Pronunciamento de Jorge Kajuru em 03/12/2024
Discurso durante a 172ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Satisfação pela redução da taxa de desemprego, que atingiu a menor taxa em outubro de 2024 desde 2012, de acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Manifestação positiva pela atual situação da economia no país, com destaque para artigo veiculado no jornal "O Estado de S. Paulo", em que se debate os números da economia brasileira e a não necessidade de alarmismo. Necessidade de análise de uma melhor distribuição na cobrança do imposto de renda entre as classes sociais mais altas na segunda etapa da reforma tributária.
- Autor
- Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
- Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Economia e Desenvolvimento,
Imposto de Renda (IR),
Trabalho e Emprego:
- Satisfação pela redução da taxa de desemprego, que atingiu a menor taxa em outubro de 2024 desde 2012, de acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Manifestação positiva pela atual situação da economia no país, com destaque para artigo veiculado no jornal "O Estado de S. Paulo", em que se debate os números da economia brasileira e a não necessidade de alarmismo. Necessidade de análise de uma melhor distribuição na cobrança do imposto de renda entre as classes sociais mais altas na segunda etapa da reforma tributária.
- Publicação
- Publicação no DSF de 04/12/2024 - Página 14
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento
- Economia e Desenvolvimento > Tributos > Imposto de Renda (IR)
- Política Social > Trabalho e Emprego
- Indexação
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- COMEMORAÇÃO, REDUÇÃO, DESEMPREGO, AUMENTO, RENDA, ARRECADAÇÃO, IMPOSTOS, TRIBUTOS, CRITICA, MERCADO FINANCEIRO, TAXA SELIC, PRESIDENTE, BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN), ROBERTO CAMPOS NETO, COTAÇÃO, MOEDA ESTRANGEIRA, DOLAR, DESVALORIZAÇÃO, REAL, CRESCIMENTO, PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB), DEFESA, REFORMA TRIBUTARIA, IMPOSTO DE RENDA.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Voz amada do nosso querido Maranhão, Senador Weverton Rocha, brasileiras e brasileiros, subo à tribuna neste 3 de dezembro para comemorar o fato de a taxa de desemprego no trimestre encerrado em outubro de 2024 ter sido a menor da série histórica iniciada em 2012, o que mostram dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgados na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na comparação com o trimestre semelhante do ano passado, a queda é significativa: estava em 7,6% e agora cai para 6,2%, sendo a menor taxa de desemprego em 13 anos. Só não vê quem não quer. O número total de trabalhadores do Brasil chega ao recorde de 103,6 milhões. O trimestre encerrado em outubro absorveu 751 mil trabalhadores e o rendimento médio ficou em R$3 mil, com um crescimento de 3,9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
A queda do desemprego e o aumento real da renda não são as únicas boas notícias na economia. Em outubro, a arrecadação teve alta real, já descontada a inflação, de 9,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No período de janeiro a outubro de 2024, senhoras e senhores, meus únicos patrões, a elevação em termos reais foi de 9,7%. Ambos os índices representam o melhor desempenho desde 1995.
Motivos para o otimismo não faltam, mas o que predomina no noticiário econômico é o alvoroço provocado pelo mercado financeiro – e aí, Senador Paim, eu disse que seria mais duro do que você foi ontem – ao sugerir descrédito em relação às medidas anunciadas pelo Governo para manter o compromisso com a sustentabilidade fiscal do país. Pura balela, cambada! A reação nada tem a ver com o conteúdo explicitado, seria igual qualquer que fosse o anúncio. Um dia antes do lançamento do plano, tinha gente defendendo aumento na taxa de juros. Já em outubro, o mercado fazia projeções absolutamente injustificadas: taxa Selic de 13,5% e Nota do Tesouro Nacional a 6,5% de juro real. É por isso que insisto que esse Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central, tem que ir embora do Brasil logo. Vai morar na casa do Trump, seu antibrasileiro!
Um despautério que levou o insuspeito economista José Roberto Mendonça de Barros a escrever, em artigo no jornal O Estado de S. Paulo, abre aspas: "Ao contrário do que esses números sugerem, nossa economia não está à beira do colapso", fecha aspas. Agora, usa-se o pretexto de um plano que sequer começou a ser analisado pelo Congresso para o tal mercado fazer o dólar disparar e chegar à cotação de R$6 por dias consecutivos. Algo estapafúrdio, como se o Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, com US$366 bilhões de reservas cambiais, estivesse à beira da insolvência. Não, seus tolinhos, seus antibrasileiros, engulam o Governo Lula.
Como justificar uma desvalorização superior a 20% da nossa moeda, o real, diante do dólar? Como? Isso num ano em que o Brasil é o segundo país com mais fluxos de investimento estrangeiro direto, atrás apenas dos Estados Unidos, e ninguém reconhece – o ninguém de que eu falo é o outro lado, porque o outro lado não é oposição ao Governo Lula, é oposição ao Brasil, é aquela velha frase: quanto pior, melhor –, e o nosso produto interno bruto (PIB) deve crescer acima de 3%. O que estamos vendo é a mera ação especulativa que está enriquecendo ainda mais os rentistas de sempre, gente que ganha facilmente cinco salários mínimos num dia, mas não gosta da ideia de pagar impostos sobre lucros e dividendos.
O Presidente Lula e o Ministro Fernando Haddad, comprometidos com a redução das desigualdades sociais, buscam colocar o pobre no Orçamento. E o duro é o que escreveu Josias de Souza na Folha: "O mais difícil é tirar o rico do Orçamento". Precisam, no entanto, lembrar que, como bem acentuou, repito, Josias de Souza, em recente artigo no UOL, abrem-se aspas: "O [maior desafio] [...] do atual Governo e de todos os que o antecederam desde a chegada das caravelas é tirar o rico do Orçamento.", fecham-se aspas.
Mais difícil, para concluir ainda, é transferir o rico do Orçamento para o Imposto de Renda, desafio que nós do Congresso vamos ter de enfrentar, no ano que vem, na discussão da segunda etapa da reforma tributária. Vai ser difícil, porque esse bando, essa canalhice da Faria Lima não quer pagar imposto mesmo. E, para mim, não adianta ligar pedindo para entregar documento ao Eduardo Braga, Relator da reforma tributária, porque são pedidos absurdos, Presidente Weverton: para que não se pague imposto, para que o agro não tenha que pagar nada. Como, faturando o que fatura? Por que só o pobre tem que pagar imposto? Então, não mande mensagem para mim, porque eu gravo e coloco nas minhas redes sociais e dou o nome desse tipo de empresário brasileiro, porque eu não posso generalizar – há exceções, graças a Deus.
Agradecidíssimo.
O SR. PRESIDENTE (Weverton. Bloco Parlamentar Independência/PDT - MA) – Eu agradeço, Senador Kajuru.
Convido o Senador Plínio Valério para utilizar a tribuna.
V. Exa. tem o tempo de até dez minutos.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Fora do microfone.) – O Senador Plínio falou que eu passei do tempo. Eu não passei.