Discurso durante a 25ª Sessão Deliberativa Extraordinária, no Senado Federal

Pesar pelo falecimento do Papa Francisco e homenagens ao legado deixado pelo pontífice.

Autor
Veneziano Vital do Rêgo (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/PB)
Nome completo: Veneziano Vital do Rêgo Segundo Neto
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem, Religião:
  • Pesar pelo falecimento do Papa Francisco e homenagens ao legado deixado pelo pontífice.
Publicação
Publicação no DSF de 25/04/2025 - Página 10
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Outros > Religião
Indexação
  • VOTO DE PESAR, MORTE, PAPA FRANCISCO, IGREJA CATOLICA, ELOGIO, HOMENAGEM POSTUMA, DEFESA, MINORIA.

    O SR. VENEZIANO VITAL DO RÊGO (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PB. Para discursar.) – Sr. Presidente, as minhas saudações a V. Exa., que preside a nossa sessão desta quinta-feira.

    Os meus cumprimentos são extensivos às presenças dos nossos companheiros, Senador Eduardo Girão, que concluiu a sua passagem nesta tribuna, ao Senador Izalci Lucas, ao Senador Plínio Valério e a outros companheiros que, decerto, estão se dirigindo a este Plenário.

    Presidente, breve será a minha passagem, mas eu não poderia, nesta semana, deixar de fazer as devidas, necessárias, plena e amplamente justificadas homenagens a um grande ser humano, a um grande cidadão e, acima de tudo, a um grande cristão, na acepção, no entendimento que nós queremos traduzir. Decerto não temos as condições para dimensionar a grandeza que foi a passagem em terra da vida do Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, cidadão diferenciado não apenas nas palavras, mas, acima de tudo, nas atitudes. As palavras valem muito, sim, mas muito mais do que elas, os gestos, as atitudes, as práticas falam e reverberam muito mais.

    O pontificado de quase 13 anos do Papa Francisco mostrou muito a todos nós. Não tenho dúvidas de que ele influenciou, de que encontrou muitos ouvidos abertos, muitas mentes arejadas para acolher, nas suas mensagens, ensinamentos, conceitos de novas posturas, de novos comportamentos. Pode ter encontrado, sim, ouvidos não abertos, não dispostos a acolher essas próprias mensagens cristãs, mas tenho certeza...

    Aqui está uma pessoa que teve a oportunidade, nas vezes – e foram muitas essas falas – em que assistimos a essas exposições nas próprias visitas, que muito nos honraram, do Santo Padre no nosso território nacional, de ver aquilo que, em síntese, mostrou o que era, o que foi o seu pontificado.

    Cidadão simples na acepção plena, cidadão humilde, que demonstrou isso exatamente desde o primeiro dia em que foi erigido à condição de condutor da Igreja Católica, ele é um cidadão que se despede da mesma forma como pontuou essa trajetória de 12 anos à frente do papado, como chefe do Vaticano. E isso diz muito.

    Num mundo, Senador Plínio, conflagrado, tomado de atitudes odiosas, de ressentimentos de muitos lados, num mundo onde guerras persistem, sendo alimentadas pelo desejo, pelos propósitos insanos de celerados que continuam a utilizá-las como instrumentos de domínio, de imposição, de sujeição de povos a outros povos, a mensagem do Papa Francisco sempre foi pelo fim das guerras, pelo equilíbrio, pela moderação, pelo diálogo, pela compaixão, pelo respeito ao outro, pelo reconhecimento às necessidades que muitos milhões de cidadãos espalhados pelos nossos continentes passam em meio às vicissitudes das suas existências.

    Fará muita falta. Fará, sim, muita falta a presença sempre tranquila, sempre equilibrada, mas sem perder a firmeza, a firmeza com a qual ele conduziu a Igreja Católica, colocando-a de uma maneira diferente, como um próprio – e não haveríamos de exagerar – revolucionário, porque ele abriu a Igreja Católica a novos conceitos.

    Ele não se permitiria mais que deixássemos de ter, como tivemos secularmente, uma igreja avessa, olhando enviesadamente as participações de todos. Foi dessa forma que ele acolheu junto a ela, a Igreja Católica, a presença de tantos que foram, durante muitos anos de existência humana, tratados de forma preconceituosa, de forma inconcebível. Eu me refiro aos grupos mais minoritários, cidadãos e cidadãs que em muitos países sofrem na pele por força das suas opiniões, por força das suas orientações. E o Papa Francisco demonstrou exatamente ser diferente quando assumia, mesmo contra vozes conservadoras, a postura de quem acolhia, porque estava acolhendo um cidadão igual a ele próprio.

    Então, são palavras de uma homenagem justa que o Senado fez e que faço agora na condição de quem reconheceu e de quem reconhece um legado. Tomara que, proximamente à escolha do novo Santo Padre, possamos ter continuados avanços, porque esse foi o próprio desejo expresso e explicitado do Papa Francisco, e não tenhamos retrocessos em novos posicionamentos que revejam as suas atitudes, que revejam as novas linhas até mesmo antidogmáticas que o Papa Francisco pôde produzir no seu pontificado de quase 13 anos.

    Que Deus possa, e assim já o fez, acolhê-lo e que essa passagem seja refletida por todos nós em meio a ambientes que nós aqui repetimos no termo conflagrado entre nações! Sempre foi muito tranquilizadora a palavra, a mensagem que o Papa Francisco nos permitia levar.

    As minhas mais sinceras, transparentes e efetivas homenagens, repito, a um grande ser humano, a um grande cristão, a um grande líder espiritual!

    Muito obrigado, Presidente Styvenson Valentim.

    Os meus cumprimentos a todos os nossos companheiros e minhas saudações a todos os senhores e senhoras que nos acompanham.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/04/2025 - Página 10