracia é inquestionável.

            Lamento apenas que as grandes escolas do Parlamento tenham envelhecido, que já não vejamos mais os grandes oradores e o debate de idéias e que o Congresso tenha sido tomado pelas corporações no pior sentido da palavra.

            Gostaria de ver o Senado cada vez mais independente que não sirva apenas para chancelar os desejos do Executivo, que negocie, mas com altivez rejeitando o rolo compressor.

            Não foram exatamente calmos esses oito anos. Vivemos várias crises ,internas e externas. A pior delas, sem dúvida, a do mensalão e, nesse caso, o Governo não pode se queixar. Muitos de nós atuamos como bombeiros, ajudamos a preservar o mandato do Presidente Lula, embora ele hoje não reconheça isso.

            Fiz parte da CPI que apurou a compra de votos, o chamado mensalão, como também participei das comissões parlamentares de inquérito que investigaram o esquema do Banestado e as irregularidades dos Correios.

            Pena que o Governo e mesmo setores da sociedade não tenham nos dado ouvidos e a base aliada tenha feito funcionar um rolo compressor para que as investigações não fossem aprofundadas e os culpados punidos.

            Não estaríamos vendo agora o desmanche de uma instituição antes tão respeitada como os Correios se providencias tivessem sido tomadas. O mesmo vale para a CPI das ONG que tive a honra de propor e presidir após Raimundo Colombo. Os escândalos que temos visto nos últimos dias envolvendo ONG, Parlamentares e as verbas do Orçamento, certamente teriam sido evitados se tivesse havido vontade política de apurar e não o boicote que vivemos naquela Comissão. Espero que a Imprensa persista em suas investigações e que os órgão de controle possam agir para evitar que esse mal prossiga.

            Tive também a satisfação de presidir a Comissão de Infraestrutura, à qual imprimimos um ritmo de trabalho muito intenso. Naquela Comissão, discutimos questões vitais para o Brasil, como a crise da aviação civil, o chamado “caos aéreo”.

            Empenhamo-nos para tratar com mais seriedade as indicações do Executivo para as agências reguladoras e o próprio papel delas, tratadas muitas vezes, neste Governo, como cabides de emprego e para acomodações políticas que não raro resultam em escândalos também.

            Ainda na Comissão, trouxemos ao debate tema como as parcerias público-privadas, um instrumento que o Governo também não levou adiante e os grandes projetos de infraestrutura como os gasodutos, as ferrovias Transnordestina e Norte-Sul.

            À frente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, cargo que tive muita alegria em ocupar, batemos um recorde de atividades: foram mais de oitenta sessões, com mais de quatrocentas proposições analisadas em dois anos. Fizemos, ainda, diversas audiências públicas só na CRE ou em conjunto com outras. Mas, para além disso - e é o que mais me orgulha -, conseguimos imprimir um novo enfoque aos trabalhos da Comissão, que é o que chamei de “diplomacia parlamentar”. Partimos da idéia de que a condução da política externa não se restringe a uma questão de governo, mas de nação, com a necessária participação e contribuição dos diversos setores da sociedade. E nesse aspecto o Legislativo desempenha papel fundamental por espelhar a ampla variedade das tendências da população e dos interesses sociais. A participação do Legislativo democratiza e empresta maior legitimidade ao processo decisório de política externa no âmbito doméstico, mas também contribui para a divulgação do Brasil lá fora, além de ampliar os canais de comunicação com os Parlamentos, empresas e movimentos sociais, até porque podemos usar as conversações mais informais do que a diplomacia tradicional, que tem suas regras e amarras.

            Neste contexto, realizamos, com um grupo de colegas Senadores de diversos Partidos, três grandes missões, à Ásia, à África e à América Central e Caribe, num total de quinze países. Fugimos, assim, do chamado circuito Elizabeth Arden e fomos ver de perto realidades quase sempre mais próximas a nós, seja pelo grau de desenvolvimento, seja por laços históricos.

            Do Vietnã e do Timor Leste, no primeiro grupo, passando por Angola e Nigéria, no segundo, e Jamaica e Haiti, no terceiro. Pudemos estreitar laços comerciais, esportivos, culturais e políticos, estabelecendo novos canais de diálogo e firmando importantes intercâmbios.

            Senador Roberto Cavalcanti, com o maior prazer, escuto V. Exª.

            O Sr. Roberto Cavalcanti (Bloco/PRB - PB) - Senador Heráclito Fortes, há quantos anos nós temos referências comuns! Com origem em Pernambuco, Recife, eu o acompanho desde jovem, desde as incursões estudantis, familiares. V. Exª teve oportunidade de ir a Pernambuco e viver, digamos, com a elite pernambucana e jamais modificou o traço da personalidade própria que trouxe das origens. Eu o acompanho há vários e vários anos: V. Exª, combativo, autêntico, leal. Uma das características que acho que devem ser bastante cultuadas no ser humano é, na verdade, a gratidão. Faço um aparte a V. Exª em dois tons: um é uma referência elogiosa pelo trabalho que V. Exª fez durante todo esse mandato aqui no Senado Federal, exemplo de combatividade, exemplo de presença, exemplo de competência, exemplo de postura política. Por outro lado, tenho que ser grato a V. Exª. Por diversas vezes, recorri a V. Exª fazendo questionamentos ou em busca de atender anseios justos, mas que, na verdade, necessitavam da palavra final de V. Exª, que sempre cumpriu e exerceu profissionalmente a força e o cargo que V. Exª tem na Mesa Diretora e me tratou de uma forma exemplar, me tratou como um grande amigo. Então, na verdade, a vida nos traz sabores, dissabores, momentos em que se precisa e momentos que se agradece. Venho, na verdade, hoje, fazer este registro de agradecimento, assim como faço ao Presidente Sarney, pois, quando precisei, no início de 2010, souberam os dois terem para comigo as maiores e melhores atenções. Este meu agradecimento poderia ser um registro pessoal, mas não é; ele é, na verdade, para caracterizar V. Exª como um amigo leal. E essa característica de amigo leal exige, por outro lado, um amigo que pelo menos seja grato. E esse agradecimento jamais tenta sobrepujar as referências que fiz da competência de V. Exª, da atuação de V. Exª, do brilhantismo de V. Exª. Perde o Senado Federal, perde o Piauí, na verdade, em função de não ter no Congresso Nacional um parlamentar com a garra, com a coragem, com a disciplina e com a competência de V. Exª. Não vou me estender porque vários outros companheiros desejam aparteá-lo, mas passaria toda a tarde aqui tecendo elogios merecidos a V. Exª pela brilhante atuação aqui no Senado Federal. Meu muito obrigado e minha gratidão pela correção que V. Exª teve para comigo nos momentos em que necessitei. Meu muito obrigado.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Meu caro Senador Roberto Cavalcanti, agradeço as palavras carinhosas, generosas de V. Exª. Quero dizer que tive o prazer e o privilégio dessa convivência. Espero conservar a sua amizade e, acima de tudo, ter a honra de dizer que convivi com um bravo Senador que a Paraíba mandou para esta Casa.

            Muito obrigado a V. Exª.

            Ouço o meu Líder Antonio Carlos Júnior.

            O Sr. Antonio Carlos Júnior (DEM - BA) - Senador Heráclito Fortes, nossa amizade vem de família. V. Exª foi amigo de Luis Eduardo, do meu pai, é meu amigo, amizade que começou em 2001 ou 2002, quando V. Exª ainda estava na Câmara dos Deputados, e continuou aqui no Senado, nos últimos quatro anos. Foi uma convivência muito amistosa, de amizade, de lealdade, de respeito mútuo, de colaboração. Em tudo que precisei, V. Exª sempre procurou me atender da forma mais rápida e eficiente possível. Quando V. Exª participou da Mesa Diretora, tendo a responsabilidade grande, sob o comando do Presidente Sarney, de fazer uma reformulação administrativa dura na Casa, isso foi feito; mesmo com as incompreensões de muitos, esse trabalho foi feito. V. Exª tem que ser parabenizado por isso, porque se empenhou ao máximo para conseguir isso, sob a orientação do Presidente Sarney. Portanto, essa relação conosco foi muito estreita, no mesmo Partido, sempre discutindo as coisas na Bancada de forma aberta, leal e sempre estivemos afinados. E sempre estivemos afinados. Então, essa amizade, que era de Luiz Eduardo, que era do meu pai, cresceu comigo, e nós teremos aí um futuro, continuaremos ligados, continuaremos amigos. Então, parabéns pelo mandato de V. Exª. Uma produção legislativa muito expressiva e uma participação grande em todos os momentos desta Casa. Parabéns pela sua atuação.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª as palavras, mas, acima de tudo, por puxar lembranças à minha memória. É evidente que a honra de ter convivido com seu pai, com seu irmão, com V. Exª e com seu filho, para mim, são altamente positivas, altamente proveitosas. Foi um aprendizado grande. Participei de um momento muito rico, no Congresso Nacional, como Deputado Federal; primeiro, com o Deputado Luiz Eduardo, Presidente da Câmara; depois, como Líder do Governo, e eu como Vice-Presidente daquela Casa. Foram momentos fantásticos na história da democracia e pude acompanhar a tenacidade com que o seu pai e o seu irmão tratavam o interesse público. Essa é uma recordação que lavarei para sempre de maneira saudosa e carinhosa.

            Concedo um aparte ao Senador Mozarildo Cavalcanti.

            O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) - Senador Heráclito, já foi dito aqui - eu quero ressaltar - que V. Exª não só como Secretário da Mesa, aliás, a Secretaria mais complexa que existe, se houve com muita competência, mas também como Presidente de diversas comissões. Eu queria ressaltar aqui o trabalho de V. Exª na CPI das ONGs. Essa realmente foi uma tarefa complicadíssima. Eu tenho experiência de ter sido o Presidente da primeira CPI das ONGs. E V. Exª está fazendo um trabalho muito mais amplo, pelos menos, tentou fazer um trabalho bem mais amplo e mostra que tínhamos muita razão ao investigar essas instituições, porque, a cada dia que passa, mais nós vemos escândalos com essas instituições de fachada que só querem realmente pegar dinheiro público. Quero, portanto, cumprimentar V. Exª, dizer V. Exª é um exemplo de Senador combativo, coerente, dedicado. Espero que, em breve, tenhamos V. Exª de volta aqui e, sobretudo, que o Piauí não se prive da sua atividade política e o Brasil também não fique, digamos assim, carente de uma pessoa do seu quilate, uma pessoa sincera e ativa no trabalho e nas coisas que defende. Parabéns, portanto! Tenho certeza de que o povo do Piauí vai sentir sua falta.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª, Senador Mozarildo, uma figura que comecei a admirar como Deputado Federal. Depois, essa admiração aprimorou-se e cresceu bastante aqui nesta Casa. V. Exª, como abnegado defensor de seu Estado, um Senador de tempo integral, um homem de vida transparente, demonstra, no dia a dia, pela sua atuação, todo o amor e dedicação que tem pelo Estado de Roraima. Tenho muita alegria de ter podido conviver com V. Exª.

            Senador Valdir Raupp.

            O Sr. Valdir Raupp (PMDB - RO) - Nobre Senador Heráclito Fortes, quero parabenizá-lo pelo brilhante trabalho que desempenhou aqui no Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados, como Deputado Federal por vários mandatos, aqui no Senado Federal, nas comissões. Na Primeira-Secretaria do Senado, juntamente com o Presidente José Sarney, fizeram um brilhante trabalho de transparência. V. Exª nunca teve medo de enfrentar a imprensa, o público, sempre com muita transparência, e conseguiu resolver um problema praticamente crônico no Senado Federal. Ao mesmo tempo que parabenizo V. Exª, também da mesma forma o Presidente José Sarney, que, com muita determinação e brilhantismo, desempenhou o papel como Presidente juntamente com V. Exª na 1ª Secretaria. Com certeza, o País perde dois grandes Senadores: Mão Santa, que sai também e que desempenhou um trabalho importantíssimo no Senado Federal; e V. Exª, que deixou um legado de trabalho e de seriedade aqui no Congresso Nacional. Assim como já disse a outros Senadores que estão se despedindo, que não seja um adeus, que seja um até logo, que possam voltar para continuar o trabalho junto com a gente aqui. Parabéns a V. Exª! Que tenha um Feliz Natal, juntamente com sua família, e um Ano Novo cheio de paz, alegria, de muita prosperidade! Obrigado.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª, Senador Valdir Raupp, outro grande companheiro. Conhecemo-nos em lutas iniciadas na Câmara dos Deputados e depois continuadas nesta Casa, V. Exª sempre mostrando muita habilidade nas tarefas partidárias que lhe foram confiadas. Liderou, em momento muito difícil, seu Partido, sabendo conduzir, com muita sobriedade, mas muita determinação todas as questões que lhe eram postas neste processo democrático que é o exercício da atividade parlamentar.

            Muito obrigado a V. Exª.

            Concedo o aparte ao Senador Marco Maciel.

            O Sr. Marco Maciel (DEM - PE Com revisão do aparteante) - Nobre Senador Heráclito Fortes, iniciaria minhas palavras cumprimentando-o pelo excelente desempenho que V. Exª obteve no Senado Federal, nos oito profícuos anos em que esteve exercendo o mandato de Senador da República, que lhe foi conferido pelo povo do seu Estado, o Piauí. Ao felicitá-lo, desejo dizer que lhe tenho uma antiga estima, posto que V. Exª, nordestino como eu, quando estudante em Pernambuco, conviveu com gerações próximas da minha e grande parte de sua formação estudantil teve lá. Por isso conhece bem o Estado e as expressões da cultura e do magistério pernambucanos. V. Exª, aqui chegando, logo ocupou funções relevantes no Senado Federal. Como prova do que afirmo V. Exª é o 1º Secretário da Mesa do Senado Federal, o que significa ter enormes atribuições para o bom desempenho da administração da Casa sob a Presidência do Presidente José Sarney. Quero dizer que muito aprecio a sua conduta, a sua forma de proceder e devo também manifestar o desejo que, posto que tem espírito público e uma grande vocação política, permaneça V. Exª a desenvolver as suas atividades políticas, para que tenhamos representantes da sua têmpera, que conhecem os problemas da nossa região e sabem resolvê-los e, por esse caminho, assegurar ao País um crescimento menos assimétrico e mais justo. É isso que todo o povo brasileiro espera. Tenho impressão de que V. Exª poderá contribuir muito para que esse objetivo se realize, já que, sendo do Nordeste, sabe o quanto é importante a presença do Governo Federal para resolver os nossos problemas, sobretudo aqueles que mais diretamente afetam o desenvolvimento do nosso País. No mais, gostaria de apresentar, em meu nome e no de Anna Maria, minha esposa, à Dona Mariana, sua esposa, nossa amizade e V.Exª votos de continuado êxito, contribuindo para que o Nordeste siga a oferecer ao Brasil ilustres homens públicos capacitados a bem cumprir a tarefa que o eleitor consagrar. Portanto, concluo meu aparte, nobre Senador Heráclito Fortes, abraçando-o, certo de que V. Exª ainda muito fará pelo nosso País e, de modo especial, pelo nosso Nordeste. Muito obrigado

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Eu agradeço a V. Exª, Senador Marco Maciel.

            Eu tive vários privilégios na vida. A vida foi muito generosa comigo: encaminhar-me para Pernambuco e, de Pernambuco, encaminhar-me para Brasília; e eu ter tido a oportunidade de ser da sua geração política e ter V. Exª como horizonte, como norte, como exemplo, esse exemplo que sempre dura.

            Essa admiração e, acima de tudo, esse acompanhamento do seu êxito político, há mais de quarenta anos, para mim, foram um guia. V. Exª representa isso para uma geração de numerosos políticos brasileiros e, principalmente, nordestinos.

            Uma das coisas que não quero perder, já que vou perder esta tribuna, é a oportunidade da convivência com V. Exª. Ao longo desses anos todos aqui, além de eu ter sido privilegiado pelo destino, ao sentar-me ao seu lado, tive o privilégio de aprender muito com V. Exª, no dia a dia das conversas de pé de ouvido, nas orientações que recebi. E V. Exª tem uma característica interessante: V. Exª, até com o silêncio, nos ensina muito, e, muitas vezes, o silêncio foi um guia. Quero guardar isso, Senador Marco Maciel, para que sirva de exemplo à minha geração, para que sirva de exemplo aos meus filhos. É um orgulho ter convivido com V. Exª.

            Senador Magno Malta.

            O Sr. Magno Malta (Bloco/PR - ES) - Senador Heráclito Fortes, sou grato a Deus pela oportunidade de ter convivido com V. Exª. Nós nos conhecemos na Câmara Federal. Não posso esquecer-me do episódio que me levou à Presidência da CPI do Narcotráfico. Eu não tinha vaga naquela CPI, e V. Exª conhece bem a história de que vagueei, batendo à porta de todas as Lideranças. Do Aécio Neves, que era líder do PSDB, e ele não me deu a vaga. Bati à porta do Geddel, que era líder do PMDB, e ele não me deu uma vaga para entrar naquela CPI. Bati à porta de todos os partidos grandes. Eles não me deram, porque havia vagas demais. O proponente era o Moroni Torgan, que era do PSDB e que assumiria a relatoria, e a vaga ficaria com PFL, que tinha Inocêncio de Oliveira como seu líder, o qual também procurei, pedindo uma vaga. E ele disse que não, que não tinha condições de ceder essa vaga ao meu partido. E vim aqui procurar o Senador Antonio Carlos, porque, com tantos anos tirando drogados das ruas, eu imaginava que pudesse cooperar naquela CPI. Eu não tinha noção do outro lado do balcão e do problema que iríamos investigar no Brasil. E, no meio daquele episódio inteiro, veio o falecimento do Luís Eduardo, com quem não convivi. Ouvia falar. Oposição, Direita, Esquerda, ele era unânime. Todo mundo se refere a Luís Eduardo como um indivíduo equilibrado, cumpridor de acordo - está aqui o irmão dele. Naquela época de Zé Dirceu, José Genuíno, Aloizio Mercadante, todos falavam a mesma coisa a respeito desse moço, jovem, que presidiu aquela Casa. Com o passamento dele, o Senador Antonio Carlos, aqui, fazendo um enfrentamento ao Judiciário, próprio da sua natureza, da sua coragem; o Ministro Almir Pazzianotto, do TRT, de São Paulo, porque ACM estava batendo na questão do Lalau, ele começou a enfrentar o ACM pelos jornais, e, num determinado momento, não aguentando a luta, ele tocou na memória do Luís Eduardo. E aí é esse episódio, exatamente, que me levou, como um deputado novo, à tribuna da Casa, numa quarta-feira, e fiz um pronunciamento defendendo a memória de Luís Eduardo, que não conheci, com quem não convivi, mas achei o fim do mundo o posicionamento daquele Ministro. E tal foi minha surpresa porque, numa quarta-feira, com plenário lotado, fui aplaudido por todos, inclusive por V. Exª, por ter defendido a memória de Luís Eduardo. Ao descer da tribuna, Inocêncio se aproxima de mim e diz que o PFL não só me daria a vaga, mas ia me dar a Presidência da CPI do Narcotráfico. E a segunda pessoa que encontrei ao deixar Inocêncio, no plenário apertado, foi V. Exª, que apertou minha mão. Eu não tinha convivência nenhuma com V. Exª. Eu era um deputado novato. E V. Exª reafirmou, emocionado, por conta do discurso que eu tinha feito, defendendo a memória do Luís Eduardo, o que tinha dito Inocêncio Oliveira. E, ao longo daquela CPI, todas as necessidades dela em plenário, eu que me tornei íntimo de V. Exª, eu contei, nós contamos com V. Exª. Para mim, não foi surpresa quando V. Exª cruzou comigo aqui e chegamos a esta Casa. E todas as iniciativas, inclusive essa última, CPI da Pedofilia, V. Exª foi solícito em todo o tempo, em todas as posições que ocupou nesta Casa. Um amigo, digo amigo porque já comi à sua mesa, já almocei no seu gabinete. Inclusive, V. Exª está me entregando uma escultura que tem lá da minha mãe comigo no colo. Não sei como aquele artista piauiense foi descobrir o rosto da minha mãe e o meu, quando eu era menino, porque fez uma escultura de barro, Antonio Carlos Júnior, igualzinha à minha mãe, igualzinha a mim! Está lá, e ele já disse que vai me entregar antes de ir embora. Então, V. Exª é meu amigo; V. Exª assumiu posição aqui, num momento difícil desta Casa; V. Exª assumiu a 1ª Secretaria, e, se não tivesse o respaldo, a autoridade moral, o respeito da mídia que V. Exª tem, certamente nossos dias teriam sido muito mais difíceis, mas a lealdade de V. Exª ao Presidente Sarney e a todos nós, enquanto pares seus, é que me faz demorar um pouco mais no meu aparte. Vou sentir sua falta, pela sua generosidade e pelo seu espírito feliz, sua espirituosidade, espontaneidade em tratar as coisas; sua capacidade nordestina de fazer piada, de debochar e de dar respostas muito rápidas. Todos nós haveremos de sentir. Por isso, muito obrigado pela sua amizade. Tenho certeza de que nós perdemos, mas sua família ganhou com a presença de V. Exª mais próximo. Muito obrigado, e Deus o abençoe muito!

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª, principalmente por puxar da minha memória e me fazer relembrar episódios que, realmente, fazem parte do meu dia a dia, da minha vida política.

            E quero dizer a V. Exª que fique absolutamente tranquilo. Quando voltar a esta Casa, irei visitá-lo, irei ao seu gabinete, porque, para mim, isso é um motivo de prazer. Tive o privilégio de começarmos praticamente juntos nossa vida pública. V. Exª continua, eu vou para casa, mas vou com a consciência absolutamente tranquila do dever cumprido.

            Senador Eduardo Azeredo, com o maior prazer.

            O Sr. Eduardo Azeredo (PSDB - MG) - Senador Heráclito Fortes, este é um momento em que V. Exª faz um balanço, despede-se do Senado. Estivemos juntos aqui, nesses oito anos, mas, na verdade, eu o conheci ainda como prefeito lá de Teresina, depois sempre naquela época do antigo MDB, e o fato é que algumas marcas suas são muito fortes aqui no Senado: a verve, o bom humor, a presença de espírito. Mas tem outras que são da qualidade pessoal. Eu poderia lembrar a coragem, a amizade, a lealdade. Mas a mais importante é a vocação pública, a sua vocação pública forte, que o fez realmente aqui um dos líderes da oposição, que acabou recebendo raivas palacianas que interferiram nas eleições do Piauí. Mas quero, portanto, aqui, nestas últimas palavras como aparte à sua despedida do Senado, dizer que me orgulho de ser seu amigo, de ter V. Exª como um companheiro na Oposição. V. Exª soube auxiliar o Presidente Sarney nesses últimos dois anos. De maneira que, meus parabéns! Vamos continuar nas mesmas trincheiras, na trincheira da defesa do interesse público brasileiro, seja onde for, na oposição, no governo, sempre abertos ao diálogo, como V. Exª sempre esteve: nunca fechou a porta ao diálogo, que é importante sempre existir. Meus parabéns pelo seu trabalho.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª e quero dizer que o privilégio da convivência é um privilégio herdado, porque tive a felicidade, posso dizer, Senador Marco Maciel, tive o privilégio de conviver com o pai dele, com o velho Renato Azeredo. Comecei a aprender ali. Aliás, a minha convivência no Congresso Nacional com algumas figuras me enriqueceu muito.

            O Renato era uma dessas pessoas. Voz baixa, cigarro de palha, sempre solícito com o grupo.

            Era um homem fechado, mas, com quem ele aceitava ter um relacionamento, você podia ter a certeza de que tinha no Renato Azeredo um grande companheiro, um grande amigo, e eu posso dizer, meu caro Eduardo, que querer bem a V. Exª foi uma tarefa bastante fácil porque já herdava a admiração e o carinho que eu tinha pelo seu pai.

            E V. Exª não o decepcionou. V. Exª tem todas as suas virtudes, V. Exª é um grande brasileiro, é um grande mineiro, e fico muito contente em participar do privilegiado rol dos seus amigos.

            Senador Cyro Miranda, é o maior prazer ouvi-lo.

            O Sr. Cyro Miranda (PSDB - GO) - Senador Heráclito Fortes, ao contrário dos seus amigos aqui, eu não tive o privilégio de uma convivência estreita, pois tomei posse nessa sexta-feira, mas saiba o senhor que, nas minhas inúmeras vindas aqui como suplente do Senador Marconi, admirava-o neste plenário pela sua altivez, por ser um homem combativo, e é por isso que, até hoje, ninguém esquece a sua gestão na Prefeitura de Teresina, que procurou modernizar com os programas sociais. O senhor deixa realmente, nesta Casa, uma marca muito forte. Esse carinho e demonstração que seus pares fazem hoje são incontestes à sua liderança, à sua postura de homem público. O senhor certamente vai nos fazer muita falta. Eu, que começo a dar os meus primeiros passos, vou sentir a sua ausência, porque sei que teria um mestre para me ensinar muitas coisas nesta Casa de leis. Quero desejar ao senhor felicidades daqui para frente e um até breve, esperando vê-lo novamente daqui a alguns anos. Muito obrigado, Senador.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço suas palavras e quero dizer que vou sair perdendo. Saio, V. Exª chega, e chega com a responsabilidade de substituir uma extraordinária figura que aprendi a querer bem como Deputado, o Senador Marconi Perillo, Governador eleito pela terceira vez em Goiás.

            Ficamos amigos desde a Câmara. Acompanhei a sua primeira luta para se consagrar candidato a Governador de Goiás; uma luta difícil, que muitos consideravam um desafio à lei da gravidade e que ele conseguiu enfrentar de maneira soberana, de maneira corajosa. Eleito, foi um grande Governador de Goiás, tanto é que agora retorna, e V. Exª vem substituí-lo.

            Mas fique certo de que a TV Senado nos proporciona uma aproximação com os companheiros. Embora eu não fique a partir do próximo ano sendo visto por V. Exªs, estarei vendo V. Exªs no desempenho das suas funções e terei tristeza por não estar ao seu lado, mas o orgulho de ter tido essa estreita convivência. Aproveito para lhe desejar toda a felicidade do mundo.

            Senador José Agripino e, em seguida, Senador José Nery.

            O Sr. José Agripino (DEM - RN) - Senador Heráclito Fortes, está aí uma coisa que vai fazer falta: o seu vozeirão aqui no plenário - não tenho nenhuma dúvida -, a sua presença, a sua opinião, a sua coragem. Vai ficar um vazio. Muita gente vai fazer falta, Senador Sarney, muita gente, mas Heráclito, com a sua personalidade esfuziante, acho que aprendeu isso na convivência com Ulysses Guimarães, que era um homem marcado pela cordialidade, mas por atitudes muito firmes. Eu acho que a convivência que V. Exª teve com ele, há anos, deixou-lhe esta marca forte: a de ser amigo de seus amigos. V. Exª é homem que não deixa amigo no meio do caminho, o que é uma virtude muito importante. V. Exª é um homem de coragem cívica comprovada, V. Exª tem a consciência plena da importância do mandato, tanto é que, Senador, quando Presidente da Comissão de Relações Exteriores, foi um Presidente exemplar, muito atuante, fez coisas que muitos Presidentes não fizeram. Como 1º Secretário da Casa, V. Exª vai deixar uma marca que o futuro vai reconhecer - vai deixar uma marca que o futuro vai reconhecer -, mas, acima de tudo, a consciência de que o seu papel de Senador de oposição foi desempenhado de forma exemplar. O vozeirão ao qual eu me referia era o vozeirão que não se calava nas CPIs, que não se calava na Presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito das ONGs, que V. Exª propôs e que a banda governista sufocou, mas que permanece como um assunto a ser investigado e é um legado que V. Exª deixa, essa ponta de iceberg a ser investigada que o seu mandato deixa. De modo que, por isso tudo aqui, vamos sentir falta de sua presença. Agora, tenho certeza de que vai ser uma falta temporária, não vai demorar muito tempo. Com a sua qualificação política, pessoal, V. Exª vai se eleger muito brevemente e vai voltar ao convívio da classe política com um mandato novo. De toda a forma, eu, como seu companheiro, orgulhoso de tê-lo nos quadros do nosso Partido, quero desejar a V. Exª, à Mariana e a suas filhas muito bom êxito daqui para frente e dizer que V. Exª continua com grandes amigos no seu Partido e neste Congresso Nacional. O seu amigo José Agripino continua aqui, como naqueles velhos tempos em que nos conhecemos em Teresina; eu, empresário, e V. Exª, cidadão, funcionário público, em que nos encontrávamos e nos conhecíamos há mais de trinta anos. O tempo passa, mas a amizade permanece e fica aqui fincada. Que Deus lhe proteja! Eu me considero no rol dos seus amigos sinceros.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Eu agradeço a V. Exª e aí eu fico dividido se agradeço ao amigo, se agradeço ao Líder. Eu agradeço essa convivência que tivemos por quase quarenta anos, Senador José Agripino, quase quarenta anos; um pouco menos, um pouco mais. V. Exª era empresário, com atuação no Maranhão; eu era Assessor Parlamentar do Ministro Ney Braga; o pai de V. Exª, Governador do Rio Grande do Norte, um extraordinário Governador e um exemplo para aquela geração. Conhecemo-nos ali. Tínhamos amigos comuns. V. Exª ia a Teresina, para dali seguir para suas atividades no Maranhão, e, a partir daquele momento, passei a admirá-lo. Não foi surpresa quando o vi, logo em seguida, Prefeito de Natal. E daí não parou mais.

            É esse Senador aguerrido, que, agora, sim, desafiou a lei da gravidade e traz mais um mandato do povo do Rio Grande do Norte para esta Casa, enfrentando, talvez, a mais injusta, a mais perversa das campanhas de que tivemos notícia por este Brasil afora.

            V. Exª, evidentemente, não permitirá que a voz da oposição se cale, porque, se V. Exª foi eleito pelo povo do seu Estado para ser oposição, tenho certeza de que V. Exª está compenetrado no papel que recebeu, da delegação que recebeu do povo do seu Estado, e fará com a mesma competência. No próximo mandato, fará o exercício da atividade política que vai, com certeza, orgulhar os norte-rio-grandenses, mas, acima de tudo, vai orgulhar o Brasil.

            Muito obrigado a V. Exª e fique certo de que não liberarei, em nenhum momento, um milímetro da possibilidade de aprender e de conviver com V. Exª.

            Senador José Nery.

            O Sr. José Nery (PSOL - PA) - Senador Heráclito Fortes, quero cumprimentá-lo pelo trabalho de V. Exª, não apenas nos oito anos de mandato no Senado Federal, mas por sua longa trajetória política: Prefeito, Deputado Federal. Especialmente quero aqui assinalar a luta de V. Exª no processo de redemocratização do nosso País. Ainda como integrante do MDB, na oposição, e depois PMDB, V. Exª se dedicou à luta por liberdades democráticas em um momento muito difícil da nossa história. E aqui, no Senado Federal, quando eu aqui cheguei em 2007, recebi de V. Exª, à época Presidente da Comissão de Relações Exteriores, o convite para integrar aquela Comissão. Participei, a convite de V. Exª, de várias atividades, entre elas de missões internacionais e de importantes debates com relação à integração regional, especialmente com relação ao Mercosul.

E dizer a V. Exª que o seu trabalho também à frente da 1ª Secretaria da Casa é algo que todos nós aqui reconhecemos. Quero, ao externar esses cumprimentos, desejar muito êxito em sua nova atividade. A tarefa à qual V. Exª se dedicar, qualquer que seja ela, com certeza V. Exª sempre fará com determinação, com coragem, que é uma marca da sua personalidade. Aqui, V. Exª sempre polemizou com temas importantes e sempre ofereceu a sua opinião em debates que têm a ver com aquilo que queremos para o presente e para o futuro do Brasil. Portanto, V. Exª é um vencedor, e não é um obstáculo no caminho que irá tirar o brilho da sua trajetória, da sua carreira, do seu compromisso com o povo do Piauí e com aquilo que é mais importante para aprofundar a democracia em nosso País. Meus parabéns pelo seu trabalho, e o desejo sincero de que V. Exª continue lutando por todos os ideais, por todos os princípios que sempre nortearam a sua atividade pública, a sua atividade política. Obrigado pela convivência. Muitas vezes, e todos aqui são testemunhas, tivemos embates, muitas vezes divergimos. Mas o que é mais importante assinalar na convivência parlamentar é o respeito mútuo que nutrimos; mesmo nas diferenças - e todos sabem aqui que não foram poucas -, nem por isso diminui a admiração que temos, ou o respeito com que sempre tratamos um ao outro. Portanto, a V. Exª quero agradecer também aquela oportunidade importante de, ao seu convite, integrar a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Parabéns pelo seu trabalho e muito sucesso em suas novas atividades.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª o seu aparte. E quero dizer o que já disse aqui algumas vezes e vou repetir: eu tenho profunda admiração pelo seu trabalho. E sempre quis tê-lo perto. Tanto é verdade que, em determinado momento, não havia sequer vaga para que o seu partido lhe colocasse na Comissão de Relações Exteriores, e eu fiz um deslocamento porque achava que, naquele momento, era muito importante a sua participação naquela Comissão. Tivemos alguns debates, debates duros. Muitas vezes eu, maliciosamente, provoquei V. Exª para ver a sua irritação. Eu sempre aprendi na vida, Senador José Nery, que nós temos que administrar as nossas iras e os nossos ódios. Ai do homem público que não faça isso! Quantas vezes eu levei alguns companheiros, aqui, às raias da quase loucura, do desespero, com provocações, exatamente no sentido, Presidente Sarney, de fazer com que esta Casa crescesse no seu debate. O Senador Suplicy, que, infelizmente, não está aqui presente, com quem nós tivemos tremendas desavenças, mas todas elas não maculando o respeito e a admiração que sempre nutri pelo cidadão que tem a vocação parlamentar. Mas eu tenho certeza de que, de todas as divergências que nós tivemos, a mais grave, que V. Exª nunca me perdoou, foi quando nós decolávamos de Luanda, eu no comando do avião, e V. Exª entrou em desespero, cabine adentro, querendo que eu saísse daquela posição. Evidentemente que essa foi a maior divergência que nós tivemos, graças a Deus superada pelo sucesso da decolagem. Eu agradeço a V. Exª pela convivência. E tenho certeza de que vamos continuar amigos, embora divergindo desse seu radicalismo irreversível.

            Com a palavra o Senador Efraim Morais.

            O Sr. Efraim Morais (DEM - PB) - Meu caro companheiro Senador Heráclito Fortes, V. Exª, como sempre, brilha em todos os instantes, na chegada e na saída. V. Exª continua sendo um Parlamentar competente, alegre e, ao mesmo tempo, ciente de sua missão cumprida não só nesta Casa, como também na Câmara dos Deputados. Tive a oportunidade, há pouco, de dizer-lhe que V. Exª foi um dos mais brilhantes Parlamentares da Câmara dos Deputados e aqui não foi diferente. Por isso, todos aqueles que tiveram a felicidade de conviver com V. Exª, na condição de companheiro, sabem de sua estima. E eu fui mais além porque, além de companheiro, fui parceiro. Estivemos no mesmo partido o tempo todo. Estivemos juntos na parte administrativa das duas Casas. E eu não tenho a menor dúvida de que V. Exª deixa um grande vazio nesta Casa e no Congresso Nacional, um dos Parlamentares que procurou sempre, com toda garra e postura, defender não só o Piauí, mas o nosso Nordeste e todo o Brasil. V. Exª é um político de coragem, político determinado. Tenho absoluta certeza de que está apenas se afastando por um período curto de quatro anos, porque o Brasil e não só o Senado, mas o Congresso Nacional precisam de Parlamentares do quilate, da coragem e da determinação de V. Exª. Tenho absoluta certeza de que, dentro de pouco tempo, este até logo de hoje estará esquecido para uma nova etapa, para continuar essa missão que o povo do Piauí lhe deu durante tanto tempo e que agora faz uma pausa, para que V. Exª possa realmente voltar com mais força, com mais determinação, com mais gás e, acima de tudo, com a certeza de que cumpriu, durante todo esse período, todos os mandatos, tanto no Executivo como no Legislativo, com competência, com lealdade e, acima de tudo, com transparência. Parabéns a V. Exª. Que Deus o abençoe e lhe dê força, saúde e paz para continuar a ser não só o político, mas o amigo cidadão que fez nesta Casa muitos amigos, e, com certeza, muitos saberão seguir seu caminho, o da competência, da lealdade e transparência. Parabéns a V. Exª. Tenho certeza de que, em breve, o Piauí fará com que V. Exª volte a esta Casa, para continuar a representá-lo. Parabéns, meu caro Heráclito Fortes.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Meu caro Senador Efraim, agradeço a V. Exª por esse depoimento marcante que faz sobre minha atuação, pela convivência. Confesso a V. Exª que reconheço: fui, ao longo da vida, um Parlamentar de tempo integral. Dediquei-me, em todos os momentos da vida, à atividade parlamentar. Há uma coisa que me orgulha muito. São vários testemunhos. Aqui mesmo, neste plenário, há um ex-Presidente da República, um ex-Ministro da Educação, um ex-Ministro da Casa Civil. O Brasil inteiro pode testemunhar. Ao longo de minha vida pública, nunca bati à porta de nenhum gabinete para tratar de assunto que não fosse de interesse público.

            Graças a Deus, esse é um troféu que vou levar. Tive sempre a atividade parlamentar por vocação, por opção. Tendo sido Prefeito de Teresina num momento de muita dificuldade, consegui modificar a estrutura administrativa daquele Município, proporcionado aos que me seguiram a possibilidade de governá-la sem dependência permanente de outros Poderes. Essa é outra experiência para mim muito gratificante, Senador Efraim, e que eu levarei pela vida afora.

            Senador Cícero Lucena, com muito prazer, escuto V. Exª.

            O Sr. Cícero Lucena (PSDB - PB) - Senador Heráclito Fortes, quero também, como muitos já o fizeram, registrar o meu conhecimento dessa oportunidade que tive da convivência com V. Exª, dizer da minha satisfação de acompanhá-lo no sentido de reconhecer toda a sua inteligência, o seu espírito público, a sua dedicação, não apenas neste mandato, a sua preocupação com o Brasil, mas também muito particularmente com o nosso Piauí querido. Então, eu gostaria de dar o meu testemunho e dizer, como outros já disseram, que V. Exª fará muita falta a esta Casa e a todos nós que tivemos a chance e a oportunidade de conviver com V. Exª.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Minha admiração e minha amizade por V. Exª começaram quando V. Exª trouxe para perto de si um piauiense, que já não está mais entre nós, mas que marcou muito a minha geração pela sua determinação e que migrou de Teresina para João Pessoa, tendo sido um grande amigo e auxiliar de V. Exª. Através dele, ouvi os primeiros depoimentos a seu respeito e, a partir daí, comecei a focá-lo como um homem de virtude, como um homem que teria futuro na política brasileira. O tempo tomou conta do resto.

            Senador Acir.

            O Sr. Alfredo Cotait (DEM - SP) - Senador Heráclito Fortes, eu fiquei para o fim, porque eu queria realmente agradecer a sua receptividade...

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - V. Exª me perdoe. É a iluminação, Senador Alfredo Cotait. Desculpe-me, V. Exª.

            O Sr. Alfredo Cotait (DEM - SP) - Senador, na verdade, fiquei para o fim, porque eu estava aqui atento, ouvindo as referências dos nossos colegas Senadores à sua pessoa. Eu já o admirava tempos atrás e, agora, constatei aqui a importância que foi o seu trabalho e a falta que realmente o senhor fará ao Senado. O senhor é um ícone, um líder no nosso partido, uma pessoa querida por todos. Realmente, eu queria deixar estas palavras de agradecimento pela receptividade que o senhor sempre proporcionou à minha pessoa e pelo seu trabalho no Senado, para o seu Estado e para o Brasil. Parabéns. Tenha sucesso na continuação da sua vida pública, pois tenho certeza de que ainda terá muitas coisas para oferecer para o nosso Brasil.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Senador Alfredo, quero dizer que V. Exª foi uma extraordinária surpresa que eu tive nestes meus últimos meses de Senado.

            V. Exª chegou aqui com a tarefa dificílima de substituir uma figura que marcou esta Casa, que foi o Senador Romeu Tuma. E V. Exª chegou, Senador, sem estágio probatório; V. Exª não passou pelo período de experiência. V. Exª chegou e assumiu o Senado. Para mim, não foi nenhuma surpresa, porque amigos comuns nossos, como o Prefeito Gilberto Kassab, já tinham me dito que V. Exª seria um grande Senador nesse pouco espaço de tempo. E a atuação de V. Exª tem demonstrado exatamente isso.

            Peço-lhe desculpa por tê-lo confundido. São dois louros, dois altos e dois elegantes que sentam, mais ou menos, na mesma posição, e a iluminação deficitária, por conta de reforma do plenário do Senado, fez com que me confundisse.

            Quero que V. Exª saiba da profunda admiração que tenho pela sua atuação aqui nesta Casa. V. Exª é um vapt-vupt, vai deixar uma marca, e esta Casa vai ficar muito feliz se puder tê-lo de volta em outro momento.

            Meu caro Senador e amigo Mão Santa.

            O Sr. Mão Santa (PSC - PI) - Senador Heráclito, o Piauí sai daqui vitorioso. Primeiro, está ali o Presidente Sarney, que sabe tudo ou quase tudo. É o estadista aqui do nosso Brasil. Com todo o respeito ao Amapá, V. Exª é mais do que o Brasil. Aliás, ele é um dos pais do Parlamento da América do Sul. Mas vamos seguir. Está aqui o Marco Maciel. Esse negócio de literatura é bom, aprende-se. Uma coisa me incomoda. V. Exª está destronando hoje a história da França. Há o Richelieu, que levou dezessete anos, governou lá. O Luís XIII era meio fraco. Aí ele empurrou o Cardeal Mazarin, que foi dezoito anos. Trinta e cinco anos, um discípulo do outro. E lá no livro do Cardeal Mazarin, Breviário dos Políticos - inclusive, está incluído até na melhor coleção do Senado, nº 15 -, diz, Presidente, que amigos não se tem. Isso é ele lá. V. Exª, líder político do Piauí, hoje é a estrela como a da bandeira do nosso Estado - a bandeira do Piauí é mais bonita que a do Brasil, só tem uma estrela -, e vou dizer por quê. O Cardeal Mazarin diz para o mundo - o livro dele está até inserido no nº 15, em mensagem para o governante, o melhor livro do Senado - que amigos não se tem. E quero dizer que o Heráclito prova ao Brasil que amigos se tem. Sua vida política foi brilhante no Poder Executivo. Fui Prefeito de Parnaíba junto com V. Exª, de Teresina; modificou mesmo. Fomos os únicos que fizemos a Previdência Municipal, os prontos-socorros municipais, assistência de ambulância. Nós inovamos mesmo. Agora, amigos existem. A sua vida é repleta. V. Exª tem essa capacidade. Eu vou citar um amigo mesmo dele. Inveja não tenho, não, porque você é meu amigo, vivemos em outra época. Hoje tenho o Presidente Sarney. Mas vi Tancredo Neves; nós sentimos. Vi, não com inveja, não. Só vi quando ele foi comícios, quando esteve na Parnaíba, na Sudene. Sentia-se a amizade de Tancredo. Eu vi, tive o privilégio de ver seu amigo Tancredo, Ulysses Guimarães. Não vou dizer que eu tinha inveja, porque não tenho inveja. Mas vi e senti a amizade, como o povo do Piauí, quando ele foi lá a comícios. José Eduardo Magalhães, esse era o irmão gêmeo. Cadê os irmãos dele aí? Eduardo Magalhães, irmão mesmo, de beber um negócio, confraternizar, de... Irmão! Irmão de José Eduardo Magalhães! Está aí. Isso existe. (Pausa) Hein? Luiz Eduardo Magalhães. É como o Roberto Carlos diz: “Meu amigo de fé, meu irmão camarada”. É esse daí. Dou testemunho porque vi, convivemos juntos. Até porque eu era do lado oposto na política. Amigo mesmo. Amigo de fé, irmão camarada. Aí passou, e o Antonio Carlos Magalhães adotou ele, quando perdeu. Isso é conseqüência, mas amigo mesmo. Renato Archer, do Maranhão, era amigo. E mais: todos nós temos títulos, ganhamos muito. Eu, por exemplo, o mais orgulhoso, eu trouxe para este Senado. Foi no centenário de Juscelino Kubitscheck. O Memorial nos convidou a receber, pela vida. Sou médico, cirurgião, de Santa Casa, prefeitinho. Até cassado ele foi. Está entendendo? Ganhei o mais importante. Mas ele tem uma carta no gabinete dele do Rolim, do Comandante Rolim, que é um herói nacional. Essa TAM, que levamos... Está lá na carta o Rolim citando... Não dá em uma mão o número de amigos que ele tem, mas, entre os quais, está o nome de Heráclito Fortes. Está entendendo? Então, eu queria entrar nas centenas de milhares de amigos que você tem. Então, V. Exª é um orgulho. Nós combatemos o bom combate, como fez São Paulo. Há o sofrimento da derrota, mas triste mesmo, vamos dizer, é a covardia de ter fugido da luta. Nós combatemos o bom combate. Como o Apóstolo Paulo, nós podemos dizer que percorremos o nosso caminho, pregamos a nossa fé e combatemos o bom combate. A nossa admiração e o nosso respeito.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª e quero dar um depoimento aqui muito interessante, Senador ACM Júnior.

            Eu me elegi em chapa diferente da do Mão Santa, lá no Piauí, Presidente Sarney. E nossos adversários diziam, meu caro Mozarildo: “eles vão brigar na primeira semana”. Eu vim para cá e fiquei pensando: será que nós vamos brigar? Passou a primeira semana, e nós não brigamos. “Vão brigar no primeiro mês”, e nós não brigamos. “Vão brigar no primeiro ano”, e nós não brigamos. “Não vão aguentar as eleições municipais”, e nós não brigamos. “Vão brigar na sucessão de 2006”, e não brigamos. E não brigamos nenhuma vez, porque nós temos espírito público e temos uma convergência, que é o amor e a lealdade ao Estado do Piauí.

            De forma que essa frustração dos adversários eles vão carregar sempre, porque não conseguiram e jamais conseguirão. O que afasta os homens públicos é o mau-caratismo, é a deslealdade e a ambição. Graças a Deus, eu gosto do poder, mas o meu gosto pelo poder vai ao limite, vai ao limite principalmente da atitude, vai ao limite de um comportamento que não pode transpor os limites éticos. E consegui, ao longo da vida, assim agir e vencer.

            De forma que, meu caro Senador Mão Santa, nós vamos sair daqui juntos sem essa briga. E não há motivo para, daqui a trinta dias, ela acontecer. Tenho certeza de que não haverá, porque a nossa amizade foi sedimentada nesse dia a dia de combate convicto dos ideais que nós abraçamos. E eu tenho certeza de que ainda poderemos servir ao Piauí e poderemos servir ao País.

            E não vamos entrar na hipocrisia de dizer que vamos deixar a política, porque ela não vai nos deixar. Nós nascemos abraçados, nós nascemos siameses com essa atividade, e vamos ter oportunidade ainda de servir ao nosso Estado, qualquer que seja a circunstância, qualquer que seja o momento.

            Senador Valter Pereira.

            O Sr. Valter Pereira (PMDB - MS) - Senador Heráclito Fortes, o Estado democrático tem no contraditório um dos seus fundamentos. A democracia só existe quando se assegura o pleno exercício da Oposição. E a Oposição é, na verdade, uma das grandes contribuintes do Governo, de qualquer governo. E V. Exª tem sido Oposição aqui nesta Casa, tem agido com muita responsabilidade, apontando falhas aqui, defeitos acolá. Na minha avaliação, poucos Parlamentares têm uma folha de serviços prestados à Oposição e ao País como V. Exª. V. Exª é um exemplo. De sorte que não tenho dúvida de que o Senado perde uma grande figura, pelo menos transitoriamente, no momento em que V. Exª se afasta desta Casa. Mas já aprendi na vida pública que o político é um ser diferente, é um ser que consegue sobreviver e consegue ressurgir das cinzas quando se imagina que desapareceu. V. Exª, com certeza, não vai desaparecer do cenário político, porque, como muito bem pontificou, a política não vai deixá-lo afastar-se, como não vai me deixar afastar também, não vai deixar afastar todos aqueles que fazem dessa atividade um apostolado a serviço da sociedade. Parabéns a V. Exª pelo desempenho, parabéns pela forma com que sempre lidou com as críticas, com o contraditório. Parabéns a V. Exª pela amizade, pelo bom humor que sempre orientou a sua trajetória nesta Casa.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço, meu caro colega e amigo Senador Valter Pereira. Espero que a máxima do Stanislaw Ponte Preta funcione comigo: “Para político, fundo de poço tem mola”. É isso que espero inspirado no que disse V. Exª.

            Ouço, com enorme prazer, o Senador Demóstenes Torres.

            O Sr. Demóstenes Torres (DEM - GO) - Senador Heráclito Fortes, V. Exª é um dos grandes quadros do Senado nacional. Acho que todos que o assistem diariamente pela TV Senado - e V. Exª vem muito à tribuna e vem com propriedade - sabe da disposição que V. Exª tem e sempre teve para estar ao lado dos seus eleitores, ao lado daqueles que o sufragaram para vir aqui ser Oposição. Tenho certeza de que, quando foi Situação, também o fez com o mesmo denodo. V. Exª é um dos espíritos desta Casa, da Oposição. Oposição combativa, dura, que é extremamente bem-informada, que é bem-humorada e que, na hora certa, sabe trazer as informações e sabe exercer, com plenitude e dignidade, a arte de ser Oposição. Nós acabamos, em número, ficando bastante fragilizados, Senador Sarney. Mas até brincava, num debate que tive outro dia na TV com um expoente da Situação, que vamos resistir como na época da ditadura. Seremos duros. Claro que estamos do outro lado, seremos Oposição. Não queremos que aconteça o que aconteceu com o PMDB, em 1970, quando se cogitou de acabar com o MDB e, em 74, veio uma vitória retumbante. E, assim, V. Exª vai fazer falta nesta Casa e vai fazer falta ao Brasil. Queira Deus que essa máxima que acaba V. Exª de mencionar seja verdadeira para V. Exª, que o fundo do seu poço tenha uma mola, para que V. Exª possa novamente emergir, possa novamente voltar para cá, ocupar esse posto, brilhar como sempre brilhou, ser uma figura extraordinária como sempre foi, um homem leal, um homem decente que organizou muito bem esta Casa, inclusive entrando num momento de crise, e que merece todo o aplauso como administrador, como Senador, como amigo, como colega, mas, principalmente, como homem que soube exercer com dignidade a Oposição. Tenho certeza de que aqueles que votaram em V. Exª para ser Oposição não se arrependeram de forma alguma, porque V. Exª foi - e continuará sendo - um brilhante Senador - para mim, para sempre. Esperava poder contar com a oportunidade de votar em V. Exª para ir para o Parlasul, mas, como não aprovaram a medida ainda na Câmara, quem sabe, em fevereiro, essa oportunidade não aparece. Tenha certeza de que serei seu eleitor se V. Exª for candidato, para o bem do nosso Brasil, porque sei da sua competência, da sua honradez, do seu talento e do trabalho e da disposição para trabalhar que V. Exª tem. Parabéns. Estamos aí, Senador, para que V. Exª possa voltar a esta Casa sendo o que sempre foi: brilhante, organizado e produtivo.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª, grande companheiro Demóstenes. Quero dizer alguma coisa que me consola: no fundo do meu poço, não há lama; no fundo do meu poço, as águas são limpas, são transparentes.

            Tenho certeza de que todos os que para lá olharem vão ver que, ao longo de todos esses anos de mandato - são 28 anos de mandato, 40 anos de vida pública -, ninguém vai encontrar um deslize propositado, um desvio de conduta, porque, quando abracei a causa pública, quando procurei o caminho das urnas, eu o fiz com a convicção de que eu tinha a missão de servir ao povo do Piauí. E tenho a consciência tranquila de que o farei.

            Meu caro Senador Demóstenes, V. Exª chegou a esta Casa na metade do meu mandato; aliás, chegamos juntos a esta Casa - V. Exª oriundo do Executivo. Eu o conheci quando Luís Eduardo Magalhães era Presidente da Câmara, e V. Exª se socorreu daquela Casa num momento de muita dificuldade, quando um sequestro doloroso aconteceu no seu Estado. V. Exª, com pertinácia, com muita determinação, conseguiu desvendar, conseguiu resgatar o sequestrado e fazer com que as coisas tivessem um bom final. E teve uma grandeza: foi lá agradecer.

            Estive, a convite dele, como Vice-Líder, para acompanhar V. Exª numa visita de agradecimento, que é coisa rara na vida pública brasileira. E V. Exª foi lá, exatamente cumprindo esta missão gratificante que é do agradecimento. A partir daí, passei a admirá-lo. Depois, essa convivência que tivemos aqui, no Senado, foi das mais prazerosas e, acima de tudo, pedagógica para mim. V. Exª é um homem formatado para ser Parlamentar, e Goiás acertou em cheio quando o conduziu novamente para esta Casa, com essa estrondosa votação que V. Exª traz.

            O SR. PRESIDENTE (José Sarney. PMDB - AP) - Se V. Exª permitir, eu quero, descumprindo o Regimento, fazer um aparte daqui da Presidência. Quero dizer que vou discordar da citação feita aqui pelo Mão Santa a respeito do Cardeal Mazarino, considerado uma das figuras mais espertas e diabólicas que havia naquele tempo e que mandava no fraco Luiz XIII. Diziam as más línguas que ele podia ser um dos apontados como pai de Luiz XIV, o Rei Sol.

            São Paulo dizia que a palavra amigo era a palavra que tinha maior densidade humana. Ele chegava ao ponto de dizer que se dirigia aos infiéis chamando-os de amigos. Para mim, não há coisa melhor na vida do que o gosto da convivência e ter amigos.

            Talvez eu seja aqui o mais antigo dos presentes a conhecer V. Exª, porque o conheci quando V. Exª era menos magro do que é hoje, um jovem que estava na juventude emedebista, num congresso em Garanhuns, onde eu já descobria que ali estava uma grande vocação política.

            V. Exª era muito jovem. Ali havia outros jovens que depois fizeram carreira política, mas V. Exª era muito jovem e já tinha uma grande presença política, uma grande capacidade de liderança. Depois nasceu, evidentemente, um conhecimento que foi se transformando em amizade ao longo do tempo e que se sedimentou e aumentou durante o tempo da campanha de Tancredo Neves, quando estávamos juntos quase que diariamente. Ali eu sentia que V. Exª era um homem que sabia influir sem dizer que estava influindo nem parecer que estava influindo. Mas, na realidade, V. Exª influía muito em Tancredo, influía muito em Ulisses e era um excelente articulador político, o que fez com que V. Exª fosse um homem respeitado e admirado por todos nós.

            Aqui, no Senado, só tive motivos para ver a sua capacidade, porque V. Exª não foi só aquilo que era, um homem de bastidores, um costurador político. Vi V. Exª aqui como homem de plenário, vi V. Exª aqui, como devia fazer nos partidos, fazendo suas articulações; eu o vi aqui no Senado como um homem combativo, um homem que sabia, como V. Exª mesmo disse, que é muito dos grandes Parlamentares, provocar o adversário para irritá-lo, às vezes até para que ele venha aparteá-lo, para que V. Exª venha a repetir com mais vigor.

            Um mestre desse tipo de Parlamentar era o Zacarias de Góis e Vasconcelos, que chegou a provocar o Duque de Caxias, obrigando-o a pegar na espada, que não desembainhou, em pleno plenário do Senado Federal.

            Outro era Carlos Lacerda. Eu vi o Carlos Lacerda fazer isso também. Quando ele queria, ele começava a provocar a pessoa que estava lá atrás, o Senador, o Deputado, até trazê-lo para a tribuna, para ele, então, fazer um aparte daqueles violentos.

            Eu me lembro do Baby Bocaiúva, que começou o aparte... O Carlos Lacerda começou a provocar o Baby Bocaiúva, que disse: “ V. Exª é como uma atriz velha, que não tem mais público, não sabe cantar”. Aí o Carlos Lacerda virou-se para ele: “E eu queria que V. Exª viesse aqui e dissesse isso”. “E daí? V. Exª quer colocar pó-de-mico no meu discurso?” Foi uma risada muito grande e o Baby, de repente, no Palácio Tiradentes...

            Então, V. Exª também se revelou um grande Parlamentar. E eu tenho o dever de expressar a V. Exª minha gratidão pela sua lealdade, pelo seu companheirismo durante os tempos difíceis que nós passamos aqui, no Senado, no ano passado. Sempre encontrei na pessoa de V. Exª o companheiro leal, o amigo que estava presente e pronto para ajudar a fazer aquilo que nós conseguimos fazer: a reconstrução do Senado Federal. Hoje, nós vamos entregar, depois deste mandato, com a grande colaboração de V. Exª, talvez a mais importante, uma Casa arrumada, uma Casa totalmente dentro de todas as normas legais, que enfrentou todos aqueles problemas que tinha, uma Casa com o Plano de Carreira aprovado, com o plano de organização já na Comissão de Constituição e Justiça e com seu corpo totalmente renovado, com os jovens que entraram aqui no concurso que fizemos, oxigenando a máquina do Senado.

            V. Exª foi não somente um companheiro, mas um excelente administrador. Não me lembro das obras que V. Exª fez na Prefeitura de Teresina - os piauienses, naturalmente, as conhecem -, mas posso dizer das obras que V. Exª realizou no Senado, que foram excelentes, marcantes. Nós vamos conseguir entregar um Senado excepcional, com todas as nossas críticas respondidas com ações que foram de correção.

            Destaco também a expansão que fizemos no sistema de comunicação. Hoje, já temos doze Estados com a nossa televisão no ar. Ainda ontem inauguramos a televisão digital, duas novas rádios. Enfim, o nosso sistema de 0800 teve cerca de dois milhões de acessos de pessoas querendo consultar a nossa Casa. Todos os jornais do Brasil têm a nossa televisão ligada, porque somos a de maior audiência.

            Isso tudo foi possível com a colaboração de V. Exª, com a participação de V. Exª, não só nesse setor, mas em todos os outros setores.

            Portanto, trago o testemunho e a memória daquele menino de Garanhuns e, hoje, do Senador, que não está provecto porque ainda mantém esse corpo esbelto e essa simpatia que todos nós respeitamos.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Muito obrigado, Presidente Sarney. As palavras de V. Exª realmente são definitivas para a minha vida. Referem-se àquele famoso encontro de Garanhuns que nós fizemos no ano de 1972. O Presidente Sarney era o jovem ex-Governador do Maranhão que vinha para o Senado como um grande administrador e tribuno que começava, já que voltava ao Parlamento, tendo sido antes um destacado participante da Bossa Nova da UDN, e retornava ao Senado.

            Nós queríamos, naquele momento em que começávamos alicerçar o caminho da redemocratização, trazer para o debate pessoas que polemizassem, pessoas que aceitassem o desafio de estudantes indóceis para participar daquele processo. E os convidados foram o Presidente Sarney, o ex-Governador de São Paulo Abreu Sodré, os pernambucanos como V. Exª, e passamos três dias discutindo em Pernambuco os novos caminhos que nós desejávamos para o Brasil. Aquele talvez tenha sido...

            E sobre aquele encontro há um artigo muito interessante do então Ministro da Educação Jarbas Passarinho intitulado “Passarinho sai do ninho”, contando aquele debate de que participaram vários governadores daquela época, governadores nordestinos.

            Realmente, Senador Sarney, aquele foi um momento muito marcante, definitivo na minha vida. E V. Exª disse bem: vários dos participantes daquele encontro depois abraçaram a vida pública e tiveram sucesso.

            Mas, Senador Mão Santa, V. Exª lembrou Juscelino, a medalha que recebeu de Juscelino. Eu o conheci pela primeira vez levado por Hugo Napoleão, meu amigo piauiense, que agora retorna à Câmara dos Deputados e que me proporcionou uma visita a Juscelino no seu gabinete, no Banco Denasa, no Rio de Janeiro. E tivemos uma conversa muito interessante, eu devia ter 19 ou 20 anos, mas eu tive um encontro com ele muito marcante. Depois, a figura extraordinária da Drª Vera Brant, traz-nos seus apontamentos. Eu jantei com Juscelino no Hotel Eron três ou quatro dias antes do seu falecimento. Uma coincidência. Eu cheguei naquele restaurante, e ele estava com alguns companheiros, com a Vera Brant, com Gilberto Amaral, com Ildeu, com Carlos Murilo e com Eron Alves de Oliveira. Então, fui convidado, e o convite que era apenas para uma conversa de poucos minutos, para um cumprimento formal, transformou-se num jantar, e varamos a madrugada. Nós saímos do restaurante, e o Hotel Eron, àquela época, tinha uma boate no primeiro andar, e ficamos ali conversando até altas horas da noite.

            Meu caro Azeredo, isso, para mim, é uma coisa que eu guardo muito. E, durante muito tempo, eu silenciei sobre aquele fato, porque não queria provocar as testemunhas, até que, recentemente, a Vera Brant, com a memória fantástica, relembra os fatos, dando detalhes.

            Para mim, foi uma alegria, naquele momento, conviver com o Presidente, não sabendo que, poucos dias depois, ele nos deixava com o exemplo e com o legado da construção de Brasília e da transformação do nosso País, de um Brasil agrícola em Brasil industrial.

            São oportunidades que a gente tem na vida, como disse o Presidente Sarney, de conviver nas Diretas Já; depois, de conviver na construção da Nova República e de percorrer este Brasil inteiro naquela movimentação.

            Depois, eu tive o privilégio, Senador Sarney, sendo de uma família de origem humilde, de uma família de funcionários públicos, migrando para Pernambuco, de fazer vida pública e de não ter entrado na política do Piauí nem por mão de oligarquias nem tampouco com proteção de nenhum chefe político. Eu fiz uma construção política de muita força, de muito embate, enfrentando, desde o começo, as adversidades, mas, felizmente, consegui chegar até esta Casa. E lá se vão 28 anos de mandato eletivo. Vinte e oito anos não são 28 dias.

            Evidentemente, não é uma saída fácil, Senador Cristovam Buarque, mas é o destino das urnas, com o qual temos que concordar.

            Agora, quero, Senador Sarney, dar aqui um testemunho. Pouca gente sabe a verdade do que passamos - as incompreensões, as injustiças, os desvios dos fatos - quando assumimos esta Casa. Mas V. Exª tinha uma previsão de que algo ia acontecer.

            Na véspera da eleição, o meu sonho, o meu desejo era ser 1º Vice-Presidente da Casa, e ele ponderou e chegou até a me botar a faca no peito: “Se você não aceitar ser 1º Secretário, eu vou repensar a minha vida. Eu quero dedicar-me às outras tarefas e preciso de uma pessoa em que eu possa confiar”. E ali mudei de opinião. Tirei a roupa de 1º Vice-Presidente e vesti a de 1º Secretário. E tenho certeza, Presidente Sarney, de que não o decepcionei nem decepcionei esta Casa.

            Mas quero dizer que, acima de tudo, em nenhum momento, levei para o Presidente Sarney os problemas administrativos da Casa ou as suas soluções sem que tivesse ele uma dúvida com relação às minhas intenções ou contrariasse uma daquelas medidas de caráter emergencial que precisavam ser tomadas na Casa.

            Este depoimento eu dou por se constituir numa verdade. Foi altamente compreensivo, foi altamente companheiro e viu a necessidade diante de decisões que se precisavam tomar naquele momento.

            Hoje, ninguém se lembra mais de que, por exemplo, se praticava a agiotagem nesta Casa com o crédito consignado, que foi reduzido para 1,6%. Caímos de 4% para 1,6%. Acabamos com os atos secretos. Esta Casa passou a ser uma Casa transparente. Infelizmente, a memória é fraca nesses casos.

            Mas eu tenho certeza, meu caro Presidente Sarney, de que o trabalho feito não será destruído. Esse trabalho feito nesses dois últimos anos é um caminho sem volta.

            E posso dizer que vou ter orgulho de dizer aos meus filhos e, futuramente, aos meus netos que eu colaborei com esta Casa, sob a Presidência de V. Exª, para a recuperação administrativa do Senado brasileiro.

            Senador Cristovam Buarque.

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Senador Heráclito Fortes, nestas eleições, ocorreu um fenômeno com relação ao Senado que eu não consegui explicar ainda. Muitos dos Senadores que têm grande prestígio nacional não vão voltar no próximo ano, porque nós somos, cada um de nós aqui, representantes do Estado e Senadores da República inteira, mas alguns conseguem ter um trânsito nacional, um prestígio nacional que outros por outras razões não têm. A gente vê aqui o Mão Santa, que é um nome conhecidíssimo nacionalmente; o senhor, que é um nome conhecidíssimo; o Senador Marco Maciel, ex-Vice-Presidente ocupando a Presidência; o Eduardo Azeredo. É verdade que ele foi candidato a Deputado e não a Senador. Mas tivemos esse fenômeno. O Arthur Virgílio, o Sérgio Guerra. De repente, alguns dos grandes nomes nacionais, como Aloizio Mercadante, não por ter perdido a eleição para Senador, mas uma série de nomes que realmente têm prestígio nacional não vão estar aqui. E o senhor, quero deixar claro aqui, é um desses, que representou tão bem o Piauí, mas nunca deixou de ter o olhar claro, direto para todo o Brasil. Essa é a razão pela qual, não tenho dúvida, o senhor fará falta aqui. Porém, há uma outra razão além da simpatia e da amizade. É que o senhor faz parte de uma figura que está ficando rara entre nós aqui: o Senador que polemiza na hora com quem está na tribuna. Nós nos acostumamos muito, Presidente Sarney, a escutar o discurso do Senador com apartes de elogio ou nem ao menos escutar, e pronto. Não é essa interação combativa que deve caracterizar o trabalho do Parlamento. O senhor, quantas vezes eu não vi aqui, em cima do discurso do orador, contestar, debater, discutir, até mesmo comigo fez isso. E eu quero dizer que isso vai fazer falta aqui. E eu vou sentir falta, sim, da sua presença aqui no Senado, mas não tenha dúvida de que não vou sentir falta nem um pouco como amigo, porque o telefone funciona daqui para Teresina. Eu sei que o senhor vai estar aqui muitas vezes. Espero que me convide para ir lá, e, quem sabe, eu dou um salto e vou visitar o Mão Santa em Parnaíba, e nós podemos continuar conversando. A amizade continua. Eu tenho certeza de que o seu trabalho pelo Brasil, pelo Piauí vai continuar, independentemente de estar nesta Casa. Além disso, 28 anos, com a idade que o senhor tem, já é tempo demais. Talvez faça até bem um período fora do Congresso para perceber que há vida fora do Congresso, e uma vida rica também fora daqui. Parabéns pelo seu desempenho ao longo de todos esses anos! Parabéns pelo seu desempenho nesses oito anos aqui! Muito obrigado pela sua amizade, de que tive o privilégio de compartir! Muito obrigado pelo exemplo que o senhor deu aqui na sua luta constante como Senador! Ninguém deve dar parabéns quando se toma posse. A gente deve dar parabéns quando a pessoa termina o trabalho. Por isso, me sinto muito à vontade de lhe dar meus parabéns.

            O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM - PI) - Agradeço a V. Exª, e já fica aqui feito o desafio para V. Exª ir a Teresina. Espero que V. Exª aceite o convite e vá com a mesma presteza de quando lhe fiz o convite em Marrocos, quando estávamos em Rabá, para ir à Casablanca conhecer aquele ícone da nossa geração, o Rick’s bar do famoso filme Casablanca. Embora sabendo que aquilo era uma ficção, que não existia, saímos para ver, para matar aquela curiosidade. Tive a felicidade de conviver, naquela viagem, com V. Exª e aprendi a admirá-lo cada vez mais. Até porque a nossa amizade foi alicerçada por dois amigos, que são o ex-Deputado Fernando Lyra e o jornalista Antonio Martins, amigo do Senador Sarney. Foi por intermédio deles que nós nos aproximamos.

            Não estou mais na fase e nem na idade de perder amigos. Estou na fase de conservar amigos e de ganhar novos amigos. V. Exª, graças a Deus, é amizade que já vem de muito tempo, de muitas lutas e de muitos momentos, como, por exemplo, a condução de V. Exª a reitor da UnB, que foi, em Brasília, o primeiro passo que V. Exª deu para conquistar o governo do Estado e o Senado da República por duas vezes e ser este Senador que o Brasil tanto admira, o Senador de uma nota só, o Senador da educação, o Senador que o Brasil respeita.

            Eu pediria permissão a V. Exª só para concluir, para que fique nos Anais.

            Eu falava da minha participação nas duas Comissões: Infraestrutura e Relações Exteriores. Depois, aceitei o enorme desafio de assumir a 1ª Secretaria da Casa, no meio de uma das mais graves crises da história do Senado. Mas, hoje, posso dizer que conseguimos superá-la, mudando padrões de comportamento, paradigmas de administração, enfim, tirando esta Casa do noticiário negativo a que ela se associava, repito, com a participação e o apoio incontestável, incondicional de V. Exª.

            Foram momentos difíceis, mas posso apontar um balanço altamente positivo. Entre várias medidas que tomamos, poderíamos destacar, além de uma maneira geral, da ampla reforma pela qual o Senado passou, algumas questões pessoais. Entre elas, em primeiro lugar, por seu caráter simbólico, o fim dos atos secretos. Criamos o Portal da Transparência, inspirado por V. Exª, e hoje todas as informações sobre funcionário, contrato, despesa do Senado e dos mandatos dos Senadores estão lá para quem quiser acompanhar e fiscalizar. Desde o início, cortamos pela raiz um dos motivos geradores do problema, que eram as altas taxas dos créditos consignados e a maneira como ele vinha sendo conduzido.

            Foram muitas as medidas que representaram economia de gastos, mas, sobretudo, de postura da própria administração e dos funcionários da Casa. Podemos citar, entre elas, a proibição do nepotismo, Senador Sarney, a diminuição drástica das comissões, o controle de horas extras, até chegarmos à implantação do ponto eletrônico.

            Decidimos enfrentar também a questão funcional, que ainda não está finalizada, mas que caminhou bastante, como a reforma administrativa amplamente discutida e a implantação do Plano de Carreira.

            Definimos novas normas para a contratação de empresas de terceirização de mão de obra, eliminando um dos focos de desperdício de dinheiro e dos efeitos colaterais que isso acarreta. E, ao mesmo tempo, convocamos servidores aprovados em concurso público e já foi definida a realização de um concurso próximo.

            Tenho orgulho de ter participado desse momento de reformas tão profundas ao seu lado no Senado, mesmo com todos os desgastes que isso nos acarretou. Tenho consciência também das imperfeições do processo e do muito que há por fazer, mas abrimos, com certeza, o caminho, e acho que ele não tem volta.

            Por fim, Senador Sarney, Srªs e Srs. Senadores, quero finalizar, agradecendo à minha família pelo apoio durante todos estes anos: à minha mulher, Mariana; às minhas filhas Marianinha, Heloísa e Camila; aos meus irmãos Jayme e Zélia, que, de Teresina, me dão suporte político necessário para que eu conduza esta luta.

            Mas quero agradecer também ao meu gabinete, em Brasília, nas pessoas da Inês, do Alcides, que são os mais antigos, da Letícia, do Aloísio, que está aqui, do Felipe e de todos que me acompanham ao longo desta vida, pedindo aqui desculpa pela omissão do nome de alguns.

            Quero agradecer aos funcionários da Casa, simbolizados aqui pelo Zezinho e seus colegas do Cafezinho, da Cláudia Lyra, do Haroldo Tajra e de todos aqueles que nos ajudaram nessa tarefa.

            Quero agradecer à Imprensa, pela compreensão, pela cobertura, pelas críticas. Quero agradecer, portanto, meu caro Presidente Sarney, a Deus e ao povo do Piauí, por ter me dado a oportunidade de representá-lo durante tanto tempo na Câmara e, posteriormente, nesta Casa.

            Quero dizer, Sr. Presidente, que partirá daqui, no dia 31 de janeiro, um homem feliz; feliz por ter cumprido seu papel e por ter cumprido seu dever, mas, acima de tudo, se é feliz é porque tem a convicção da consciência limpa pelo dever cumprido.

            Sr. Presidente, ao longo da minha vida, não me juntei a corporativismo, não me juntei a mensalões, não me juntei a sanguessugas, não me juntei a esquemas que mancham a vida pública deste País. Muito pelo contrário, minha luta foi para tentar purificar, melhorar, aperfeiçoar a imagem do Legislativo.

            Esta Casa, para mim, esta Casa do Congresso Nacional representa metade da minha existência, e, se juntar minha experiência nesta Casa com Brasília, com minha vida em Brasília, com minha vida pública em Brasília, com a experiência, meu caro amigo Marco Maciel, de ter servido a homens como Ney Braga, Eduardo Portella, Rubem Ludwig, já se vão quarenta anos. Aliás, começados em Pernambuco, testemunhados pelo Marco Maciel, pelas mãos de um extraordinário ex-Senador desta Casa, Paulo Guerra.

            Quero dizer que a escola que abracei foi de homens decentes. Sempre procurei, em minhas atividades, sentar-me ao lado dos bons. Quem tiver boa memória, fechar os olhos e colocar a retina para fazer um exercício de memória vai ver que, onde estive, procurei me sentar ao lado dos bons. Não é por nada, não, Sr. Presidente, mas é porque, com os bons, aprendemos, no dia a dia, os bons exemplos e as grandes lições. E eu tenho minhas limitações, conheço e sei conviver com elas, aprendi a viver com elas. A maneira de repará-las, a maneira de superá-las era exatamente ter a oportunidade de conviver com quem tinha algo a me ensinar, tinha algum exemplo para me dar.

            E foi muito prazeroso para mim, como já foi dito aqui por V. Exª e por alguns companheiros, ter tido a oportunidade de conviver com Tancredo, com Ulysses, com Luís Eduardo, com Antonio Carlos, com Pacheco Chaves, Renato Archer, Pedro Simon - são muitos -, Teotônio Vilela.

            Não quero entrar no rol dos que cometem injustiças nessas citações, mas quero dizer que aprendi muito, aprendi até com os que eu não tive oportunidade de conviver, como Petrônio Portella. Fui adversário político de Petrônio Portella pelas circunstâncias locais, mas fui um grande aprendiz da sua arte de fazer política e da sua determinação de fazer política, tanto que, ao assumir a prefeitura de Teresina, prestei-lhe homenagens que talvez seus próprios correligionários não o tenham feito. E, aqui, na Câmara dos Deputados, resolvi, como homenagem, dar o nome dele ao aeroporto de Teresina, por ter sido, meu caro Marco Maciel, o homem que, no Piauí, tem a maior referência pública do século passado. Daí por que aprendi até com os que não convivi.

            Aprendi muito, Presidente Sarney, e este é um legado que ninguém vai tirar de mim: a oportunidade e o prazer de dizer que convivi com os bons, combatendo o bom combate.

            Muito obrigado. (Palmas.)


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 22/12/2010 - Página 60467