Pronunciamento de Leila Barros em 27/05/2025
Não classificado durante a 54ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Registro de solidariedade de S. Exa. à Ministra Marina Silva, diante dos episódios ocorridos em audiência pública no Senado Federal.
- Autor
- Leila Barros (PDT - Partido Democrático Trabalhista/DF)
- Nome completo: Leila Gomes de Barros Rêgo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Não classificado
- Resumo por assunto
-
Mulheres:
- Registro de solidariedade de S. Exa. à Ministra Marina Silva, diante dos episódios ocorridos em audiência pública no Senado Federal.
- Publicação
- Publicação no DSF de 28/05/2025 - Página 123
- Assunto
- Política Social > Proteção Social > Mulheres
- Indexação
-
- SOLIDARIEDADE, MARINA SILVA, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA, PARTICIPAÇÃO, AUDIENCIA PUBLICA, Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), SENADO.
- REPUDIO, MACHISMO, MANIFESTAÇÃO, AUDIENCIA PUBLICA, Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), MARINA SILVA, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) – Posso rapidamente?
Sr. Presidente, a gente está encerrando aqui a nossa sessão e eu vou ter que voltar ao tema inicial da nossa sessão plenária hoje, que foi a questão do tratamento dado à Ministra Marina no dia de hoje, na Comissão de Infraestrutura.
Assim, eu ouvi atentamente todas as manifestações dos Senadores que estiveram hoje na Comissão. Óbvio que o tom apresentado pelos colegas era um tom mais tranquilo, a testosterona certamente abaixou. Então, para quem esteve na Comissão de Infraestrutura hoje e para quem assistiu hoje à sessão, foi um dos dias mais tristes nesta Casa em termos de comportamento.
Ora, os colegas já me viram aqui chorar, já me viram me indignar, já me viram até apelar, falando que vocês têm mãe, vocês têm filhas, vocês têm irmãs, mas a Ministra Marina – eu quero dizer para os colegas que não estiveram hoje na Comissão de Infraestrutura – foi desrespeitada de uma forma tão chocante que ela não teve direito de fala inúmeras vezes quando ela estava se defendendo, ela teve a fala dela interrompida, o áudio desligado, o microfone desligado e, outra coisa, ela não teve o direito de exercer... Toda vez que foi citada pelos colegas de forma agressiva, ela não teve o direito de fala de defesa.
E, pasmem, quando falam: "Ah, a Ministra Marina estava alterada"... Gente, ponham-se no lugar de uma pessoa que chega a uma Comissão, que é convidada, uma Ministra que já foi Senadora, Senadora da República, que conhece muito bem os ritos desta Casa... Ela é convidada para... Claro, tem o objeto, para tratar de questões da pasta dela, meio ambiente, e ela começa a ser atacada de uma forma por um, por outro... Toda vez que ela tentava exercer o direito dela de fala, era interrompida, o microfone desligado, e vocês querem o quê? Que tipo de reação vocês querem de uma mulher que se sente acuada? É dizer o que ela disse, e, aí, parabéns, Ministra Marina, a senhora não é mulher submissa. É isso aí.
Esta Casa está precisando, mais uma vez, entender uma coisa que... Enfim. Eu tenho seis anos na Casa, não sei quantos anos mais eu vou ter, pelo menos o meu mandato está acabando no ano que vem. Eu quero ver mais quantas vezes a gente vai ter que vir aqui a este Plenário, não só a Senadora Leila, mas a maioria das Senadoras, se não for a totalidade, para falar de comportamento. Gente, não é o objeto da audiência, não é como se questiona a pessoa, a autoridade que foi convidada, porque convocação não vai ter, não. Nós vamos fazer um auê aqui dentro, e não vai ter convocação. Teve gente que fez papel pior aqui e ninguém pediu convocação. Não vai ter convocação da Marina porque nós vamos fazer uma mobilização nacional, se tiver uma convocação aqui, para qualquer mulher que foi tratada como ela foi tratada hoje. Não vai ter, não vai ter porque nós não vamos deixar.
Então, eu gostaria de pedir aos colegas... E, olha, não estou generalizando, porque eu consigo identificar vários colegas aqui que entendem que eu não estou falando para eles, mas tem outros aqui em que a gente vê, insistentemente, um comportamento... E eu quero dizer muito claramente para vocês que não é feminismo, não é: "Ah, ela é comunista, ela é esquerdista". Não é pauta ideológica, é comportamento social. Nós todos fomos aqui eleitos por uma sociedade que espera, no mínimo, um exemplo civilizado e educado com as mulheres, e não foi, definitivamente não foi o que aconteceu hoje de manhã.
Estava todo mundo tranquilo aqui, falando bonito: "A Ministra Marina, blá-blá-blá, ela se alterou". Quem viu os vídeos, quem acompanhou a TV, quem estava vendo o que aconteceu hoje de manhã sabe que tipo de comportamento esta Casa teve e, sinceramente, como Líder da bancada, representante desta Casa: não concordo, sociedade brasileira, não concordo com esse comportamento. E também me envergonho. Eu me envergonho do que aconteceu hoje.
E a Ministra Marina está certa, porque, não, ela não é uma mulher submissa, e nenhuma de nós aqui é. Nós não podemos aceitar, não podemos aceitar mais esse tipo de comportamento. Vou dizer, enquanto estiver no Senado, que nós não podemos aceitar, porque nós somos exemplo para a sociedade. Se hoje os números de feminicídios estão assim, se a violência contra a mulher... Porque ninguém acompanha – "Pauta de meio ambiente e pauta feminina? Nossa, vamos parar de mi-mi-mi, Leila? Vamos parar de mi-mi-mi?", "Lá vem ela falar de cota, lá vem ela defender as mulheres" –, mas, se vocês prestarem atenção nas estatísticas de violências, nas estatísticas de homicídios, de feminicídios...
Leiam o Atlas, o Atlas da Violência. Todos os homicídios neste país diminuíram, mas os feminicídios aumentaram. Por quê? Há uma escalada sem precedentes da banalização da vida das mulheres. Nós não podemos aceitar esse comportamento nesta Casa. Independentemente das divergências políticas, ideológicas...
(Soa a campainha.)
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) – ... é o exemplo que se dá para fora, para a sociedade, que não dá mais para aceitar o comportamento de certos colegas aqui nesta Casa.
Desculpe-me, sociedade brasileira. Peço desculpas às mulheres e principalmente à Ministra Marina.
Obrigada.