Pronunciamento de Eduardo Girão em 16/05/2025
Discurso durante a 41ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Comentários sobre a CPI das Bets e críticas à influência das empresas de apostas on-line no futebol brasileiro, com elogios ao técnico Filipe Luís, do Flamengo.
Posicionamento contrário à interferência do STF na crise atual da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Desporto e Lazer,
Telefonia e Internet:
- Comentários sobre a CPI das Bets e críticas à influência das empresas de apostas on-line no futebol brasileiro, com elogios ao técnico Filipe Luís, do Flamengo.
-
Atuação do Judiciário,
Desporto e Lazer:
- Posicionamento contrário à interferência do STF na crise atual da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
- Publicação
- Publicação no DSF de 17/05/2025 - Página 6
- Assuntos
- Política Social > Desporto e Lazer
- Infraestrutura > Comunicações > Telefonia e Internet
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Indexação
-
- COMENTARIO, ATUAÇÃO, CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas (CPIMJAE), CRITICA, INFLUENCIA, EMPRESA, APOSTAS ESPORTIVAS, FUTEBOL, ELOGIO, TREINADOR PROFISSIONAL DE FUTEBOL, CLUBE, RECUSA, CONTRATO, PUBLICIDADE, REPUDIO, LEGALIZAÇÃO, JOGO ELETRONICO.
- CRITICA, INTERFERENCIA, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ENFASE, ANDRE MENDONÇA, GILMAR MENDES, PROCESSO ELEITORAL, CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF), EXISTENCIA, CONFLITO DE INTERESSES, INSTITUTO, DIREITO PUBLICO, DEFESA, IMPEACHMENT, MINISTRO, COMENTARIO, MANIFESTO, FEDERAÇÃO, FUTEBOL, ESTADOS, SOLICITAÇÃO, RENOVAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO, ENTIDADE.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Muitíssimo obrigado, aniversariante do dia, meu querido Senador Confúcio Moura, do estado irmão, do Estado de Rondônia, ele que foi Governador do estado por duas vezes – né, Senador? – e está sempre muito presente aqui, com boas causas, no Senado Federal.
Eu queria desejar ao senhor muita luz, muita paz, muita saúde, nesta data tão especial para o senhor, para os seus amigos, para as pessoas que o amam, para quem o ama. Aproveite cada minuto deste dia, porque as energias do universo estão voltadas para o senhor. Então, quero aqui render homenagens por abrir esta sessão mesmo no dia do seu aniversário.
Quero saudar as brasileiras e os brasileiros que nos assistem pelas lentes, pelo trabalho da equipe da TV Senado, Rádio Senado, Agência Senado; e saudar os assessores aqui, os funcionários da Casa, e as Senadoras e os Senadores que, embora não possam estar presentes hoje aqui, estão nos acompanhando de suas bases, dos seus gabinetes.
Sr. Presidente, eu, sei que o senhor é um amante do esporte também. Inclusive, parabéns pelo seu técnico, Filipe Luís, porque mostrou muita coragem em ir contra essa maré das apostas esportivas que está endividando o brasileiro, acabando com o comércio, destruindo empregos, devastando famílias e vidas pelo vício da ludopatia.
Eu acredito que o Senado vai dar uma resposta. Nós tivemos uma semana muito tumultuada em relação a esse assunto, com a vinda de influencers aqui, mostrando até como é que se joga, fazendo propaganda, com direito a show de selfie, expondo o Senado Federal – mais do que ele está exposto – à chacota; mas o que eu posso dizer para o senhor é que foi muito importante esta essa semana, porque mostrou que a gente vai ter que tomar uma posição para barrar. Nós precisamos barrar essa tragédia humanitária que são essas casas bets. Só quem ganha são poucos, magnatas; e quem perde são milhões.
Então, ficou uma chamada de responsabilidade maior para, no mínimo, proibirmos totalmente a publicidade, como no cigarro é proibida, para que a gente estanque essa sangria desatada.
Agora, para mim, na minha opinião, e sempre a deixei clara sobre esse assunto aqui... Inclusive, votei contra quando foi votada no Plenário esta matéria – a legalização dos jogos de azar, de bets, de apostas esportivas. Eu avisei tudo o que iria acontecer e que está acontecendo, todo esse caos que está acabando, inclusive, com o futebol – e eu vou entrar na pauta, é minha pauta de hoje o futebol. A CBF... Toda essa lama parece que tem um desfecho positivo, nessas últimas horas. Vamos torcer para que sim.
Para mim tinha que acabar, eu tenho um projeto de lei para acabar, para proibir novamente aposta esportiva, bet, porque o estrago já foi feito, os sinais estão aí. E ainda tem gente – acreditem se quiser – com zero responsabilidade com a população brasileira, com zero compromisso social, que está pensando ainda, nas próximas semanas, em colocar, nesta Casa, a votação de cassinos e bingos, milhares deles. É aquela velha história: além da queda, o coice. Não vamos permitir. Não vamos permitir, vamos denunciar, no limite das forças, até porque a população quer saber, a população está com ojeriza disso. E quer saber a posição de cada um. Eu espero que o Senado, em vez de cometer outro erro, repare o que já fez de errado.
Sr. Presidente, eu comecei parabenizando V. Exa. pelo Filipe Luís, pelo técnico do Flamengo, porque ele teve uma posição corajosa, que vai contra a maré, dizendo que já foi convidado várias vezes por casas de apostas, com volumes astronômicos, para que fizesse propaganda, estando à frente do maior time do Brasil, talvez do mundo, que é o Flamengo, e disse: "Não". Ele disse que sabe o mal que faz, ele não quer.
E aí esteve uma influencer aqui, a Virginia, que veio esta semana ao Senado – e foi um negócio incrível, a imprensa veio toda. Aquela CPI nunca teve tanta gente ali dentro, tanta exposição, foi bom por isso, porque eu vou contar o lado positivo. E ela... Eu fiz esse questionamento, elogiei o técnico do Flamengo, Filipe Luís, e ela disse: "Não, mas ele ganha salário. Ele recebe de um clube que é patrocinado por bet, que tem uma bet, o Flamengo". Aí eu disse: "É aí que está, ele tem lugar de fala. Ele tem legitimidade". Ele vai fazer o quê? – se o talento dele é ser técnico de futebol. Foi um grande jogador e hoje é um técnico vitorioso. Ele vai fazer o quê? Ele vai desistir? Qual é o outro clube que vai abraçá-lo? Não tem nenhum hoje, todos estão contaminados pela bet. Estão viciados os clubes pela bet, essa é a grande realidade, a começar pela CBF, que é patrocinada por duas bets, nas Série B e Série A, fora os outros campeonatos. Então, eu disse: "Ele fez correto, ele foi firme e pode ser o movimento dele". Eu espero que outros jogadores, que outros técnicos, que outros dirigentes façam o que ele fez, porque é aí que a gente vai mudar, com o exemplo vindo de cima. Então, imaginem a influência dele com essa atitude corajosa perante milhões de torcedores, não apenas do Flamengo. Porque a população... Eu digo ao senhor: eu vou ao estádio, fui Presidente do Fortaleza, e sempre que eu estou no Ceará eu vou ao estádio. E eu sou procurado o tempo todo por pessoas pedindo, pelo amor de Deus, para que a gente faça alguma coisa, porque o filho está com um problema, o irmão está endividado, gente inclusive tentando suicídio. Eu trouxe aqui para o Senado alguns casos, depoimentos, algumas pessoas vieram dar depoimentos.
Então, Sr. Presidente, o que o Filipe Luís fez é de uma grandeza que a gente precisa ressaltar. E eu fui Presidente e sei que a maioria dos jogadores ou são evangélicos – a maioria são evangélicos –, ou católicos. Então, essa questão da jogatina é algo muito firme. Então, que outros se posicionem, porque vão salvar vidas. Quero deixar isso claro aqui, esse estímulo.
Eu vim falar hoje sobre CBF, a entidade máxima do nosso futebol. Inclusive, não por acaso, eu estou com essa gravata com as cores canarinhas, exatamente, da nossa bandeira, que são uma marca do futebol brasileiro o verde e o amarelo. Inclusive, quero agradecer a quem me deu, coincidentemente, essa gravata: foi exatamente um Deputado, na semana passada, durante a marcha que a gente estava fazendo pela anistia aqui na Esplanada dos Ministérios, o Deputado Lenildo Mendes do Santos Sertão, conhecido como Deputado Caveira, lá do PL, do Pará. Quero agradecê-lo. Ele teve um gesto que me emocionou. A gente estava no trio ali, naquele momento, eu estava descendo para caminhar com o povo e ele estava subindo. E eu disse: "Que gravata bonita!". Ele pegou, tirou – tirou –, ele estava de paletó, tirou a gravata: "Pois é sua". No começo da marcha. Eu achei aquilo um negócio... Muito obrigado, Deputado.
E a CBF, que está em xeque neste momento, com tantas denúncias, parece que tem um desfecho agora se não houver interferência suprema novamente, um desfecho pelo qual podemos voltar a ter esperança de que o futebol brasileiro entre no rumo. E eu quero ler aqui um manifesto pela estabilidade, renovação e descentralização do futebol brasileiro, que foi publicado ontem, 15 de maio de 2025, pelas federações, praticamente, por unanimidade das federações de todo o país, as federações de futebol, que são quem elege, junto com os clubes, elegem os presidentes. São as que têm mais força para eleger o Presidente da CBF.
Então, olhem só... E aí eu vou explicar a importância disso aqui, para vocês entenderem:
O futebol brasileiro vive um momento decisivo. É urgente enfrentar desafios estruturais que há anos limitam o potencial do nosso futebol. Precisamos de um calendário equilibrado, arbitragem profissionalizada, gramados de qualidade, segurança nos estádios e competições fortalecidas.
Para que isso aconteça, é fundamental garantir estabilidade institucional à CBF. Precisamos virar a atual página de judicialização e instabilidade que há mais de uma década compromete o bom funcionamento da entidade e o avanço do futebol brasileiro. É também momento de resgatar a autonomia interna da CBF, hoje sufocada por uma estrutura excessivamente centralizada e desconectada das instâncias que compõem o ecossistema do futebol nacional.
Além da estabilidade, o cenário exige uma renovação de ideias, de práticas e de lideranças, bem como a profissionalização definitiva das estruturas de gestão. A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência, e também precisa voltar a ser a casa de todos os que constroem o futebol brasileiro, com um ambiente saudável, inspirador e descentralizado, em que cada um possa contribuir ativamente para a melhoria do esporte que constitui verdadeiro patrimônio nacional.
Unidos com esse propósito, assumimos o compromisso de construir uma candidatura à Presidência e Vice-Presidência da CBF, comprometida com um novo ciclo para o futebol brasileiro, mais democrático, mais integrado e mais aberto à participação de todos.
Queremos uma CBF forte, querida por dentro, admirada por fora e novamente amada por todos que fazem do futebol a alma do nosso país.
Assinam esse manifesto as seguintes federações [...]
Aí tem aqui várias federações, que colocaram suas logomarcas.
Mas, Sr. Presidente, por que essa carta é muito importante? Parece-me que nós estamos tendo um desfecho... Depois de muita tormenta, parece que vem a bonança. Espero não ser surpreendido mais uma vez. Porque a gente tem denunciado – eu, o Senador Carlos Portinho e outros colegas aqui – interferências indevidas dentro da CBF, a partir, inclusive, de denúncias durante a eleição.
O processo eleitoral começou no ano passado; teve a Justiça do Rio de Janeiro atuando. Esse processo foi para as mãos do Ministro André Mendonça – não me pergunte como chegou. Daqui a pouco, briga de bar vai parar no Supremo Tribunal Federal, que eu tenho criticado aqui. Manda no país, faz gato e sapato com algumas decisões que rasgam a nossa Constituição. E o Ministro André Mendonça toma a decisão de afastar o atual Presidente da CBF.
Logo depois, o PCdoB entra com um recurso, uma ADPF, que vai para o Supremo Tribunal de novo. E, em vez de esse recurso, essa ADPF, ir parar nas mãos do André Mendonça, do Ministro André Mendonça – e todo mundo sabe que o processo é assim dentro do Supremo: quem já está analisando o caso vai recebendo as demandas relativas, correlacionadas –, não, o Ministro Presidente do Supremo, Barroso, envia para Gilmar Mendes.
E aí a imprensa começa a mostrar denúncia para lá, denúncia para cá, de que Gilmar Mendes, o Ministro, teria um conflito de interesse, porque o seu instituto – e ele ontem confessou, no meu modo de entender, ele reconheceu, embora negasse, mas ele reconheceu que o instituto é dele, do qual ele é sócio, o IDP – fez um contrato de cerca de R$10 milhões, algo assim; um contrato milionário com a CBF.
E aí a repórter do UOL pergunta para ele ontem: "Olha, o Senador Eduardo Girão, do Partido Novo, do Ceará, fez esse questionamento, essa crítica, crítica, ao senhor". E ele responde – inclusive tomando... estava tomando água – com uma resposta curta. Toma água no começo, toma água no fim, como se estivesse nervoso. Ele coloca que "o Eduardo Girão, a gente já conhece no Ceará e no Brasil". E não diz por quê.
Conhece com quê? Conhece como? Pelo enfrentamento à corrupção que eu faço aqui? Isso é bom, esse conhecimento, e não de ter qualquer tipo de conflito de interesses em fazer julgamentos, em fazer alguma coisa.
Eu estou analisando, Sr. Presidente, devo entrar com um pedido de impeachment sobre esse caso, que é um caso que, no meu modo de entender, é mais uma intervenção indevida do Supremo Tribunal Federal, de um Ministro em algo que ele tinha que ter se declarado suspeito, tinha que ter se declarado, exatamente, com não condições de fazer essa deliberação, então tinha que se declarar impedido.
E, aí, eu venho aqui, neste momento, parabenizar os repórteres da ESPN que foram criticar, inclusive levando esse tema também, que o Presidente da CBF foi beneficiado com a liminar do Ministro Gilmar Mendes. Seis deles, eu li os nomes aqui, em outra oportunidade, foram afastados por criticarem o Presidente da CBF.
Que democracia nós vivemos em que não se pode criticar? Não! Não, não aceitaremos isso!
Parabéns a esses repórteres que fizeram parte, junto com Senadores desta Casa, junto com sites, que tiveram a coragem de mostrar, por exemplo, que presidentes da federação estariam recebendo um aumento de – receberam – R$50 mil em média para mais de R$200 mil por mês, fora as mordomias que eles têm direito, para efetivamente eles... Aí foi depois da eleição, mas é no período, não é? Então, por que houve esse aumento ali? Para que existisse uma unanimidade?
Outra coisa também que foi denunciada pela imprensa, que dois Ministros do STF estariam aguardando as duas vice-presidências com salários maiores ainda, astronômicos, para resolver essa questão judicial.
E aí ficam aquelas perguntas: Não houve? Não foi cedido? É legal fazer esse tipo de coisa?
Não pode! A bola não entra por acaso, para a bola entrar para a seleção brasileira, que até dois dias atrás não tinha técnico, contrataram o Ancelotti a preço de ouro – a preço de ouro... Milhões e milhões de reais, com premiações astronômicas de dezenas de milhões de reais...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... para tentar ver se faz uma cortina de fumaça, se acalmam as coisas. Não é assim, não! Não é assim!
A bola não entra por acaso, tem que ter ética para entrar, tem que ter respeito para entrar. No Brasil, o talento é o futebol, nós somos a paixão nacional.
Então, Sr. Presidente, que esse caminho que está sendo aqui traçado não tenha uma nova interferência do STF. A decisão do Rio de Janeiro ontem afastou novamente o Presidente Ednaldo Rodrigues e está sendo levado o recurso para o STF de novo. Que eles respeitem a decisão.
O Ministro Barroso, fica a dúvida: vai mandar para Gilmar Mendes, depois de tudo isso? Vai enviar para o André Mendonça? Ou vai dizer: "Não, a decisão é da Justiça do Rio", que é onde tudo começou. Eu acho que é assim que tem que ser. A Corte Suprema tem que ser apenas para questões constitucionais. Uma corte constitucional é assim que deveria ser.
Então, Sr. Presidente, já lhe agradecendo muito pela tolerância, eu quero manifestar aqui a minha fé, a minha esperança, de que novos rumos nós teremos, novos ares no futebol brasileiro, se for respeitado o bom senso, se forem colocadas a justiça e a verdade em primeiro lugar.
Que Deus nos guie, nos abençoe mais uma vez.
Parabéns pelo seu aniversário. Estarei com a minha família orando pela sua vida no Evangelho que fazemos. Tudo de bom para o senhor, para sua família.
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Gostaria que V. Exa. ocupasse aqui um pouquinho a Presidência, para que eu faça um breve pronunciamento.
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Claro.