Discurso durante a 80ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Necessidade de se estabelecer uma relação entre cultura, meio ambiente e turismo ao se planejar a infraestrutura para a Copa do Mundo e Olimpíadas.

Autor
Marisa Serrano (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/MS)
Nome completo: Marisa Joaquina Monteiro Serrano
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
CODIGO FLORESTAL. TURISMO. HOMENAGEM.:
  • Necessidade de se estabelecer uma relação entre cultura, meio ambiente e turismo ao se planejar a infraestrutura para a Copa do Mundo e Olimpíadas.
Publicação
Publicação no DSF de 24/05/2011 - Página 17884
Assunto
Outros > CODIGO FLORESTAL. TURISMO. HOMENAGEM.
Indexação
  • IMPORTANCIA, VOTAÇÃO, REFORMULAÇÃO, CODIGO FLORESTAL, RESSALVA, AUSENCIA, CONFLITO, PRODUÇÃO AGRICOLA, PRESERVAÇÃO, MEIO AMBIENTE.
  • DEFESA, APROVEITAMENTO, REALIZAÇÃO, BRASIL, CAMPEONATO MUNDIAL, FUTEBOL, OLIMPIADAS, DISCUSSÃO, TURISMO, IMPORTANCIA, PROMOÇÃO, CULTURA, MEIO AMBIENTE, ATRAÇÃO, TURISTA.
  • HOMENAGEM, DIA INTERNACIONAL, MUSEU, REGISTRO, REALIZAÇÃO, SEMANA, COMEMORAÇÃO, DATA.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            A SRª MARISA SERRANO (Bloco/PSDB - MS. Para uma comunicação inadiável. Sem revisão da oradora.) - Obrigada, Sr. Presidente.

            Esta semana, a Câmara dos Deputados deve finalizar a tão polêmica votação do Código Florestal. Em seguida, será o Senado o palco das decisões a respeito do novo texto, infelizmente, com prazo apertado, como já é tão comum que ocorra nesta Casa, haja vista o histórico das votações de medidas provisórias que, inúmeras vezes, chegam aqui faltando um dia para encerrar a validade.

            No caso do Código Florestal, a despeito do prazo exíguo e da possibilidade de insegurança jurídica no campo brasileiro, precisamos, como legisladores responsáveis, nos debruçar, vírgula por vírgula, no texto que será aprovado na Câmara dos Deputados. Uma única palavra pode mudar substancialmente o conteúdo e a interpretação de um artigo.

            Não vou aqui tomar partido de ambientalistas ou de ruralistas, embora todos saibam que o meu Estado, Mato Grosso do Sul, tem uma forte tradição calcada no agronegócio e, principalmente, na agropecuária.

            Ressalto, como Presidente da Subcomissão de Água, no âmbito da Comissão de Meio Ambiente do Senado, que não podemos atuar como se a preservação ambiental fosse inimiga da produção agrícola e vice-versa; como se os cuidados básicos para preservar os nossos mananciais de água doce pudessem ser relegados ao segundo plano. Sei que muitos dos nossos produtores rurais estão conscientes disso.

            E aqui quero citar uma boa iniciativa do Governo do Mato Grosso do Sul, que isentou a taxa de movimentação florestal a fim de fomentar a silvicultura no Estado. Segundo a Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas, Reflore, o Mato Grosso do Sul foi a Unidade da Federação que mais cresceu em florestas novas no Brasil em 2010, chegando a 30% mais áreas que no ano anterior. Hoje, o setor da silvicultura é considerado um dos mais importantes para a economia sul-mato-grossense e ainda inova ao preservar o cerrado.

            Esse foi um exemplo. Quero dizer que a preservação ambiental é um tema que me é caro, porque, entre outros motivos, 60% do Pantanal Brasileiro estão em Mato Grosso do Sul.

            Sr. Presidente, Srs. Senadores, apensar de ter iniciado o meu discurso nesta tarde abordando a questão ambiental, vim falar aqui de cultura. Os Srs. Senadores devem estar se perguntando por que o discurso começou falando de algo que nada tem a ver com cultura.

            Eu quero dizer que cultura tem muito a ver com essa discussão ambiental, porque o artista expressa em sua obra o momento vivenciado pela sociedade, especialmente a pintura. Os especialistas de toda a História da Arte reconhecem o renascimento do gênero paisagem nas novas gerações. Isso é muito bem retratado em um projeto chamado Arte em Liberdade, que trouxe uma exposição de dez quadros de óleo sobre tela do artista alemão Felix Rehfeld para este Senado, no mês de abril. Não sei se os Senadores tiveram a oportunidade de ver essas telas, no Senado, mas foi uma belíssima exposição. Essa exposição faz parte do intercâmbio cultural Brasil-Alemanha e estará nas comemorações do Ano da Alemanha no Brasil, programado para 2013.

            Essa belíssima exposição esteve também no Rio de Janeiro e no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, da minha terra, o Marco. Com entrada gratuita, o Marco tem um belo acervo de mais de 800 peças, e as exposições reúnem artistas regionais, nacionais e internacionais.

            Atualmente o Marco, esse museu de Mato Grosso do Sul, é, sem dúvida, um dos mais importantes irradiadores de cultura do meu Estado. É também um dos melhores museus do País em termos de arquitetura, iluminação e climatização; abriga exposição de artes, cursos, debates e palestras.

            Aproveito para cumprimentar o Marco e todos os outros museus pelo Dia Internacional dos Museus, comemorado no dia 18 de maio, e também pela Nona Semana Nacional dos Museus, que tratou este ano do tema Museu e Memória, com inúmeros eventos realizados ao longo da semana passada, entre 16 e 22 de maio.

            Sr. Presidente, meio ambiente e cultura podem ser agregados a um outro setor: o turismo. Pesquisas indicam que o turista cultural, ou seja, aquele que se interessa pelas manifestações artísticas, folclóricas, históricas e de artesanato fica mais tempo no local visitado do que os turistas que não compartilham desses interesses.

            Um estudo realizado pela Aliança Cultural da Flórida, nos Estados Unidos, em 1997, destacou que os turistas culturais representaram 18% dos 47 milhões de visitantes do Estado naquele ano. Nessa pesquisa, constatou-se que essas pessoas oferecem individualmente maior impacto econômico do que outros visitantes, pois permanecem em média 16 dias e gastam US$350, por dia.

            Apesar de ser um estudo americano do final da década de 90, podemos usar essas informações para incentivar o crescimento do turismo cultural e ambiental no Brasil.

            É certo que uma região com inúmeros atrativos vai instigar o turista brasileiro e o internacional a conhecê-la e a querer ficar por mais tempo.

            Assim, acredito que precisamos puxar o foco das discussões em torno da infraestrutura que está sendo criada para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas também para as atrações culturais, históricas e para o ecoturismo.

            Teremos a oportunidade de sediar dois megaeventos esportivos e precisamos centrar esforços não só em capacitar profissionais da hotelaria, do comércio e dos transportes, mas também para instigar programas e projetos relacionados ao nosso riquíssimo ecoturismo e às nossas inúmeras manifestações culturais, folclóricas e gastronômicas.

            Temos diversos exemplos de regiões brasileiras que podem se desenvolver e gerar emprego e renda com ações bem articuladas que unifiquem turismo, cultura e meio ambiente. O Pantanal de Mato Grosso do Sul, as praias do Nordeste, a Amazônia, a história e a arquitetura mineira, o eixo Rio-São Paulo, o sul do País, enfim, temos uma diversidade infinita que pode encantar qualquer turista nacional ou estrangeiro.

            E aí cito um excelente exemplo em Mato Grosso do Sul. Hoje, agora, no final da tarde, o Governador André Puccinelli lança oficialmente o Aquário do Pantanal. O empreendimento que será construído...

(Interrupção do som.)

            A SRª MARISA SERRANO (Bloco/PSDB - MS) - Como eu estava dizendo, esse empreendimento Aquário do Pantanal será construído no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, e será o maior aquário de água doce do mundo, com 263 espécies e sete mil animais.

            No centro receptivo do Aquário do Pantanal, também serão projetadas imagens da fauna dos rios, com espécies de peixes dos rios pantaneiros e de Bonito. Esta é uma grande iniciativa que certamente servirá de grande atrativo turístico para Mato Grosso do Sul.

            Sr. Presidente, o Brasil precisa de investimento e de capacitação. Assim, poderemos mostrar que turismo, cultura e meio ambiente podem andar juntos e ajudar a impulsionar o desenvolvimento nacional.

            Obrigada, Sr. Presidente, pelo tempo.

            Era o que tinha a dizer.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 24/05/2011 - Página 17884