Discurso durante a 122ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Defesa da honestidade da Presidente Dilma Rousseff e crítica ao seu processo de impeachment, devido ao não cometimento de crime de responsabilidade.

Elogio à beleza da abertura das Olimpíadas, com ênfase na participação de parintinenses, e crítica à postura do Presidente interino Michel Temer durante a celebração.

Autor
Vanessa Grazziotin (PCdoB - Partido Comunista do Brasil/AM)
Nome completo: Vanessa Grazziotin
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
GOVERNO FEDERAL:
  • Defesa da honestidade da Presidente Dilma Rousseff e crítica ao seu processo de impeachment, devido ao não cometimento de crime de responsabilidade.
DESPORTO E LAZER:
  • Elogio à beleza da abertura das Olimpíadas, com ênfase na participação de parintinenses, e crítica à postura do Presidente interino Michel Temer durante a celebração.
Aparteantes
Fátima Bezerra, Magno Malta.
Publicação
Publicação no DSF de 09/08/2016 - Página 13
Assuntos
Outros > GOVERNO FEDERAL
Outros > DESPORTO E LAZER
Indexação
  • DEFESA, INTEGRIDADE, DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTE DA REPUBLICA, CRITICA, AUSENCIA, CRIME DE RESPONSABILIDADE, PROCESSO, IMPEACHMENT.
  • ELOGIO, ABERTURA, OLIMPIADAS, ENFASE, PARTICIPAÇÃO, POPULAÇÃO, MUNICIPIO, PARINTINS (AM), ESTADO DO AMAZONAS (AM), CRITICA, CONDUTA, MICHEL TEMER, PRESIDENTE, INTERINO, CELEBRAÇÃO.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) - Senador Paim, minhas primeiras palavras são de agradecimento a V. Exª pela gentileza em permutar seu tempo comigo. Assim, nós todos seguimos a ordem das inscrições.

    Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, quero dizer que também venho à tribuna para falar dos últimos acontecimentos no Brasil, sobretudo das notícias que vieram a público a partir do último fim de semana.

    Também quero fazer um paralelo entre aquilo que está sendo revelado ao País e o que ocorrerá nesta Casa, mais uma vez, no dia de amanhã. Amanhã, a partir de 9 horas da manhã, neste plenário, após a votação do relatório do Senador Anastasia, Senador tucano do PSDB, do mesmo Partido que pagou R$45 mil para escreverem a denúncia contra a Presidente Dilma, o relatório que já foi aprovado na Comissão Especial do Impeachment no Senado Federal será debatido e votado. Se for aprovada a pronúncia, será chamado o julgamento da Senhora Presidente da República.

    De acordo com a denúncia feita pelo PSDB, encomendada pelo PSDB, a Presidenta Dilma Rousseff teria cometido crime de responsabilidade ao assinar alguns decretos de suplementação orçamentária. Não sei o que ela tem a ver com o Plano Safra. Segundo eles, a operacionalização do Plano Safra seriam as pedaladas fiscais.

    Em relação ao Plano Safra, Sr. Presidente, acho que faltou honestidade a eles próprios pelo fato de não terem excluído de pronto esse item da denúncia contra a Presidente, sobretudo à luz do que disse a perícia, o comitê de perícia formado no Senado Federal - só foi possível a sua formação a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, porque a maioria que se formou no Senado Federal e na Comissão era contrária à realização da perícia, porque eles contrários são à formação de provas -, e à luz também do que disse o Ministério Público Federal. Vejamos: a perícia disse, de forma cabal, textual, que não há participação da Senhora Presidenta Dilma na operacionalização do Plano Safra nem direta nem indiretamente. E disse o Ministério Público Federal que não há de se dizer que um inadimplemento, ou seja, uma dívida entre a União e o Banco do Brasil possa ser considerada operação de crédito. Mas eles insistiram.

    Veja, Senador Humberto, se tirassem as tais pedaladas, iria ficar muito feio para eles, porque iria diminuir muito a força e o peso, simbólicos, da denúncia. O povo brasileiro nem sabe o que é decreto. As pessoas pensam que Dilma está sendo cassada, está tendo seu mandato retirado por que promoveu pedaladas. Mas não sabem explicar o que são as pedaladas. E acham, pelo que ouvem dizer, que as pedaladas são um crime terrível contra a economia brasileira, um crime terrível contra a população brasileira. E mais: acham também que a Presidenta é a culpada, a responsável pelo problema da corrupção que acontece no Brasil.

    Vejam: dizemos que o tempo é o senhor da razão, e, muitas vezes, o tempo chega até antes do que imaginávamos. Acabamos de ouvir aqui a seguinte manifestação: "Não! Esses pronunciamentos são parciais. Imagine agora querer dar a responsabilidade ao Presidente em exercício, Michel Temer, pela crise econômica por que passa o País?" Mas não foi isso que eles fizeram o tempo todo com a Presidenta Dilma, negando, num primeiro momento, inclusive, que a crise econômica era uma crise mundial e que o Brasil foi afetado também por essa crise mundial, como todos os países da Europa, como os Estados Unidos, como os países do nosso continente? Não, mas ela era a culpada de tudo, e, agora, o Presidente interino não tem culpa de absolutamente nada.

    Então, amanhã, viveremos mais um dia triste para a nossa história, viveremos mais um dia triste para a nossa democracia. O que está sendo atingido no País não é só uma Presidenta que está tendo seu mandato retirado - ela já foi afastada, e querem afastá-la definitivamente -, o que está sendo atingido é a própria democracia brasileira, é o Estado de direito, que prevê, ele sim, a possibilidade de um impeachment contra o governante maior do País quando esse governante comete grave crime contra a Constituição.

    Digo aos senhores: a meta em relação aos decretos, de que tanto eles falam, não foi descumprida. E eles concordam: de fato, ao final do exercício, a meta foi cumprida. Então, eles vêm com o argumento: ela foi descumprida na hora em que foram abertos os decretos. E, até hoje, não conseguiram explicar qual é a lei que diz que, naquela hora, tinha de ser cumprida, porque a lei, em seu art. 4º, e todas as outras leis dizem, de forma cabal: a meta é apurada no final do exercício do ano em curso; antes jamais poderá ser apurada. Muito menos se pode incriminar alguém por isso ou dizer que a meta deixou de ser cumprida naquele determinado momento. Então, a Presidente Dilma está sendo acusada disso.

    O que as revistas e os jornais têm divulgado nos últimos tempos? O quê? Está escrito aqui que José Serra, Senador da República pelo Estado de São Paulo, Ministro interino das Relações Exteriores do Brasil, recebeu R$23 milhões, via caixa dois, da Odebrecht para a sua campanha de 2010. Vejam V. Exªs o que diz a matéria:

A campanha do tucano teria recebido [de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral] apenas do grupo baiano R$25,4 milhões, sendo R$23 milhões por fora, uma vez que, no Tribunal Superior Eleitoral, foi registrado o recebimento de uma contribuição da empresa Odebrecht de somente R$2,4 milhões.

    Ou seja, se, na realidade, a empresa recebeu não os R$2,4 milhões registrados no TSE, mas, sim, R$23 milhões, ela recebeu mais de R$25 milhões, dinheiro da época, sendo que somente R$3 milhões por dentro.

    A matéria diz também que eles vão comprovar. As provas já existem. Segundo eles, já estão prontas apenas para serem entregues ao Ministério Público. E são provas que mostrarão que parte do dinheiro foi entregue no Brasil e parte foi entregue por meio de depósitos bancários realizados em contas no exterior.

    Então, veja: não é o Presidente Serra que será julgado aqui no dia de amanhã, é a Presidenta Dilma que está sendo julgada.

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RN) - Senadora Vanessa...

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Pois não, Senadora. Deixe-me só falar que as mesmas notícias, Senador Fátima, dão conta de que o próprio Presidente Michel Temer teria recebido, de forma extraoficial, ou seja, não oficial, R$10 milhões da Odebrecht, e com ele estava o seu Ministro, aliás um dos mais importantes ministros do seu Governo interino, Eliseu Padilha. Mas amanhã será ela que será condenada aqui.

    Não é à toa que pesquisa recente divulgada pela revista Carta Capital e pesquisa anterior revelada e organizada pela Folha de S.Paulo e pelo Instituto Datafolha mostram que a maioria do povo brasileiro - este é um fato - acha que a Presidenta Dilma não tem mais condições de continuar no poder, mas acha também que esse Michel Temer também não tem condições de continuar no poder. Daí a necessidade de barrarmos esse golpe, dando, sim, uma alternativa para a Nação brasileira, mas uma alternativa no âmbito da democracia. Essa alternativa passa necessariamente por uma consulta popular. É preciso consultar a população brasileira se quer ou não antecipar as eleições.

    Concedo um aparte a V. Exª, Senadora Fátima.

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RN) - Senadora Vanessa, quero, inicialmente, mais uma vez, saudá-la pelo importante pronunciamento que faz. Segundo, Senadora Vanessa, vamos ter nessa terça-feira um dia muito triste para o País, para essa jovem democracia por que vimos lutando para construir, para fortalecer. É triste porque vamos assistir nessa terça-feira a um dos espetáculos mais vergonhosos, na medida em que vamos votar aqui um relatório que defende a cassação de um mandato popular sem que haja minimamente qualquer embasamento de natureza jurídica. O mais grave, Senadora Vanessa, é que, amanhã, aqui, vamos ouvir muitos Parlamentares fazerem o discurso de que é preciso afastar a Presidenta Dilma por que a economia derreteu, por que o desemprego está insustentável, por que isso, por que aquilo, esquecendo muitos deles o papel que eles tiveram ao longo desse período. Desde que essa mulher ganhou legitimamente pelo debate e pela urna, essa oposição conservadora, tacanha e mesquinha não aceitou o resultado e sabotou o Governo da Presidenta Dilma. Sabotou-o! O Brasil inteiro sabe disso. Primeiro, de um lado, há uma crise internacional violenta, e, como se não bastasse isso, como V. Exª aqui já mencionou, eles acharam pouco e se juntaram ao capitão do golpe, ao sabotador mor da República, ao Sr. Eduardo Cunha. Eles se juntaram também ao Vice-Presidente, conspirador, traidor, oportunista. As pautas bombas não deixaram de maneira nenhuma a Presidenta Dilma governar. E, amanhã, vão estar aqui muitos deles, nessa tribuna onde V. Exª está hoje, desfilando cinismo, dizendo para o povo brasileiro que a única alternativa que resta é afastar uma Presidenta eleita e honesta, uma Presidenta que, até hoje, não apareceu em nenhuma delação premiada no que diz respeito à sua conduta pessoal, do ponto de vista ético e do ponto de vista da honestidade.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - De nada, Senadora.

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RN) - Portanto, Senadora Vanessa, desculpe-me a minha indignação. Quero, desde já, mais uma vez, expressar a nossa indignação, porque o que estamos vendo acontecer aqui no Congresso Nacional é uma infâmia, infâmia, infâmia! Porque querem cassar, repito, o mandato de uma Presidenta eleita, de uma Presidenta honesta que não cometeu crime de responsabilidade. Mas a luta continua, Senadora Vanessa. Amanhã, as ruas se movimentarão de novo, a mobilização social, a mobilização popular. Aqueles que amam, que prezam e que defendem a democracia estarão nas ruas novamente nesta terça-feira. É não perder a esperança nem a fé e muito menos a nossa capacidade de continuar lutando, sobretudo em defesa da democracia.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu agradeço, Senadora Fátima, a participação de V. Exª e incorporo o seu aparte ao meu pronunciamento, o que, sem dúvida nenhuma, reforça aquilo que estamos dizendo.

    É lamentável que eles digam que há crime e que falem tão pouco do tal crime. Poderiam mostrar, poderiam classificar o crime com pouquíssimas palavras: "feriu o artigo tal, tal e tal." Mas não fazem isso, porque não há. Quando se referem ao crédito, como tenho dito aqui, eles falam da lei, mas a lei diz que o tal do impacto negativo que não pode dar é ao final do ano; a meta que tem de ser cumprida é ao final do ano, e não da forma como eles estão dizendo que tem de ser. Então, é lamentável! Ficam falando do conjunto da obra, Senadora Fátima. É isso o que vamos ver o dia inteiro amanhã; isso é o que vimos durante a admissibilidade.

    Agora, qual é o objetivo maior? Tirar a Presidenta do poder, quem a população brasileira elegeu, e colocar quem não foi eleito. O maior objetivo não é dito por nós. O maior objetivo deles foi dito pelo próprio Senador Romero Jucá: primeiro, estancar a sangria da Lava Jato; segundo, aprovar as medidas antipovo, Senador Paim, antipopulação, contrárias aos direitos dos trabalhadores, o que, segundo eles, um governo eleito jamais conseguiria fazer. Está aí: eles estão tentando pegar o que há de mais danoso na reforma previdenciária e deixar o início do debate para depois de concluído o julgamento contra a Presidenta Dilma.

    Vejam o que publicam os jornais hoje, Senador Paulo Paim, que a PEC 241 enviada por eles, por este interino Sr. Michel Temer, que limita os gastos públicos até o nível da inflação de um ano para o outro, será insuficiente, porque o maior problema é a vinculação dos gastos públicos ao salário mínimo; e mais da metade dos gastos públicos obrigatórios está vinculada ao salário mínimo.

    O que dizem os economistas, o Dr. Samuel Pinheiro? O que dizem os economistas desse Presidente interino? Eles dizem que pelos menos 14 rubricas das despesas obrigatórias, que são vinculadas, têm que ser revistas, Senador Paulo Paim. É para isso que eles estão tão empenhados em fazer esse golpe tão rapidamente.

    É lamentável! É lamentável que tudo isso esteja ocorrendo no Brasil, contrariando os interesses do nosso País e do próprio povo brasileiro.

    Porém, quero concluir a minha participação, Senador Paim, mais uma vez agradecendo a V. Exª, falando da beleza que foi a abertura das Olimpíadas. A emoção de estar lá naquele momento foi muito forte, apesar de todos os problemas por que passa o nosso País. Ver uma abertura tão simples e abordando temas tão necessários deve ser motivo de orgulho não só para a população brasileira, Senador Paim, mas também para a população do mundo inteiro. Qual foi o tema? A igualdade dentro da diversidade. Qual foi o tema? A tolerância, a paz, a boa convivência.

    V. Exªs não têm ideia, Senador Paim, Senador Magno, do tamanho do meu orgulho ao ver que todo o cenário montado mostrou a necessidade da preservação ambiental, da convivência pacífica entre os povos de diferentes etnias que formam essa beleza que é a Nação e o povo brasileiro.

    Isso foi feito e apresentado por gente da minha terra, lá da Ilha Tupinambarana, de Parintins. Eles que fizeram aquela belíssima apresentação. Gente que veio do meio da Floresta Amazônica, os parintinenses, que fazem uma das mais grandiosas festas populares, que é o festival folclórico dos bois bumbás Caprichoso e Garantido. Que coisa bonita ver que lá estavam representando os artistas brasileiros figuras como Gilberto Gil; Caetano Veloso - que, aliás, no seu camarim, fez questão de tirar uma foto que circulou em toda a internet: "fora Temer" -; Elsa Soares; Jorge Benjor; Zeca Pagodinho; Ludmilla, que me emocionou muito ao fazer a abertura: "Eu só quero é ser feliz e viver tranquilamente na favela onde nasci." Essa foi a música. Que coisa linda!

    Mas lá estava um Presidente interino para estragar a festa. E repito: pela primeira vez na história de todas a Olimpíadas, na parte solene de abertura, não foi citado o nome da figura mais importante do País, que é o seu Presidente, nem mesmo na hora de ele falar oficialmente. Que postura é essa? Essa é uma postura de quem tem medo do povo, essa é uma postura de quem tem medo da população.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - V. Exª me concede um aparte, Senadora?

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu aqui repito: eu comparo a atitude dele com a atitude da Dilma na Copa do Mundo, porque o nome dela foi citado. E ela ali não foi vaiada: ela foi violentada, ela foi xingada com os piores palavrões.

    Eu concedo, Senador Magno, um aparte a V. Exª.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Senadora Vanessa, estou ouvindo a senhora bem tranquilamente. Com algumas questões, eu posso fazer coro, como com a questão do povo da Amazônia, do povo de Parintins. Mas, quanto a essa questão da Copa do Mundo, ou eu sofro de amnésia, ou a senhora sofre. Um de nós dois.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Acho que é o senhor, Senador.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Então, vamos lá. Vou relembrá-la dos fatos, para ver qual de nós dois sofre de amnésia. Dentro de um estádio, ocorre o "efeito crucifica". No auge do Lula, no Pan, ele tomou uma vaia no Maracanã - no auge dele -, quando só se tinha cortejamento, e ele era quase um semideus, até ser desnudado em praça pública. Ele foi vaiado. Tentou se levantar, voltou e sentou. E aquilo não significa impopularidade ou que as pessoas o odiavam. Era o "efeito crucifica". Na Copa do Mundo, não se ouviu vaia; na Copa do Mundo, ouviam-se, em todos os estádios, 54 milhões de pessoas que votaram em Dilma, essa mulher eleita com a maioria dos votos dos brasileiros. Esses brasileiros de verde e amarelo que estavam nos estádios diziam: "Ei, Dilma, vai tomar..." Em todos os estádios! No 7 a 1, lá em Belo Horizonte, eu estava lá; o Senador Humberto estava também. Naquele fatídico 7 a 1 com a Alemanha, a cada gol, o povo dizia: "Ei, Dilma..." A cada bola errada: "Ei, Dilma..." Dilma foi vaiada em todos os locais. E eu não digo à senhora que vaia é alguma coisa que deprecia, até porque minha mãe, analfabeta profissional, dizia que falta de palma é pior do que vaia. Olha só que inteligência de uma analfabeta profissional! "Meu filho, falta de palma é pior do que vaia." E, ora, é claro que ali estavam as pessoas que receberam ingresso para poder vaiá-lo. Ele foi lá, e vaia é absolutamente natural, porque, em uma democracia, você tem os prós e os contras; você tem aquele que ganhou e o que perdeu. Então, aquele que perdeu normalmente vaia. Portanto, se houve vaia, houve palmas também. Essa comparação... Porque vocês fizeram essa separação no Brasil, desculpe-me, entre nós e eles, entre os pobres e a elite. Aliás, os pobres servem para dar eleição para vocês, porque a elite está na cadeia, e é amiga de vocês todos.

(Soa a campainha.)

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - É amiga de vocês todos. Então, eu quero relembrar os fatos da Copa para V. Exª. E me desculpe, porque, se V. Exª não sofre de amnésia, eu sofro. Um de nós dois é doido. Se não é V. Exª, sou eu, mas foi isso que eu vi.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu agradeço o aparte de V. Exª, Senador, mas me permita discordar mais uma vez. Eu não tenho problema nenhum de amnésia. Se V. Exª tem, não queira transferir para os outros o seu problema.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Não, eu não tenho, até porque te lembrei dos fatos.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Então, pronto. Mas eu vou falar, e acho que V. Exª tem que prestar mais atenção no que nós dizemos aqui.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Eu prestei atenção.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu não me referi ao fato das vaias só. Eu me referi sabe a quê? Nós estamos nos referindo aqui ao fato de que ele, Presidente interino, Michel Temer, ficou escondido. Foi ao Maracanã para ficar escondido.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - É verdade. Aliás, o discurso de Dilma, na Copa...

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - O nome dele...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - O discurso de Dilma, na Copa, foi bonito, contundente, elegante.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - O nome dela...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Ela fez discurso. Ela, realmente...

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Senador, eu já concedi o aparte a V. Exª.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - ... é o suprassumo do sumo!

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu já concedi, Senador...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - V. Exª me desculpe, mas comigo... V. Exª me deu um aparte, e eu falei.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu dei o aparte, Senador...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Mas eu quero lembrar a V. Exª...

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu tenho direito de concluir meu pronunciamento.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Lembre-me aí como foi o discurso de Dilma na abertura da Copa.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Ai, meu Deus do céu! Eu não estou me referindo a isso. Eu estou me referindo ao fato, Senador... E não adianta querer tergiversar. Não adianta, porque o mundo inteiro ficou pasmo, admirado com o que aconteceu ontem. Nunca, repito, nunca na história da abertura dos Jogos Olímpicos, um Presidente da República, a maior autoridade do País-sede não teve o nome citado.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - O mundo inteiro? Eu pertenço ao mundo, e não fiquei...

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Não teve o nome sequer citado.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Como é que a senhora sabe que foi o mundo inteiro?

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - E sabe por que ele não teve o nome citado, Senador?

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - A conclusão do mundo inteiro é onde? Porque quem estava assistindo comigo não viu nada de mundo inteiro.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - É difícil falar!

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Eu moro no mundo, e eu não fiquei.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - É difícil falar assim!

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - V. Exª ficou e mora no mundo. Eu não fiquei.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - É difícil, Senador, falar desse jeito.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Tudo bem. Vou encerrar.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Permite-me? Muito obrigada.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Na hora da minha fala, V. Exª fique aqui para me apartear, então.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu tenho reunião. É por isso até que...

(Soa a campainha.)

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Não, fique aqui. Vai ficar aqui para me apartear. V. Exª não vai sair, não.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Como é, Senador?

    O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) - Vamos lá, vamos lá, porque há cinco oradores inscritos.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Como é, Senador? Como é?

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES. Fora do microfone.) - V. Exª vai me apartear; V. Exª vai ficar para me apartear.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Como é, Senador? Eu não estou acreditando que V. Exª...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES. Fora do microfone.) - V. Exª vai me apartear! Vai me apartear!

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Que eu vou? Senador, tenha paciência! O senhor seja autoritário lá... Aqui, não!

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES. Fora do microfone.) - Não sou autoritário.

    O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) - Vamos assegurar a palavra...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES. Fora do microfone.) - Eu não quero falar sozinho.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Bom, e eu vou fazer o quê, se o senhor não quer falar sozinho, Senador?

    O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) - Pessoal, assim ninguém está conseguindo entender. As pessoas estão assistindo. Não é um debate. São os dois falando ao mesmo tempo.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - É claro! Então, Sr. Presidente...

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Vanessa, desculpe-me.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Muito obrigada. Eu aceito as desculpas de V. Exª.

    O Sr. Magno Malta (Bloco Moderador/PR - ES) - Eu não sofro de amnésia, não, mas sou educado.

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Sr. Presidente, então, eu quero aqui concluir as minhas palavras, dizendo que foi lamentável esse episódio e mostrar como as pessoas agem de forma diferente em situações semelhantes. E dizer aquilo que eu tenho repetido sempre, Senador Paim.

(Soa a campainha.)

    A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) - Eu já concluo.

    Palavras o vento leva; as atitudes, não. Ninguém pode medir uma pessoa pelas suas palavras. Todos devemos medir uma pessoa pelos seus atos, e nós vimos a coragem com que a Presidente Dilma enfrentou não as vaias, mas as agressões. Aquilo não eram vaias; eram agressões que devem ser repudiadas, porque nenhuma cidadã, nenhum cidadão merece ser tratado como a Presidente Dilma foi. Não merece, Sr. Presidente.

    Mas fica aí a diferença. Enquanto alguns têm a coragem, a possibilidade de enfrentar a adversidade de cabeça erguida, outros não tem. E, lamentavelmente, quem mostrou isso ao Brasil e ao mundo foi o Presidente interino, Sr. Michel Temer, com a sua postura durante a abertura das Olimpíadas em nosso Brasil.

Muito obrigada, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/08/2016 - Página 13