Discussão durante a 79ª Sessão Deliberativa Remota, no Senado Federal

Comentário sobre o posicionamento contrário de S. Exa. ao recebimento em gabinete de autoridades indicadas para a ocupação de qualquer órgão público, com ênfase para o Ministério Público, a Advocacia Geral da União (AGU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Autor
Jorge Kajuru (PODEMOS - Podemos/GO)
Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
Casa
Senado Federal
Tipo
Discussão
Resumo por assunto
PODER JUDICIARIO:
  • Comentário sobre o posicionamento contrário de S. Exa. ao recebimento em gabinete de autoridades indicadas para a ocupação de qualquer órgão público, com ênfase para o Ministério Público, a Advocacia Geral da União (AGU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Publicação
Publicação no DSF de 14/07/2021 - Página 32
Assunto
Outros > PODER JUDICIARIO
Indexação
  • COMENTARIO, DESAPROVAÇÃO, RECEBIMENTO, GABINETE, DIALOGO, AUTORIDADE, INDICAÇÃO, OCUPAÇÃO, CARGO, ORGÃO PUBLICO, MINISTERIO PUBLICO, ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO (AGU), SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - GO. Para discutir.) – Rodrigo Pacheco, eu queria aqui dividir com muita gente no Brasil e com Parlamentares que o jornalista de O Antagonista Diego Amorim, entrevistando-me na semana passada, disse que muitos dos colegas que eu tenho aqui me chamam de doido e desbocado. E eu falei: "Graças a Deus!". O Erasmo dizia que a loucura é a única coisa que torna a vida suportável. Atenção: é o Erasmo de Roterdã; não é o Tremendão, não. Então, para mim isso não tem problema nenhum. E eu perguntei para ele: "Mas qual é o motivo?". Aí ele falou: "Kajuru, por causa dessa sua posição".

    Eu não sei qual é a posição do Paulo Paim, da minha irmã Leila, enfim, cada um tem a sua posição – eu respeito a de cada um aqui –, mas esta é a minha: é sobre Senador ter que receber em seu gabinete, para conversar, um indicado, uma autoridade para qualquer órgão – agora, no caso, o Ministério Público Federal. Eu não recebo. E não aceitei receber o Sr. André Mendonça e não quero conversar com ele. Quero distância oceânica dele, oceânica! Primeiro, porque ele está sendo escolhido porque, quando estava na AGU, ele era, para mim, Senador Alvaro Dias, muito mais advogado do Presidente Bolsonaro do que da AGU. Aí, vem essa coisa de religião, e eu respeito todas. Eu tenho amigos evangélicos, amigos pessoais, de frequentar casa, católicos, espíritas. Agora, eu não preciso de credo religioso para escolher um indicado ao Supremo Tribunal Federal, pelo amor de Deus! Não importa para mim se ele é católico ou se ele é evangélico ou se ele é espírita. Importa o preparo dele.

    E também a sabatina é algo, Presidente – eu sei que o senhor, com o seu equilíbrio, nunca iria dizer isso, mas, de repente, no fundo, até acha –, patético demais, é coleante, é serpeante, aquela situação de você fazer perguntas para os sabatinados. E, quando eles vão ao seu gabinete – ao meu nunca ninguém foi, nenhum, pode apontar aí e ver, mas nos de vocês que já passaram por isso... –, o cara vai lá para fazer propaganda pessoal dele. Ou ele vai falar mal dele? Ele vai falar que ele é isso, que ele é aquilo, que ele fez isso, que ele fez aquilo. E aí você vai dizer o que para ele? Ah, parabéns, parabéns e tal!

    Eu acho que a decisão tem que ser sua, tem que ser democrática, respeitada, e, em nenhum momento, você tem que ser obrigado a receber autoridade no seu gabinete. É isso que eu penso, é isso que eu queria falar.

    Muitíssimo obrigado, Presidente. Como sempre, para mim o senhor não diz "para concluir, Senador".


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/07/2021 - Página 32