Discurso durante a 67ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Considerações sobre o setor turístico brasileiro; e outro assunto.

Autor
Casildo Maldaner (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/SC)
Nome completo: Casildo João Maldaner
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
TURISMO.:
  • Considerações sobre o setor turístico brasileiro; e outro assunto.
Publicação
Publicação no DSF de 10/05/2013 - Página 24660
Assunto
Outros > TURISMO.
Indexação
  • ANALISE, DEFICIT, BALANÇA COMERCIAL, TURISMO, PAIS, MOTIVO, FATOR, TAXA DE CAMBIO, LEGISLAÇÃO TRABALHISTA, CARGA, TRIBUTOS, FALTA, INFRAESTRUTURA, LOGISTICA, FATO, IMPEDIMENTO, CRESCIMENTO, SERVIÇOS TURISTICOS, BRASIL.

            O SR. CASILDO MALDANER (Bloco/PMDB - SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Srª Presidente, Senadora Ana Amélia, caro Presidente Sarney, caro Senador Walter Pinheiro, demais colegas, quero me associar ao Senador Ricardo Ferraço e ao Presidente Sarney - pegar uma carona - com relação ao Embaixador Roberto Azevêdo.

            Foi uma conquista, sem dúvida alguma, extraordinária para o Brasil. Uma conquista que, eu diria, alguém do Itamaraty que galgue a função de ser uma espécie de coordenador da Organização Mundial do Comércio e que presidiu o nosso Itamaraty brasileiro, de certa forma, tira de um patamar que muitas vezes eu cobrava aqui.

            Lembro-me inclusive que, em meu outro mandato no Senado, eu cobrava que a diplomacia brasileira tinha que ser mais aguerrida em relação às relações comerciais, que precisávamos abrir mais espaços e sermos mais destemidos em relação a isso. Às vezes, acho que é bom não ser tão diplomata para tratar com alguns países que são muitos espertos nas negociações. Eles nos mandam, muitas vezes, quinquilharias e querem nosso filé-mignon ou nosso dinheiro.

            Vamos, então, compartilhar, negociar. Dependendo do que vem, vamos colocar o nosso produto, fazer a troca, a permuta, tentar fazer o negócio, tentar colocar nossa produção nacional no mercado internacional e, com essa decisão agora, conquistar o apoio da maioria do mundo para que o Brasil presida essa Organização.

            Sai um diplomata de dentro do Itamaraty e deixa a nossa diplomacia com mais garra, eu diria, deixa mais enaltecida, com mais ganância, no bom sentido, com mais vontade de exercer e de ser mais agressivo, no bom sentido, de buscar espaço e de sentir que temos condições de falar de igual para igual com os países de primeiro mundo nas relações comerciais, nessa Organização Mundial do Comércio. Isso é muito importante.

            Então, quero me associar, Senador Sarney, a V. Exª, que naturalmente tem uma grande participação nisso, porque é respeitado no mundo, assim como o Governo brasileiro, ao Senador Ricardo Ferraço e a outros demais colegas que se pronunciaram.

            E quero, por outro lado, enaltecer um tema que trago nesta tarde, que é sobre o meu Estado e o Brasil. Vou fazer uma breve análise.

            Já está aberta a temporada de frio em Santa Catarina. Está vindo a neve. Ontem, por exemplo, os 6,8 graus negativos registrados em Urupema, na Serra Catarinense, já cobriram os campos a geada, criando uma paisagem deslumbrante, que atrai milhares de pessoas todos os anos para a Serra Catarinense. Eu diria que, embora o frio - é uma expressão que se usa na Serra -, embora o gelo, o acolhimento humano aquece, aquece os corações, aquece a civilização de lá, aquece os que chegam, e estimula a vontade de ir lá procurar, de lá se achegar, como se diz lá.

            Além do frio e da possibilidade e ver neve em pleno solo tropical, sem sair do País, os turistas são atraídos pelas belas paisagens serranas, com cenários vertiginosos, como a Serra do Rio do Rastro. Na culinária, uma herança que mistura italianos, alemães e os velhos tropeiros, que deixaram marcas profundas na região.

            Mais recentemente, outro atrativo tem encantado os turistas: nossos vinhos finos de altitude, que já recebem reconhecimento nacional por sua qualidade única. Além de degustá-los, o visitante tem a oportunidade de conhecer vinícolas e parreirais de grande beleza. Aliás, nós temos um nicho, na Serra Catarinense, que vem do Chile, das cordilheiras do Chile, passa por lá e vai ao Sul da África, e dá um terroir, um nicho de terra, um terroir muito especial. O terroir é de pouco espaço, mas de uma qualidade diferente, Senador Sarney, Presidente Sarney. É alguma coisa que deu certo. Descobriu-se que o terreno ajuda, o microclima, e tudo isso faz com que haja condições.

            E não é só isso. Santa Catarina, eu diria, nessa época - as quatro estações do ano são nítidas no Estado -, oferece, ainda, uma ampla gama de opções ao turista. Nossos roteiros regionais valorizam a variedade geográfica e cultural do Estado. Podemos falar nos Caminhos das Neve; no Caminho dos Príncipes, na região de Joinville; no Vale do Contestado; no Grande Oeste, que vai até a fronteira da Argentina; na Costa Verde e Mar; na Rota da Cerveja, que é o Vale Europeu, na região de Blumenau, Pomerode e Indaial, aquela região; nos Encantos do Sul; e no Caminho dos Cânions. Isso só para citar alguns casos. Um Estado que no tamanho geográfico é pequeno, mas que reúne as quatro estações do ano nitidamente delineadas.

            Pois bem, se meu Estado tem tantas opções de turismo, ao olharmos para o Brasil - nem vou falar dos lençóis maranhenses, que tive a oportunidade de um dia conhecer e que nos encantou; a senhora, então, não queria nem sair -, vislumbramos um mosaico riquíssimo de belezas naturais, atrativos culturais e gastronômicos. Poucas nações dispõem de uma diversidade de tal dimensão.

            Apesar desse potencial gigantesco, nossos números no setor estão muito aquém do desejado. O déficit em nossa balança comercial do turismo, em 2012, alcançou US$15,6 bilhões. Nos últimos quatro anos, os gastos dos estrangeiros no País até aumentaram em 15%, deixando aqui US$6,6 bilhões. Na outra ponta, contudo, os brasileiros deixaram no exterior não esses valores, mas US$22,2 bilhões, o dobro do registrado há quatro anos, a que eu fiz referência antes.

            Outros números ampliam a dimensão do problema. Dentre mais de um bilhão de visitantes que no mundo inteiro, em 2012, viajaram, apenas 0,5% desse montante de um bilhão de pessoas ficou no Brasil - pouco mais de cinco milhões de pessoas. Do total de recursos movimentados pelo setor, superior a US$1 trilhão, nos coube pouco mais de US$ 6 bilhões.

            Indubitavelmente, muito pouco para o quinto maior país do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, quase 7.500 quilômetros de litoral banhado pelo Oceano Atlântico.

            Alguns fatores contribuem decisivamente para a composição deste quadro. Entre eles, podemos citar a atual taxa de câmbio, a legislação trabalhista, a carga tributária e os juros.

            O famoso custo Brasil, que tanto afeta setores como a indústria e a agricultura, também atinge o turismo, encarecendo o País tanto para brasileiros como para estrangeiros.

            A nossa fraca infraestrutura logística - que muito se debate nos últimos meses aqui nesta Casa e no País - é, igualmente, fator determinante na dificuldade de incremento na atividade turística nacional. E aí vêm os nossos aeroportos, que ainda estão muito aquém da capacidade e da qualidade necessária, não obstante as iniciativas que estão em andamento. Nossas estradas, na maioria dos casos, estão em estado precário. O turismo de cruzeiros, mais especificamente de cabotagem, ainda aguarda a devida regulamentação, contribuindo para a evasão de divisas.

            O Brasil tem, diante de si, dois grandes desafios, que serão definidores do caminho que trilharemos no futuro: a Copa que vem aí, no ano que vem, e as Olimpíadas de 2016.

            A grande contribuição desses eventos vai muito além da visibilidade internacional do País ou da presença momentânea de visitantes durante sua ocorrência. Eles têm o condão de promover transformações que serão de fundamental importância para a atividade nos anos que se seguirão.

            Com as medidas corretas, o setor turístico brasileiro pode dar uma contribuição valiosa ao desenvolvimento econômico e social. Trata-se de uma indústria limpa, de alto valor agregado, envolvendo uma extensa cadeia produtiva, intensiva de mão de obra. Como resultado, geração de empregos e renda, além da arrecadação de impostos de forma sustentável.

            Concluo, nobre Presidente.

            Se promovermos as adequações necessárias, o Brasil poderá exercer o papel de protagonismo que lhe cabe no cenário turístico internacional. E temos condições para isso.

            Concluindo, nobre Presidente Ana Amélia, a diversidade brasileira não vem só do Chuí de V. Exª e vai ao Oiapoque. Em todas as diversidades do Brasil, se melhorarmos esse quadro, essa infraestrutura, essa logística, os tratamentos, se chamarmos a iniciativa privada,...

(Soa a campainha.)

            O SR. CASILDO MALDANER (Bloco/PMDB - SC) - ... os fundos internacionais a participarem de um projeto sério, de durabilidade, de média e longa duração, que ofereça credibilidade, esse pessoal se anima. Esses fundos internacionais estão aí e gostam de diversificar aplicações de que só vão fazer uso daqui a 20, 30, 40 anos, porque diversificam. E se veem um potencial adormecido ainda, como é o nosso Brasil... E até que a conquista agora da Presidência da OMC quiçá nos ajude a abrir um pouco os caminhos, abrir uma luz no fim do túnel. Tomara que não seja, Ana Amélia, uma moto na contramão essa luz no fim do túnel. Acho que não deve ser isso. Isso vai nos estimular, vai ajudar. São momentos que temos que colher com alegria e fazer avançar esses potenciais.

            Não só no nosso Estado, mas na serra do Estado de V. Exª, onde, também, há uma serra extraordinária, com cidades como Bento Gonçalves e outras dessa região toda. Nós podemos, então, aproveitar para participar dessa coisa diversificada, extraordinária, pois é uma “minieuropa” essa região nossa do sul. Temos as quatro estações definidas. Dá para senti-las nos quatro cantos. Quer praia, tem; quer o gelo, tem; se quiser águas termais, tem; quer meia estação, tem. E, agora, se quiser curtir um bom frio, também tem.

            Muito obrigado, Srª Presidente e caros colegas.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/05/2013 - Página 24660