Discurso durante a 38ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Reverência à memória do ex-Senador Mário Covas no transcurso do décimo aniversário de seu falecimento.

Autor
Marisa Serrano (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/MS)
Nome completo: Marisa Joaquina Monteiro Serrano
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Reverência à memória do ex-Senador Mário Covas no transcurso do décimo aniversário de seu falecimento.
Publicação
Publicação no DSF de 30/03/2011 - Página 8655
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, DECENIO, ANIVERSARIO DE MORTE, MARIO COVAS, EX GOVERNADOR, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), ELOGIO, VIDA PUBLICA, RELEVANCIA, ATUAÇÃO, POLITICA NACIONAL, DEFESA, DEMOCRACIA.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            A SRª MARISA SERRANO (Bloco/PSDB - MS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) - Cumprimento a nossa Presidente, 1ª Vice-Presidente do Senado Federal, Senadora Marta Suplicy; o Governador do Estado de São Paulo, Sr. Geraldo Alckmin; o Senador Aécio Neves, que comigo assina o pedido de realização desta sessão; o Sr. Deputado Bruno Covas, que representa aqui a família de Mário Covas e que, hoje, é Secretário da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo - quero dizer que é um prazer recebê-lo -; e o Sr. José Serra, ex-Governador do Estado de São Paulo - é um prazer tê-lo aqui.

            Eu queria cumprimentar também, com carinho especialíssimo, meu Líder, Senador Alvaro Dias.

            Em nome do Líder, na Câmara, Duarte Nogueira, cumprimento ainda todos os Deputados presentes. Cumprimento os amigos que vieram aqui, as Senadoras e os Senadores aqui presentes.

            Srª Presidente, senhoras e senhores, Mário Covas continua a ser uma das mais importantes referências éticas no Brasil após dez anos de sua morte. Olhamos para o passado e não conseguimos encontrar saídas para o futuro sem o exemplo de políticos como Mário Covas. Suas qualidades de homem público paradigmático ainda são um porto seguro para quem deseja fazer política com decência, com honradez e com compromisso efetivo com a sociedade democrática.

            Márcio Covas morreu, mas seu legado está mais vivo do que nunca! Moralidade, correção, franqueza, força, firmeza de caráter, essas são algumas características do engenheiro, político e estrategista Mário Covas, um homem que foi e sempre será modelo para a classe política.

            No dia 6 de março de 2001, o Brasil perdia um dos maiores homens públicos da história contemporânea, mas, felizmente, para muitos brasileiros, suas ideias estão vivas e vigorosas e estão na ordem do dia.

            Não vou aqui enumerar pontos da biografia do nosso homenageado de hoje. O que quero é ressaltar sua dedicação à vida pública e sua integridade pessoal.

            Sem sombra de dúvida, Covas foi um estadista e, como tal, colocou em primeiro plano a transparência e a honestidade. Deixou a marca da coragem, da determinação e da lucidez em suas ações, mas, especialmente, demonstrou como é possível pautar a vida pública pela ética.

            Destaco agora, Srª Presidente, um trecho de um discurso proferido por Mário Covas no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, em 24 de outubro de 2000.

A ética na política exige exatamente um comportamento permanente a esse respeito. Exige uma crença nos valores que a ética cultiva, uma crença no povo, uma crença na democracia, uma crença na seriedade. E, quando eu falo em seriedade, não falo em honestidade. Vou mais longe do que isso. Falo em integridade, falo na capacidade que cada um tem de se conduzir de forma adequada em cada circunstância, em cada momento, fazendo com que a política seja colocada num plano superior a cada um dos políticos. Ao fazermos isso, nós, certamente, estamos contribuindo para a ética na política.

            Era exatamente acreditando e defendendo os valores, a seriedade e a integridade que Mário Covas conduziu sua vida pública e construiu sua história.

            Há dez anos, vivemos sua ausência, mas sua presença é sempre forte: com seu semblante sério, com sua teimosia, com sua voz pausada, rouca e grossa, Mário Covas reunia franqueza, coerência e perseverança.

            Sem sombra de dúvida, sua maior luta foi contra o câncer, mas, mesmo doente, manteve seus compromissos políticos à frente do Governo de São Paulo. E foi corajoso ao expor para toda Nação o grave problema de saúde pelo qual passava. Ele não sabia agir senão com a verdade.

            Famoso pelo jeito explosivo e, às vezes, até mal humorado, ele era transparente, não aceitava ofensas pessoais e, algumas vezes, indispôs-se com manifestantes que protestavam contra seu Governo. Isso fazia parte do seu estilo.

            Compreendia a revolta do funcionalismo. No entanto, por mais que, às vezes, ele tivesse de tomar decisões impopulares, sempre preferiu manter-se fiel às suas convicções a curvar-se às preferências do momento, ao populismo demagógico, à irresponsabilidade fiscal.

            Nunca jogou para a plateia, jamais fez concessões aos grandes vícios e maneirismos da política tradicional, jamais transigiu com facilidades, nem permitiu que atos difíceis de serem adotados ultrapassassem os limites de sua coerência histórica.

            Covas foi orador apaixonado como parlamentar de oposição e como administrador austero, como Prefeito e Governador de São Paulo. Soube, como ninguém, encontrar o equilíbrio entre a retórica e a ação no Executivo, entre o palanque e o gabinete. Equilíbrio, sobriedade e espírito democrático eram suas características à frente do Governo.

            Defensor contumaz da democracia, Mário repudiou o AI-5, teve seu mandato de Deputado Federal cassado e os direitos políticos suspensos.

            No processo de redemocratização do País foi um dos principais artífices da anistia, do retorno às liberdades democráticas, do restabelecimento da liberdade sindical e da campanha das Diretas Já.

            Não posso deixar de destacar sua atuação na Assembleia Nacional Constituinte. Então no PMDB, ele liderou o bloco progressista formado por uma aliança de centro-esquerda com a esquerda, aliança essa que garantiu os inúmeros avanços da Constituição de 1988.

            Empenhado em formar uma agremiação que não fosse social-democrata apenas no nome, Mário Covas foi um dos fundadores do meu Partido, o PSDB. Saiu candidato à Presidência da República na primeira eleição direta para o cargo depois de mais de vinte anos de ditadura militar.

            Defendeu sua candidatura em discurso neste Senado, no dia 28 de junho de 1989, dizendo:

A moral determina e o momento acentua a exigência, que se concilie a política com a verdade. Meu compromisso permanente, de que é evidência minha própria vida, é com a verdade, e sobre ela hei de ancorar minha campanha. Jamais fiz, não faço e não farei nenhum tipo de concessão de natureza eleitoral.

Não me submeterei a um esforço artificial de criação de atos ou fatos, a qualquer jogo de aparência ou a truques de persuasão publicitária. Apresento-me ao povo brasileiro sem maquiagem, frente a frente, como sempre fiz, para poder olhar e ser olhado nos olhos. A verdade será sempre a minha arma política. Minha candidatura não está colocada como produto para capturar emoções fabricadas no mercado, mas, sim, como uma proposta de reforma radical do Estado e da sociedade, dirigida à consciência e à razão dos brasileiros.

            Mário Covas era assim: extremamente comprometido com a verdade, jamais ultrapassou as fronteiras da decência, fazia política com paixão. E é também por isso que seu legado, passados dez anos de sua morte, não foi e não pode ser esquecido.

            Viva, portanto, Mário Covas! Que suas ideias e sua história continuem nos iluminando! Fique em paz, em nome de Deus e de todos os brasileiros!

            Muito obrigada. (Palmas.)


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 30/03/2011 - Página 8655