Pronunciamento de Astronauta Marcos Pontes em 06/05/2025
Discurso proferido da Presidência durante a 32ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a celebrar e reconhecer a importância da aviação de caça na defesa do Brasil e homenagear os aviadores que dedicam suas vidas à soberania do espaço aéreo nacional.
Reconhecimento da evolução tecnológica da Força Aérea com a incorporação de caças modernos. Ênfase no papel estratégico da aviação de caça na defesa da soberania aérea. Homenagem ao trabalho conjunto de pilotos, técnicos e equipes de apoio que sustentam a excelência operacional da FAB.
- Autor
- Astronauta Marcos Pontes (PL - Partido Liberal/SP)
- Nome completo: Marcos Cesar Pontes
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
-
Defesa Nacional e Forças Armadas,
Homenagem:
- Sessão Especial destinada a celebrar e reconhecer a importância da aviação de caça na defesa do Brasil e homenagear os aviadores que dedicam suas vidas à soberania do espaço aéreo nacional.
-
Defesa Nacional e Forças Armadas,
Homenagem:
- Reconhecimento da evolução tecnológica da Força Aérea com a incorporação de caças modernos. Ênfase no papel estratégico da aviação de caça na defesa da soberania aérea. Homenagem ao trabalho conjunto de pilotos, técnicos e equipes de apoio que sustentam a excelência operacional da FAB.
- Publicação
- Publicação no DSF de 07/05/2025 - Página 11
- Assuntos
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Defesa Nacional e Forças Armadas
- Honorífico > Homenagem
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, RECONHECIMENTO, IMPORTANCIA, AVIAÇÃO MILITAR, DEFESA AEREA, TERRITORIO NACIONAL, HOMENAGEM, AVIADOR, PRESERVAÇÃO, SOBERANIA NACIONAL.
- RECONHECIMENTO, EVOLUÇÃO, TECNOLOGIA, FORÇA AEREA BRASILEIRA (FAB), INCORPORAÇÃO, AERONAVE PUBLICA, AVIAÇÃO MILITAR, CAÇA.
- IMPORTANCIA, AVIAÇÃO MILITAR, ESTRATEGIA MILITAR, DEFESA AEREA, SOBERANIA NACIONAL, PRESERVAÇÃO, EVOLUÇÃO, DESTAQUE, HISTORIA, PARTICIPAÇÃO, SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.
- SAUDAÇÃO, TRABALHO, PILOTO MILITAR, TECNICO, GRUPO, APOIO, FORÇA AEREA BRASILEIRA (FAB).
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Para discursar - Presidente.) – Sras. Senadoras e Srs. Senadores, autoridades civis e militares presentes, senhores representantes da Força Aérea Brasileira, famílias de veteranos, brasileiras e brasileiros, é com grande honra que presido esta sessão especial do Senado Federal em celebração ao Dia da Aviação de Caça e aos 80 anos da Aviação de Caça no Brasil, uma cerimônia que, para além do simbolismo histórico, carrega o peso de um legado construído com coragem, disciplina, competência e amor à pátria.
A Aviação de Caça é, sem dúvida, uma das expressões mais nobres da Força Aérea Brasileira. Ela representa, em cada decolagem e em cada missão cumprida, a prontidão de defender o espaço aéreo nacional, a soberania do nosso país e a integridade do nosso povo. Celebrar suas oito décadas de existência é reverenciar a história viva da defesa aérea do Brasil.
Desde a sua criação, a Aviação de Caça brasileira tem sido sinônimo de excelência técnica, preparo militar e superação de desafios. Essa trajetória teve um ponto de inflexão marcante em 22 de abril de 1945, quando o primeiro grupo de aviação de caça, o lendário 1º GAvCa, ou Jambock, realizou 44 missões de combate em um único dia nos céus da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Foi o maior esforço operacional da nossa Força Aérea em todo o conflito, e é por isso que essa data é consagrada como o Dia da Aviação de Caça.
Sob o comando firme do Brigadeiro Nero Moura, nossos pilotos enfrentaram as adversidades do combate aéreo com bravura, estratégia e um espírito de missão que ecoa até hoje. Foi nesse contexto que nasceu o grito que se tornou o símbolo da nossa coragem brasileira nos ares, o “Senta a Púa!”, um lema que não é apenas uma frase de guerra, mas um modo de vida. Ele traduz a atitude combativa, a coragem diante do impossível e o compromisso inabalável com o dever.
Ao longo dessas oito décadas, a Aviação de Caça evoluiu, os tempos mudaram, as tecnologias avançaram, as aeronaves se tornaram mais velozes, mais letais, mais precisas. Hoje a Força Aérea Brasileira opera com caças modernos, como o F-39 Gripen, o F-5M Tiger II, o A-1M, o AMX e o Super Tucano A-29, aeronaves que são símbolos do avanço tecnológico nacional e do nosso compromisso com a soberania aérea. Mas o que jamais mudou e nunca mudará é o espírito que move cada piloto de caça: a coragem, o preparo, a prontidão e o amor pelo Brasil.
E é fundamental reconhecer que por trás de cada avião há uma equipe. Há mecânicos, engenheiros, técnicos, controladores de voo, profissionais que garantem que cada missão seja segura, eficaz e bem-sucedida. Todos são partes desse mesmo corpo. A Aviação de Caça não é feita apenas de asas, mas de corações comprometidos com a pátria.
Nesta sessão, fazemos questão de registrar também os nomes que marcaram com heroísmo essa história. Um deles é o do Tenente-Aviador Alberto Martins Torres, autor de um dos feitos mais relevantes da nossa participação na Segunda Guerra Mundial, o único afundamento confirmado de um submarino nazista em águas brasileiras.
Além disso, Torres completou cem missões de combate na Itália, um número que demonstra não apenas sua habilidade como piloto, mas sua entrega total ao dever.
Por isso, propus o Projeto de Lei nº 1.711, de 2024, já aprovado no Senado, para inscrever seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, uma homenagem mais do que justa, que preserva sua memória como um exemplo para as futuras gerações.
Outro nome que não pode faltar é o do Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, criador do ITA, idealizador do CTA e peça-chave para o nascimento da Embraer, um verdadeiro arquiteto do avanço tecnológico nacional.
Relatei com orgulho o projeto que inscreve seu nome no mesmo Livro de Heróis. Seu legado ultrapassa a aviação militar. É um dos alicerces do desenvolvimento científico e industrial do Brasil.
Senhoras e senhores, a missão da aviação de caça nunca foi apenas militar. Ela é estratégica, ela é educacional, ela é moral.
Formar um piloto de caça é formar um cidadão com valores sólidos, com um preparo técnico de excelência e um senso de responsabilidade que inspira. Cada esquadrão representa o que temos de melhor em termos de disciplina, inovação, liderança e espírito de equipe.
A Força Aérea Brasileira continua sendo um pilar de nossa soberania nacional. A aviação de caça é a vanguarda desse esforço permanente pela proteção do território nacional não apenas nas guerras, mas no patrulhamento diário, nas missões de interceptação, na vigilância do espaço aéreo e na prontidão constante que garante a paz.
Por isso, esta homenagem é mais do que merecida. É um gesto de reconhecimento e respeito a todos que se dedicam e dedicaram suas vidas ao voo, ao treinamento incessante, ao cumprimento das missões mais difíceis, muitas vezes em silêncio, longe dos holofotes, mas sempre com honra.
A todos os veteranos, aos que estão na ativa e aos que ainda sonham em vestir a farda da aviação de caça, deixamos hoje o tributo desta Casa Legislativa.
Que essa história de coragem continue inspirando o Brasil e que possamos sempre lembrar com orgulho e reverência a aviação de caça no Brasil.
Vida longa, missão cumprida, e sempre, sempre, "Senta a Púa!".
Muito obrigado. (Palmas.)
Gente, aqui um pouco fora do protocolo, eu gostaria de agradecer e muito a presença de cada um de vocês, dos senhores, das senhoras, e a todos aqueles que nos acompanham também pelas redes do Senado e pela TV Senado.
Agradeço a todos aqueles que, ao longo da história, têm colaborado com a Força Aérea Brasileira, da qual eu faço, com muito orgulho, parte, como piloto de caça.
Estou aqui com o agora Tenente-Brigadeiro Barbacovi. Eu me lembro dele como Segundo-Tenente no Terceiro Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação, em Santa Maria. Nós fomos do mesmo esquadrão, o Esquadrão Centauro, e essa participação fica guardada na cabeça da gente, ainda novinhos, com filhos que tinham acabado de nascer ali em Santa Maria, naquele começo de vida, mas com grandes sonhos.
E hoje eu vejo aqui, com orgulho, o Barbacovi, o nosso Tenente Barbacovi, hoje Tenente-Brigadeiro Barbacovi, aqui do meu lado, representando o Brigadeiro Damasceno, Comandante da Força Aérea.
É muito bom a gente ver o desenvolvimento de cada um dos nossos amigos, dos parceiros que a gente sempre teve.
E a gente coloca a vida... E quem é piloto de caça sabe muito bem disto: quando você está voando numa esquadrilha, você literalmente coloca a sua vida na mão daqueles que estão voando com você. É assim que funciona. Aliás, é assim que a gente deveria funcionar no Brasil como um todo, não é? Que a gente pudesse ter essa parceria, esse trabalho em equipe e o legado em reconhecer o passado e utilizar, com honra, o conhecimento e a experiência adquirida por aqueles que deram a vida pelo Brasil, para que a gente tenha um futuro cada vez melhor no nosso país.
Então, eu quero agradecer novamente, de coração, a presença de cada um de vocês. Hoje esta homenagem é muito – mas muito – merecida.
Também lembro a presença aqui do nosso Ministro do Superior Tribunal Militar, o Brigadeiro Joseli, aqui conosco também.
Gente, este dia aqui é um dia para marcar a história: eu sou o primeiro Senador piloto de caça aqui da história também, e, para mim, é muito orgulho estar aqui e representar a nossa aviação num dia tão importante como este, e nos lembrando dos nossos pilotos na Segunda Guerra e nos lembrando também do Marechal Casimiro Montenegro Filho, pelo trabalho que ele fez, e do Tenente Alberto também, pela dedicação.
Então, vamos dar prosseguimento aqui nesta cerimônia.
E eu falo isto com muito orgulho: hoje é um dos dias, vamos dizer assim, que brilham na minha permanência aqui no Senado. Então, muito obrigado novamente pela presença de todos.
Sras. e Srs. Embaixadores, Encarregados de Negócios e representantes diplomáticos dos seguintes países que estão aqui presentes conosco: Argélia, Belarus, Reino Unido, Rússia; também o Sr. Vice-Presidente do Superior Tribunal Militar, como eu já falei, Ministro Tenente-Brigadeiro do Ar Francisco Joseli Parente Camelo; o Sr. Comandante de Preparo da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto; o Sr. Diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Vincent Dang, também com a gente; e a Sra. Conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público Ivana Lúcia Franco Cei.
Convido a todos, neste momento, para que façamos um minuto de silêncio em homenagem aos pilotos e combatentes da Força Aérea Brasileira que tombaram em defesa da pátria durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente os integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça.
(Faz-se um minuto de silêncio.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Esta Presidência registra a presença, nesta mesa também, do Senador Sergio Moro, aqui conosco.
Obrigado, Moro.
Registramos a presença também dos participantes do VI Encontro Internacional de Participação, Democracia e Políticas Públicas, organizado pelo Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Brasília.
Obrigado pela presença de cada um de vocês também.
Antes do próximo pronunciamento, eu gostaria de fazer um breve esclarecimento ao público presente e aos que nos acompanham pelos canais oficiais de comunicação do Senado Federal.
Dentro da aviação de caça da Força Aérea Brasileira, um meio profundamente marcado por tradições, o cancioneiro tem um papel essencial na construção da identidade e do espírito de corpo dos nossos aviadores.
A canção que ouviremos agora, chamada Carnaval em Veneza, nasceu em fevereiro de 1945, no auge da campanha do primeiro grupo de aviação de caça na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.
Após uma missão de bombardeio bem-sucedida contra uma ponte ferroviária em Ponte di Piave, os pilotos brasileiros, conhecidos como Jambocks, reuniram-se em um bar local em Pisa. Lá, inspirados pela música italiana tocada no ambiente e pelo espírito de camaradagem e superação, criaram essa canção para celebrar a sua missão.
A letra faz referências diretas àquela operação e ao cotidiano dos pilotos de caça, suas manobras, seus riscos, suas gírias e sua irreverência, mesmo diante da guerra.
Com o tempo, Carnaval em Veneza ultrapassou os limites do primeiro grupo de aviação de caça e se consolidou como hino da aviação de caça da FAB.
Hoje, é entoado com orgulho pelos pilotos, especialistas e soldados da Aeronáutica, tornando-se símbolo de coragem, união e memória histórica.
Com essa explicação, eu convido a todos a ouvirem com atenção e respeito a execução da canção Carnaval em Veneza, interpretada pela Banda de Música da Base Aérea de Brasília.
(Procede-se à execução da música Carnaval em Veneza.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Parabéns à nossa banda; obrigado, Maestro.
Aliás, só um comentário aqui... Quem é piloto de caça sabe disso, mas, para quem não é, às vezes é bom saber: no dia 22 de abril, ou nas proximidades desse dia, nós temos o encontro da aviação de caça, que acontece na Base Aérea de Santa Cruz – pelo menos acontecia na Base Aérea de Santa Cruz. Faz um tempo que eu não vou lá.
É interessante, porque você tem aquela oportunidade de encontrar... Os pilotos de todos os esquadrões se reúnem ali, às vezes tem algumas competições, algumas demonstrações, mas uma coisa que me chamava muito a atenção, na minha época, quando eu era tenente e ia àquele encontro, era que, naquela época, nós tínhamos ainda alguns dos "velhinhos", como a gente os chamava, que eram alguns veteranos da Segunda Guerra que participavam lá também, e era muito bom aquilo de trocar informação e de ter a oportunidade de conhecê-los.
Eu tive também a oportunidade, por exemplo, fazendo uma comparação aqui, já na Nasa, como astronauta, de encontrar, conversar com Neil Armstrong, Buzz Aldrin, essas figuras que marcaram a história do planeta, e ali nós tínhamos a chance de conversar com os nossos veteranos. Aquilo era muito bom.
E é um encontro em que você revive essas tradições. Tem um teatro, inclusive, que é feito, a Ópera do Danilo, em que você revive o que aconteceu ali na Itália, e que é bom para manter vivos o legado e a tradição dos nossos pilotos, o que eles viveram lá na Itália, não é? Isso, no dia a dia, é importante no cumprimento da nossa missão e no esquadrão, depois.
Eu estou olhando aqui e vejo muitos rostos conhecidos. Não dá para cumprimentar todo mundo, mas sintam-se todos cumprimentados aqui. Isso é muito bom!
Vejo também a Senadora Damares aqui conosco.
Senadora, obrigado. Eu estou contando com V. Exa. aqui para fazer uma entrega importante.
Agora eu convido todos os presentes a voltarem o olhar e o coração para a tela deste Plenário. O vídeo que será exibido a seguir foi especialmente produzido pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) e traz uma homenagem sensível e potente à trajetória da aviação de caça no Brasil.
Em poucos minutos, seremos levados ao passado e ao presente, revivendo as imagens e os feitos dos homens que, nos céus da Itália, escreveram, com coração e sacrifício, uma das páginas mais importantes da nossa história militar.
Essa produção audiovisual também nos faz refletir sobre a continuidade desse legado: os caçadores de ontem abriram caminho para os profissionais de hoje, que seguem firmes na missão de proteger o nosso espaço aéreo e a soberania do nosso grande Brasil. Que essa homenagem toque a todos nós com o mesmo espírito que moveu aqueles pilotos: o espírito de servir, honrar e de jamais esquecer.
Solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição do vídeo.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Registro a presença, nesta mesa, do Senador Jorge Seif, de Santa Catarina, aqui conosco também. Obrigado.
Neste momento, concedo a palavra ao Senador Chico Rodrigues, para o seu pronunciamento.