Discurso durante a 106ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Expectativa com as pautas legislativas que devem nortear as ações do próximo governo, a exemplo da política de reajuste do salário mínimo, da manutenção do auxílio emergencial em R$ 600 reais e de uma política de geração de empregos e combate à desigualdade social.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assistência Social, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Governo Federal:
  • Expectativa com as pautas legislativas que devem nortear as ações do próximo governo, a exemplo da política de reajuste do salário mínimo, da manutenção do auxílio emergencial em R$ 600 reais e de uma política de geração de empregos e combate à desigualdade social.
Publicação
Publicação no DSF de 09/11/2022 - Página 16
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Assistência Social
Política Social > Proteção Social > Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Indexação
  • REGISTRO, ELEIÇÕES, DEMOCRACIA, CANDIDATO ELEITO, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, PRESIDENCIA DA REPUBLICA, COMENTARIO, AGRICULTURA FAMILIAR, AGRONEGOCIO, PEQUENA EMPRESA, ENDIVIDAMENTO, FAMILIA, INADIMPLENCIA, SECRETARIA DE PREVIDENCIA COMPLEMENTAR (SPC), AUMENTO, VALORIZAÇÃO, SALARIO MINIMO, INFLAÇÃO, MANUTENÇÃO, AUXILIO EMERGENCIAL, RETIRADA, POPULAÇÃO CARENTE, EXTREMA POBREZA, DESEMPREGO, INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA (IBGE), JUVENTUDE, DEFESA, INVESTIMENTO, SAUDE PUBLICA, EDUCAÇÃO BASICA, DEFICIT, COMBATE, RACISMO, DISCRIMINAÇÃO, PROTEÇÃO, MEIO AMBIENTE.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS. Para discursar. Por videoconferência.) – Saudação, Presidente Veneziano Vital do Rêgo, os meus cumprimentos à retomada dos trabalhos e a todos os Senadores e Senadoras.

    Presidente, findado o pleito de 2022, eu tenho certeza de que o processo eleitoral brasileiro saiu fortalecido. As pessoas foram às urnas exercer o seu direito de votar.

    Não há nada, nada que supere a democracia. Ela resulta da vontade sagrada do povo, vontade sagrada do povo. A democracia é o melhor remédio para a solução dos problemas, sejam econômicos, sociais e políticos do nosso país.

    Penso eu, Presidente, que temos que olhar para frente, olhar o futuro com altivez, com dignidade, por inteiro. Como disse o Presidente eleito, o Presidente Lula: Não há dois brasis, há um só.

    O novo Governo foi eleito em uma frente ampla, uma diversidade enorme do pensamento brasileiro – isso é bom –, das forças vivas do país.

    Os desafios e a responsabilidade são enormes, são grandiosos. Diálogo e conciliação são os caminhos para reerguer o país, e todos nós temos esse compromisso.

    Queremos a agricultura familiar pujante, mas queremos também o agronegócio. Queremos as empresas pequenas pujantes, mas queremos também as médias e grandes. Não somos contra o lucro ou nunca vamos entrar numa discussão absurda de ser contra essa ou aquela religião. Todos têm direito à sua religião. Temos uma Constituição e a respeitamos. Somos todos brasileiros – brancos, negros, índios –, e, para que o nosso país dê certo, é preciso da ajuda de todos.

    Vejo que oito em cada dez famílias estão endividadas. As mais atingidas são quais? As de baixa renda. Cerca de 66 milhões de pessoas estão inadimplentes, seus nomes estão no Serasa e no SPC.

    O salário mínimo não teve aumento real há quatro anos, e agora vai ter, mas fruto também, claro, da participação de todo o Congresso. Urge a volta da política de valorização do salário mínimo – inflação mais PIB, eu espero, extensiva aos aposentados.

    Todos ganham: o trabalhador terá mais dinheiro para comprar alimentos, por exemplo; os donos de mercado, padaria, bodegas, comércio, todos vão vender mais.

    Mais dinheiro em caixa, todos ganham. As prefeituras arrecadam mais, mais investimento, mais obras, a roda da economia há de girar.

    O salário mínimo, repito, valorizado tem esse poder porque ele é o farol que vai impulsionar a correção de todos os salários, porque o salário mínimo é referência.

    Temos aí um compromisso, todos nós, de manter os R$600 de auxílio. Se possível até aumentar, mas 600 temos que manter, como R$150 para o filho menor de seis anos.

    Mais de 30 milhões de brasileiros vivem na miséria e na pobreza. A desigualdade aumenta, a fome é uma realidade, e temos que estar juntos todos – todos –, independente de partido.

    Há mais de 10 milhões de desempregados. A taxa entre jovens de 18 a 24 anos é de 19%, segundo o IBGE.

    Temos que resolver os investimentos em saúde, as pessoas esperam horas nas filas para serem atendidas. Vamos caminhar juntos para olhar para frente e resolver os problemas do país.

    Voltar a um patamar decente de investimento em educação básica, escolas técnicas, universidades, as crianças precisam de creches. Estão pagando hoje muitas mães R$700, R$800, R$900 ou até um salário mínimo para botar o filho menor em uma creche.

    O Brasil precisa crescer e se desenvolver. Temos que criar empregos cada vez mais qualificados, construir uma eficiente política de industrialização, valorizando todo o nosso complexo nacional, que é tão importante.

    Não podemos ficar parados vendo a banda passar. O país precisa de ciência e tecnologia para não depender dos outros.

    Aqui, chamo a atenção – e termino, Sr. Presidente –, anuncio que há um déficit fiscal de R$400 bilhões, segundo o ex-Ministro Henrique Meirelles.

    O Congresso precisa pautar propostas de interesse coletivo de bem-estar e que melhore a vida das pessoas. Repito, vamos olhar para frente e pensar em políticas humanitárias.

    Combater o racismo e todas as formas de preconceito é uma obrigação de todos nós. Não podemos aceitar a discriminação. Olhar a frente é respeitar a diversidade brasileira. Somos um país multicores: cultural, político, social...

    Temos todos obrigação, o dever de defender o meio ambiente, a natureza, ser protagonista contra a crise climática sempre. Sim, nós podemos, ao invés de odiar, recriminar, recusar, pisar uns nos outros, por que não amar? Por que não amar? Amar é o belo da vida.

    Penso que o caminho está sendo aberto. Novos tempos, novos dias, isso é a democracia. O que podemos fazer para tornar o Brasil um lugar melhor, melhor. Sempre é possível melhorar. Eu digo para a minha equipe que sempre é possível produzir mais.

    A responsabilidade – terminei, Presidente – é de todos nós.

    Obrigado, Presidente Vital.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/11/2022 - Página 16