Discurso durante a 164ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Comemoração do Dia do Economista.

Autor
Romero Jucá (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/RR)
Nome completo: Romero Jucá Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Comemoração do Dia do Economista.
Publicação
Publicação no DSF de 21/09/2011 - Página 38214
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, DIA, ECONOMISTA, COMENTARIO, HISTORIA, PROFISSÃO, BRASIL.

            O SR. ROMERO JUCÁ (Bloco/PMDB - RR. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs Senadoras e Srs. Senadores, é com grande alegria que venho a esta tribuna render minhas homenagens aos economistas de todo o país nesta sessão destinada a celebrar o Dia do Economista. Este júbilo justifica-se não somente pelo relevante papel desses profissionais para o desenvolvimento das nações, mas também pelo fato de sentir-me orgulhoso de também pertencer à categoria dos economistas, o que, de certa forma, torna minha participação autoreferencial.

            De fato, Sr. Presidente, o Dia do Economista, comemorado no dia 13 de agosto, data escolhida em razão da Lei n° 1.411, de 1951, que regulamentou a profissão e criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Economistas, atualmente denominados Confecon e Conrecons, tem grande significado para toda sociedade.

            Trata-se, Sr. Presidente, de um profissional cuja formação requer conhecimentos na área das ciências humanas em disciplinas como história, sociologia e política, mas, sobretudo, exige uma sólida base na área de exatas no que tange a cálculo e estatística. O conjunto dos diferentes conhecimentos acumulados permite, sem dúvida, uma visão acurada de todo o processo econômico, seja por meio de um exame diacrônico da formação econômica de um país, seja por meio da análise sincrônica dos elementos constitutivos da riqueza e do desenvolvimento.

            Nesse sentido, a compreensão das formas pelas quais as sociedades utilizam seus recursos materiais e humanos fundamenta-se igualmente sobre dois pilares. De um lado, temos a área macroeconômica que estuda as relações econômicas e financeiras com ênfase na política econômica, na distribuição de renda, gastos e investimentos públicos. Busca, ainda, estabelecer conexões entre o mercado e a economia como um todo. A área microeconômica, por outro lado, relaciona-se com o desenvolvimento e a viabilidade da indústria e do comércio. Há uma preocupação com o planejamento econômico-financeiro, controle de gastos e custos.

            Sob a égide destas duas grandes áreas, as atividades de um economista podem abarcar os campos do comércio internacional, da economia agrícola, da economia urbana, das finanças públicas, dos recursos humanos e do trabalho, assim como do sistema financeiro e desenvolvimento. A atuação, portanto, de um profissional pode ser direcionada para uma diversidade de segmentos, o que demonstra a complexidade das ciências econômicas, bem como a riqueza de oportunidades que se abrem àqueles se dedicam aos estudos econômicos.

            Sr. Presidente, ao apresentarmos tangencialmente os objetos de estudo e os campos de atuação de um economista, não poderíamos deixar de mencionar brevemente, premidos pelo tempo que escoa ligeiro neste Plenário, alguns instrumentos teóricos de investigação econômica. As principais escolas teóricas da economia em uma linha evolutiva que remete às grandes descobertas do século XV, período que marca a gênese de nossa história enquanto nação, tem como ancestral a escola mercantilista. Daí em diante, tivemos a escola da fisiocrasia, da economia clássica, marxista, da economia neoclássica e da escola keynesiana, isso, reitero, à guisa de uma apanhado superficial.

            Ao mencionarmos a história das idéias econômicas não poderíamos deixar de nos esquecer, nesta sessão em homenagem ao Dia do Economista, de reverenciar a memória de um dos nossos maiores economistas, um dos mais destacados intelectuais no século XX, Refiro-me ao paraibano Celso Furtado, um dos criadores da SUDENE. Furtado destacou-se por suas idéias sobre a condição do desenvolvimento e o subdesenvolvimento dos países. Suas idéias divergiam das doutrinas econômicas dominantes em sua época e estimulavam a adoção de políticas intervencionistas do Estado sobre o funcionamento da economia. Devemos também ao legado de Celso Furtado as idéias pioneiras acerca da importância da criação de um mercado interno de modo a incrementar o crescimento do país.

            Os reflexos de suas idéias podem ser aferidos em nossa história contemporânea. No Governo do Presidente Lula, houve a preocupação com os pressupostos econômicos relacionados ao controle de inflação, à responsabilidade fiscal e ao cumprimento da meta de superávit primário do setor público, tudo isso em continuidade às ações já adotadas no Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.

            Entretanto, o fato novo surgido com êxito no Governo Lula e levado à frente no Governo da Presidenta Dilma por sinal, também economista diz respeito à implementação de políticas públicas, as quais contribuíram sobremaneira para a inclusão social de milhões de brasileiros, retirando-os da linha da pobreza e possibilitando o fortalecimento de nosso mercado interno. Foi, sem dúvida, inestimável o papel de um mercado interno robusto para a superação dos danos causados à economia brasileira por conta da crise financeira que abalou a economia mundial em 2008. Agora, no momento em que recrudesce a crise de proporções ainda incertas, os acertos desses programas certamente mitigarão seus efeitos nefastos

            Homenagear, portanto, os economistas pelo transcurso dos 60 anos da regulamentação da profissão, significativa efeméride, representa, antes de tudo, reconhecer a importância desses profissionais que com seu empenho, competência e conhecimento prestam grandiosos serviços ao povo brasileiro e à nação brasileira.

            Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.

            Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 21/09/2011 - Página 38214