Discurso durante a 166ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Repúdio à matéria do Jornal O Globo acerca do processo do “Mensalão”.

Autor
Roberto Requião (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PR)
Nome completo: Roberto Requião de Mello e Silva
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
JUDICIARIO, IMPRENSA, ATUAÇÃO PARLAMENTAR.:
  • Repúdio à matéria do Jornal O Globo acerca do processo do “Mensalão”.
Publicação
Publicação no DSF de 27/09/2013 - Página 67155
Assunto
Outros > JUDICIARIO, IMPRENSA, ATUAÇÃO PARLAMENTAR.
Indexação
  • REPUDIO, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, O GLOBO, ESTADO DO RIO DE JANEIRO (RJ), ASSUNTO, DECISÃO JUDICIAL, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), REFERENCIA, JULGAMENTO, AÇÃO PENAL, DENUNCIA, ORADOR, PARTICIPAÇÃO, CRIME, CORRUPÇÃO, DESVIO, RECURSOS, CARATER PUBLICO, DEFESA, CAMARA DOS DEPUTADOS, URGENCIA, VOTAÇÃO, PROJETO DE LEI, AUTORIA, SENADOR, OBJETIVO, GARANTIA, DIREITO DE RESPOSTA, RELAÇÃO, MATERIA, PUBLICAÇÃO, IMPRENSA.

            O SR. ROBERTO REQUIÃO (Bloco Maioria/PMDB - PR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Venho à tribuna para concordar com a Senadora Ana Amélia: a comunicação é absolutamente indispensável. Não existe democracia sem informação. No entanto, Presidente Lúcia Vânia, existe comunicação e existe molecagem na imprensa.

            Estou aqui com O Globo, jornal fundado pelo Irineu Marinho, posteriormente dirigido por Roberto Marinho e atualmente dirigido pelos netos do Irineu, os filhos do Roberto, que se dedicam, como verdadeiros moleques, a fazer molecagem na imprensa.

            Primeira página: “Recurso do mensalão pode beneficiar até 84 políticos. Decisão sobre validade de embargos infringentes favorece réus em ações penais no STF”.

            Dentro, na terceira página, uma página inteira: “Mensaleiros como modelo. Até 84 parlamentares na fila de réus do STF podem se beneficiar de embargos infringentes”. Primeira fotografia: a minha. Estou aqui, estampado pelos moleques filhos do Roberto Marinho, na terceira página de O Globo.

            Aprendi há muito tempo com meu avô, sergipano, que quando você é mordido por um cachorro, você não bate no cachorro, você bate no dono do cachorro. E o dono dos dois jornalistas que escreveram essa maravilha aqui se chama Roberto Irineu Marinho. E é com ele que eu quero falar desta tribuna.

            Exaltado que eu estou, indignado, preparei até um texto para não passar dos limites que se deve usar numa tribuna do Senado. Mas quero conversar com esses moleques de O Globo.

            Na página 3 vem a matéria da capa, cujo título é: “Mensaleiros como modelo”. A matéria, de página inteira, é ilustrada por várias fotografias, a começar pela minha fotografia. O tom da reportagem afina-se com o título. Na onda das reações à decisão do Ministro Celso de Mello, que a mídia transformou em uma campanha contra a impunidade, O Globo mistura tudo, de delito eleitoral por afixar cartazes em locais não permitidos a peculato, fraudes em licitações, injúria e mais.

            Quem desavisado, ignorante das acusações contra esses 84 políticos, lê O Globo tende a vê-los no mesmo saco de corruptos; 84 políticos que têm por modelo os chamados ladrões de dinheiro público.

            Eu não sou Marinho. Eu não estou devendo milhões de reais para a Receita Federal. Não estou me escondendo no poder de comunicação dos seus jornais.

            O Globo não se preocupa em separar alhos de bugalhos. Não se preocupa em mostrar as diferenças das acusações contra 84 políticos. Não. Para O Globo, buscar a verdade nos fatos, o fundamento do jornalismo é apenas um detalhe absolutamente supérfluo.

            Vejam o meu caso: para O Globo, um dos 84 políticos que poderiam se beneficiar de um recurso que contemplou os tais ladrões, supostos ladrões do dinheiro público sou eu. O jornal faz uma referência por cima sobre o meu processo no STF, diz que estou sendo processado por calúnia, mas não dá qualquer detalhe sobre a suposta calúnia. E o Plenário do Senado, por muitas vezes, já me ouviu falar sobre esse caso. Governador do Paraná, fui procurado por autoridades da República para aumentar o preço de uma obra pública, transformar uma obra direta numa PPP, saltando de 150 milhões para 440 milhões. Não concordei. Falei com o Lula. Falei com a Dilma. O processo parou. Um ano e meio depois, fui acusado de não aceitar investimentos privados no Paraná. E convidei as autoridades da República para ir à escola de governo, televisionada todas as terças-feiras, para discutir comigo a tal história do aumento absurdo e injustificado do preço.

            Eu fui processado por uma das tais autoridades. O processo tramita no Supremo Tribunal, e o parecer do Ministério Público é absolutamente favorável à posição que eu tomei, por obrigação, por decência, em defesa do dinheiro do povo do Paraná e do Brasil. Nada mais fiz do que cumprir a minha obrigação de defender o dinheiro do Estado.

            Pois muito bem. O Globo remete a mim e a todos os outros à vala comum dos ladrões do dinheiro público. Não se dignou a um telefonema, a procurar um detalhe, a procurar a verdade do processo. Tudo bem que O Globo não tenha me procurado para esclarecer o caso, afinal, essa história de ouvir o outro lado, de buscar esclarecimentos com quem é acusado é um incômodo a que O Globo não se dá. Ele não se dá ao incômodo do contraditório, mas não se dá, também, ao incômodo de pagar o que a Globo deve para a Receita Federal: milhões de reais, um caminhão de dinheiro que poderia estar construindo casas para o povo pobre do Brasil. Que, pelo menos, escarafunchasse o processo no Supremo para ver realmente do que se trata; tomar conhecimento do parecer do Ministério Público. Não, esse é um trabalho a que os moleques a serviço do Roberto Marinho, do Roberto Irineu Marinho - parece que esse é o nome da peça rara -, esse é um trabalho a que eles não se dão. E foi por motivos como esse que esta Casa aprovou o meu projeto de direito de resposta, do contraditório, assegurado em lei, uma possibilidade que não existe depois do fim da Lei de Imprensa, feita na ditadura e em bom momento revogada pelo Supremo Tribunal Federal.

            Eu quero esperar, agora, que a Câmara dos Deputados debata e aprove o projeto rapidamente. O País, os cidadãos deste País, sua honra e bom nome não podem continuar alvo de molecagens, de irresponsabilidade dos meios de comunicação. Não é todo mundo, Senadora Lúcia Vânia, que tem a tribuna do Senado, a TV e a Rádio Senado para fazer o que estou fazendo aqui, agora, mostrando a minha indignação. Portanto, repudio esta molecagem de O Globo e dos Marinho, essa reportagem maliciosa, aleivosa, malandra, safada. E espero que, com a mesma unanimidade do Plenário do Senado Federal, a Câmara Federal coloque em regime de urgência e dê à cidadania brasileira, rapidamente, o instrumento jurídico do direito de resposta. Nós não podemos continuar alvos de safadezas como essas desse jornal safado, dirigido por malandros, que é O Globo.

            Obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 27/09/2013 - Página 67155