Pronunciamento de ROBERTA LACERDA em 14/02/2022
Exposição de convidado durante a 7ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de Debates Temáticos destinada a debater a eficiência do Passaporte Sanitário no enfrentamento à Pandemia e seus reflexos nos direitos pessoais, trabalhistas, sociais e religiosos da população.
- Autor
- ROBERTA LACERDA
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Exposição de convidado
- Resumo por assunto
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Combate a Epidemias e Pandemias,
Defesa e Vigilância Sanitária,
Direitos Individuais e Coletivos,
Saúde Pública:
- Sessão de Debates Temáticos destinada a debater a eficiência do Passaporte Sanitário no enfrentamento à Pandemia e seus reflexos nos direitos pessoais, trabalhistas, sociais e religiosos da população.
- Publicação
- Publicação no DSF de 15/02/2022 - Página 33
- Assuntos
- Política Social > Saúde > Combate a Epidemias e Pandemias
- Política Social > Saúde > Defesa e Vigilância Sanitária
- Jurídico > Direitos e Garantias > Direitos Individuais e Coletivos
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DEBATE, EFICIENCIA, PASSAPORTE, CONTROLE SANITARIO, COMPROVAÇÃO, VACINAÇÃO, COMBATE, PANDEMIA, NOVO CORONAVIRUS (COVID-19), DIREITOS, POPULAÇÃO, PESSOAS, DIREITOS SOCIAIS, DIREITOS E GARANTIAS TRABALHISTAS, RELIGIÃO.
A SRA. ROBERTA LACERDA (Para exposição de convidado.) – Senador, eu lhe agradeço e, na sua pessoa, estendo os agradecimentos a todos os Parlamentares que permitiram mais uma vez essa discussão em um ambiente público, respeitando um dos princípios fundamentais do SUS, que é a transparência pública, o controle social.
É importante que se diga que eu sou a mais jovem aqui dos especialistas a falar. Sou apenas e tão simplesmente médica infectologista na minha cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Já, de antemão, digo que não sou cientista, tampouco pesquisadora da covid. Apenas e tão somente jurei honrar a minha profissão, e, no Juramento de Hipócrates, os princípios da não maleficência e da beneficência vêm em primeiro lugar. O médico deve agir de pronto e não esperar caírem do céu as evidências necessárias para salvar vidas.
Em todos os momentos dessa pandemia, nós fomos verdadeiramente atacados, difamados e até censurados. O direito da liberdade de expressão e do questionamento científico foi abolido por uma pandemia de desinformação e de censura. Em nenhum momento histórico, a censura serviu à verdade; ela apenas serviu para escondê-la nos porões e enaltecer mentiras convenientes. Há evidências científicas de conveniência que todos nós nos pautamos a estudar e a esclarecer, porque a ciência é um contínuo. Em todos os momentos, aqui é dito que os artigos estão evoluindo e que qualquer uma das decisões pode ser modificada. Isso é um contínuo. Então por que falar em ineficácia comprovada de tratamentos e estratégias ou de políticas de imunização ou outros contextos? Eu gostaria de lembrar a todos que, neste exato momento, a Janssen fecha a sua planta de fábricas de vacina. E, exatamente hoje, muitos países da península escandinava, os países nórdicos, estão alertando para uma política de precaução e zelo na vacinação das crianças. O que nós vamos demonstrar aqui são artigos científicos e todos os dados de vida real, diferentemente daquilo que a indústria farmacêutica faz predominantemente: dourar a pílula. Todos nós médicos, quando recebemos um representante farmacêutico – com todo respeito – dentro do nosso consultório, eles nos apresentam estudos científicos belíssimos, com dados controlados, pacientes extremamente selecionados para dar o resultado a que a indústria objetiva. E esse é o papel, sim, da indústria: fornecer novas estratégias e ferramentas diagnósticas, terapêuticas, de prevenção e profilaxia. Mas é nosso papel, como médicos, utilizar o máximo de nosso raciocínio crítico e a isenção do nosso conflito de interesses para decidir pela melhor estratégia para o nosso paciente.
Eu declaro, de antemão, que não recebo nenhum tipo de incentivo da indústria farmacêutica para palestras ou congressos, transporte aéreo ou qualquer tipo de pesquisa envolvendo os meus estudos de madrugada, quando os meus filhos dormem. A verdade, ela não se importa de ser questionada...
Pode passar a apresentação, por favor?
A verdade não se importa de ser questionada, mas a mentira não gosta de ser desafiada. E o que mais se viu nessa pandemia foi exatamente aquela alegoria da metáfora judia sobre a mentira e a verdade, quando a mentira diz à verdade: "Está um dia tão quente, vamos nos refrescar no lago". E então as duas tomam banho, retiram suas vestes, e, num momento de descuido, a mentira pega as roupas da verdade e saí por aí, pela cidade, travestida de verdade, para enganar todos os incautos, enquanto a verdade, envergonhada com a sua nudez, se esconde no fundo do poço. E foi isso que aconteceu com a ciência. Ela foi por muito tempo escondida dentro dos porões de conveniência daqueles que queriam propor estratégias com interesses geopolíticos financeiros. E isso é bem verdade nesse estudo aqui da Pfizer, de avaliação de crianças de 5 a 11 anos, que foi executado entre meados de dezembro, já no final dele, e que analisou, na Fase I, 50 crianças recebendo várias estratégias de dosagem da vacina com 10, com 30 e com 20 microgramas de RNA mensageiro. Nas Fases II e III, 2.316 crianças foram introduzidas no estudo e, dessas, 746 completaram um mês de segmento para avaliar a visita após a segunda dose, com 1.510 no grupo placebo.
Quando se fala em efetividade vacinal, é dito que nessa pesquisa as crianças apresentaram o que eles consideram o estudo de immuno-bridging, ponte para imunidade comparando-se os níveis de anticorpos no sangue de crianças com o que se teve em estudos de adolescentes de 16 a 25 anos em alguns meses anteriores. Ora, se o título de anticorpos fosse correlato real da imunidade e da certeza que esse indivíduo não se infectaria, ou não teria reações adversas, nós não teríamos surtos em outros locais completamente vacinados, nós não teríamos relatos de casos não tão raros assim de doenças autoimunes relacionadas à vacina.
E, em um dos eslaides que eu vou passar mais à frente, de 2020, precisamente 22 de outubro de 2020, eu fiz um print de uma das reuniões do Conselho de Imunização, junto com a FDA e a Pfizer, e lá eles apresentaram, naqueles eslaides, que, nesse estudo, uma das reações adversas à vacina era a síndrome inflamatória multissistêmica de crianças, um fenômeno autoimune em que o corpo reconhece o próprio corpo como inimigo e é uma das formas mais graves relacionadas à covid e também infecção natural, mas muito rara durante a infecção.
O que eu quero mostrar com esse eslaide é que o mito e o dogma de que o nível de anticorpos acima de 95% ou 96% trazendo eficácia e efetividade vacinal caiu por terra ao longo do tempo, porque os fatos são superiores, e o que se registrava para adultos, em janeiro de 2021, com 97% de eficácia, num estudo de Israel caiu para menos de 37% ao longo de seis meses, efetivando então os esforços para vários boosters e reforços vacinais.
Nesse estudo da Pfizer, como agora a gente vê nesse eslaide, essas crianças foram estudadas não para avaliar se morreram após vacinação. O desfecho que nós consideramos mais duro e importante para efetivamente ver a qualidade e a efetividade de uma vacina é evitar óbitos. Sim, os óbitos devem ser evitados, porque a infecção já se mostrou que não é possível, há um grande escape vacinal, haja vista que a Ômicron tem 30 mutações na proteína RBD de reconhecimento do vírus e ela está incólume a todas as vacinas.
Há, sim, um estudo mostrando que a imunidade inata, infecção natural, mostra 18 meses de infecção com anticorpos efetivos, e o que a gente entende é que, nos estudos da Pfizer, as crianças foram apenas seguidas por uma semana. Foram dadas duas doses da vacina, sim, mas o que foi avaliado foi se, em uma semana após essa segunda dose, essas crianças tiveram covid e infecção, e por isso se diz que foi tão eficaz: 90% de eficácia, evitando a infecção.
Essa eficácia vacinal é o que eu chamo de mito, porque evitar a infecção não é o que nós estamos vendo com os inúmeros surtos e dada as mutações das várias cepas, variantes de preocupação.
Quando a gente vai analisar um outro ponto importante de metodologia, que se chama "análise de redução de risco relativo e redução de risco absoluto", dizer que, para evitar uma morte por covid, eu devo vacinar 1 milhão de crianças, como a Pfizer coloca na sua tabela de suplementos, nos mostra que isso leva a um risco indireto em meninos de 5 a 11 anos de um excesso de casos de miocardite, dependendo do cenário epidemiológico, de 179 casos de miocardite por risco da vacina ou, para se evitar esse mesmo 1 milhão de mortes, é possível ter internamentos por essa miocardite em torno de 98 e internações em UTI, por essa miocardite, de 57.
De fato, não houve nenhum óbito registrado nesse estudo de vacinas, mas, como eu disse, essas crianças foram seguidas, para infecção, até uma semana, e, durante o seguimento para reação adversa, apenas e tão somente por dois meses. Eu pergunto: qual pai deste Plenário compraria uma cadeira de segurança de transporte veicular que foi testada por dois meses? É um insulto à inteligência humana comparar as vacinas clássicas do nosso Programa Nacional de Imunizações, pelo qual nós temos grato respeito e total confiança, com essas que são ainda projetos experimentais. Portanto, se não fossem experimentais, não haveria a mudança na quantidade de doses e também no aprazamento da segunda dose.
Para vocês terem uma ideia, nesse estudo, o tempo entre as doses era de, no máximo, quatro a seis semanas, mas, devido ao risco de miocardite relacionada à vacina, já aventado no relatório do Vaers, nos Estados Unidos; do Eudra, na Europa, e do próprio relatório do Cartão Amarelo do Reino Unido, muitos países como Noruega, Suécia e França aprazaram essa segunda dose para de oito a doze semanas, porque se sabe que é um risco dose-dependente. Tanto se sabe disso que a Moderna tem três vezes mais conteúdo de RNA mensageiro do que a da Pfizer e, por isso, em Ontário, mostrou-se um maior risco de miocardites. Em parte, ela já está sendo retirada do uso em crianças nesses países que se preocupam com uma indicação de risco e benefício individualizado, como sempre o foi na minha e na prática clínica de todos os médicos deste país e do mundo.
No dia 25 de janeiro de 2022, houve um evento no Congresso americano, a pedido do Senador de Wisconsin Ron Johnson, em que médicos como o Dr. Peter McCullough, Dr. Robert Malone e vários outros, entre eles o Dr. Pierre Kory, que destrincharam todos esses eventos nos Estados Unidos. De lá, saiu um pedido ao Departamento de Defesa americano, para que preste informações pelo aumento exponencial em mais de dez vezes no número de reações adversas neurológicas, abortos, miocardites e eventos de tromboembolismo, como infarto e AVC, nos militares norte-americanos.
Para vocês terem uma ideia, os dados de miocardite sumiram do registro dos dados epidemiológicos de 2021. Isso fere a soberania nacional de qualquer país, porque fala de encontro à saúde das nossas gerações.
E, se os políticos deste país não entenderem que os verdadeiros estadistas são aqueles que governam pensando no futuro de suas gerações, e não nas próximas eleições, nós estaremos correndo um sério e grave risco de incorrer em mais malefício do que benefício, apenas e tão somente pela corrida açodada de ganhos financeiros de lobistas que se travestem de cientistas. (Palmas.)
A Anvisa, no seu Parecer Público de Avaliação da Vacina Comirnaty, de 2 de agosto de 2021, mostra a aprovação desse produto e, na sua página 53, ela é bem clara em dizer:
4.3 Incertezas
3.3.1 Eficácia e segurança em população pediátrica, gestantes e indivíduos imunossuprimidos
A segurança e a efetividade da vacina Comirnaty em participantes <16 anos de idade não foram estabelecidas no momento do registro sanitário.
A experiência com a utilização da vacina [...] em mulheres grávidas é limitada.
E aqui eu abro um parêntese para um dos mais graves casos de fraude científica que nós médicos tivemos a oportunidade de observar: diversos estudos científicos que tentam mostrar os eventos adversos relacionados à vacina estão sendo impedidos de ser publicados. O último artigo ensejado pelo Dr. Peter McCullough, médico cardiologista e intensivista com mais de 35 publicações em covid revisadas por pares, foi retirado da Elsevier, mesmo sem nenhuma justificativa teórica metodológica, mas apenas e tão somente porque alertava para o risco, em junho de 2021, de miocardite em jovens menores de 18 anos após a segunda dose, o que se confirmou. Recententemente, nós médicos recebemos já no Zap, no e-mail e em várias comunicações uma nota da Pfizer sobre esse risco aumentado, que, segundo a indústria, não supera os benefícios. Nós vamos mostrar com alguns artigos e revisão de literatura da Dra. Ellen Guimarães, médica cardiologista e arritmologista, que esteve presente conosco na reunião do Ministério da Saúde, ainda em dezembro de 2021, que a miocardite não é algo leve, nem indelével e que, na verdade, pode, sim, levar riscos para a nossa população economicamente ativa. Quantos sequelados com insuficiência cardíaca, dependendo de três ou mais medicamentos para essa doença, nós teremos entre nossos jovens? Só o tempo dirá. Segurança em vacinas só se pode ter em torno de cinco anos. E não é a covid que vai fazer um novo capítulo na história da Imunologia e da Vacinologia.
Não existem dados sobre a administração concomitante da vacina Comirnaty com outras vacinas. É bem verdade que, em agosto, ainda não havia os estudos de intercambialidade, que é essa mistura de vacinas de diferentes metodologias, como a de adenovírus, do símio, que é a da AstraZeneca, com, consequentemente, uma terceira dose da Pfizer; ou CoronaVac mais uma dose de Pfizer. De fato, esses estudos ainda são prematuros, em um número muito pequeno de pacientes – pequeno como centenas –, e, neste momento, nós fomos desafiados com ditadores sanitários que impõem passaportes sanitários baseados no jugo de mídias sensacionalistas e indústrias farmacêuticas que apenas lançam press releases e pequenos estudos pouco revisados de eficácia e segurança em dois meses.
É isto que nós estamos propondo: um debate claro e transparente para que a população seja esclarecida dos riscos e, assim, de bom grado, decida se quer se vacinar ou não. Mas, de fato, nós já sabemos de um estudo da Nature, publicado em dezembro de 2021, mostrando que o risco de miocardite pós-vacina é maior em menores de 40 anos do que o risco de miocardite pós-covid.
Um relato de caso muito importante: a criança Maddie de Garay. De 1.514 crianças que receberam a segunda dose da Pfizer nesse estudo que eu citei, Maddie de Garay não foi atendida pela Pfizer no teleatendimento de eventos adversos. Assim como o Dr. Paulo Porto comentou, o "Pfizergate" é um dos escândalos maiores da indústria farmacêutica e não é o primeiro da Pfizer, que pagou uma multa milionária mundial por suborno a médicos e também esteve envolvida num escândalo com mais de 300 óbitos por válvulas cardíacas não funcionantes. E isso não é novidade na indústria farmacêutica. Houve outras indústrias que venderam plasma de paciente com HIV, a despeito das recomendações do FDA, e, só depois de 20 anos, isso foi reconhecido. Quantos anos serão necessários para os erros dessa pandemia serem vistos aos olhos da Justiça? Essa criança apresentou, logo após a primeira dose, dor e muita náusea e vômito. E, ao longo desses dois meses, ela foi perdendo a capacidade de andar, de controlar a sua alimentação e, hoje, ela sofre com dores excruciantes e uma sonda que envia alimentos pela sua narina.
Se nós pontuarmos que temos 20 milhões de crianças no Brasil entre 5 e 11 anos, e esta criança apresentou esse evento adverso após 1.524 doses, poderíamos ter o risco de ter 13.120 maddies de garay? A que custo? Porque o advento adverso é raro quando é no seu vizinho ou na planilha que você estuda da bancada de cientista e auditor de vacinas, mas, quando é na sua família, é uma tragédia. E a escolha tem que ser individual e respeitada, porque não tutelaremos os nossos filhos ao Estado e não existe nenhum pacto social que supere o Tratado de Helsinque no seu terceiro princípio, em que ao indivíduo deve ser assegurado o direito de participar de qualquer experimento.
Ainda que a indústria tenha recebido a complacência do mercado para a liberação comercial, ela, por manter estudos de longo prazo, como o FDA a obrigou, de cinco anos para avaliar a miocardite, ainda é considerada uma terapia experimental. Se não fosse, as seguradoras de diversos países do mundo não teriam recusado prêmios, como na França, de óbitos que podem estar relacionados à vacina e ainda estão em investigação. (Palmas.)
Nessa análise de 14 óbitos de crianças de 12 a 17 anos que foi feita pelo The Morbidity and Mortality Weekly Report, um relatório que o CDC faz, há tempos em tempos, quando avalia alguma terapia ou imunização, entre dezembro de 2020 e julho de 2021, quatro dessas crianças tinham entre 12 e 15 anos, dez tinham entre 16 e 17 anos. Atentem-se para que duas delas faleceram por embolia pulmonar, duas por suicídio, duas por hemorragia intracraniana, uma por insuficiência cardíaca, uma por linfohistiocitose hemofagocítica – esse nome complicado é apenas para dizer que é um distúrbio autoimune em que o corpo reconheceu a medula óssea como estranha e destruiu a fábrica que produz hemácias, células de defesa e plaquetas, e a criança morre por infecção, sangramento. Antes que os chocadores de notícia digam que é fake news, está aí a referência.
E a outra é a questão relacionada ao dogma de que as vacinas salvam vidas. Bom, nós temos esse artigo aqui, o suplemento da tabela S26 – particularmente eu gosto muito de ler os suplementos, porque o diabo mora nos detalhes –, e lá há um resumo do sumário de óbitos na fase blindada. A tela é exatamente na que o Dr. Paulo Porto disse que houve fraude de cegamento e vários pesquisadores sabiam quem era o grupo controle e quem era o grupo intervenção. Neste estudo, houve 16 óbitos no grupo placebo, 16 no grupo de RNA mensageiro. Onde está, então, a eficácia em reduzir óbitos?
Mais claro isso fica para a gente quando a gente vê que quatro desses óbitos aconteceram por parada cardíaca no grupo vacina e apenas um no grupo placebo, sendo corroborado por estudos mais recentes publicados na American Heart Association, agora em novembro de 2021, evidenciando que a proteína spike aumenta a inflamação dos vasos e, principalmente, aparecendo nos exames complementares como aumento de D-dímero, fibrinogênio, homocisteinemia, que são corroborados por uma necropsia recentemente publicada em artigo científico de um jovem de 34 anos que morreu de um mal súbito. Não, ele não puxou com força o edredom; não, ele não ficou mais de duas horas em frente à TV; não, ele não fez sexo em determinadas horas! Ele apresentou um mal súbito em que o seu coração mostrava, por mostras patológicas, lesão pelo RNA mensageiro da vacina, porque ele tinha exames negativos da covid.
Estudos em animais com apenas quatro semanas já mostravam que essa proteína spike permanecia por meses em nosso organismo, que dirá desafios consecutivos de terceira e quarta doses!
Chamo à reflexão de todos aqui que se submeteram a fazer um screening muito detalhado de suas avaliações cardiovasculares e, como vou mostrar, onco-hematológicas, porque o número de caso de cânceres vai aumentar muito.
Com relação à resposta imune na covid, é preciso que se faça uma pequena diferença entre a resposta de crianças e a de adultos. Não sou imunologista, mas todo médico clínico deve reconhecer como se defender do inimigo. E a resposta imune inata, eu diria, são os snipers que estão da boca à garganta que identificam inimigos de imediato e que os destroem em nível celular, sem sequer passar pelo período de produção de anticorpos. Essa é a estratégia de defesa das crianças. A natureza é tão perfeita que coloca a criança como aquela que entra em contato com o ambiente e rapidamente desenvolve defesa, porque mesmo essa resposta celular de macrófagos, de células dendríticas, que estão na mucosa do nariz e da garganta, se comunica com a medula óssea e cria memória imunológica. Por isso, crianças que, ano de 2020, tiveram infecções por coronavírus ou por outros simples de resfriados e diarreias comuns apresentavam resposta imune cruzada contra o coronavírus do SARS-CoV-2. Nós tivemos também esses estudos na pandemia do SARS-CoV-1. Todo médico sabe o que é o treinamento de imunidade, porque, a cada vez que nós desafiamos o nosso sistema imunológico, nós criamos uma biblioteca de defesa com proteínas e anticorpos que vão nos propor armas contra os inimigos invasores. Já a resposta do adulto é mais elaborada. Há uma adaptação e uma troca de informações de boca e garganta até os linfonodos, que são órgãos de drenagem do corpo e que conversam com células que produzem linfócitos para produzir anticorpos de memória e anticorpos de ataque. Essa é a primordial resposta do adulto/adolescente. E, por isso, a tradução do nível de anticorpos no sangue de uma criança não pode ser correlata de imunidade comparada com a de adolescentes. E é por isso que a Pfizer desistiu de pedir ao FDA a aprovação da sua vacina de seis meses a cinco anos, porque essas crianças não vão desenvolver imunidade humoral. Mas, se forem desafiadas subsequentemente a diversas doses dessas vacinas de que ainda não se sabe a relação com a nossa resposta imune inata, há o que nós conhecemos na nossa literatura médica de síndrome de exaustão imune.
Os números de Israel podem parecer paradoxais aos senhores. Como que um país com mais de 30% de quarta dose avança com casos inúmeros e letalidades maiores do que as dos anos de 2020 ou 2021? Teria que se entender esses números como: mais casos, mas menos óbitos. E há um relatório em especial mostrando um aumento da letalidade associada a jovens, sem contar as causas não covid cardiovasculares, de infartos.
Já há movimentos do comitê de vacinas e imunizações em Israel que não propõem a quarta dose para a população, e por isso, sabiamente, o Ministério da Saúde se atentou para isto, em relação à quarta dose no Brasil. Os países estão declinando dessa proposta de reforços subsequentes sem qualquer critério, utilizando uma linha de defesa caduca, de uma proteína de dezembro de 2019, para uma vacina que tem hoje um desafio de um vírus que teve mutação de 30 locais frente a ela. É como tentar reconhecer um ladrão com um corpo que fez uma cirurgia plástica: não há como como o sistema imunológico reconhecê-lo.
Vou passar um pouquinho adiante, só para a gente ganhar tempo.
Mas existe um outro mito que eu quero pontuar que é o que a gente chama de mentira nobre.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – A apresentação está excelente, querida Roberta.
A SRA. ROBERTA LACERDA – Eu entendo. Estou entendendo.
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - CE) – É só questão do tempo, que eu lhe agradeço se puder...
A SRA. ROBERTA LACERDA – Sim, mas eu vou ficar nesse ponto das crianças, porque eu gostaria de pontuar bem essa diferença da resposta imunológica, para exatamente quebrar alguns conceitos e principalmente investidas contra a nossa inteligência médica de que há algum tipo de comparação entre essas vacinas ou experimentos imunizantes com as vacinas do nosso plano nacional de imunização. Isso, sim, é denegrir o trabalho dos nossos teóricos fundadores do SUS, que propuseram, com muito esforço, há mais de 45 anos, esse grande programa que, pode, sim, estar ameaçado de "exitância" como um todo, porque as pessoas estão fazendo uma cobertura midiática e de marketing, em vez de se atentarem aos dados de vida real.
A resposta imunológica tem a imunidade natural sim. Ela é robusta, ela é eficaz e ela é duradoura. Essa mentira nobre de que a imunidade natural adquirida não existe já foi colocada abaixo em diversos artigos, mostrando que as pessoas que não foram vacinadas, mas que tiveram a infecção, têm 7, 15, até 36 vezes menos risco de adquirir covid do que aquelas que não tiveram a doença e foram dupla ou triplamente vacinadas. Isso fica claro quando a gente vê os estudos mostrando inclusive o nível de anticorpos e o tempo – de como eles ficam prolongados, por mais de 18 meses, os anticorpos da infecção natural, que valem; e os da vacina, a imunização artificial, não duram mais do que 3 meses.
Este aqui é um estudo do Catar, que avaliou, durante o surto da Delta, como é que se comportavam os pacientes que tiveram a infecção natural e depois tiveram covid novamente e aqueles que não tiveram covid, mas foram duplamente vacinados. O tempo médio entre as infecções foi 277 dias... E eu gosto de pontuar esse artigo para fazer um mito de que o não vacinado oferece risco no ambiente de trabalho.
Em carta solicitada por informação de disposição ao público, o próprio CDC admite que nunca houve o relato de um surto iniciado por um não vacinado. Vocês entendem o que é isso na literatura médica em dois anos de pandemia? E os inúmeros surtos que nós estamos vendo relatados em ambientes apenas e exclusivamente para vacinados? Já há estudos de cinética viral que mostram que a quantidade de vírus no sangue de vacinados e não vacinados é a mesma. O tempo dos sintomas é apenas e tão somente menor no vacinado em relação ao não vacinado, porém isso pode funcionar inclusive como um cavalo de troia, porque, dada a dificuldade de ter pessoas na sua escala de trabalho, você manda alguém voltar com cinco dias de doença de máscara, porque não tem sintomas, mas estudos da Ômicron no Japão mostram que há transmissão até dez dias mesmo sem sintomas. E esse estudo do Catar mostrou cabalmente que a chance de reinfecção em quem tinha a infecção prévia era 90% menor em relação a quem era duplamente vacinado e que essas pessoas que tiveram infecção prévia, ainda que se infectassem, não tinham doença grave. Quatro apenas dessas reinfecções foram graves o suficiente para internar, mas nenhuma delas precisou de UTI e não houve nenhum óbito, mostrando o óbvio da imunologia: que há uma memória imunológica. Inclusive já há artigos mostrando que o desafio de vacina em convalescentes, que é como a gente chama quem teve a infecção da covid, pode levar a uma caixa de Pandora. Como eu disse, anticorpo demais não é substrato de defesa, até porque as primeiras séries de casos de Wuhan mostravam que os pacientes graves de UTI tinham os maiores títulos de anticorpos, só que eles eram inoperantes, ineficazes. É o que a gente chama de doença amplificada para o anticorpo, que é o substrato da doença autoimune, como lúpus e artrite reumatoide, em que você produz anticorpos contra o seu organismo. E a gente sabe, por estudos de biologia molecular, que a proteína Spike encontra similaridade, tal qual acontece com o músculo cardíaco, com células do rim, do fígado, do ovário e do endométrio. É por isso que o Reino Unido está fazendo uma série de coorte para avaliar alterações menstruais nas mulheres que estão fazendo uso da vacina.
E o que eu quis dizer com a vacinação em pacientes que já tiveram covid é mostrado por este estudo aqui, que relata que, no Reino Unido, entre 2 mil pessoas que completaram a pesquisa e que tinham tido covid e se vacinaram depois, aquelas que tiveram covid e se vacinaram tiveram 56% mais chance de ter doença grave.
As crianças desenvolvem imunidade pós-covid robusta e duradoura até 18 meses.
(Soa a campainha.)
A SRA. ROBERTA LACERDA – E agora, só para a gente finalizar. Foi como a gente comentou: em 1º de fevereiro, a Pfizer pede autorização para liberar a vacinação em menores de cinco anos. Ops, não era bem assim: em 11 de fevereiro a Pfizer declina do pedido para o FDA. Veremos cenas do próximo capítulo.
Era isso que eu tinha para colocar. Estou à disposição para outros questionamentos.
E queria finalizar apenas e tão somente dizendo que nós mostramos esses dados na reunião da Secretaria de Enfrentamento à Covid e fomos duramente criticados, tidos como antivacina, porque simplesmente decidiram mudar inclusive as definições de dicionário nesta pandemia: vacina não é mais aquilo que impede você de se infectar, mas é apenas e tão somente o que desafia o seu sistema imunológico; e "antivax" não é uma pessoa que é antivacina, mas também aquela que mostra qualquer tipo de contrariedade a passaporte...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.) (Palmas.)