Presidência durante a 32ª Sessão Especial, no Senado Federal

Encerramento de Sessão Especial destinada a celebrar e reconhecer a importância da aviação de caça na defesa do Brasil e homenagear os aviadores que dedicam suas vidas à soberania do espaço aéreo nacional.

Autor
Astronauta Marcos Pontes (PL - Partido Liberal/SP)
Nome completo: Marcos Cesar Pontes
Casa
Senado Federal
Tipo
Presidência
Resumo por assunto
Defesa Nacional e Forças Armadas, Homenagem:
  • Encerramento de Sessão Especial destinada a celebrar e reconhecer a importância da aviação de caça na defesa do Brasil e homenagear os aviadores que dedicam suas vidas à soberania do espaço aéreo nacional.
Publicação
Publicação no DSF de 07/05/2025 - Página 29
Assuntos
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Defesa Nacional e Forças Armadas
Honorífico > Homenagem
Matérias referenciadas
Indexação
  • ENCERRAMENTO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, RECONHECIMENTO, IMPORTANCIA, AVIAÇÃO MILITAR, DEFESA AEREA, TERRITORIO NACIONAL, HOMENAGEM, AVIADOR, PRESERVAÇÃO, SOBERANIA NACIONAL.

    O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Obrigado ao filho do nosso fotógrafo Miniró pela participação. Parabéns pelo trabalho do seu pai, parabéns pelo legado. Obrigado por estar conosco.

    Assinatura simbólica de projetos de lei.

    Senhoras e senhores, dando continuidade a esta sessão especial, realizaremos agora um ato simbólico de grande significado histórico e institucional: a assinatura de dois projetos de lei que têm como objetivo inscrever, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, nomes que marcaram profundamente a trajetória da Força Aérea Brasileira e da aviação de caça.

    O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, é reservado àqueles cuja atuação em favor do Brasil transcendeu o seu tempo, tornando-se legado permanente à nação.

    Tenho a honra de realizar este ato ao lado do Tenente-Brigadeiro do Ar Alcides Teixeira Barbacovi, que representa, nesta sessão, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, e do Deputado Federal Eduardo Cury, autor de um dos projetos que ora assinaremos, cuja presença muito nos honra.

    O primeiro projeto é o Projeto de Lei nº 4.774, de 2019, de autoria do Deputado Federal Eduardo Cury, do PSDB, de São Paulo, na época, e sob minha relatoria aqui no Senado, que propõe a inscrição do nome do Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Casimiro Montenegro é uma das figuras mais notáveis da história da ciência e da tecnologia do Brasil, idealizador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde eu me formei, e do então Centro Técnico de Aeronáutica, hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Seu legado é um dos pilares do desenvolvimento científico nacional. Como engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, é para mim uma honra especial relatar esse projeto que reconhece formalmente aquele que foi o visionário responsável por tornar possível a formação de gerações de engenheiros, cientistas e líderes para o Brasil. Casimiro Montenegro não apenas sonhou, mas estruturou as bases da tecnologia aeroespacial do nosso país. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura no Senado e segue agora para sanção presidencial, coroando um justo tributo a quem tanto contribuiu para o desenvolvimento nacional.

    O segundo projeto é o Projeto de Lei nº 1.711, de 2024, de minha autoria, que propõe a inscrição do nome do Tenente-Aviador Alberto Martins Torres no mesmo Livro dos Heróis. O Tenente-Aviador Alberto Martins Torres foi o piloto do primeiro grupo de aviação de caça, pioneiro na patrulha aérea durante a Segunda Guerra Mundial e responsável pelo único afundamento confirmado de um submarino inimigo em águas brasileiras. Posteriormente, completou cem missões de combate no front italiano, o maior número entre os pilotos brasileiros na frente do Mediterrâneo. Esse projeto foi aprovado, em caráter terminativo, pela Comissão de Educação e Cultura, no dia 12 de março de 2025, sob relatoria do meu amigo Senador Wilder Morais, e segue agora para a Câmara dos Deputados para sua apreciação, onde eu espero que seja aprovado com brevidade.

    Ambas as homenagens, ao Marechal Montenegro e ao Tenente Torres, representam um tributo justo à coragem, à inovação e ao compromisso com a pátria, que definem a história da Força Aérea Brasileira. Com esse gesto simbólico, reafirmamos nosso compromisso de manter viva a memória dos nossos heróis e de garantir que suas histórias continuem inspirando o nosso Brasil por muitas gerações. (Pausa.) (Palmas.)

    Encerramento.

    Cumprida a finalidade desta sessão especial do Senado Federal, agradeço às personalidades que nos honraram com sua participação, agradeço também a todos aqueles que nos acompanharam pelas redes do Senado e pela TV Senado, em especial agradeço às famílias dos agraciados, agradeço a todos aqueles que trabalham no dia a dia para a proteção do território nacional. Como falou a Senadora Damares, não é só no sentido militar estrito, mas é no sentido de proteger a nossa população no dia a dia, nas mais diversas necessidades, em especial nas situações mais difíceis por que o país passa – e infelizmente a gente vê acontecerem essas situações de tempos em tempos, e as Forças Armadas sempre estão lá.

    Agradeço à Marinha, agradeço ao Exército, aqui conosco também representados, aos embaixadores dos países amigos que estão aqui conosco.

    Só para lembrar uma historinha lá de Santa Maria, antes de a gente encerrar, eu lembro que, em Santa Maria... Quem conhece a cidade de Santa Maria, conhece a base aérea, sabe que a meteorologia de lá é bastante complexa, muda rapidamente: muitas vezes, você decola com um tempo bom, pousa com um instrumento PAR (Radar de Aproximação de Precisão), com combustível curto, numa situação complexa. A operação ali não é simples de ser realizada por causa da meteorologia.

    Eu lembro que, muitas vezes, a gente decolava no meio da madrugada, ficava de sobreaviso – lembra isso? –, dormia com o anti-G, basicamente, e era acionado no meio da madrugada para decolar, para cumprir alguma missão do Comando de Defesa Aérea.

    Coloque-se nessa situação, imagine conosco lá, eu e o Barbacovi decolando de madrugada, ele liderando a esquadrilha, eu na ala, por exemplo, e você vai para o avião chovendo, aquele tempo ruim, você fica imaginando, decolando aqui, agora, os filhos pequenos lá em casa, no berço, e você decolando naquela situação terrível para se decolar, mas você tem que decolar, você tem que cumprir a sua missão, você tem que fazer isso aí. E dá partida no avião, fecha o canopi, para não molhar tudo, segue para a cabeceira, quase que não dá para enxergar o avião do lado, para decolar na ala – você vê aquelas luzes piscando, mas quase que não dá para enxergar; quando começa a correr na pista, você começa a enxergar um pouco melhor com a limpeza do canopi, por causa da velocidade. Aí você decola, entra na ala e instrumento, instrumento, voo por instrumento, dentro de nuvem, turbulência, tudo que você pode imaginar, gelo, relâmpago, raio e assim por diante, aquela tempestade e você ali voando na ala, para cumprir aquela missão.

    E, nessa hora, você tem que acreditar no líder, você tem que acreditar que ele está liderando da forma como nós treinamos, ele está liderando da forma correta. E você tem que manter a posição ali. E é difícil, tem que acreditar muito naquilo. Você vai sentir todo tipo de situação, como se estivesse virando na ala ali, mas tem que acreditar no líder.

    E, eventualmente, depois de passar por toda aquela turbulência, vai chegar um momento em que você vai sair daquela turbulência, daquelas nuvens pretas, daquelas nuvens escuras de tempestade e vai chegar em cima de um tapete branco de nuvens, no nascer do Sol. Quem é piloto já sentiu isto aí: no nascer do Sol, você vê aquele tapete branco de nuvens; você chegou ali e cumpre a missão e vai cumprir a missão em algum lugar; você chegou ali, você passou por toda aquela situação. Mas, para passar por aquela situação, você teve que usar o seu conhecimento, a sua habilidade como piloto, mas principalmente a atitude como piloto, defendendo, sabendo que você tem uma missão a cumprir e mantendo a posição.

    Por que eu falei isso aqui agora nesse encerramento, eu lembrei lá de Santa Maria e disso? Muitas vezes a gente vê o país da gente passando por situações difíceis, como se fosse uma tempestade que, a princípio, quando você está dentro dela, parece que não tem fim. Você acha que nunca vai conseguir sair dessa situação. São problemas econômicos, são todos os tipos de problemas que a gente vê o nosso país passando, dificuldades de toda espécie, riscos à democracia, riscos à liberdade das pessoas, e parece que não tem fim isso aí. Mas, se você mantiver a posição, mantiver os seus princípios, valores, mantiver aquilo para o qual você foi treinado – vamos colocar dessa forma, em termo geral, para a população –, aquilo que você precisa fazer pelo seu país, sabendo do seu dever e mantendo a posição ali, acreditando, principalmente, e fazendo a sua parte, vai chegar uma hora em que essa tempestade vai passar e você vai estar em cima daquele tapete de nuvens brancas ali e você vai cumprir a sua missão. O país vai cumprir a sua missão.

    Então, é essa mensagem que eu queria deixar aqui nessa homenagem aos 80 anos da aviação de caça – uma homenagem aos nossos heróis, ao legado que eles deixaram para gente desde os tempos da Segunda Guerra Mundial, nos céus da Itália. E hoje esse legado continua a ser cumprido pelos nossos pilotos atuais, pilotos de caça, mas também por todos aqueles que participam no dia a dia pelo nosso país, lembrando o legado do nosso Marechal Casimiro Montenegro, lembrando o legado dos outros homenageados também, porque é importante que o país se lembre dessas pessoas e dê o devido valor. Muitas vezes a gente esquece de dar valor à nossa história aqui no nosso país. E um país que não vive a história não tem muito direito a um bom futuro, então é bom que a gente se lembre da nossa história e faça a nossa parte no nosso país. E, por mais difícil que seja a situação, a gente vai sair dessa situação e a gente vai ter, sem dúvida nenhuma, aquele país que a gente sempre sonhou em deixar para os nossos filhos. Isso depende de cada um de nós.

    Obrigado a todos.

    Está encerrada a sessão.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 07/05/2025 - Página 29