Pronunciamento de DAIANE ARAÚJO em 14/08/2023
Discurso durante a 102ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a celebrar os 10 anos do Estatuto da Juventude.
- Autor
- DAIANE ARAÚJO
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Crianças e Adolescentes:
- Sessão Especial destinada a celebrar os 10 anos do Estatuto da Juventude.
- Publicação
- Publicação no DSF de 15/08/2023 - Página 34
- Assunto
- Política Social > Proteção Social > Crianças e Adolescentes
- Indexação
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- COMENTARIO, ATUAÇÃO, UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (UNE), MOVIMENTO ESTUDANTIL, BUSCA, DIREITOS, JUVENTUDE, ESTATUTO DA JUVENTUDE.
A SRA. DAIANE ARAÚJO (Para discursar.) – Bom dia, gente. Sou Daiane, como fui apresentada. Sou pernambucana, assim como Manuella Mirella. Estamos aí com essa bancada pernambucana na diretoria da União Nacional dos Estudantes. E é com muita alegria chegar aqui e ver uma mesa tão bonita e repleta, foi renovando a terceira mesa e com uma presença muito marcante de jovens, pessoas jovens, mas pessoas que cumpriram, ao longo de sua juventude, papéis fundamentais na luta da juventude.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) – Você me dá um aparte?
A SRA. DAIANE ARAÚJO – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) – Eu estou homenageado, mesa só de jovens... (Risos.)
... do longo dos meus 73! Muito obrigado, viu? (Palmas.)
A SRA. DAIANE ARAÚJO – Com certeza.
E que cumpriram um papel importante, não só nas suas organizações políticas, mobilizando desde a base, mas inclusive uma grande quantidade de pessoas que também esteve nesse lugar da luta com os estudantes do Movimento Estudantil. Acho que para nós, chegarmos aqui nesse espaço e nos reconhecermos também nas falas do lugar de onde viemos é muito importante, o que denota que o Movimento Estudantil, historicamente, cumpriu com o seu papel e que vem com muita responsabilidade também na renovação e na construção de um projeto de Brasil.
Então, eu queria saudar a mesa mais coletivamente em nome do Movimento Estudantil; saudar também a SNJ, nas pessoas de Jessy e Ronald Sorriso, que também representam essa juventude aguerrida, que vem da luta dos movimentos sociais e da luta estudantil; e saudar muito especialmente também as companheiras da União Nacional dos Estudantes e as meninas e mulheres camponesas que já estão em Brasília para construir, nos próximos dois dias, a Marcha das Margaridas, que tem um papel importantíssimo também na luta feminista e na organização das mulheres camponesas. (Palmas.)
Acho que hoje chegar aqui e comemorar os dez anos do Estatuto da Juventude para nós é muito especial. A gente vem com a semana inteira de juventude, aniversário também de 86 anos da União Nacional dos Estudantes, Dia do Estudante, dia de mobilização e comemoração, mas que agora tem um marco político muito importante.
Nos últimos dez anos, para mim, me organizei no Movimento Estudantil, entrei na luta social já em um período de muita retirada de direitos. Entrei na universidade, golpe da Presidenta Dilma, sonhando em fazer intercâmbio, sonhando em acessar diversas conquistas, mas a nossa luta foi sempre de ir para as ruas e se defender do que estava sendo retirado de nós. E acho que este momento agora é um momento muito especial, porque ele representa uma retomada da construção da democracia brasileira, uma retomada da possibilidade de a gente conquistar, mas, acima de tudo, de a gente conquistar, a partir de uma construção coletiva e participativa, esses direitos que são tão fundamentais para a vida da juventude.
E a juventude, que teve um protagonismo fundamental também no último período de enfrentamento à extrema-direita, de enfrentamento ao neofascismo, agora tem se colocado no compromisso de reconstruir o nosso país com muita organização e mobilização, mas também com muita responsabilidade e entendimento de que o povo brasileiro é soberano e a juventude tem um papel fundamental nesse sentido.
Então, acho que este aniversário de dez anos se coloca num momento muito especial, que é de reconhecimento do papel que a juventude cumpriu no último período, mas, sobretudo, de colocar o compromisso que a juventude brasileira tem neste momento, que é de reconstruir o nosso país com muita capacidade política também.
Acho que também devemos trazer aqui os desafios que estão colocados para nós. Se hoje a gente tem esperança na reconstrução, se a gente se coloca como motor desse processo de reconstrução de um Brasil soberano, a gente sabe que a gente tem diversos desafios para a construção de uma vida digna para a juventude. A gente quer enfrentar a fome. Para muitos de nós, hoje, a comida que tem é a merenda escolar ou muitas vezes a merenda escolar nem é colocada no dia a dia dos estudantes. A gente está num país que voltou para o Mapa da Fome, mas também num país que está com a margem de subemprego gigantíssima, a juventude colocada no trabalho uberizado, precarizado, que é absurdo.
(Soa a campainha.)
A SRA. DAIANE ARAÚJO – E acho que pensar a vida da juventude digna – acho muito importante ter trazido aqui representação de diferentes ministérios – é pensar que nós queremos ter direito à saúde, queremos ter direito à educação, queremos ter direito à moradia, à comida e à vida digna, mas, acima de tudo, a gente quer ter o direito a ir e vir na cidade sem a preocupação de ser violentada ou assassinada, por ocupar um espaço de marginalidade na sociedade. A gente quer ter direito ao bem viver, a gente quer ter direito a andar com tranquilidade na sociedade.
Acho que, por fim, para concluir, queria também saudar especialmente a Deputada Dandara e trazer a alegria que foi ver nessa semana a aprovação da manutenção, mas também do aperfeiçoamento da política de cotas. Essa política foi fundamental, talvez uma das maiores políticas de inclusão social que o nosso país já teve.
(Soa a campainha.)
A SRA. DAIANE ARAÚJO – Se hoje a gente olha e vê pessoas representando em diversas dimensões, seja na secretaria, seja no Parlamento, seja na União Nacional dos Estudantes, pessoas pretas, indígenas e quilombolas, a política de cotas imprimiu um papel fundamental na transformação dessa representação na política.
Mas acho que a gente tem um avanço que é muito fundamental nesse momento, que é conseguir aliar a política de inserção nas universidades com a política de permanência estudantil. O nosso principal desafio hoje é fazer com que os estudantes entrem e se formem com qualidade.
E, por isso, tenho muita confiança de que você, Paim, também vai cumprir aí com um papel fundamental. Conte com o conjunto dos estudantes, porque essa política é fruto da mobilização estudantil, da mobilização do movimento negro e a gente vai continuar mobilizado para que mais de nós entrem e possam se formar na universidade, na pós-graduação e também entrar em outros espaços da sociedade brasileira.
Então, muito obrigada. Os estudantes estão juntos aí na reconstrução do país. (Palmas.)