Discurso durante a 25ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a comemorar a Campanha da Fraternidade de 2022, tema ”Fraternidade e Educação”.

Autor
Zenaide Maia (PROS - Partido Republicano da Ordem Social/RN)
Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Educação, Religião:
  • Sessão Especial destinada a comemorar a Campanha da Fraternidade de 2022, tema ”Fraternidade e Educação”.
Publicação
Publicação no DSF de 26/03/2022 - Página 16
Assuntos
Política Social > Educação
Outros > Religião
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, DESTINAÇÃO, COMEMORAÇÃO, CAMPANHA DA FRATERNIDADE, IGREJA CATOLICA, EDUCAÇÃO, ELOGIO, CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB), COMENTARIO, IMPORTANCIA, INFORMAÇÃO, RELAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, PREVENÇÃO, SEGURANÇA PUBLICA, SAUDE.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RN. Para discursar.) – Sr. Presidente Senador Izalci Lucas, colegas Senadoras e Senadores e todos que estão nos assistindo, primeiro, eu quero parabenizar o colega Izalci por esta sessão especial. Quero cumprimentar também aqui o D. Paulo Cezar Costa, Arcebispo de Brasília, o D. Joel Portella, Secretário-geral da CNBB, em nome de quem eu cumprimento as demais autoridades eclesiásticas, senhores e senhoras, todos que estão participando desta sessão de muita importância.

    Quero aqui, Izalci, parabenizar a CNBB pela escolha do tema da Campanha da Fraternidade: "Fraternidade e Educação", que a gente sabe que a educação é a única saída para melhorar o estado de coisas do nosso país, por isso é necessário falar sobre ela e uma sessão desta dá visibilidade à população. Tomar conhecimento de que a Igreja Católica, que a CNBB, independente de qualquer religião, está preocupada com a educação deste país. Por isso é necessário falar sobre ela, sobre essa educação, dar garantia de ter recursos para que ela seja oferecida de forma pública para todos e com a qualidade necessária para transformar esse país em todos os aspectos.

    Eu sempre lembro, Izalci, e eu sei que o senhor, colega, é um defensor da educação, como o colega Flávio Arns, que nós não estamos inventando a roda quando estamos aqui defendendo uma educação pública de qualidade para todos, porque o mundo, a existência de Jesus, como se falou, Maria e Santa Ana já ensinavam Jesus, então, educação é a base de tudo.

    Um país que valoriza a sua educação, os seus educadores, suas crianças, adolescentes e adultos é sempre um país mais justo, mais civilizado, menos violento e mais saudável. A educação, a gente sabe que é a melhor prevenção à violência. A educação é a melhor prevenção às doenças. Eu, como médica de formação, vejo isto: povo educado é povo que adoece menos e quem supera as pandemias, as epidemias é a educação.

    Se o Estado faz a sua parte, como falou aqui Flávio Arns, investindo em campanhas educativas sobre a saúde, vacinação e cidadania... porque como eu sempre digo: informação é poder! E só se tem informação através da educação. Ninguém empodera mais o povo para dar mais dignidade, menos desigualdade social do que informação. A sociedade sempre responde de uma forma positiva, quando se dá informações reais, boas, com educação de qualidade.

    E como essas campanhas atualmente no nosso país estão fazendo falta, Izalci. Atualmente, por falta de investimento, não só na educação como na comunicação. A cobertura infantojuvenil deste país caiu para patamares de mais de 30 anos atrás, um retrocesso. Nós estamos preocupadas com o retorno do sarampo, da poliomielite. E está faltando essa comunicação.

    Por isso que mais uma vez parabenizamos a CNBB, porque precisa dar visibilidade, para as famílias do Brasil, à importância disso aí.

    Uma coisa que chamou a atenção, e eu achei muito importante nessa campanha: a pandemia, uma questão de saúde pública, matou mais gente no Brasil, não só pela falta de orientações claras do Governo, que não se preocupou com isso, mas por causa da desinformação estimulada, porque o Governo resolveu deseducar o seu povo sobre questões... Aí é onde eu digo, educação. São questões que já pareciam conquistadas para a gente, como é o caso, no Brasil, de um modelo de sucesso de vacinação em massa.

    Não teria como deixar de falar na pandemia, porque a pandemia escancarou o que a gente já via no país sobre a educação. A pandemia também prejudicou a educação das crianças e dos adolescentes, principalmente daquelas de baixa renda, que não tinham acesso à internet em casa. E essas desigualdades educacionais deste país, que já eram bem claras, não é de agora, a pandemia as deixou ainda mais nítidas, se isso é possível. Então, falar sobre educação é essencial.

    E da Campanha da Fraternidade deste ano, o lema também foi muito bem escolhido pela CNBB. "Fala com sabedoria e ensina com amor." No que foi dito aí, ensinar é uma das partes da educação.

    Eu costumo dizer, Izalci, que educar é diferente de ensinar. Educar é educar para a vida. Ensinar só, na maioria das vezes, é ensinar tais matérias e assuntos para você ser selecionado em um processo seletivo.

    E essa frase de Provérbios, essa frase "fala com sabedoria e ensina com amor", essa frase é de Provérbios 31, versículo 26. Me lembra outra do patrono da educação brasileira, Paulo Freire. E ele disse, ele dizia assim: "Não se pode falar de educação sem amor". Eu concordo e digo, nossa sociedade é maior do que o discurso de ódio.

    Nosso país pode combater, sim, o racismo, o machismo, a misoginia, a LGBT fobia e a porofobia, que é a aversão aos pobres, como nos ensinou e está nos ensinando o Padre Júlio Lancellotti. Todo esse ódio é também fruto de ignorância, muitas vezes, da falta que a educação faz no dia a dia das pessoas.

    Nosso povo é bem maior do que esse discurso aí, que idolatra as armas de fogo, a morte dos seres humanos, animais e destruição do meio ambiente. Também essa barbárie é, sim, combatida pela educação.

    Então, eu quero finalizar dizendo aqui: precisamos de fraternidade e educação urgentemente. País melhor, mais educado, menos bárbaro, com menos desigualdade social, se possível.

    Obrigada, Izalci. Parabéns à CNBB, mais uma vez. Eu acho que a gente tem que dar as mãos, como foi falado, não só durante o período da Quaresma, nós temos que dar as mãos, nós aqui, como um dos Poderes, e mostrar que educação não é despesa e sim investimento.

    Izalci, sou testemunha, Flávio Arns e os colegas, dessa defesa de não retirada de recursos da educação pública, da ciência e da tecnologia.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 26/03/2022 - Página 16