Pela ordem durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Encaminhamento à Mesa Diretora de uma denúnica de atos racistas praticados contra jogador de futebol brasileiro, no Peru.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Pela ordem
Resumo por assunto
DISCRIMINAÇÃO RACIAL.:
  • Encaminhamento à Mesa Diretora de uma denúnica de atos racistas praticados contra jogador de futebol brasileiro, no Peru.
Publicação
Publicação no DSF de 14/02/2014 - Página 22
Assunto
Outros > DISCRIMINAÇÃO RACIAL.
Indexação
  • ENCAMINHAMENTO, MESA DIRETORA, SENADO, DENUNCIA, DISCRIMINAÇÃO RACIAL, ATLETA PROFISSIONAL, FUTEBOL, OCORRENCIA, PAIS ESTRANGEIRO, PERU.

            O SR. PAULO PAIM (Bloco Apoio Governo/PT - RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, recebi, há poucos minutos, uma denúncia da maior gravidade que, pela ordem, eu gostaria de encaminhar à Mesa. A denúncia, Sr. Presidente, diz que lamentáveis atos racistas ocorreram, no Peru, contra o jogador brasileiro Tinga, que é do Cruzeiro de Belo Horizonte e que é gaúcho, durante partida pela Copa Libertadores da América.

            Logo depois de sua entrada em campo, em substituição ao meia Ricardo Goulart, os torcedores do Real Garcilaso começaram a imitar sons e a chamar de macaco o jogador Tinga, num claro ato racista da maior gravidade. Esclareço, para quem não sabe, que o jogador Tinga é negro. Logo depois da partida, Tinga respondeu: “Fiquei, de fato, muito chateado. Joguei quatro anos na Alemanha e nunca passei por isso. Agora, acontece em um país parecido com o nosso, cheio de mistura. Trocaria um título pela igualdade entre raças e classes e o respeito.”

            A Confederação Sul-Americana de Futebol se pronunciou imediatamente após o fato, por meio da conta oficial da Copa Libertadores no Twitter: “Queremos tranquilizar os torcedores do Cruzeiro. A Confederação tomará todas as medidas cabíveis contra esse ato que repudiamos.”

            Quero aqui, Sr. Presidente, ler um trecho que escreveu e me mandou o blogueiro Negro Belchior. Diz ele:

E que ironia, logo no Peru, terra mãe de Anibal Quijano, sociólogo e pensador humanista, conhecido por ter desenvolvido o conceito de “Colonialidade do poder”.

[…]

A postura infeliz e equivocada da torcida demonstra o quanto ainda a questão do colonialismo deixou marcas na consciência e na mentalidade [da nossa querida América].

            Diz mais:

O racismo sempre foi e continua sendo elemento central na estrutura de dominação das elites racistas em nosso continente.

Povos irmãos, de matrizes raciais fundantes da humanidade e com história de violência e opressão também comuns, deveriam se reconhecer e irmanar não apenas em momentos festivos, mas, principalmente, na busca de um mundo mais justo. Essa ainda é uma grande tarefa [combater todo o tipo de preconceito]!

            Por fim, termino dizendo, Sr. Presidente: que esses atos não aconteçam nem lá, nem aqui, nem em nenhum país em que prevaleçam os direitos humanos!

            Nossa total solidariedade ao volante Tinga, gaúcho, com muito orgulho para todos nós e para o povo brasileiro!

            Termino só dizendo algo aos familiares de Tinga e ao Tinga, que derramou lágrimas na TV, e eu vi.

            Tinga, entoamos para ti o grito de uma escola de samba de Porto Alegre, que dizia: “Tinga, Tinga, teu povo te ama!”

            Era isso, Sr. Presidente.

            Obrigado pela tolerância!


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/02/2014 - Página 22