Interpelação a Ministro de Estado durante a 99ª Sessão para Comparecimento de Autoridade, no Senado Federal

Interpelação ao Presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, sobre a política monetária adotada no Brasil. Indagação a respeito do fim da circulação do papel-moeda no país.

Autor
Angelo Coronel (PSD - Partido Social Democrático/BA)
Nome completo: Angelo Mario Coronel de Azevedo Martins
Casa
Senado Federal
Tipo
Interpelação a Ministro de Estado
Resumo por assunto
Economia e Desenvolvimento, Fiscalização e Controle da Atividade Econômica:
  • Interpelação ao Presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, sobre a política monetária adotada no Brasil. Indagação a respeito do fim da circulação do papel-moeda no país.
Publicação
Publicação no DSF de 11/08/2023 - Página 23
Assuntos
Economia e Desenvolvimento
Economia e Desenvolvimento > Fiscalização e Controle da Atividade Econômica
Indexação
  • INTERPELAÇÃO, PRESIDENTE, BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN), ROBERTO CAMPOS NETO, POLITICA MONETARIA, ESTABILIDADE, ECONOMIA, CONTROLE, INFLAÇÃO, TAXA SELIC, QUESTIONAMENTO, REAL, ESPECIE, CIRCULAÇÃO, PREVISÃO, EXTINÇÃO, PAPEL-MOEDA.

    O SR. ANGELO CORONEL (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - BA. Para interpelar Ministro.) – Obrigado, Senador Amin.

    Queria cumprimentar o meu Presidente, Rodrigo Pacheco, esse mineiro que tanto orgulha aquele estado, mesmo querendo separar o Sul do Nordeste, mas eu sei que V. Exa. é um grande defensor da união do país.

    Quero cumprimentar o Presidente Roberto Campos.

    Cumpre a mim registrar, Presidente Roberto, a importância e os méritos da política monetária que tem sido adotada no Brasil e como ela contribui significativamente para a estabilidade econômica e o bem-estar de nossa nação. Por meio de um cuidadoso manejo de taxas de juros e das expectativas, o Banco Central tem conseguido controlar a inflação, garantindo estabilidade econômica e tranquilidade para a população e para seus investidores.

    Fiz questão de escrever algo para ficar bem didática a minha fala, Presidente.

    Olhando para trás, não podemos ignorar a dolorosa história da hiperinflação que o Brasil enfrentou, a memória de aumentos constantes de nível de preço, superando naquela época os 80% ao mês. Foi uma época em que o poder de compra das pessoas desaparecia diariamente, tornando a vida uma luta constante para manter o básico. Essa experiência faz imperiosa a necessidade de se manter uma política monetária cautelosa, que priorize a estabilidade dos preços e, por consequência, a qualidade de vida de todos os brasileiros.

    Ressalto, Presidente Roberto Campos, que o imposto inflacionário recai sobre todos sem autorização legislativa – não precisa disso – e afeta, de forma desproporcional, os mais vulneráveis. Portanto, adotar uma política monetária conservadora é uma questão de justiça social e de responsabilidade com as gerações presentes e futuras. O nível alto da taxa básica de juros, amplamente criticado, trata-se de consequência de um esforço de reancoragem de expectativa de controle da inflação e de um nível alto de endividamento público, de repetir os déficits fiscais e de um cenário de choques externos e de contração monetária.

    O resultado do recente trabalho do Banco Central vem trazendo frutos, como a convergência da inflação para a meta. Na última leitura, tivemos uma inflação negativa de -0,08, com o IPCA acumulado nos últimos 12 meses de 3,16. Ademais, vemos uma melhora nas projeções contidas no Boletim Focus. Esses fatores, Presidente, contribuíram para a queda de 50 pontos-base da taxa Selic, caindo para 3,25 ao ano, na última reunião do Copom, inclusive com o voto decisivo de V. Exa., Presidente Roberto, abrindo o caminho para um ciclo de queda dos juros – e eu não tenho dúvida de que, até o final do ano, essa taxa Selic pode liberar os 10%; torço por isso.

    Portanto, cumprimento o Presidente Roberto Campos pelo seu desempenho à frente do Banco Central, com firme propósito de proteger o poder de compra dos cidadãos e construir um ambiente propício para o crescimento e o desenvolvimento sustentável. Devemos continuar valorizando a boa política econômica, a responsabilidade fiscal, a prevenção da inflação e a gestão cuidadosa da dívida pública, como alicerces para um futuro próspero e equitativo para todos os brasileiros.

    Aí, Presidente Roberto, para não ficar sem pergunta, vou fazer duas perguntas até um pouco fora do tema. Eu queria saber de V. Sa.: qual o volume hoje do real em espécie circulando no Brasil? Acredito que, com o cartão, com o Pix e agora com o Drex, a tendência é reduzir mais ainda essa circulação. Eu pergunto, Presidente Roberto Campos: existe uma projeção para o papel-moeda deixar de circular ou ele jamais deixará de circular? Ficam essas perguntas.

    Muito obrigado e parabéns pela sua condução.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 11/08/2023 - Página 23