Pronunciamento de ZEZÉ LUZ em 05/10/2023
Discurso durante a 146ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a comemorar o Dia do Nascituro, celebrado anualmente no Brasil em 8 de outubro.
- Autor
- ZEZÉ LUZ
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Data Comemorativa,
Saúde Pública:
- Sessão Especial destinada a comemorar o Dia do Nascituro, celebrado anualmente no Brasil em 8 de outubro.
- Publicação
- Publicação no DSF de 06/10/2023 - Página 31
- Assuntos
- Honorífico > Data Comemorativa
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Indexação
-
- DISCURSO, SESSÃO ESPECIAL, COMEMORAÇÃO, DIA NACIONAL, NASCITURO.
- COMENTARIO, ATUAÇÃO, SOCIEDADE CIVIL, DEFESA, VIDA, FAMILIA, ACOMPANHAMENTO, MULHER, POSTERIORIDADE, ABORTO.
- DEFESA, PRERROGATIVA, CONGRESSO NACIONAL, LEGISLAÇÃO, ABORTO.
- CRITICA, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), INTERFERENCIA, PRERROGATIVA, CONGRESSO NACIONAL, LEGISLAÇÃO, ABORTO.
A SRA. ZEZÉ LUZ (Para discursar.) – Boa tarde a todos.
Cumprimento o nobre Senador Luis Eduardo Girão, meu amigo, e os meus irmãos de luta, que estão todos aqui muito bem representados.
E aqui eu vejo como nós conseguimos chegar até aqui, não é, Dr. Ubatan? Eu também queria recordar o Prof. Humberto Vieira, que foi um mestre e um professor também no início aí da nossa luta.
Eu quero cumprimentar as mulheres que estão aqui – vocês me representam –, na pessoa da Mariangela e da Dra. Lenise, eu cumprimento todas aquelas que nos acompanham neste momento.
Eu vim falar de esperança, mas eu vim falar também de dor. E eu acho que não tem um momento mais oportuno. Aliás, eu já estive no Congresso, nas Câmaras Legislativas de alguns estados, mas sempre almejei o momento em que eu pudesse estar aqui e falar diretamente para as mulheres que não me representam.
Eu queria iniciar, com essa apresentação, dizendo do nosso trabalho de acompanhamento das mulheres em situação de risco, de vulnerabilidade social. A Rede Nacional em Defesa da Vida nasceu como fruto de todos os movimentos que antecederam aí o nosso trabalho, a nossa luta em defesa das duas vidas. Mas eu quero falar da segunda vítima do aborto, que é a mulher, e do acompanhamento pastoral que nós fazemos para cuidar e ajudar as mulheres que passaram pelo trauma de um aborto provocado.
O acompanhamento à pessoa que sofre essas consequências e sequelas tem como finalidade facilitar o processo de aceitação, reconciliação, encontro com o filho não nascido. É um acompanhamento no luto por um filho não nascido, em situação de aborto espontâneo ou provocado, e ajuda também a superar as sequelas pós-aborto.
O objetivo do nosso projeto é proporcionar, através de um acompanhamento pastoral, a reconciliação dela com o seu filho não nascido e buscar também o conforto e a cura para os seus traumas. O trabalho é realizado por voluntários, médicos, psicólogos, psiquiatras, todas as pessoas que passam pela capacitação.
E eu vou passar muito rapidamente, porque eu quero chegar a outro ponto aqui.
Eu quero chegar a esta figura, desta mulher, desta mulher curvada, com o luto, com a dor, com a mão da consciência, mas também no baixo ventre.
O aborto corrói a própria base da sociedade. Ao abortar, parte da mulher também morre.
E como as sequelas pós-aborto afetam a pessoa?
Sem dúvida, o aborto é uma das experiências mais dramáticas que uma pessoa pode sofrer. O aborto destrói o ser recém-formado dentro do ventre da mãe e deixa um vazio profundo na mulher, que manifesta, de forma dramática, que a maternidade é um processo irreversível, que só é curado quando essa mãe é reunida espiritualmente com o seu filho.
O Projeto Esperança, que é oferecido às mulheres que sofreram do trauma pós-aborto, de forma gratuita, tem como objetivo ajudá-la a lidar com essa dor, reconhecendo a morte da criança, atitude muitas vezes bloqueada pelo mecanismo de defesa e de negação, pois, só a partir daí, pode-se chegar a essa reconciliação.
Eu queria falar exatamente sobre essas sequelas, algumas das sequelas pós-aborto na vida da mulher. Para falar dessa mulher, eu me vejo na pessoa dessa figura que eu passei anteriormente para vocês.
Então, Senador Girão, estou no meu lugar de fala. Eu sou mulher, eu fui violentada, sofri um sequestro, seguido de um estupro. Eu era cantora na minha cidade, eu tinha família, eu tinha sonhos. E, por falta de política pública de segurança, eu sofri essa violência.
O que eu quero dizer para as mulheres que não me representam, aquelas que querem legitimar a morte de outras mulheres em situação de vulnerabilidade e que, infelizmente, conseguem alcançar através da grande mídia, é que elas não falam a verdade.
Eu quero dizer que eu passei por todos estes sintomas: profundo dano à autoestima, pesadelos, alteração do sono, incompatibilidade em relação à família, depressão, perda do sentido da vida, sensação de vazio, ansiedade, solidão, remorso, sentimento de culpa, raiva, dor, transtorno de hábitos alimentares, transtorno de conduta, fuga no álcool, tentativa de suicídio e muito mais – muito mais porque, quando se fala das sequelas, na grande mídia – acontece, mas não na dimensão e na quantidade dos números falaciosos; vocês todos podem acessar www.estudosnacionais e observar as estatísticas de aborto no Brasil –, vocês vão perceber que não se fala para as mulheres o que elas vão passar.
Então, "meu corpo e minhas regras" só vale para aquela que está ali.
Quando é noticiado que uma mulher, por fatalidade, chegou ao óbito, não se diz que, ali, duas vidas foram ceifadas. Então, é um duplo, não é um homicídio. E o estuprador deveria ser condenado a pagar pelo crime que ele cometeu, e não nós mulheres e muito menos nossos filhos.
Então, é pela minha filha não nascida que eu estou aqui.
E eu queria dizer e sensibilizar todas as mulheres deste país, através deste canal, através da TV Senado e através de cada um de vocês que estão aqui: lutem, porque verdadeiramente nós seremos recompensados pelo bem que nós fazemos. Porque o mal traz consequências. E eu sofri, na minha pele, todas essas consequências.
Felizmente, pude engravidar mais uma vez, pude maternar. E olho essa cadeira vazia ali, do lado da Deputada Chiara, essa jovem guerreira, e penso que a minha filha poderia estar ali, com 38 anos, e ela não está, porque, naquele dia, naquela maternidade, naquele quarto escuro e tenebroso, ninguém chegou para mim e falou: "Você tem uma vida dentro de você. O teu bebê está com dois meses e meio de gestação. Você pode encaminhar essa criança para adoção. Você não precisa se tornar assassina do seu próprio filho".
Passaram-se todos esses anos, e eu não vou esquecer; mas felizmente conheci todo esse trabalho pastoral, que muitas entidades fornecem neste país, e passei, de uma forma muito ardorosa, a lutar, a subir morro, favela, comunidade, porta de clínica, para que as mulheres pudessem me ouvir e não passassem pelo que eu passei.
Se essas mulheres tivessem consciência do que é essa tortura, elas não falariam em pseudodireito de matar os filhos. O nosso país é uma nação pró-vida. No nosso país, majoritariamente, as pessoas são pessoas do bem, especialmente no Nordeste brasileiro. Eu sou de Campina Grande, na Paraíba, e estou há 38 anos no Rio de Janeiro, porque me foi roubado o meu futuro perto da minha família.
Quando eu reconheci que não era só um amontoado de célula, nem só um coágulo de sangue, mas era uma pessoa, eu precisei encarar a verdade.
E o Senador tem essa experiência, em Washington. Eu não tive ainda o privilégio de ir lá na March for Life. Ele disse que lá tem aqueles painéis de LED com bebês esquartejados, porque essa nação que sofreu, desde 1973, matando os seus filhos é uma nação que, como qualquer outra que aceite essa pena de morte aos inocentes, vai, como consequência, sofrer por isso.
Então, é pela minha filha não nascida, pois eu sou mãe de duas filhas, e pela minha segunda filha, que Deus me concedeu a graça de formar médica, que eu luto incansavelmente. Nada nem ninguém vai me parar.
E queria também mandar uma mensagem para os Ministros do STF: aborto é tema para o Legislativo. E, desde que eu me entendo por gente e que conheci o movimento pró-vida, que salvou a minha vida, este ambiente, Congresso e Senado, rejeita a prática do aborto no Brasil. Nós não queremos sangue inocente derramado neste planeta, muito menos na nossa nação. Então, que vocês possam ter essa consciência e, mais, respeitem a Constituição.
No nosso Hino Nacional, nós cantamos que somos uma "pátria, mãe gentil". E nenhuma "pátria, mãe gentil" desiste, exclui, mata o seu filho.
Eu queria agradecer pela atenção de cada um de vocês e não posso deixar de falar: é mais fácil arrancar o bebê do útero de sua mãe que arrancá-lo do seu pensamento, ela nunca vai esquecer.
E, como voluntária no movimento pró-vida, eu descobri que os homens também sofrem com os traumas do aborto provocado, e os homens, que não são como as mulheres, tão falantes, sofrem terrivelmente com essa dor.
Então, o aborto destrói a vida inocente, a família, a sociedade e a humanidade, que vai matar um seu semelhante. Não haverá paz no mundo enquanto existir o aborto. E nós queremos contar com a ajuda de vocês.
Eu vou disponibilizar também esse material para vocês e, como uma homenagem ao nobre Senador e a todos vocês que, graças a Deus, nasceram e aqui estão, eu queria concluir esse meu tempo de fala pedindo um minuto de silêncio a cada um de vocês por todos os bebês que já foram abortados no nosso país de uma forma não punida, mas que é crime.
Mataram bebês e matam todos os dias com acrania, anencefalia, síndrome de Edwards. Nós pagamos para matar os nossos semelhantes simplesmente porque eles não são perfeitos.
Alguém aqui é perfeito?
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – A Presidência pede a todos que, em posição de respeito, possamos obedecer a um minuto de silêncio em nome de brasileiros e brasileiras que não tiveram a oportunidade de nascer a partir da prática do aborto, não apenas no Brasil como no exterior também, já que é um holocausto realmente silencioso.
(Faz-se um minuto de silêncio.)
O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito bem. Só nos Estados Unidos, foram 50 milhões desde a legalização do aborto em 1973.
Para concluir, Zezé.
A SRA. ZEZÉ LUZ – Para concluir, Senador, todos os bebês que foram abortados nos Estados Unidos desde 1973... A gente sabe que isso foi fundamentado, baseado numa história que foi arregimentada e construída pelo movimento abortista; isso está aí bem descrito e representado no Blood Money, dinheiro de sangue, que o senhor, na época, trouxe para que nós pudéssemos tomar conhecimento; e há tantos outros materiais disponíveis na internet.
Eu atendo meninas todos os dias. Há 18 anos eu estou no apostolado. Já são mais de 2 mil vidas salvas do aborto, mas também há muitas mulheres...
(Soa a campainha.)
A SRA. ZEZÉ LUZ – ... que reconheceram o seu erro, que buscaram a sua reconciliação e que reconhecem que esses filhos existem em Deus.
Então, procurem conhecer mais o trabalho do movimento pró-vida no Brasil. Essa onda azul, esse lenço azul representa exatamente esse ambiente de paz que a gente deseja para salvaguardar as duas vidas.
É no Congresso Nacional. Eu quero agradecer em público aos mais de 300 Parlamentares que assinaram a petição do regime de urgência. Nós queremos e precisamos aprovar o Estatuto do Nascituro no nosso país. Nós não vamos parar.
Como Presidente da Rede Nacional, nós realizaremos a Caminhada pela Vida no próximo dia 8. Já são mais de cem cidades que aderiram a essa caminhada pacífica, todos de branco, para dizer sim às duas vidas.
Eu concluo, então, fazendo essa homenagem ao nobre Senador e a todos os Senadores desta Casa que verdadeiramente representam o povo brasileiro, que são incansáveis em dizer sim à vida.
Vamos juntos salvaguardar...
(Soa a campainha.)
A SRA. ZEZÉ LUZ – ... vamos juntos salvar o futuro do nosso país. (Palmas.)