Discurso durante a 202ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Homenagem pelo transcurso do centenário de nascimento de Arnon Affonso de Farias Mello.

Autor
Benedito de Lira (PP - Progressistas/AL)
Nome completo: Benedito de Lira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Homenagem pelo transcurso do centenário de nascimento de Arnon Affonso de Farias Mello.
Publicação
Publicação no DSF de 09/11/2011 - Página 46210
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM, CENTENARIO, NASCIMENTO, ARNON DE MELLO, EX-CONGRESSISTA, REGISTRO, HISTORIA, VIDA PUBLICA.

            O SR. BENEDITO DE LIRA (Bloco/PP - AL. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, esta Casa, na tarde e noite de hoje, votou, discutiu e aprovou diversas matérias. Aqui ouvimos os mais diversos pronunciamentos também tratando dos assuntos mais importantes para a Federação brasileira.

            Nesta noite, vou ocupar a tribuna, Sr. Presidente, para tecer alguns comentários a respeito de uma autoridade, um ilustre cidadão que passou por esta Casa por três mandatos. É um homem que dignificou a vida pública deste País.

            A figura política a que me refiro e a quem desejo, na noite de hoje, prestar homenagem é um cidadão de Alagoas, do meu Estado querido de Alagoas.

            O Estado de Alagoas, Sr. Presidente, celebra, neste ano de 2011, o centenário de nascimento do Sr. Arnon Affonso de Farias Mello que engrandeceu a política local com sua trajetória de advogado, jornalista, empresário e, consequentemente, enveredou pelo caminho da política do meu Estado. Arnon de Mello atuou como Deputado Federal e Governador de Alagoas, tendo também exercido nesta Casa três mandatos de Senador, representando o grandioso Estado de Alagoas.

            Além de político destacado, Arnon de Mello se notabilizou como homem de negócios ao conceber e criar a Organização Arnon de Mello, o maior complexo de comunicação do Nordeste, do qual fazem parte o jornal Gazeta de Alagoas, matutino de maior circulação no meu Estado, a TV Gazeta, emissora afiliada da Rede Globo, as rádios Gazeta de Alagoas - AM e FM de Maceió, FM de Arapiraca e AM de Pão de Açúcar, a Gráfica de Alagoas, o portal Gazetaweb e a Gazeta Pesquisa (Gape).

            Nascido no Município de Rio Largo, da grande Maceió, o jovem estudioso Arnon de Mello, após se transferir com a família para Maceió, tornou-se revisor do Jornal de Alagoas, onde atuaria, posteriormente, como repórter e diretor-geral, com apenas 25 anos de idade. Depois disso, graduou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1933, tendo se destacado como jornalista e repórter de inúmeros veículos de comunicação da imprensa carioca.

            Aos 28 anos de idade, Arnon de Mello casou-se, em Portugal, com D. Leda Collor, filha do primeiro Ministro do Trabalho do Brasil, Lindolfo Collor, que estava exilado em Lisboa, em razão de sua divergência com o Governo Getúlio Vargas. O casal teve cinco filhos: Leopoldo, Leda Maria, Ana Luiza, Fernando Collor de Mello, que viria a se tornar Presidente da República, e Pedro Collor.

            Arnon de Mello prosperou no ramo imobiliário, na cidade do Rio de Janeiro, e sua constante aproximação, como profissional, dos embates de ideias de seu tempo o levou, naturalmente, à atuação política. Em 1950, elegeu-se Deputado Federal e, ao mesmo tempo, Governador do Estado de Alagoas, Estado que muito se beneficiou, Sr. Presidente, da administração desenvolvimentista e progressista daquele homem público.

            Diversas obras e projetos marcam esse período, como a primeira rodovia asfaltada de Alagoas, com mais de cem quilômetros entre a cidade de Maceió e a cidade de Palmeira dos Índios. Também como Governador, Arnon de Mello construiu o Centro Educacional de Maceió, que é hoje uma vitrine para a educação dos jovens do meu Estado, implantou a Colônia Pindorama, a primeira colônia agrícola do Nordeste. E eu gostaria de fazer ver aqui, Sr. Presidente, que esta colônia lá em Pindorama é, na atual conjuntura, o maior centro de reforma agrária sem invasão de terras onde existe uma usina de açúcar e álcool que é do trabalhador. É a única usina brasileira que é do trabalhador, porque lá são os trabalhadores os verdadeiros donos daquela empresa que faz parte do parque industrial açucareiro do meu Estado. Construiu o primeiro sistema de esgotamento sanitário da capital alagoana e ampliou o Serviço de Abastecimento de Água de Maceió. Fez, em Alagoas, as primeiras ligações de energia gerada em Paulo Afonso e criou uma Escola de Auxiliar de Enfermagem para preparar profissionais para o atendimento à população. Arnon de Mello, Sr. Presidente, também foi importante na viabilização da implantação, em Alagoas, da Cruz Vermelha, da Legião Brasileira de Assistência e da Associação Bandeirantes.

            Srªs e Srs. Senadores, no ano em que se comemora o primeiro centenário de nascimento do ilustre Arnon Affonso de Farias Mello, gostaríamos de cumprimentar toda a sua família e todo o povo alagoano pelo legado de tão importante homem público para a política do seu Estado e do Brasil.

            Daí, Sr. Presidente, nesta oportunidade, gostaria muito de reviver alguns momentos da vida pública do meu Estado e, consequentemente, da convivência que... Eu me lembro que, muito jovem, ainda não participava da atividade política de Alagoas. Em um determinado momento, em uma das candidaturas ao Senado Federal, o Senador Arnon de Mello, que sempre teve uma afeição toda especial pelos jovens daquele Estado, cuidando dos jovens quando Governador de Alagoas, cuidando dos jovens quando abriu as empresas de comunicação, convidando uma plêiade de jovens para tocar aquelas emissoras de rádio, jornal e, posteriormente, de televisão... E eu me lembro, Sr. Presidente, naquele momento em que ele disputava mais um mandato de Senador, renovando o seu mandato, ele convidava os jovens de Alagoas que se dispusessem a participar de um processo político-eleitoral para, numa conversa - como se fosse assim um mestre dando aula para os seus alunos -, ele então ensinava a todos nós como participar do processo político-eleitoral de Alagoas, como fazer com que as coisas pudessem acontecer. E eu estava dentro daquele auditório da Gazeta de Alagoas, participando exatamente daquele momento que eu julguei da maior importância.

            Daí por que, naquela oportunidade, eu ter ouvido os ensinamentos do velho, tradicional, político de Alagoas, do homem que inovou a política de meu Estado e que trouxe inúmeros e inúmeros benefícios para o Estado de Alagoas. O Estado de Alagoas realmente começou a ter um desenvolvimento na sua vida administrativa e política desde que Arnon de Mello exerceu mandato de Governador. Em um momento de muita turbulência, ele teve a serenidade, a capacidade e a seriedade de tocar as coisas no meu Estado e tornar o Estado de Alagoas... Num determinado momento da sua vida administrativa, o Estado de Alagoas, Sr. Presidente, era conhecido como o filé mignon do nordeste brasileiro. Infelizmente, em outras épocas as coisas não foram muito bem conduzidas por administradores que lá passaram, e o Estado de Alagoas hoje atravessa algumas dificuldades, mas que o legado de Arnon faz com que dignifique o povo do meu Estado e dignifique a classe política de Alagoas.

            Por essas razões e circunstâncias, eu aproveito o momento para homenagear aquele que foi o grande homem público do meu Estado e que dignificou, com três mandatos de Senador da República, esta Casa e o Congresso Nacional.

            Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/11/2011 - Página 46210