Discurso durante a 82ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Registro do artigo, do Sr. Washington Araújo, intitulado "Leonardo Boff, Eduardo Suplicy e Paulo Paim – Campeões da Justiça", publicado no site Brasil247.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
DIREITOS HUMANOS, ATUAÇÃO PARLAMENTAR.:
  • Registro do artigo, do Sr. Washington Araújo, intitulado "Leonardo Boff, Eduardo Suplicy e Paulo Paim – Campeões da Justiça", publicado no site Brasil247.
Publicação
Publicação no DSF de 29/05/2014 - Página 434
Assunto
Outros > DIREITOS HUMANOS, ATUAÇÃO PARLAMENTAR.
Indexação
  • COMENTARIO, ARTIGO DE IMPRENSA, PUBLICAÇÃO, INTERNET, ASSUNTO, DEFESA, DIREITOS HUMANOS, RELIGIÃO, PAIS ESTRANGEIRO, ORIENTE MEDIO, ELOGIO, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, EDUARDO SUPLICY, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), PAULO PAIM, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (RS), SENADOR, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT).

SEGUE, NA ÍNTEGRA, PRONUNCIAMENTO DO SR. SENADOR PAULO PAIM

            O SR. PAULO PAIM (Bloco Apoio Governo/PT - RS. Sem apanhamento taquigráfico.) -

            Registro sobre artigo “Leonardo Boff, Eduardo Suplicy e Paulo Paim - Campeões da justiça”, de Washington Araújo, publicado no site Brasil 247.

            Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, uma vez nós recebemos uma carta de um admirador onde ele descreveu toda a sua trajetória de vida, suas dificuldades, suas experiências, suas derrotas, suas vitórias.

            Nesta carinhosa carta a gente percebe muito claro que devemos sempre confiar em nossos sonhos, em nossas metas. Quem não tiver objetivos na vida perde o sorriso facilmente.

            Esse nosso caro amigo lá pelas tantas disse uma frase que jamais nos saiu da cabeça: “o fácil fizemos ontem, o difícil realizamos hoje, e o impossível alcançaremos amanhã”.

            Nós Temos uma trajetória de vida, de homem público, sempre em busca de melhores condições de vida para a nossa gente, em defesa dos direitos humanos, contra toda e qualquer discriminação.

            Assim vamos levando a vida, com ternura e solidariedade, saudando as pequenas coisas, as mãos que chegam até nós e os abraços impossíveis.

            Sr. Presidente, gostaria de registrar aqui artigo de autoria de Washington Araújo, publicado no site Brasil 247: “Leonardo Boff, Eduardo Suplicy e Paulo Paim - Campeões da Justiça”

            Agradeço as belas palavras.

             “Em um mundo que se move sob o signo da instabilidade - política, econômica, social e religiosa - é bem pouco comum ver três personalidades brasileiras levantar suas vozes em defesa de pessoas oprimidas que, vivendo no Irã, um país tão distante do Brasil e com cultura tão diversa da nossa, pagam alto preço para ter um direito humano básico - o direito à liberdade de religião.

            A essas pessoas, um teólogo e dois parlamentares, sinto-me preso da mais profunda admiração.

            E não encontro melhor designação para eles que esta: Campeões da Justiça. Em solenidade particular, nos recintos de minha consciência anterior reputo Leonardo Boff, Eduardo Suplicy e Paulo Paim como sinceros campeões da justiça.

            Cada um à sua maneira, usando os instrumentos que dispõem, não hesitaram em chamar a atenção do mundo para o interminável drama que vivem os cerca de 300.000 seguidores da religião bahá´í no Irã, drama iniciado no distante 1844, início dessa epopéia religiosa que sonhou desde seus primeiros dias com a unidade do gênero humano, a cidadania mundial, a igualdade de direitos para homens e mulheres, o apreço à diversidade de raças e etnias, a defesa do princípio de que a divindade, Deus, é um só e que, portanto, todas as religiões têm uma mesma fundamentação teologal, devendo ser objeto do mais sincero despeito e admiração.

            Leonardo Boff foi assertivo quando divulgou documento público em que apoia o esforço de diálogo aberto com todas as religiões - e o respeito a cada uma delas - promovido pelo clérigo iraniano Ayatollah Abdol-Hamid Tehrani.

            Dentre esses esforços louvados por Boff se encontram o refinado trabalho de Tehrani em produzir iluminuras para trabalho de caligrafia, uma das mais belas artes a caracterizar a milenar cultura artística da Pérsia.

            O renomado teólogo islâmico, ao destacar em sua preciosa arte textos sagrados em defesa dos seguidores da religião bahá´í, abriu com esse inusitado gesto enorme clareira em meio ao obscurantismo que por longos séculos aprisiona o Islã em sua difícil convivência com outros credos e outras formas de sentir Deus e de pensar o mundo.

            E Boff chama a atenção para esse acontecimento, dando relevo também à sua própria atuação como teólogo cristão - ele mostra do que é capaz um coração sem fronteiras aliada a uma mente receptiva às emanações do melhor que pode irradiar da consciência humana.

            É a coerência em toda sua inteireza, unificando pensamento e gesto, crença e conduta de vida.

            É um genuíno campeão da justiça porque percebe muitos anos antes de seus contemporâneos que a defesa da justiça precisa ser feita independente das características das vítimas, das religiões que abraçam, dos países em que vivem, dos idiomas em que se comunicam.

            Dessa aproximação de Boff a Tehraní em defesa do humano que habita em cada um de nós e que busca conexão com o Sagrado, entendo oportuno destacar essas palavras do teólogo franciscano: "Como não recordar, neste contexto, a extraordinária experiência de convivência pacífica e de profundo diálogo que os seguidores de Allah viveram durante 7 séculos na Espanha com Averroes, Avicena e outros grandes poetas com os cristãos, e contemporâneos como o franciscano Raimundo Lullo.

            Este criou um centro de diálogo e troca entre muçulmanos, judeus e cristãos na convicção de que ninguém deles, embora com compreensões diferentes, estava fora da verdade.

            Não só respeitavam os caminhos diferentes, mas admiravam o que cada um podia apresentar para um conhecimento maior do Altíssimo. Que isso nos sirva de inspiração para entender o trabalho tão admirável do Aytatollah Tehrani."

            Eduardo Suplicy remonta a uma espécie de líderança política quase em extinção. É essencialmente um pacifista, símbolo perfeito do mundo de sua juventude - os 1960, 1964, 1968 - aquela época em que se fazia revolução fundada na promoção de não mais que duas palavras - paz e amor - e contava com a força vibrante extraída da arte de artistas como Bob Dylan, Chico Buarque, Victor Jara.

            É de uma determinação exemplar. Ninguém pode deixar de associar o nome Suplicy na política brasileira com sua atuação parlamentar prenhe de justiça social e que desemboca no programa que ele gerou, deu forma e se pôs a defender - o renda básica de cidadania.

            No mesmo 14 de maio, para assinalar seis anos de confinamento dos Yarán, nome como são conhecidos os sete líderes bahá´ís presos por professar uma religião não permitida pela República Islâmica do Irã, Suplicy se dirigiu à tribuna do plenário do Senado Federal e, qual águia com sua visão aguda, fez belíssimo voo em defesa dos direitos humanos, em defesa da liberdade de religião, em defesa do estado de justiça.

            E em defesa dos mesmos bahá´ís, há poucas semanas da contundente defesa vocalizada por Leonardo Boff.

            O senador paulista, mostra assim, seu melhor eu ao ser voz para esses sofridos da Terra e ao assomar à tribuna do Senado chama a atenção dos governos do mundo, em especial do governo brasileiro e, também, da imprensa internacional para a gravíssima situação em que lutam por sobreviver os bahá'ís no Irã.

            Ele entende que precisa ser mais uma potente voz a ecoar a luta por justiça que encontra eco em dezenas de parlamentos e governos do mundo, integra as preocupações de inúmeros pensadores, acadêmicos e intelectuais em geral, que ao se pronunciarem em defesa dos Yarán e, ao exigirem a imediata cessação da violação dos direitos humanos dessas pessoas inocentes no Irã, constroem sólidas cidadelas em volta do conceito maior da cidadania mundial - somos.

            Desse libelo de Suplicy a favor da dignidade humana convém destacar essas suas palavras: "Na difusão de uma falaciosa dicotomia, os bahá'ís são retratados pelo governo iraniano como "descrentes", esses que os muçulmanos xiitas elegem para travar guerras físicas e psicológicas.

            Será mais um grito por justiça e em defesa dos direitos humanos de todos os que destes têm sido privados.

            Entendem os bahá'ís que "o que infelicita a parte infelicita o todo" e que a consciência espiritual da humanidade não pode continuar vítima da opressão do Estado, nem de quaisquer forças sociais que tolham o direito básico de cada ser humano - o direito de crença [em especial de crença religiosa].Trata-se de uma questão de justiça e respeito ao ordenamento jurídico internacional que tanto prezam os postulados de defesa dos direitos humanos."

            Paulo Paim é um intransigente defensor das melhores causas sociais. É profundo conhecedor dos que padecem de injustiças.

            Seu pensamento não conhece fronteiras e onde houver um necessitado a mendigar direitos, a clamar por justiça, encontrará nesse valente senador gaúcho um apoio, um respaldo, uma trincheira na luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra a servidão humana.

            E isso não é de hoje, vem com ele desde sempre: uma solidariedade latente para com os deserdados do mundo.

            No dia 22 de maio, voltou a usar a tribuna do Senado para proclamar a urgência de se respeitar os direitos humanos. Primeiro tratou, ainda pela manhã, do sequestro de centenas de meninas na Nigéria pelo grupo radical islâmico Boko Haram.

            E, ao final da tarde do mesmo dia, fez pronunciamento em que ecoou o pensamento de Heiner Bielefeldt, relator especial da ONU sobre a liberdade de crença, para quem "os ataques contra Baha'is no Irã representam um dos mais claros casos de perseguição religiosa patrocinada pelo estado no mundo."

            Paim abordou a situação caótica em que busca sobreviver os milhares de bahá´ís iranianos por uma vertente ainda pouco explorada - o bullying de Estado.

            Com rara sensibilidade o líder político gaúcho desenvolveu seu pensamento em torno de uma questão que envolve a vida e também a morte de seres humanos inocentes.

            E considerou o trágico que é, em pleno século XXI, visualizar o impacto danoso e prejudicial que toda forma de perseguição religiosa tem sobre a vida de um indivíduo.

            Paim tratou de explicitar o significado dessa opressão sistemática sobre a vida de uma criança bahá´í, começando ainda no jardim de infância, época da vida em que se começa perceber o mundo, apreciar sua diversidade de cores, formas, rostos, imagens.

            E concluiu seu discurso assim: "Como deve ser difícil a uma criança ou a um pré-adolescente, ser reprimido desde tão jovem e exposto ao bullying de Estado, instrumentalizado de tal forma a lhe dizer que você traz consigo algum crime genético, alguma ameaça ao seu país, que você é estigmatizado porque tem algo de muito errado com você, com suas crenças e sua maneira de ver o mundo.

            E, pior ainda, você ser exposto a políticas de estado que lhe dizem desde muito cedo que você precisa mudar e se adaptar ao que o estado dizer ser bom, justo, benéfico.

            E quando essa criança cumpre todo o ciclo de estudos do ensino fundamental, médio, se sente automaticamente rejeitado pelo sistema público de ensino superior, uma rejeição arbitrária e inimaginável.

            São numerosos os casos de baha'is que foram expulsos de universidades e outros setores do ensino superior.

            E mais numerosos ainda o número de jovens bahá´ís a que tem sido negado o direito de matrícula em universidade de virtualmente todas as grandes cidades do Irã."

            Desde agora sempre que vir os nomes Leonardo Boff, Eduardo Suplicy e Paulo Paim, pensarei em como eles personificam à altura nossos melhores anseios e esperanças por um novo mundo, onde o primado dos direitos humanos seja tão óbvio e presente quanto o é o ato de respirar, pensar e amar.

            Eles se juntam a grandes pensadores que ao longo da história levantaram suas vozes em defesa dos direitos humanos dos bahá´ís, lendas como o Mahatma Gandhi, Leon Tolstói, Romain Rolland.

            A diferença é que, finalmente, temos um trio brasileiro bem sintonizado com os mais nobres interesses da espécie humana.

            Era o que tinha a dizer.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 29/05/2014 - Página 434