Discurso proferido da Presidência durante a 14ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, premiação que, instituída pela Resolução nº 2, de 2001, é destinada a agraciar pessoas que no país tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero.

Autor
Leila Barros (PDT - Partido Democrático Trabalhista/DF)
Nome completo: Leila Gomes de Barros Rêgo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência
Resumo por assunto
Homenagem, Mulheres:
  • Sessão Especial destinada a entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, premiação que, instituída pela Resolução nº 2, de 2001, é destinada a agraciar pessoas que no país tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero.
Publicação
Publicação no DSF de 28/03/2025 - Página 10
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Política Social > Proteção Social > Mulheres
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, ENTREGA, DIPLOMA, MULHER, CIDADÃO, BERTHA LUTZ, CONTRIBUIÇÃO, LUTA, DIREITO, MINISTERIO DAS MULHERES IGUALDADE RACIAL DA JUVENTUDE E DOS DIREITO HUMANOS, IGUALDADE, GENERO.

    A SRA. PRESIDENTE (Leila Barros. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Para discursar - Presidente.) – Bom dia a todas e todos.

    É um prazer enorme poder comandar esta sessão muito importante em homenagem a 19 bravas mulheres, 19 incríveis mulheres com lindas trajetórias, trajetórias inspiradoras. Eu tive a oportunidade de pesquisar, de olhar um pouco da biografia de cada uma de vocês, de todas as indicadas, que nos honram por estarem aqui, as que puderam vir, com as presenças. São, de fato, inspiração para todas nós, não só Parlamentares, como brasileiras. E também é uma honra estar aqui ao lado das minhas colegas Parlamentares, Senadora Eliziane, Senadora Teresa, Senadora Soraya, da Ministra também, da Senadora Ivete, Augusta, Margareth Buzetti, do Senador Eduardo Braga, assim como das Deputadas e Deputados, da Senadora Damares, que também que está presente – quero agradecer a presença de todos.

    Sras. Senadoras e Srs. Senadores, convidadas e convidados, queridas homenageadas, é uma grande honra estar aqui neste Plenário para celebrar mulheres excepcionais e reafirmar o compromisso do Senado Federal com a luta pela equidade de gênero.

    A entrega do Diploma Bertha Lutz não é apenas um momento de reconhecimento, mas também um ato de resistência e um marco na história da luta das mulheres por direitos e oportunidades iguais. Criado há quase três décadas, o Diploma Bertha Lutz homenageia mulheres que, com coragem e determinação, contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Nesse contexto, a edição de 2025 do Diploma Bertha Lutz ressalta as contribuições de 19 mulheres influentes e brilhantes na vida nacional. É o caso emblemático das atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, ambas excepcionais na arte dramática.

    Fernanda Montenegro, atriz consagrada, ícone da dramaturgia brasileira e defensora da cultura e dos direitos das mulheres, representou o Brasil e a mulher brasileira na indicação para o Oscar de Melhor Atriz por sua sublime atuação no filme Central do Brasil.

    Fernanda Torres, atriz, escritora e produtora, segue os passos da mãe com excelência e engajamento. Tal como sua mãe, representou o Brasil e a mulher brasileira na indicação para o Oscar de Melhor Atriz por sua espetacular atuação no filme Ainda Estou Aqui – e ainda venceu o Globo de Ouro por esse trabalho magnífico.

    Aproveito para parabenizar a direção do Walter Salles e todo o elenco, que fez um belíssimo trabalho, representando o Brasil mundo afora com Ainda Estou Aqui, um filme incrível. Inclusive, indico para quem não foi assistir – eu fui três vezes, adorei. Primeiro eu fui, depois levei meu filho, e depois meu filho convidou os amigos e fomos eu, o pai, meu filho e os amigos. Foi incrível.

    Mãe e filha reinam absolutas nos palcos e nas telas brasileiras e são motivo de orgulho e inspiração para todos e todas nós.

    Verdade seja dita, entre as 19 diplomadas, a cada uma devemos render também merecidas homenagens, seja pela atuação, seja no combate diário, exaustivo e muitas vezes anônimo em defesa das nossas mulheres. Todas merecem o nosso aplauso e reconhecimento. Não vou mencioná-las porque são 19, e o Senador Eduardo já fez isso por nós. Nós temos que adiantar um pouquinho o trabalho na sessão porque já atrasamos.

    Eu só quero pedir vênia, porque eu gostaria de falar um pouco da minha homenageada, que é a Dra. Janete Vaz, uma mulher com visão e de empreendedorismo. (Palmas.) Transformou o setor da saúde no Brasil e é cofundadora do Grupo Sabin. Ela se tornou uma das empresárias mais influentes do país, investindo não só na excelência do serviço de diagnóstico, mas também na valorização das mulheres dentro do mercado de trabalho. Seu compromisso com a equidade de gênero é um exemplo de que mulheres podem e devem ocupar espaços de liderança.

    Então, um beijo para a senhora, Dra. Janete, e para todas vocês, homenageadas. (Palmas.)

    Senhoras e senhores que nos acompanham nesta cerimônia, estamos em 2025 e lamentavelmente é preciso denunciar que a causa feminista ainda é uma causa pela igualdade e pela justiça, e a batalha está longe do seu fim.

    Um quarto de século já transcorrido desde a primeira edição deste prêmio e ainda precisamos estar aqui reivindicando direitos: direito pela equiparação de oportunidades, direito pela visão do trabalho doméstico, direito pela efetiva inclusão social e, pasmem, direito até mesmo à integridade física. Afinal, quantas e quantas brasileiras ainda são vítimas de agressões criminosas e covardes a cada minuto neste país?

    Dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025, lançado pelo Ministério das Mulheres, denunciam que, em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos de mulheres e lesões corporais seguidas de morte. A Rede de Observatórios da Segurança aponta que, em 2023, em média, oito mulheres foram vítimas de violência doméstica a cada 24 horas no nosso país.

    A homenagem que realizamos por meio do Diploma Bertha Lutz é um ato de resistência contra todas as formas de violência contra a mulher, contra a discriminação, contra o machismo estrutural, contra a opressão e, vale acrescentar, contra a desigualdade salarial de gênero também. Além disso, o prêmio também representa a luta pelo empoderamento feminino, afinal a presença de mulheres nos espaços decisórios segue sendo um grande desafio. Hoje, mesmo representando mais de 52% do eleitorado, somos minoria no Parlamento, menos de 20% das duas Casas do Congresso Nacional.

    Aproveito para lembrar que este Senado está debatendo o novo Código Eleitoral e não podemos perder a oportunidade de fazer justiça, de garantir que mais mulheres ocupem as cadeiras legislativas. Precisamos de mais mulheres na política. A sub-representação feminina resulta em políticas públicas que nem sempre atendem às nossas demandas. Precisamos lutar por cotas, manter um financiamento adequado e assegurar estrutura para que as mulheres tenham condições de disputar e vencer eleições. Nesse sentido, este diploma é um símbolo de luta e resistência e de esperança.

    As homenageadas de hoje são 19 brasileiras que nos servem de inspiração nesta longa jornada de igualdade entre homens e mulheres. Minha gratidão e meus parabéns a todas vocês!

    Encerro mandando um recado a todas as mulheres deste Brasil: assim como todas nós Parlamentares e como todas essas bravas mulheres que são hoje aqui homenageadas, vocês também podem, vocês também merecem!

    Muito obrigada. (Palmas.)

    Só quero aqui registrar a presença – Gente, olhe isso aqui. Vai ser ótimo. – de Gilse Souto, Gerente da instituição BPW Brasília; Cosete Ramos, Presidente do Movimento Brasília Capital da Felicidade – Seja bem-vinda, Cosete!; Walter Sobreiro, Diretor da instituição Raio de Luz; Ana Paula Soares Fernandes, psicóloga da Rede Feminina de Combate ao Câncer – Seja muito bem-vinda, Ana! –; Marinalva, Presidente da instituição Raízes Cultural; Carla de Souza, representante da Assembleia de Deus Recomeçar; Abadia Henriques, representante executiva feminina do Partido Republicanos do DF – Seja bem-vinda! –; David do Samba, da Escola de Samba do Paranoá; Professor Geraldo, Presidente da Asseat; Bispa Rita, Presidente do Instituto Educando Raízes do Brasil; Ivanir da Paixão, Diretora da Associação Viver; Kazumi, da Associação Escolhemos Viver - Vela Adaptada – seja bem-vinda, Kazumi –; Cynthia Ferreira, Coordenadora Nacional do projeto Se Liga, Irmã!; Katia Vasconcelos, Secretária Nacional do Movimento Consciência Brasil; Rosa Rego, Presidente do Comitê Internacional da Dignidade Humana; e Josiane Santos, representando o Ministério das Mulheres.

    Sejam todas bem-vindas. (Palmas.)

    Vou passar aqui a fala para as autoridades. Vou conceder a palavra agora para a Senadora, nossa Vice-Líder, Soraya Thronicke.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 28/03/2025 - Página 10