Encaminhamento durante a 57ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Referente ao RQS n. 361/2013.

Autor
Magno Malta (PR - Partido Liberal/ES)
Nome completo: Magno Pereira Malta
Casa
Senado Federal
Tipo
Encaminhamento
Resumo por assunto
Outros:
  • Referente ao RQS n. 361/2013.
Publicação
Publicação no DSF de 25/04/2013 - Página 21411

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES. Para encaminhar. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srs. Senadores, eu pretendo ser breve, até porque falar mais do que já foi falado seria chover no molhado. Mas eu não podia, Sr. Presidente, de maneira nenhuma, deixar de me pronunciar num momento tão importante como esse, significativo, que nós estamos vivendo no Senado da República nesse momento. Nós vivemos uma democracia consolidada.

            Eu, a exemplo de tantos outros companheiros, estive sempre engajado nas campanhas do Presidente Lula. Aliás, com responsabilidade muito grande nas duas campanhas dele, que era a de dessatanizá-lo no segmento em que eu professo a minha fé.

            E me lembro de que, na primeira campanha, fui convencido por algumas pessoas. Entre elas, a então Senadora Marina Silva, que me convenceu a ir para a campanha. E, em alguns pontos do País, eu estive ao lado dela, pregando todo esse sonho e a necessidade de mudança de um País que precisava urgentemente fazer uma revolução na sua área social e arrancar da miséria milhões de miseráveis, que agora se tornaram pobres emergentes, que têm micro-ondas e carro na garagem, viajam de avião e comem em praça de alimentação de shopping center, graças a essa revolução em que todos nós acreditamos, que cada um, de uma forma, falou aqui. O Senador Requião falou de sua forma, outros falaram da sua forma, e eu estou falando da minha.

            Eu sempre estive na base do Presidente Lula e da Presidente Dilma. Quando Deputado Federal, fui. Não sou tolo. Embora fosse adversário, não estava na base do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas não sou tolo de tapar o sol com a peneira e não querer enxergar que a importância do governo dele foi ter dado as bases fundamentais da economia desse País, que se sustentou até aqui com as melhoras que nós recebemos.

            Mas, Sr. Presidente, nós somos um País cuja cultura é a pluralidade partidária. Não tente nos comparar, neste momento, com os Estados Unidos. “Nós precisamos ser iguais aos Estados Unidos, que só têm dois partidos.” Ora, se nós queremos ser iguais aos Estados Unidos, vamos logo fazer a redução da maioridade penal, que lá já tem há tantos anos. Se queremos ser iguais aos Estados Unidos e ter a mesma cultura, com tanta rapidez… Alguns Estados têm pena de morte. Não é a nossa cultura. Não pregamos isso aqui. E cada País com a sua cultura e com sua experiência própria. Até porque experiência é igual dentadura: só cabe na boca do dono.

            Sr. Presidente, a nossa cultura é essa de pluripartidarismo. Ah, já existem 60. Que existam 100, porque as pessoas são as suas crenças. Elas são o que elas acreditam. Há 60 partidos, num País com a dimensão do nosso, com a população que temos. Há grupos de pessoas neste País que não acreditam em nada do que eu falo, do que eu prego, que V. Exª fala e prega, o PT, que está no poder, ou o PSDB, que saiu. E outros partidos surgirão, mas eles não terão condição de disputar a eleição.

            Sr. Presidente, essa é aquela velha história de “farinha pouca, meu pirão primeiro”. E todo governante, antes de chegar ao poder, é vítima de quem está no poder; e, quando ele chega ao poder, ele assume o comportamento de quem tentou vitimá-lo. É uma prática, Sr. Presidente. É uma prática! Fora do poder, um procedimento; no exercício do poder, outro procedimento. É sempre assim, Sr. Presidente.

            Então, acredito neste Governo, pelos avanços que nós tivemos neste País. São 214 escolas técnicas feitas pelo Lula; 21 universidades; o Brasil aprendeu a gerar emprego; os avanços do PAC; por tudo isso e por acreditar, Sr. Presidente, por acreditar é que eu pertenço à Base desse Governo. Mas, neste momento, nós não podemos concordar com o que está posto e que nós vamos votar agora.

            A nossa cultura comporta - e essa é a cultura do Brasil - o pluripartidarismo. Ou queremos voltar para o Arena 1 e Arena 2? Nós lutamos a vida inteira. Aliás, lutaram, eu ainda era um menino quando existiram Arena 1 e Arena 2. Vamos voltar para lá? Não! A nossa cultura é outra.

            A minha mãe, Sr. Presidente, Dona Dadá, analfabeta profissional, dizia: “Quem tem a unha maior sobe na parede.” Esses partidinhos não vão a lugar nenhum, não é problema seu. Cada um pensa como quer pensar. Numa Democracia, fala o que quer falar, e “quem tem a unha maior sobe na parede”.

            Por isso, Sr. Presidente, voto contra esse requerimento. Com todo o respeito ao Governo, e aí quero acreditar e endossar as palavras do Senador Capiberibe. Aliás, estive no segundo turno das eleições lá, a pedido da Presidenta Dilma, a pedido do Lula, acreditando, como disse o Capiberibe. Eu acredito.

            Mas olha, Sr. Presidente, a exemplo dele, este é um momento em que nós temos que refletir. Um momento em que temos que refletir. E fica aqui a minha fala, e fica aqui, Sr. Presidente, a minha palavra à Senadora Marina Silva. Ela hoje está vivendo esse momento e nós não podemos permitir que ele se consolide hoje para que outros não tenham que amargar. Ela tem uma estatura, ex-ministra, ex-senadora. Ela tem uma estatura, é ex-presidente da República, conhece este País. E outro, Sr. Presidente, que mesmo não tendo essa estatura e disputado mandatos e que ainda seja leigo ou neófito, tem os mesmos direitos. E nós não queremos vê-los pagar esse preço. Nós não vamos chancelar o que estão pedindo que façamos hoje à tarde nesta Casa.

            Portanto, Sr. Presidente, fica o meu registro. E voto contra, até por que a democracia que alcançamos, com fundamentos tão sólidos, nós não podemos abalar com uma atitude como essa na tarde deste dia.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/04/2013 - Página 21411