Discurso durante a 47ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Regozijo com a reeleição do Senador Francisco Dornelles para a presidência do Partido Progressista, durante convenção nacional do partido ocorrida hoje; e outros assuntos.

Autor
Ivo Cassol (PP - Progressistas/RO)
Nome completo: Ivo Narciso Cassol
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ENSINO SUPERIOR. POLITICA PARTIDARIA. POLITICA DE TRANSPORTES. SEGURANÇA PUBLICA.:
  • Regozijo com a reeleição do Senador Francisco Dornelles para a presidência do Partido Progressista, durante convenção nacional do partido ocorrida hoje; e outros assuntos.
Aparteantes
Marinor Brito.
Publicação
Publicação no DSF de 13/04/2011 - Página 11115
Assunto
Outros > ENSINO SUPERIOR. POLITICA PARTIDARIA. POLITICA DE TRANSPORTES. SEGURANÇA PUBLICA.
Indexação
  • COMENTARIO, PRECARIEDADE, SITUAÇÃO, UNIVERSIDADE FEDERAL, ESTADO DE RONDONIA (RO), IMPORTANCIA, INVESTIMENTO PUBLICO, EDUCAÇÃO.
  • REGISTRO, REALIZAÇÃO, CONVENÇÃO NACIONAL, PARTIDO POLITICO, PARTIDO PROGRESSISTA (PP), COMEMORAÇÃO, REELEIÇÃO, PRESIDENTE, DIRETORIO NACIONAL, FRANCISCO DORNELLES, SENADOR.
  • REGISTRO, PARTICIPAÇÃO, AUDIENCIA PUBLICA, COMISSÃO DE SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA, DEBATE, RELEVANCIA, TREM DE ALTA VELOCIDADE (TAV), APREENSÃO, SUPERIORIDADE, GASTOS PUBLICOS.
  • OPOSIÇÃO, REALIZAÇÃO, PLEBISCITO, DESARMAMENTO, APREENSÃO, INSUFICIENCIA, COMBATE, TRAFICO, ARMA DE FOGO, DROGA, FAIXA DE FRONTEIRA, EFEITO, AUMENTO, VIOLENCIA, BRASIL.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente.

            Cumprimento os Srs. Senadores, a Srª Senadora Marinor Brito, deixo o nosso abraço para os prefeitos presentes aqui na Casa, aos estudantes, que também estiveram por aqui, cumprimento o povo do nosso Brasil, mas especialmente, Sr. Presidente, deixo o nosso abraço ao povo do meu Estado, Estado de Rondônia que sempre tem me acolhido de braços abertos.

            Eu ouvia atentamente V. Exª, Sr. Presidente, no uso da palavra, quando o senhor colocava os dados e a preocupação com a educação em seu Estado e também com o nível superior.

            Eu fui governador por dois mandatos, melhoramos a qualidade de ensino no nosso Estado extraordinariamente, mas eu sei que também tem muita coisa para fazer para frente.

            Desde o primeiro dia do mandato como governador em 2003, eu ajudei a nossa Universidade Federal, construindo um anexo no campus da Unido de Porto Velho, para que o curso de Medicina não parasse, uma vez que a falta de médicos no Brasil é grande. Antes de ter assumido o Governo do Estado de Rondônia, eu fui prefeito da cidade de Rolim de Moura, e lá, Senadora Marinor, eu lutei como prefeito para levar o curso de Agronomia para a minha cidade. Pegamos uma escola agrotécnica, fizemos um trabalho múltiplo e a parceria com a UNIR. Eu recebi na semana passada documentos e fotos dos vereadores da minha cidade de Rolim de Moura, da comunidade de Rolim de Moura, e infelizmente é vergonhoso ver como se encontra aquele campus. O trabalho dos professores é extraordinário. O trabalho do pessoal da equipe também é extraordinário. E nós estamos apurando os demais campi no Estado de Rondônia, e a maioria deles está capenga.

            Nós precisamos continuar investindo na educação, para ela cada vez mais ser maior, mais forte, e nosso País poder chegar em nível de Primeiro Mundo.

            Em breve ocuparei novamente esta tribuna para trazer dados. Desde o campus de Guajará Mirim, do campus de Porto Velho, de Cacoal, Rolim, Vilhena e demais campi do nosso Estado. Não só para criticar, mas também para auxiliar e poder ajudar, para que as pessoas, para que os nossos acadêmicos que lá vão, que participam, na verdade, futuramente, possam ter condição de dar continuidade à oportunidade que ora eles têm.

            Mas hoje ocupo esta tribuna, primeiramente, para parabenizar todos os nossos parceiros de partido do PP. Nós tivemos hoje a convenção nacional. Estiveram presentes aqui prefeitos, deputados federais, senadores, no auditório do Senado, comandados pelo nosso Senador e Líder Francisco Dornelles, ao mesmo tempo, com o Ministro das Cidades, Mário Negromonte, presidentes de partidos dos quatro cantos do Estado de Rondônia, além de vereadores, deputados estaduais, lideranças do meu Estado, como a liderança que é a ex-prefeita de Espigão do Oeste, Lúcia Tereza, ex-deputada estadual, uma pessoa determinada, arrojada, parceira nossa de partido.

            E a minha alegria, Sr. Presidente, foi usar a tribuna naquele momento para defender mais uma vez a reeleição do nosso Presidente, do nosso Senador, para que continuasse comandando o PP no Brasil.

            Por que a reeleição do nosso eterno ministro, Senador e Líder nosso, Dornelles? É muito simples. É que eu conheci o PP do passado. O PP do passado com certeza não dava orgulho para os afilhados dos quatro cantos lá de Rondônia, porque ficou manchado de corrupção, ficou manchado nas páginas dos jornais e televisões. Sem contar o partido em âmbito nacional, o caixa que havia eram dívidas e mais dívidas para pagar.

            E na gestão do Presidente Dornelles, com sua humildade, sua simplicidade, com os parceiros que fizeram essa recuperação do partido nesses anos todos, quero aqui parabenizar todos os companheiros de partido, que trouxeram de volta a credibilidade, trouxeram de volta a moral, para estimular mais pessoas a ingressar no partido como aconteceu comigo há dois anos.

            Mas, além disso, é saber que o Presidente Dornelles trabalha muito e ainda com dinheiro em caixa, enquanto no passado sequer havia dinheiro em caixa para poder trabalhar.

            Então, parabéns pela recondução, por mais dois anos, à presidência do nosso partido, nosso Senador, e toda a nova diretoria que está compondo o Partido Progressista do Brasil.

            Participando dos eventos, dos compromissos de Senador, participei também de uma audiência pública, hoje à tarde, na qual debatíamos o trem que chamam de bala. De repente esse trem pode ser até o trem tartaruga, mas eu queria que fosse o trem a jato, o trem foguete, que fosse muito mais rápido. Eu sou da base do governo, trabalhamos para dar condições para que a Presidente Dilma possa colocar em prática os projetos de interesses nacionais.

            Mas eu vejo essa medida provisória, eu vejo esse projeto do trem-bala com preocupação, Sr. Presidente. Por que vejo com preocupação? Porque estão colocando como valor estimado 35 bilhões de reais, quando na verdade o projeto executivo não existe. Só existe um projeto básico no papel, e, pela experiência de outros países com 258 obras de tal magnitude, em mais de 240 obras estourou-se o orçamento em mais de 40% do valor contratado.

            Eu vejo o BNDES arrumar 20, 25, 30 bilhões com tanta facilidade para uma obra dessas! Não sou contra, de maneira nenhuma, o Rio de Janeiro, sou a favor do Rio de Janeiro, o que eu puder ajudar o Rio de Janeiro, São Paulo, o Estado de São Paulo, Campinas, vocês têm na pessoa do Senador Ivo Cassol um aliado. Mas ao mesmo tempo nós temos que fazer uma reflexão.

            Se nós temos hoje dificuldade para cumprir com as emendas já empenhadas, já contratadas com todos os Municípios da Federação brasileira, com os vinte Estados da Federação brasileira, estão sendo cancelados bilhões de reais, por falta de recursos; se ao mesmo tempo foram contingenciados mais de 50 bilhões de reais... E, aí, com a falta de infraestrutura, ou falta de recursos, com os nossos portos, os nossos aeroportos, as nossas BRs - vejam a BR-364, que está numa situação precária em vários trechos, a duplicação em vários trechos. Estive hoje à noite com o Diretor do Dnit, Dr. Pagot, que é um profissional, um técnico capacitado, arrojado, determinado, preocupado com as rodovias brasileiras e ao mesmo tempo se debate muitas das vezes com as dificuldades que vêm pela frente.

            Se o BNDES tem esses 25 bilhões, por que não melhorarmos a nossa infraestrutura? Nós estamos aí próximos da Copa do Mundo, 2014 está chegando, e nem os estádios estão completos ainda, não estão prontos. E os nossos aeroportos? Eu dizia para o Senador Blairo Maggi quantos anos fazia que estavam mexendo no Aeroporto de Cuiabá. Ele falou que há dez anos. E ainda está no começo, está pela metade. Ao mesmo tempo, nós assistimos e vemos vários outros aeroportos com a mesma dificuldade.

            A infraestrutura está faltando, e não é por falta de garra da equipe do Governo. Muitas das vezes é por falta de recursos. Eu sou a favor de que temos de pensar no futuro, mas precisamos ter mais tempo para trabalhar e estudar as medidas provisórias aqui nesta Casa. Não temos, no meu entendimento, pela maneira como está acontecendo, a rapidez com que precisamos votar e aprovar.

            E como estão em outros países obras dessa magnitude? Como estão na China? E por falar em China espero que a nossa Presidente, além de ampliar as relações comerciais com o Brasil, com o grupo de empresários junto, levando a carne do nosso produtor, principalmente a carne de porco... Imaginem, se a China começar a comer de verdade carne de boi! Rondônia e Mato Grosso vão conseguir melhorar muito e vai ser bom para todo mundo, porque temos uma pecuária forte, como os demais Estados.

            Quem sabe a nossa Presidente do Brasil, a Presidenta Dilma possa trazer da China os empreendedores que irão fazer esse trem-bala? E não colocarmos dinheiro do BNDES. Tudo bem! Não é dinheiro do Orçamento, e sim do BNDES? Ótimo, mas a que preço vamos colocar esses recursos nesses investimentos? Pelo menos, a equipe que participou dessa audiência pública não nos deu segurança de como será o pagamento; se a obra é viável. Sabemos que haverá passageiros, porque o movimento entre São Paulo e Rio é muito grande. Precisamos de mais dados. São muitas serras a serem cortadas, são muitos gargalos que há pela frente. São muitas situações criticas, Sr. Presidente, que temos de observar antes e num todo.

            Ao mesmo tempo, precisamos duplicar muitas rodovias. Por mais que as rodovias gastem, quantos bilhões estão sendo investidos em nossa infraestrutura, em nossa rodovias? Por que não pegar parte desse dinheiro do trem-bala e colocá-lo no trem tartaruga e fazer a ferrovia de Sapezal para levar a soja até Porto Velho, para que não tenhamos 1.800 carretas pondo em risco todas as famílias?

            Dizia também o Senador do Mato Grosso do Sul: “Por que não termos também aquela produção do Mato Grosso do Sul em parte escoada por trem, como já acontece, interligando os quatro cantos do País por ferrovia?

            Mas está faltando recurso. E, com certeza, o trem de carga mesmo sendo lento tem um custo/benefício muito maior do que outra situação.

            Sei que muitos representantes do Rio estão trabalhando para que amanhã se possa aprovar essa medida provisória. Mas é bom toda equipe técnica analisar com carinho porque, dos 35 bilhões, 25 bilhões são do BNDES.

            Eu vejo que o BNDES fala em 2 bilhões, 20 bilhões com tanta facilidade. E vejo muitos empresários pequenos ou de porte médio terem dificuldade para ter acesso a esse dinheiro; enquanto os grandes têm facilidades no acesso aos recursos.

            Então, é esta Casa que tem de tomar providências e entrar em ação. É com isso que estamos trabalhando diuturnamente.

            Sr. Presidente, hoje, fiz um aparte ao Senador que defendia um plebiscito para que a população brasileira vá às urnas novamente, para que se desarme mais ou se desarme menos, como reação ao que aconteceu. No aparte que fiz ao Senador, eu disse que eu, Senador Ivo Cassol, sou contra mais um plebiscito. O povo do Brasil já decidiu; o povo decidiu que arma é proibido e que, para andar armado, precisa-se ter autorização, porte, registro, sendo que a burocracia para tirar esses documentos na Polícia Federal é muito grande.

            Ao mesmo tempo, o povo brasileiro e os Senadores assistiram ao que aconteceu na semana passada! A arma que matou aquelas doze crianças e atingiu várias outras crianças e adolescentes não foi registrada; era uma arma que estava na mão de bandido. O que precisamos fazer, sim, nesta Casa, Senadora e Sr. Presidente, é botar, na faixa de fronteira, a Polícia Federal e o Exército para não deixarem entrar mais arma para cá. No meu Estado, há 1.470 quilômetros de faixa de fronteira. Passa arma constantemente de lá para fomentar o crime no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, o Governador fez um trabalho bonito nos morros e entrou nas favelas. Mas não adianta só fazer esse trabalho, Governador Sérgio Cabral! Precisamos combater na raiz, de onde sai o mal! É a droga que passa pelas fronteiras nossas e fomenta a criminalidade nos grandes centros. É isso que tem de fazer!

            Vamos pegar o dinheiro que gastariam para fazer o plebiscito. No passado, foram mais de R$ 400 milhões...

            A Srª Marinor Brito (PSOL - PA) - V. Exª me concede um aparte?

            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO) - Daqui a pouquinho, Senadora, já lhe dou um aparte.

            Vamos colocar esse recurso para o Exército brasileiro, para que ele possa montar e construir estruturas na divisa com Mato Grosso, com Mato Grosso do Sul, com o Paraná, com Rondônia, com Acre, com o Amazonas. Vamos colocar a nossa Força Aérea Brasileira, com nossos caças e helicópteros, também na faixa de fronteira.

            Eu fui Governador, Sr. Presidente, e eu tinha que colocar a Polícia Militar, com os poucos policiais que tínhamos para coibirem o tráfico de droga e o tráfico de arma, enquanto a Polícia Federal tinha meia dúzia ou um pouco mais de policiais para poder cuidar de 1.470 quilômetros de faixa de fronteira.

            O que precisamos não é mais desarmar o pessoal do bem. Temos de desarmar, sim, os bandidos, os criminosos, porque esses continuam armados, esses continuam andando para cima e para baixo, com arma a todo instante. É isso que precisamos.

            Senadora Marinor - vou conceder um aparte a V. Exª -, defendo dessa maneira para podermos ter mais recursos, uma vez que somos contingenciados em todo Orçamento. Na nossa faixa de fronteira, precisamos coibir a droga. Junto com a droga, vem a arma. O que destrói um lar, uma família, hoje vemos... Filhos de amigos meus, de amigas minhas, com 14 anos, com 15 anos, com 16 anos estão viciados. Os pais não sabem o que fazer com os filhos viciados, drogados. E já não é só nos grandes centros que isso acontece. A droga não está só no Rio de Janeiro, não. A droga não está só em São Paulo. A droga está também em Rondônia, está nas escolas, está na zona rural, está em todos os lugares. Então, nós precisamos combatê-la lá na raiz.

            Com a palavra a Senadora Marinor.

            A Srª Marinor Brito (PSOL - PA) - Eu queria somar-me à parte do pronunciamento de V. Exª que diz respeito à falta de controle da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas. Aliás, traficar para o Brasil e do Brasil é a coisa mais fácil que existe: seja tráfico de armas, seja tráfico de drogas, seja tráfico de pessoas - que estão sendo levadas e trazidas para o trabalho escravo, levadas para a prostituição infanto-juvenil, meninas, meninos. É muito fácil traficar no País. Não é só a fronteira que não tem o controle da Polícia Federal. Aqui mesmo, do Estado de Goiás, um dos polos do tráfico de pessoas, o principal polo, 18,9% das pessoas traficadas do Brasil saem do Estado de Goiás. Então, eu me somo ao pronunciamento de V. Exª no que diz respeito a esse desgoverno. Mas eu queria, se V. Exª me permitir, exercer o contraditório no que diz respeito ao plebiscito, por alguns motivos, Senador. Eu acho que nós temos a obrigação de refletir, cada vez mais, sobre essas temáticas, porque nós decidimos muitas vezes o rumo do ar que o povo brasileiro respira. Então, no País o número de homicídios aumentou, entre o ano de 2010 e 2011, 103%, a maioria dos quais com arma de fogo. Isso virou uma coisa tão rotineira na vida das pessoas, nas cidades, que, como V. Exª disse, em todas as cidades e não mais só nas capitais, que não choca mais o País. Isso não mobiliza mais as autoridades. Mas isso é parte do cotidiano. Jovens, negros, adolescentes estão matando e morrendo todos os dias nas cidades brasileiras. Não é um grupo de sete ou de onze crianças que estavam na escola, uma barbaridade que choca, que emociona, mas é parte da rotina do povo brasileiro estar matando e morrendo. Então, eu defendo os mecanismos de participação direta do povo nas decisões. Agora, sem que o Governo instrumentalize o debate, porque com todo e qualquer debate que aconteça de forma plebiscitária, sem que a população tenha a oportunidade de saber o lado bom e o lado ruim, onde está o nó crítico da questão, nós vamos ter resultados como os que nós tivemos. O povo brasileiro não teve a oportunidade porque houve uma campanha midiática muito favorável ao não desarmamento. E é o que dá: o não desarmamento beneficiou quem afinal de contas, senão o crime organizado, o tráfico de armas? Porque a Polícia Federal, o governo se escora nessa decisão plebiscitária, quando, na verdade, quem precisa mesmo ser desarmado é quem está patrocinando as mortes do povo brasileiro, seja com a facilidade de traficar a arma, seja com a facilidade de redistribuí-la aqui no País. E com certeza não é à minha casa que ela chega. Vai chegar na casa do traficante, vai chegar na casa do aprendiz de traficante, do vulnerável ao tráfico, que hoje é a maioria do povo brasileiro. Então, eu acho que a gente deveria refletir muito sobre isso, acho que precisamos monitorar essa questão. Não temos sequer um mapeamento dessa questão no Brasil. O Governo Federal negligencia a sua tarefa. A pesquisa que foi feita agora, encomendada pelo Ministério da Justiça, precisa ser destrinchada aqui neste Congresso, porque precisamos analisar esses dados e refletir sobre qual é o nosso papel ao tomar uma decisão, ao buscar reconstruir uma decisão para aumentar os mecanismos de participação do povo - aumentar com instrumentos.

            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO) - Obrigado, Senadora, pelo aparte.

            A Srª Marinor Brito (PSOL - PA) - Eu é que lhe agradeço, Senador.

            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO) - Eu quero dizer a V. Exª que pactuo com parte do seu discurso. Quanto à outra parte... Nós já tivemos, há pouco tempo, um plebiscito. No meu ponto de vista, antes, Srª Senadora, de um novo plebiscito, nós precisamos tomar medidas enérgicas em relação às nossas faixas de fronteira, ao contrabando de arma, ao contrabando de drogas. E há outra coisa principal, Senadora: a senhora já percebeu, quando a senhora citou os índices de assassinatos, que a maioria é praticada com armas contrabandeadas?

            Boa parte, na maioria disso aí, é difícil a senhora ver um crime passional. É difícil. Parte das armas usadas nesses crimes, infelizmente, Sr. Presidente, acabou saindo de dentro de uma delegacia, ou de dentro de um quartel, porque os bandidos são audaciosos, são encorajados a enfrentar a nossa polícia, a roubar as armas do governo, ou estadual ou federal, para depois usá-las na criminalidade, como já aconteceu em vários lugares no Brasil.

            Então, antes que se faça um plebiscito... Porque não são as pessoas de bem que estão matando. Não são as pessoas numa briga de casal que estão usando arma dentro de casa e estão matando, porque podem pegar uma faca, um canivete, uma navalha, uma tesoura. Estou me referindo às mortes que ocorrem no Brasil, às mortes que estou acompanhando; esses assassinatos são fruto de roubos, de sequestro. Tínhamos que ter uma maneira de coibir que essas armas chegassem na mão desses traficantes.

            Da mesma maneira, o trabalho que foi feito no Rio de Janeiro, nos morros. Quando tomaram conta dos morros, Sr. Presidente, o que aconteceu? Os traficantes que mandavam nos morros fugiram e se elitizaram. Vocês, o povo carioca, povo brasileiro, vocês acham que parou de ter droga no morro? Não.

            Simplesmente eles pararam de mandar nos morros, mas a droga continua nos quatro cantos deste País. Se queremos combater a criminalidade, Senadora, precisamos, em primeiro lugar, combater o tráfico de droga. É ele que fomenta, é ele que sustenta a criminalidade, é o cidadão viciado que rouba a mãe, rouba o pai, rouba os vizinhos, faz qualquer coisa. Então nós temos que combater o problema na raiz. E por isso o meu chamamento: em vez de gastar esse dinheiro hoje, vamos usá-lo, vamos dá-lo às Forças Armadas; vamos construir estruturas nas faixas de fronteiras; vamos colocar equipamentos com esses milhões que vamos gastar para coibir a droga.

            Vou dar um exemplo aqui para o Sr. Presidente, para encerrar, que já estou aqui há alguns minutos. Senadora, vou dar um exemplo para a senhora, que é do Pará. Com certeza, a droga não vem por navio dos Estados Unidos, não vem dos outros países; a droga sai daqui dos países vizinhos, dos países andinos. É com esse corredor que nós temos que acabar; é esse corredor que nós temos que aniquilar. Mas lá pelos navios, sim, pode ir outra coisa, as armas, porque, lá fabricam bastante. Com certeza, vêm para países como o Paraguai, vêm para países como a Bolívia e você consegue qualquer arma que quiser, de metralhadora a fuzil, de bazuca a não sei o quê.

            No meu entendimento, nós precisamos, urgentemente, que esta Casa pegue as economias para colocar estrutura. Alguém diz o seguinte: “Mas o Exército brasileiro não está preparado”. Está, sim. Está, sim. Sabe por quê, Sr. Presidente? Porque ele está preparado para uma guerra.

            Quando o Exército entrou no Rio de Janeiro, bandido correu para tudo quanto é lado. Eles não alisam, porque lavar cabeça de burro é perder água e sabão. Não adianta, os caras correm mesmo. Vocês viram a corrida que deu no morro, para tudo quanto é lado. Então é assim que tem que ser feito. É botar ordem na casa. Quando se tem ordem, tem respeito. É por isso que agradeço, mais uma vez, por essa oportunidade.

            Quero aqui aproveitar para encerrar e dizer que, na próxima semana, depois da Páscoa, estou preparando um material completo sobre os oito anos que eu fiz no governo, quando, por várias vezes, dei aumento para os servidores. Eu queria ter dado muito mais aumento. Qual o governante que não quer melhorar o salário dos seus servidores? Quem não quer fazer isso? Quem de nós não quer pagar salário melhor para a empregada doméstica, para o motorista, para o assessor? Quem, no Senado, não quer ganhar mais? Quem que está me ouvindo, que está assistindo, não quer ganhar mais? Mas você tem que trabalhar dentro do limite.

            E aí - pasmem -, esta semana eu vi que o Governo do meu Estado de Rondônia, esse Governo da nova Rondônia, do novo Governo, mandou um projeto de lei de 6% de aumento para a Assembleia Legislativa, dizendo que não podia dar mais aumento porque o ex-governador, o governo anterior, tinha deixado quase R$200 milhões de dívida para um Estado que tem R$6 bilhões. E botou como dívida para mim, para o João Cahula, nosso Governador, precatórios. Precatórios, todo mundo sabe, é dívida de governos incompetentes do passado. Nos meus oito anos eu paguei todas as dívidas e paguei ainda conta dos precatórios.

            Mas colocaram como dívida. E colocaram o comparativo do que eu tinha dado de aumento. Mas eu quero lembrar àquela administração do Estado de Rondônia que eu dei 4,5% de aumento e dei mais R$200,00 para cada professor que estivesse na sala de aula. Só para a educação foram 18,48% que dei de aumento para os professores.

            Para a Polícia Militar do meu Estado, no final de 2009, dei um aumento de 23,75%. Incorporei isso ao salário, incorporei essa gratificação ao salário e depois dei mais 4,5%.

            Agora o novo Governo dessa nova Rondônia vem dizer para o povo do meu Estado que não pode dar aumento porque ficaram R$169 milhões, porque está descontando muitas outras coisas.

            Eu quero dizer mais. Sabe quanto deu de aumento de receita, que eu deixei, em janeiro e fevereiro? Deu R$222 milhões a mais de arrecadação. Então, se tivesse ficado alguma dívida, com certeza, essa arrecadação em excesso daria para pagar e ainda sobrava dinheiro.

            Mas quando mais fiquei triste hoje foi quando me ligaram da cidade de Buriti, a cidade onde o Estado tem o hospital - e olha que o Governador de Rondônia é médico... Levou o Jornal Nacional e mostrou para o Brasil que tinha fila em Porto Velho. É verdade, tinha fila, por causa das usinas. Todo mundo sabe disso. E na cidade de Buriti nós nunca deixamos faltar medicamento, nunca deixamos faltar nada, profissionais. Hoje, o hospital, infelizmente, se encontra sem condições. Os doentes estão pedindo a seus familiares para comprarem medicamentos. Não posso compactuar com isso, porque prometeram para Rondônia uma nova Rondônia, prometeram para o meu Estado um novo governo.

            Então, estou aqui, nesta tribuna, chamando a atenção do governador do meu Estado para que tome providência urgentemente, com a sua equipe, porque está levando a cometer erros.

            Governador Confúcio, você está cometendo erros!

            Quero dizer mais aqui, Sr. Presidente: não existe secretário municipal ruim; existe prefeito ruim. Não existe secretário estadual ruim; existe governante ruim.

            Sr. Governador, não dá mais para culpar os secretários. O senhor tem que tomar providências. É sua responsabilidade.

            Veja a situação que está o João Paulo II, com filas e filas, com pacientes no chão. Não estão deixando a imprensa entrar e filmar. Na semana passada, o Deputado Euclides Maciel entrou com uma microcâmera e filmou os pacientes no chão. E cadê a parceria que iam fazer no interior? Espero que façam, porque quero aplaudir a administração. Agora, não vou aceitar, de maneira nenhuma - enquanto houve aumento de receita, mais de 20%, já que a média vai dar mais de 20% este ano, porque, só nos primeiros três meses, já deu mais de 40% de aumento de receita -, dizerem que não podem dar aumento para os servidores porque ficou débito da Administração passada. Quem dera, Sr. Confúcio, se os débitos que deixamos para ti fossem iguais aos que o PMDB teu deixou para nós, iguais aos que o outro partido, do governador que foi parceiro seu, deixou para trás, deixando salários atrasados, deixando encargos sociais para trás. Encargos sociais nem pagaram. Quebraram o Beron. Hoje há hoje dinheiro em caixa porque foi o meu governo que pagou. Sem contar que não pagaram os fornecedores, não pagaram os prestadores de serviço, e com vários meses, como falei no começo, de salário atrasado.

            Era essa reflexão que eu queria que o governador do meu Estado fizesse para parar de falar porcaria, para parar de falar asneira, para parar de ficar querendo culpar o meu time que fez parte daquele governo que moralizou aquele Estado, que consertou aquele Estado de bandido e ladrão que tinha lá, porque o governo deles, Presidente, que viciou. O Governo deles é que manteve, no passado. E eu enfrentei, denunciei. A mídia nacional, o Fantástico foi ao Estado de Rondônia... E muitas pessoas me chamavam de louco. “Esse Governador é louco, denunciando, fazendo isso. Não tem medo de morrer?” Quem não tem medo de morrer? Todo mundo tem. Mas eu não vou ficar aqui para semente, não. O povo me deu um cargo público, e é com esse cargo público que vou retribuir, com muita honra. Não vou ser mais um que passa pela vida política só para ter um cargo: “Fui isso, fui aquilo”. O cargo não me faz a cabeça, a posição não me faz a cabeça, o mandato é pela vontade de Deus e pelo voto da população. Foi por isso que moralizamos e consertamos esse Estado.

            Espero que o Governador, a partir de agora, tome providências, arrume as estradas do Estado, comece a fazer, porque dinheiro tem. Dinheiro tem! Tem mais de R$300 milhões em caixa, como já falei esses dias. Não estão pagando os fornecedores, para depois vender facilidades.

            Portanto, Sr. Presidente, quero aqui deixar o meu abraço, agradecer pela compreensão de V. Exª, agradecer o aparte da Senadora Marinor Brito, dizer ao povo do Pará que, em breve, estaremos no Pará, em audiência pública da Subcomissão da Belo Monte, e aproveitar também essa oportunidade e desejar...

            A Srª Marinor Brito (PSOL - PA) - A ida de V. Exª é uma honra.

            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO) - Fico feliz. Olhe, me convide para jantar ou almoçar que farei questão de...

            A Srª Marinor Brito (PSOL - PA) - O convite está feito, Excelência.

            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO) - Então, está combinado.

            A Srª Marinor Brito (PSOL - PA) - Eu vou até para a cozinha, se for necessário.

            O SR. IVO CASSOL (Bloco/PP - RO) - Obrigado, agradeço de coração, mas quero aqui aproveitar uma semana antes da Páscoa e desejar ao povo brasileiro, ao povo do meu Estado uma feliz Páscoa, de muita paz, muito amor, muita alegria. Sei que é cedo ainda, o trabalho continua, mas, ao mesmo tempo, quero me colocar à disposição e parabenizar os servidores das usinas de Jirau e de Santo Antonio, que voltaram ao trabalho, pedindo sempre aos sindicatos que não deixem as vontades individuais sobreporem-se aos interesses nacionais, porque o que aconteceu no meu Estado não foi bom para a Nação, não foi bom para o povo de Rondônia. O povo de Porto Velho viveu momentos de terror, momentos difíceis, mas é um povo trabalhador, um povo aguerrido, um povo que acredita, um povo que faz.

            Por isso, agradeço a oportunidade e deixo o meu abraço.

            Até a próxima oportunidade, se Deus assim o permitir.

            Obrigado.


Modelo1 6/24/248:27



Este texto não substitui o publicado no DSF de 13/04/2011 - Página 11115